21 - dez

Coagulação – Papel das células endoteliais

Categoria(s): Angiologia Geriátrica, Bioquímica, Enfermagem, Hematologia geriátrica

Coagulação – Papel das células endoteliais

 

O endotélio sintetiza diversos compoentes hemostático e desempenha papel essencial na prevenção da ativação da ativação de plaquetas intravascular e na coagulação

O endotélio vascular é a barreira limitante dos vasos que permite que o sangue flui livremente. Sua estrutura pode mudar de não trombogênica para trombogênica em respostas as diversas necessidades. Normalmente ele é uma superfície não trombogênica em decorrência da presença de heparan-sulfato, uma glicosaminoglicana relacionada à heparina, que é, como a heparina, um cofator anti-trombina III. As células endoteliais tem papel importante na hemostasia*, por meio da síntese e armazenamento de vários componentes como, fator de von Willebrand, o fator tecidual e o inibidor do ativador do plasminogenio PAI (plasminogen activator inhibitor), este último – o PAI- é secretado em resposta à angiotensina IV, cujos receptores se encontram nas células endoteliais, como um elo de ligação entre o sistema renina-angiotensina e a trombose.

Limitação do trombo (fibrinólise) – O endotélio produz uma série de substâncias que limitam o tamanho trombo evitando uma coagulação exagerada com obstrução do vaso, que pode levar a um infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral. Ele produz prostaglandina I2 e óxido nítrico; converte o agonista plaquetário ADP em adenosina, que inibe a função plaquetária, sintetiza o tPA - tissue plasminogen activator  e expressa a trombomodulina, um receptor da trombina. A combinação da trombomodulina-trombina ativa a proteína C, um anticoagulante dependente da vitamina K. A proteína C ativada, auxiliada por seu co-fator, a proteína S, inativa os fatores Va e VIIa.

O Plasminogenio é depositado nas faixas de fibrina dentro do trombo. Os ativadores do plasminogênio (serina-proteases), tPA e PAI se difundem para dentro do trombo e clivam o plasminogênio para liberar a plasmina. A plasmina é semelhante à tripsina, atua sobre ligações Arg-Lis e dessa forma digere não apenas fibrina, mas também fibrinogênio, fatores II; V e VII; e muitas outras proteínas, lisando o coágulo. A ação da plasmina é restrita ao coágulo, pois qualquer plasmina que escape para a circulação é prontamente inativada por seus inibidores como o PAI-1, que nos protege de um autodigestão interna.

Trombofilia – Formação de trombos – A trombofilia hereditária mais comum ocorre por uma mutação do gene que codifica o fator V (fator V de Leiden), que confere resistência à proteína C ativada, interferindo com o mecanísmo de fibrinólise descrito acima.

 

Legenda – CE – Célula endotelial – Fatores anticogaulantes: TFPI – tissue factor pathway inhibitor (fator inibidor tecidual); PC – proteína C; PS – Proteína S; TM – Trombomodulina; HS – heparan-sulfato, e Fatores fibrinolíticos:tPA – tissue plasminogen activator (tecido ativador do plasminogenio). ATIII – antitrombina III, FXa – Fator X ativado, PAI – plasminogen activator inhibitor, FT – Fator tecidual.

* hemostasia é a interrupcão do sangramento de vasos sanguíneos lesados. Um ferimento causa vasoconstrição, adesão e ativação das plaquetas e formação de fibrina. O endotélio através de seu fatores promove este mecanísmo de hemostasia com formação e limitação do tamanho do trombo.

Referências:

Born GVR, Cross MJ – The aggregation of blood platelets. J. Physiol, 1977;168:178-95.
Takehara K et al – Dipyridamol decreases platelet-derived growth factor levels in human serum. Aterosclerosis,1987;7:152-8.
Campos CR, Meneghelo ZM, Batlouni M – Anticoagulação nas cardiopatias. Arq Bras Cardiol,1993;61(6):361-366.

Tags: , , , , , , , , , ,

Veja Também:

Comentários    







20 - dez

Coagulação – Trombofilias

Categoria(s): Angiologia Geriátrica, Hematologia geriátrica

Distúrbios da coagulação sanguínea – Trombofilias

No interior dos vasos sanguíneos o sangue deve fluir livremente fornecendo oxigênio e nutrientes a todos os tecidos do organismo. Quando um vaso sanguíneo é lesado, ocorre um processo chamado de coagulação que forma coágulos que parar o sangramento a partir do vaso sanguíneo danificado. Uma vez que se inicia a coagulação, as outras substâncias no sangue, os anticoagulantes naturais, atuam para limitar coagulação na área lesada, evitando assim a formação de coágulos grandes que podem impedir o fluxo de sangue normal.

