11
abr

 Herpes simples ou herpes zóster

Categoria(s): Infectologia

Resenha

É muito importante a distinção entre as várias manifestações clínicas das infecções pelo vírus herpes simples e pelo vírus herpes zóster. Ambas as infecções pelo vírus herpes simples e pelo vírus herpes zóster caracterizam-se pela presença de múltiplas vesísulas.

Herpes simples – HS

Um aspecto característico da infecção pelo vírus herpes simples é que, em seguida à infecção primária da pele ou membranas mucosas, os vírus entram em um estado de latência ou de adormecimento no interior das células nervosas nos gânglios. Com a reativação, o vírus desloca-se para baixo ao longo da fibra nervosa para produzir a infecção cutânea recorrente.

A infecção primária é mais grave que a infecção recorrente. Vesículas e úlceras dolorosas ocorrem em áreas mucocutâneas , como boca, faringe, cérvix e genitália externa; podem ser localizadas, mas encontram-se frequentemente disseminadas, envolvendo toda a boca ou áreas extensas da genitália. Acompanham as manifestações citadas, febre mal estar geral.

As infecções recorrentes geralmente ocorrem na mesma área de pele anteriormente acometida, é precedida por formigamento, queimação ou disestesias, seguidas pelo aparecimento de vesículas agrupadas e pústulas.

Veja – Estudo de caso – Encefalite focal por vírus herpes simples.

Herpes zóster – HZ

O herpes zóster é um doença localizada caracterizada por uma dor radicular unilateral e uma erupção vesicular que está limitada a região do único gânglio sensitivo espinhal ou craniano acometido (dermátomo). O HZ é resultante da reativação do vírus que se manteve em estado latente no interior do gânglio após uma infecção com varicela (catapora) que pode ter ocorrido na infância. Vários dias antes da manifestação cutânea, ocorre na região dor e parestesia.

Um aspecto distintivo do herpes zóster é a localização e a distribuição da erupção, que geralmente é unilateral, não cruza a linha média, e está limitada à área da pele enervada por um único gânglio sensitivo. Nos indivíduos com baixa imunidade pode ocorrer disseminação da doença.

Veja mais sobre – Herpes zóster

Referências:

Pereira FA – Herpes simplex: evolving concepts. J Am Acad Dermatol. 1996;35:503-520.

McCrary ML, Serverson J, Tyring SK – Varicella zoster virus. J Am Acad Dermatol. 1999;41:2-14.

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Veja Também:
Estudo de caso – Paroníquia herpética
Herpes zoster – “Cobreiro”
Estudo de caso – Encefalite focal
Estudo de caso – Nevralgia pós-herpética e lesão dos núcleos amigdalóides
Estudo de caso – Úlceras genitais
Estudo de caso – Dermatite herpetiforme

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02
fev

 Varizes – Aspectos gerais

Categoria(s): Cardiogeriatria

Resenha

A avaliação dos vasos das pernas e o diagnóstico das possíveis varizes tem o seu grande valor não só do ponto de vista estético, mas na prevenção das suas graves complicações como: celulite, edema, eczema, dermatofibrose, úlceras, hemorragias, flebites, trombose e embolia pulmonar, até mesmo óbito.

As varizes podem ser classificadas como primárias e secundárias, com características distintas, tanto do ponto evolutivo como terapêutico.

Varizes primárias – Nas varizes primárias os defeitos se localizam nas válvulas e/ou paredes venosas. variando em número, intensidade e localização. A insuficiência na croça ou nas veias perfurantes comunicantes permite o refluxo durante os esforços ou deambulação com conseqüente dilatação dos troncos venosos. Essas varizes estão relacinadas com fatores hereditários.

A tortuosidade e a alteração no calibre da veia são causadas pela ruptura dos feixes elásticos e musculares da camada média da parede da veia, com posterior fibrose, comprometendo não só a função condutora das veias superficiais como sua capacidade de reservatório sangüíneo.

varizes secundárias – As varizes secundárias são as que surgem após doenças conhecidas como fístulas arteriovenosas, “shunt” arteriovenosos utilizados nas terapias de hemodiálise, trombose venosas.

Fatores desencadeantes das varizes – Os fatores desencadeantes (idade, obesidade, gestações, profissão) das varizes geram e perpetuam o processo varicoso.

Nos idosos, com o envelhecimento a parede das veias perdem o tonus e as válvulas se tornam insuficientes, ocasionando as varizes e piorando as existentes.

varizes

Drenagem venosa das pernas – A drenagem venosa das pernas (tecidos cutâneo, subcutâneo e tecido muscular) é feita pelos; sistema venoso superficial (15%) e os sistemas venosos profundo e perfurante comunicante que respondem pela drenagem dos 85% do sangue das extremidades.

