16 - nov

Viroses do verão – Cuidados nas viagens de férias

Categoria(s): Infectologia, Programa de saúde pública, Saúde Geriátrica

Viroses do verão – Cuidados nas viagens de férias

As doenças infecciosas constituem as principais causas de morbidade entre os viajantes. As diarréias representam 50% a 68% dos problemas; as afecções das vias aéreas superiores estão na segunda posição, com 14% a 31%; e a febre na terceira, com 12% a 15%. As dermatoses e as doenças sexualmente transmissíveis ocupam, respectivamente, a quinta e sexta posição entre as causas de doenças de viagem.

O espectro de novas doenças infecciosas ronda o mundo globalizado atual a um ritmo sem precedentes, segundo o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado no final de agosto, com o título Um Futuro Melhor: segurança em saúde pública global no século 21. Desde 1967, ao menos 39 novos agentes patogênicos foram identificados, além do HIV, a febre hemorrágica ebola, a febre hemorrágica de Marburg (ambos na África) e a SARS, ou síndrome respiratória aguda grave, constata o relatório da OMS.

Infelizmente a maioria das pessoas não tem noção dessa realidade e não procura um médico atrás de informação e orientação sobre as precauções que devem ser tomadas antes das viagens.

Centro de Informações em Saúde para Viajantes (Cives) [on line]

O primeiro serviço brasileiro de medicina de viagem foi o Centro de Informações em Saúde para Viajantes (Cives), criado em março de 1997 por iniciativa de alguns professores do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FMUFRJ). Logo depois, dois novos serviços foram criados em São Paulo. Hoje, existem quatro centros funcionando no País.

Orientações básicas

O viajante deve ir ao médico entre seis e quatro semanas antes da partida. Há vacinas que têm de ser tomadas com antecedência. No caso da anti-rábica, são necessários 21 dias.

Durante o vôo – O viajante deve ingerir bastante líquido e deixar de lado as bebidas alcoólicas. Quando optar por consumi-las, recomendar que ele tome o dobro de água para se manter hidratado. Usar meias elásticas de média compressão é recomendado para idosos, diabéticos e para quem tem predisposição à trombose. Usar sapatos confortáveis e fazer exercícios durante o vôo são outras duas medidas recomendadas para evitar a trombose, também conhecida como “síndrome da classe econômica” por causa do espaço exíguo de que dispõem os passageiros dessa classe. O uso de aspirina três dias antes do vôo pode diminuir o risco de trombose. Mas deve ser recomendada com cuidado devido às contra-indicações.

Nos passeios – A pessoa deve evitar ir a mercados ou feiras livres que tenham exposição de animais. A manipulação de animais também deve ser evitada para afastar o risco de mordidas ou outro tipo de contaminação. Passar sempre protetor solar e repelente de insetos quando sair. O último contato com a pele deve ser o do repelente. Usar bota de cano longo em áreas rurais ou silvestres e, em caso de picada por animais peçonhentos, evitar sucção e torniquete.

Alimentação – O viajante deve lavar sempre as mãos. Ferver a água e optar por água engarrafada, hermeticamente fechada, em vez de ensacada, ou água com gás, que representa ainda menos perigo. Não consumir alimentos crus, como folhas, legumes e ovos, ou carnes mal passadas. Descascar as frutas e escovar os dentes com água mineral ou fervida quando houver suspeita sobre o tratamento da água encanada.

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05 - ago

Forum – Vacinação

Categoria(s): 1 Opinião Clínica, História da medicina, Infectologia, Médicos Ilustres, Pneumologia geriátrica, Programa de saúde pública

Opinião sobre o caso clínico

Esta categoria de artigos se presta para o fórum de casos clínicos propostos pelos internautas com dúvidas sobre condutas diagnósticas e terapêuticas. Os colegas internautas poderão deixar opinião a respeito do assunto na sessão comentários. A imagem abaixo é do Médico Edward Jenner (1749-1823), que graças a sua observação segura e sem preconceito, seguida de uma análise metódica e eficiente, mesmo trabalhando numa localidade rural da Inglaterra, conseguiu imunizar as pessoas contra a nefasta varíola humana. O método terapêutico realizado pelo Dr. Jenner recebeu o nome de vacina ( do latim vacca).

Apesar da prática empirica de Jenner ter iniciado em 1773 somente em 1975, após 200 anos, que a varíola foi totalmente irradicada do mundo. Apesar de Edward Jenner ter salvado a humanidade da terrível varíola, e obter uma pensão substanciosa do parlamento britânico, nunca abandonou de todo sua modesta clínica rural. o casarão onde recebia os camponeses, vacinando-os gratuitamente, ainda permanece de pé.

Edward Jenner

Caso clínico

  • Senhor de 66 anos, foi ao posto de saúde para saber se tinha que fazer a vacinação antipneumocócica, uma vez que foi tratado de penumonia pneumocócica há 8 meses, quando ficou internado por esse motivo. Apresenta-se saudável, nutrido e não faz tratamento de para doenças crônicas.