Existe um equilíbrio delicado entre as substâncias que provocam a coagulação e as substâncias da fluidez do sangue,os chamados anticoagulantes naturais, proteína C, proteína S e antitrombina, necessários para ajudar a parar o processo de coagulação. Assim, a baixa capacidade de coagulação conduz a problemas de sangramento, enquanto que a alta capacidade de coagulação, conhecida como trombofilia, pode levar à formação de coágulos de sangue. Este delicado estado de equilíbrio entre este sangramento e coagulação difere de pessoa para pessoa, e muitas coisas podem perturbar o equilíbrio.

A trombofilia é definida como a tendência à trombose decorrente de alterações hereditárias ou adquiridas da coagulação ou da fibrinólise, que levam a um estado pró-trombótico. Mesmo com uma predisposição genética, é necessário um fator predisponente ambiental para desencadear um quadro completo de trombose.

Anormalidades moleculares heredirárias : deficiência de antitrombina, deficiência de proteína C e proteína S, disfibrinogenemia , resistência à proteína C ativada (Fator V de Leiden) , além da mutação G20210A do gene da protrombina. Outras anormalidades  hereditárias com possível associação com trombose são: deficiência de plasminogênio e diminuição de atividade do ativador do plasminogênio.

As pessoas que herdaram os níveis normais dos anticoagulantes naturais podem, contudo, desenvolver deficiências em determinadas situações, como gravidez, doenças do fígado, infecção grave ou outra doença, a deficiência de vitamina K, e certos medicamentos, por exemplo, o estrogênio, heparina e varfarina. Além disso, um coágulo de sangue recente podem também reduzir os níveis sanguíneos dos anticoagulantes naturais.

Referências:

Heit J. Thrombophilia: common questions on laboratory assessment and management. Hematology Am Soc Hematol Educ Program. 2007:127–135.

Foy P, Moll S. Thrombophilia: 2009 update. Curr Treat Options Cardiovasc Med. 2009;11: 114–128.

Tags: , , , , , ,

Veja Também:

Comentários    







26 - nov

Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF) – Abortos de repetição

Categoria(s): Gerontologia, Ginecologia geriátrica, Hematologia geriátrica, Imunologia, Inflamação

Síndrome do Anticorpo Antifosfolipíde (SAF) nos abortos de repetição

A Síndrome do anticorpo antifosfolípide ou Síndrome Antifosfolipídica (SAF) é uma entidade clínica nova, multidisciplinar e que necessita um melhor entendimento pela classe médica de uma forma geral. Os fosfolípideos constituem estruturas fundamentais nas paredes das células como ilustra a figura abaixo. Os anticorpos antifosfolipideos constituem um complexo e heterogêneo grupo de auto-anticorpos ainda pouco conhecidos no nosso meio e os testes diagnósticos nem sempre são esclarecedores.

A SAF é um distúrbio da coagulação sanguínea típica do adulto jovem, embora ocorra em todas as faixas etárias. Quando não associada a qualquer outra doença definida, a SAF é denominada primária (SAFp). Na sua forma secundária, a SAF pode se manifestar paralelamente a: Lúpus eritematoso sistêmico ou síndrome “lupus-like”; Doenças indiferenciadas do conjuntivo ou outras doenças de auto-imunidade; Infecções (principalmente síndrome da imunodeficiência adquirida); alguns tipos de câncer e reação a medicamentos como procainamida e estrogênio.

O acometimento trombótico de artérias placentárias é comum na SAF, o que pode ocasionar abortamentos, crescimento intrauterino retardado e pré-eclâmpsia. Embora possam ocorrer em qualquer fase da gravidez, as perdas gestacionais são mais comuns no segundo e terceiro trimestres.

Como a SAF causa aborto?