O organismo humano utiliza-se de alguns mecanismos para auxiliar o retorno venoso das pernas quando a pessoa fica em pé e a força da gravidade gera uma dificuldade para o retorno venoso: o “coração venoso periférico”, as válvulas venosas, a aspiração torácica, a pressão vis a tergo no leito arteríolo-capilar, a viscosidade sangüínea e finalmente a pulsatilidade das artérias.

O “coração venoso periférico” consiste na ação da massa muscular da panturrilha sob todas as veias dos membros inferiores com o auxílio das válvulas venosas. Todos os segmentos venosos possuem essas válvulas que, quando íntegras, permitem a passagem do sangue da superfície para a profundidade e desta para o coração. Na marcha, esses músculos se contraem, comprimem as veias profundas e as válvulas íntegras orientam a coluna sangüínea centripetamente.

Diagnóstico clínico

O diagnóstico das varizes, aparentemente é fácil, ou seja, estando a pessoa em pé, visualizar-se as veias dilatadas. Porém, muitas vezes os médicos, são “especialistas” que se dedicam apenas a observar as queixas do paciente, esquecendo de vê-lo como um todo. Poucos médicos pedem aos seus paciente que levantem um pouco a calça comprida ou o vestido para observar as veias das pernas. O exame local das veias é realizado com o intuito de auxiliar no diagnóstico etiológico diferencial, avaliar o grau evolutivo da doença e orientar o tratamento.

Ao exame físico observa-se que as varizes primárias apresentam distribuição sistematizada, com comprometimento dos troncos principais e suas colaterais. Nas varizes secundárias, ao contrário, o varicosamento é anárquico, comprometendo difusamente o sistema venoso superficial e o perfurante comunicante.

Nas varizes primárias as alterações da pele são mais tardias e menos extensas. A presença de vícios plantares, posturais ou seqüelas de lesões ortopédicas, tais como atrofias musculares, rigidez articular, e a existência de sopro e frêmito contínuo com reforço sistólico, é sinal importante para o diagnóstico de varizes secundárias.

Diagnóstico laboratorial

O complemento do estudo das veias pode ser feito pela ultra-sonografia Doppler e/ou flebografia ascendente.

A ultra-sonografia Doppler, também chamado de Duplex, é o método ideal para o estudo da permeabilidade do sistema venoso profundo e superficial, tanto por sua inocuidade, como por sua segurança e precisão de informações que fornece. O Duplex, também fornece informações sobre a competência das válvulas venosas estudadas ou a presença e o grau de refluxo. O exame do sistema venoso profundo ao Duplex nos fornece dados quanto à sua patência, recanalização e espessamento potencial, que são sinais da síndrome pós-trombótica. A presença de fístulas arteriovenosas de alto débito são facilmente diagnosticadas por esse método.

A flebografia ascendente é um estudo invasivo em que se injeta, através de uma veia superficial do pé, contraste iodado. Durante a injeção de contraste o tornozelo do paciente deverá estar garroteado para que o contraste migre para o sistema venoso profundo. A finalidade deste exame é verificar obstruções, recanalizações e presença de válvulas no sistema venoso profundo e pontos de refluxo para o sistema venoso superficial. A flebografia retrograda consiste na injeção de contraste iodado na veia femoral com o paciente deitado num angulo de 60°. Este exame permite verificar o grau de incompetência das válvulas do sistema venoso profundo.

Tratamento

O tratamento das varizes dos membros inferiores tem como objetivo a diminuição da estase venosa e melhora funcional do retorno venoso, evitando assim as complicações das varizes. As duas opções de tratamento são a cirurgia de ressecção das veias varicosas e o tratamento clínico, pela compressão elástica do membro.

Tratamento cirúrgico – A cirurgia das varizes tem por objetivo a ressecção das varizes e a eliminação de todos os pontos de refluxo entre os sistemas venosos profundo e superficial, ou seja, croças das veias safenas e comunicantes insuficientes.

Tratamento clínico – O tratamento clínico consiste em medidas que visem melhorar o retorno venoso e fortalecer os vasos. A atividade dos músculos da panturrilha é o fator mais importante no retorno venoso dos membros inferiores, o paciente deve ser estimulado a andar e não permanecer sentado ou de pé parado por longos períodos de tempo. O uso de meia ou enfaixamento elástico diminui a capacidade da rede venosa superficial e se opõe ao refluxo do sangue do sistema venoso profundo. O doente deve ser orientado a adotá-lo, constantemente, durante o dia, a partir do momento que inicia a deambulação.