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21 - jun

Virose do verão – Influenza A (H1N1) – Gripe suína

Categoria(s): Infectologia

Resenha

Vírus Influenza

Segundo o Ministério da Saúde pelo menos 2 mil pessoas morrem ao ano em conseqüência da gripe sazonal (gripe comum). A influenza A (H1N1), que ficou popularmente conhecida como gripe suína, é uma forma variante da influenza.

A pandêmica influenza A (H1N1) volta a representar uma ameaça devido a combinação de mutações, crescente resistência a antibióticos e dificuldade dos sistemas de saúde pública em seguir os pacientes em tratamento. Com a capacidade de cruzar fronteiras e se espalhar com a mesma velocidade com que as pessoas se deslocam de um país a outro, ou seja, em algumas horas.

Este fato chama a atenção para as doenças infecciosas que constituem as principais causas de morbidade entre os viajantes. As diarréias representam 50% a 68% dos problemas; as afecções das vias aéreas superiores estão na segunda posição, com 14% a 31%; e a febre na terceira, com 12% a 15%. As dermatoses e as doenças sexualmente transmissíveis ocupam, respectivamente, a quinta e sexta posição entre as causas de doenças de viagem.

O espectro de novas doenças infecciosas ronda o mundo globalizado atual a um ritmo sem precedentes, segundo o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado no final de agosto, com o título Um Futuro Melhor: segurança em saúde pública global no século 21. Desde 1967, ao menos 39 novos agentes patogênicos foram identificados, além do HIV, a febre hemorrágica ebola, a febre hemorrágica de Marburg (ambos na África) e a SARS, ou síndrome respiratória aguda grave, constata o relatório da OMS.

Infelizmente a maioria das pessoas não tem noção dessa realidade e não procura um médico atrás de informação e orientação sobre as precauções que devem ser tomadas antes das viagens.

Centro de Informações em Saúde para Viajantes (Cives)

O primeiro serviço brasileiro de medicina de viagem foi o Centro de Informações em Saúde para Viajantes (Cives), criado em março de 1997 por iniciativa de alguns professores do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FMUFRJ). Logo depois, dois novos serviços foram criados em São Paulo. Hoje, existem quatro centros funcionando no País.

Orientações básicas

O viajante deve ir ao médico entre seis e quatro semanas antes da partida. Há vacinas que têm de ser tomadas com antecedência. No caso da anti-rábica, são necessários 21 dias.

Durante o vôo – O viajante deve ingerir bastante líquido e deixar de lado as bebidas alcoólicas. Quando optar por consumi-las, recomendar que ele tome o dobro de água para se manter hidratado. Usar meias elásticas de média compressão é recomendado para idosos, diabéticos e para quem tem predisposição à trombose. Usar sapatos confortáveis e fazer exercícios durante o vôo são outras duas medidas recomendadas para evitar a trombose, também conhecida como “síndrome da classe econômica” por causa do espaço exíguo de que dispõem os passageiros dessa classe. O uso de aspirina três dias antes do vôo pode diminuir o risco de trombose. Mas deve ser recomendada com cuidado devido às contra-indicações.

Nos passeios – A pessoa deve evitar ir a mercados ou feiras livres que tenham exposição de animais. A manipulação de animais também deve ser evitada para afastar o risco de mordidas ou outro tipo de contaminação. Passar sempre protetor solar e repelente de insetos quando sair. O último contato com a pele deve ser o do repelente. Usar bota de cano longo em áreas rurais ou silvestres e, em caso de picada por animais peçonhentos, evitar sucção e torniquete.

Alimentação – O viajante deve lavar sempre as mãos. Ferver a água e optar por água engarrafada, hermeticamente fechada, em vez de ensacada, ou água com gás, que representa ainda menos perigo. Não consumir alimentos crus, como folhas, legumes e ovos, ou carnes mal passadas. Descascar as frutas e escovar os dentes com água mineral ou fervida quando houver suspeita sobre o tratamento da água encanada.

Veja mais – Centro de Informações em Saúde para Viajantes (Cives)

Vacinação nos idosos

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16 - jul

Bronquite e viagem aérea

Categoria(s): Caso clínico, Pneumologia geriátrica

Interpretação clínica

  • Mulher de 67 anos, com tosse seca crônica e repetidos episódios de bronquite, procura a sua orientação para a medidas preventivas que devem ser tomadas durante uma viagem da cidade de São Paulo (BR) para Taiwan, durante o mês de julho, quando ira visitar a filha e a neta recém-nascida. Especificamente qual o antibiótico tomar durante a viagem, a fim de se defender contra possível bronquite grave ou mesmo pneumonia?