Vários mecanismos patogênicos podem explicar como a anticorpo antifosfolipideo está associado a perda fetal. Trombose placentária pode ser induzida pela ligação dos anticorpos antifosfolipideo com os monócitos, células endoteliais, plaquetas e componentes plasmáticos da cascata de coagulação. Também, mecanismos não trombóticos estão envolvidos nos efeitos diretos do autoanticorpos anti-β2GPI na placenta: a ligação de anticorpos antifosfolipideo β2GPI expresso em membranas trofoblásticas pode desencadear perturbação da membrana, resultando na modulação de diversas funções das células biológicas, diminuição da proliferação de trofoblasto e seu crescimento, e eventualmente placentação defeituosa; evidências preliminares sugerem que também pode afetar o lado materno reagindo com células endometriais na decídua, induzindo um fenótipo pró-inflamatória que pode interferir com a implantação fisiológica.

Por que se forma anticorpos contra os fosfolipídeos?

Uma hipótese postula um defeito na apoptose celular, o que expõe os fosfolípidos da membrana para a ligação das proteínas plasmáticas diferentes, tais como beta-2 glicoproteína I. Após a ligação, um complexo de fosfolípido-proteína é formado e uma neoepitope* é descoberta, a qual subsequentemente se torna o alvo de auto-anticorpos. Evidências recentes sugerem que a oxidação beta-2 glicoproteína I é capaz de se ligar e activar as células dendríticas de uma forma similar à activação desencadeada por Toll-like receptor 4 (TLR-4), o que pode amplificar a produção de auto-anticorpos.

Por que ocorre a trombose? – A explicação para a trombose é que os fosfolipídeos carga negativa (como: cardiolipina, fosfatidil-serina e o fosfatidil-inositol) e também fosfatidiletanolamina, um fosfolipídeo neutro presentes na membrana plaquetária são aparentemente alvos de antifosfolipídeo, e a agregação plaquetária resultante do distúrbio da membrana celular desencadearia trombose.

 Formas de diagnóstico – Sob a suspeita clínica de SAF os teste de ensaios de fase sólida (radioimunoensaio e ELISA), que utilizam cardiolipina como antígeno, concebeu novo impulso para o diagnóstico da SAF e compreensão clínica dos AAF.

Os testes sorológicos para sífilis foram as primeiros a utilizarem fosfolipídeos como reagentes. Tanto na reação de floculação do VDRL (Venereal Disease Research Laboratory), como no teste de fixação de Complemento (ensaio de Wasserman), a mistura antigênica inclui cardiolipina, fosfatidil-colina e colesterol.

Cardiolipina – A cardiolipina, embora seja um fosfolipídeo de carga negativa e potencialmente mais antigênico que os fosfolipídeo neutros (fosfatidil-colina e fosfatidil-etanolamina que ocupam a parte externa da membrana celular) não é quantitativamente importante em termos de conteúdo fosfolipídico total da membrana celular. Diferentemente dos outros fosfolipídeo de carga negativa como a fosfatidil-serina e o fosfatidil-inositol, estes sim são primariamente de membrana celular, ou seja, estão localizados na parte interna da membrana celular, que sabidamente é bifosfolipídica e protéica, já a cardiolipina está fundamentalmente presente na membrana mitocondrial interna, o que se explica a sua dosagem nos casos de isquemia do miocárdio.

Para confirmação diagnóstica os pacientes devem ter no sangue altos níveis de imunoglobulina G (IgG) ou imunoglobulina M (IgM) anticardiolipina (aCL), anti-beta-2-glicoproteína I, ou anticoagulante lúpico em pelo menos duas ocasiões, separados por 12 semanas.

Tratamento – Na fase aguda de trombose da SAF deve incluir o tratmento de fazer uso de heparina (endovenosa ou subcutânea em megadose). Após o primeiro evento trombótico, o paciente deve ser submetido à anticoagulação oral continuada, dado o risco de trombogênese recidivante. Em pacientes com história prévia de abortamentos, é recomendável a combinação de 100 mg de ácido acetilsalicílico (AAS) com heparina subcutânea durante a gestação.

* (Neoepítope) – Um epítope é uma porção de uma molécula à qual um anticorpo se liga. Os epitopes pode ser composta de açúcares, lípidos ou aminoácidos. Na maioria dos casos, marcadores de epitope são construídos de aminoácidos. 

Referências:

Staub HS – Anticorpos antifosfolípides e síndrome antifosfolipídica. Temas de Reumatologia Clínica vol1(4):106-112,2000.

Asherson RA, Cervera R: Antiphospholipid syndrome. In: Kelley’s Textbook of Rheumatology, 5th edition, W.B. Saunders Company, pp. 1057-1064, 1997.