Veja mais – Varizes: Complicações

Referências

Biegeleisen HI: Telangectasias associated with varicose veins. JAMA 102: 2092, 1994.

Cotton LT. Varicose Veins: Gross anatomy and development. Br J Surg. 1961; 48:589-598.

Goldman MP, Fronek A: Anatomy and pathophysiology of varicose veins. J Dermatol Surg Oncol 1989; 15:138-145.

Goren G, Yellin AE: Primary varicose veins: Topographic and hemodymamic correlations. J Cardiovasc Surg 1990; 31:672-677.

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07
ago

 Varizes e insuficiência venosa – Tratamento fitoterápico

Categoria(s): Bioquímica, Cardiogeriatria, Saúde Geriátrica

Resenha

As varizes, especialmente nos membros inferiores, se formam por dois mecanismos: insuficiência das valvulas venosas e lesões na drenagem da microcirculação, que é composta de arteríolas, esfincteres pré-capilares, capilares, vênulas, vasos linfáticos e shunt (comunicação) artériovenoso, estes sistema sob influência do sistema nervoso simpático e parassimpático (figura). Uma série de fatores pode provocar as varizes, onde destacam-se as condições genéticas e sobrecarga hidrostática (ex. permanecer muito tempo em pé).

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Tratamento fitoterápico

Algumas plantas medicinais têm propriedades venotônicas, ou seja, são capazes de recompor o tonus venoso e melhorar a microcirculação de drenagem. A abaixo, os principais fitoterápicos e as suas características farmacológicas.

Asiaticoside
O asiaticoside é um fitoterápico regulador do tecido conjuntivo e ativador dos fibroblastos, desta maneira atuando equilibrando a produção das fibras colágenas, sobretudo ao nível da derme e das paredes venosas. Dosagem:30 mg 2x/dia nas refeições.

Castanha da Índia
O extrato da castanha da índia (Aesculus Hippocastanus L) contém vários princípios ativos, incluindo esculosídeos (heterosídeos cumarínicos), saponinas terpênicas (Escina) e bioflavanóides (Quercetina, Campferol e Esculina).

Os derivados cumarínicos agem nos distúrbios vasculares periféricos e nos edemas protéicos, retiram as proteínas do interstício e promovem a drenagem linfática. A escina atua sobre os distúrbios vasculares periféricos e sobre o edema. Os bioflavanóides possuem ação antiinflamatória, por inibirem o ciclo da lipoxigenase e cicloxigenase. Como resultado destas funções, não há liberação dos principais mediadores inflamatórios (prostaglandinas e leucotrienos), com redução da permeabilidade capilar, redução da inflamação e da dor.

Indicações: A castanha da Índia tem indicação nos casos de edemas vasculares crônicos conseqüente à varizes e na cosmetologia no tratamento das celulites.

Rutina
A rutina é um bioflavonóide antivaricoso, com potente ação sobre o endotélio capilar.
A rutina atua na bioquímica da via do ácido araquidônico, inibindo a síntese de prostaglandinas por inibição da prostaglandina sintetase e da ciclooxigenase e inibindo a ação dos leucotrienos por inibição da lipoxigenase. Como conseqüência do bloqueio da síntese de prostaglandina ocorre a lipólise estimulada pelas catecolaminas e hormônios lipolíticos; redução dos processos inflamatórios por diminuição da histamina e diminuição da permeabilidade capilar e ação vasoconstritora por bloqueio da síntese dos leucotrienos.

A rutina forma um complexo com os radicais livres, protegendo as estruturas vasculares contra sua ação lesiva, pois possui ação antilipoperoxidante, impedindo a oxigenação das gorduras. Sua ação também se faz sentir no tecido colágeno. Elastina e proteoglicanos, aumentando a síntese destes nas paredes dos vasos tornando-as mais resistentes
Dosagem: 100 a 300 mg/dia.

Hamamelis
Hamamelis – Adstringente, hemostático, vasoconstritor. Indicado como: antihemorrágico, para o tratamento de flebites, varizes, hemorróidas. Também por sua ação tônica e adstrigente, nos casos de diarréias e disistesias.Dosagem: 50 a 300 mg/dia.

Referências:

Neves MO, Paes T – Melilotus +Rutina X Gingko biloba. Mesoterapia atual out/nov/dez 1998.
Nègre-Salvayre A, Affany A, Hariton C, Salvayre R. _ Additional antilipoperoxidant activities of alpha-tocopherol and ascorbic acid on membrane-like systems are potentiated by rutin. Pharmacology 1991;42:262-272.

Cátia Jorge (05/12/2006)- Acabar com as varizes para que não acabem com as pernas [on line]

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