Vírus da influenza

A extensa recirculação de ar em aviões a jato, visando poupar combustível, coloca os passageiros em risco de infecções respiratórias virais. A influenza viral no hemisfério sul (Brasil) usualmente tem pico em junho/julho, época que a paciente tenciona viajar. Normalmente, o governo brasileiro disponibiliza vacinas nos postos de saúde, em campanha de vacinação para os idosos nos meses de abril e maio, antecedendo os picos de influenza viral. Nesta ocasião pode ser aplicada a vacina pneumocócica.

A vacina para influenza inclui cepas dos tipos A e B, certamente se esta paciente já tomou a vacina, está imunizada e terá viagem tranquila. Se esta paciente não recebeu a vacina pneumocócica, a imunização seria apropriada.

Amantadina e rimantadina podem reduzir a incidência do vírus da influenza tipo A, mas apresentam efeitos colaterais no sistema nervoso central para pessoas idosas. Esses agentes virais não são efetivos contra o vírus da influenza tipo B, mas, felizmente, este tipo é mais raro. O zanamivir (10 mg ao dia) atua bem nos tipos A e B da influenza, mas pode ocasionar broncoespasmo transitório. Oseltamivir, outro inibidor da neuraminidase, é uma droga oral recentemente comercializada.

A profilaxia antibacteriana para a prevenção da bronquite bacteriana aguda não tem sido indicada, pois há pouca evidência que a viagem aérea aumente a incidência desse evento.

Torna-se fundamental na viagem longas inúmeras medidas preventivas, sobre tudo locomoção e hidratação durante o vôo. Veja Viagens e Trombose Venosa

Referência:

Hayden FG, Atmar RL, Schilling M, Johnson C, Poretz D, et al. Use of the selective oral neuraminidase inhibitor oseltamivir to prevent influenza. N Engl J Med 1999;341:1336-43.

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28 - fev

Vacinação – Custo versus Benefício

Categoria(s): Pneumologia geriátrica, Programa de saúde pública

Opinião

A gripe é considerada uma das doenças infecciosas que mais preocupam as autoridades sanitárias em todo mundo. No último século, ocorreram três pandemias (epidemia em escala mundial) responsáveis por mais de 50 milhões de mortes, problemas sociais e perdas econômicas. Acredita-se que uma nova pandemia poderá acontecer nos próximos anos, provocando milhões de casos da doença. A característica mutável do vírus influenza, causador da gripe, reforça essa hipótese.

A campanha de vacinação do idoso segue recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda de priorizar campanhas de vacinação anual para os idoso. Pois, a gripe entre jovens não representa problema de saúde pública, mas o organismo do idoso é mais vulnerável à gripe. Assim, eles podem sofrer complicações, como a pneumonia ou a desestabilização de um quadro de doença cardíaca ou renal.

O Brasil é um dos poucos países que oferecem gratuitamente a vacina para maiores de 60 anos. As campanhas de vacinação de idosos começaram em 1999, onde a população alvo foi a de 65 anos de idade ou mais, conseguindo-se vacinar 7.519.114 de idosos, isto é, 87,3% da estimativa para esta faixa etária. Em 2005, o país superou a meta e vacinou 83,9% da população com mais de 60 anos, conquistando uma das melhores coberturas vacinais em todo o mundo.

Em 2006, por ocasião da oitava campanha foram vacinados 11 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 70% dos 15,7 milhões de idosos do país. Esta campanha, mobilizou-se 251 mil pessoas, entre servidores e voluntários, em 73,7 mil postos de vacinação em todo o país. Foram utilizados 27,7 mil veículos, incluindo carros e barcos para a locomoção das equipes, além de um avião.

O investimento do Ministério da Saúde na campanha foi de R$ 130,5 milhões de reais, dos quais R$ 118,6 milhões foram aplicados na compra de 18,6 milhões de doses contra o vírus influenza.O restante dos recursos foi utilizado na aquisição de 240 mil doses contra pneumococos, de 4 milhões de doses difteria e tétano e de 1 milhão de doses contra febre amarela. Essas outras vacinas são utilizadas para fazer a atualização da carteira de vacinação dos idosos. Também integram o orçamento da campanha de vacinação do idoso R$ 4,8 milhões repassados aos estados e municípios para ações de mobilização.

Nos anos de 2000 e 2001, houve no Brasil, uma queda acumulada de mais de 50.000 hospitalizações por infecções respiratórias, o que representa um forte indicativo de que estas campanhas e sua manutenção estão plenamente justificadas.

Estimativas de estudos internacionais indicam que a vacina contra a gripe provoca redução da mortalidade em até 50% entre a população idosa. Além disso, constam nos resultados desses estudos a redução de 19% do risco de hospitalização por doença cardíaca e em até 23% do risco de doenças cerebrovasculares. Todos estes estudos mostram os benefícios do programa de vacinação e seu baixo custo.

Referência:

Biblioteca Virtual em Saúde – Saúde Pública [on line]

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