Hughes GRV, Harris EN, Gharavi AE: The anticardiolipin syndrome. J Rheumatol 13: 486-489, 1986.

Lockshin MD, Druzin ML, Goei S et al: Antibody to cardiolipin as a predictor of fetal distress or death in pregnant patients with SLE. N Engl J Med 313: 152-156.

Tags: , , , , , , , , , , , ,

Veja Também:

Comentários    







15 - ago

Coagulação – Proteína C funcional: Inibidor fisiológico da coagulação

Categoria(s): Angiologia Geriátrica, Hematologia geriátrica

Proteína C funcional: Inibidor fisiológico da coagulação

O sangue se mantém líquido graças a perfeita relação entre a trombogênese – fibrinólise e, sobretudo, a presença de substâncias cujo papel é inibir fisiologicamente a coagulação expontânea. Nesse mecanismo são substâncias chaves no processo a proteína C funcional e a trombomodulina.

Proteína C funcional – A proteína C funcional é um anticoagulante natural, vitamina K-dependente, sintetizada no fígado. Exerce sua ação anticoagulante por meio da degradação dos fatores V e VIII ativados, requerendo, para tanto, a ação da Proteína S, que atua como cofator desta reação. Assim, a proteína C funcional é um inibidor fisiológico da coagulação, parecendo exercer também atividade fibrinolítica. Sua ativação é considerávelmente acelerada na superfície do endotélio por um cofator, a trombomodulina, sintetizada pelas células endoteliais, a qual constitui um dos sítios receptores da trombina na superfície do endotélio. O complexo trombina-trombomodulina ativa a proteína C, enquanto a trombina e inativada por internalização do complexo e subseqüente degradação.

As deficiências de Proteína C funcional podem ser congênitas ou adquiridas e estão associadas a manifestações trombóticas venosas, mais raramente tromboses arteriais. – Deficiência congênita é um forte fator de predisposição à trombose venosa, sendo responsável por cerca de 5% dos casos de trombose. As deficiência adquirida são causadas por: deficiência de vitamina K, uso de anticoagulante oral, insuficiência hepática, trombose venosa, infecção, neoplasias, coagulação intravascular disseminada (CIVD), síndrome de angústia respiratória do adulto (SARA), cirurgia, diálise, síndrome hemolítico-urêmica, púrpura trombocitopênica trombótica e doença falciforme

A deficiência de Proteína C funcional é dividida em tipo I, o mais freqüente, onde há diminuição da concentração e da atividade, e tipo II, onde se observa concentração normal de PC com atividade diminuída (proteína mutante).

Exames para investigação de trombose venosa: pesquisa do fator V de Leiden, pesquisa da mutação G20210A do gene da protrombina, dosagem de homocisteína, dosagem funcional de AT, dosagem funcional de Proteína C, dosagem imunológica de Proteína S livre e pesquisa de anticorpos antifosfolípide (anticoagulante lúpico e anticorpos anticardiolipina).

Referência:

Born GVR, Cross MJ – The aggregation of blood platelets. J. Physiol, 1977;168:178-95.

Tags: , , , , , ,

Veja Também:

Comentários    







25 - jul

Coagulação – Agregação plaquetária

Categoria(s): Bioquímica, Farmacologia e Farmácia, Hematologia geriátrica

Coagulação e Trombose

Agregação plaquetária

A agregabilidade plaquetária é um fenômeno que depende apenas do endotélio e da própria plaqueta. Não depende do fator Von Willebrand; depende do tromboxano 2 (TxA2), do endoperóxido cíclico, do ADP e talvez do PAF (Platelet activating factor). Por tanto, fenômeno totalmente distinto da adesividade.

A mensuração da agregabilidade plaquetária é realizada através de um agregômetro, que consiste de um medidor de densidade óptica, acoplado a uma impressora que registra as mudanças ocorridas no material biológico, ao qual é adicionado um indutor de agregação.

Referência:

Radomski MW, Palmer RMJ, Moncada S – The antiagregating properties of vascular endothelium: interactions between prostacyclin and nitric oxide. Br J Pharmacol 1987;92:181-7.

Tags: , , ,

Veja Também:

Comentários    



Page 1 of 812345...Last »

" A informação existente neste site pretende apoiar e não substituir a consulta médica.
Procure sempre uma avaliação pessoal com um médico da sua confiança "