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Nov

 Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 1

Categoria(s): Fisioterapia, Otogeriatria, Saúde Geriátrica

Esclarecimentos

1. Labirintite (sic) tem cura?

Sim, labirintite tem cura. A idéia de que não é possível curar a vertigem é errônea, freqüentemente oriunda da falta de conhecimento sobre os distúrbios labirínticos e de erros diagnósticos e terapêuticos.

2. O que é tontura?

A tontura, também denominada tonteira, zonzeira, atordoamento ou estonteamento, é a sensação de perturbação do equilíbrio corporal. Pode ser definida como uma percepção errônea, uma ilusão ou alucinação de movimento, uma sensação de desorientação espacial de tipo rotatório (vertigem) ou não-rotatório (instabilidade, flutuação, oscilações, etc) desequilíbrio e distorção visual (oscilopsia).

3. Por que algumas pessoas que sofrem de tontura apresentam perda de memória e falta de concentração mental?

Devido às inter-relações entre o sistema vestibular e as diversas áreas do cérebro, pode ocorrer a falta de memória, a dificuldade de concentração, fadiga, além de, insegurança física, psíquica, irritabilidade, perda da autoconfiança, ansiedade, depressão ou pânico.

4. Quais são os mecanismos do equilíbrio?

O nosso equilíbrio é regido por inúmeros processos que envolve os estímulos musculares (fusos musculares e reflexos de estiramento), estímulos posturais (mudanças lineares ou angulares na posição da cabeça em relação a terra e ao corpo), que ativam os receptores vestibulares (células ciliadas dos canais semicirculares e dos órgãos otolíticos. Estes estímulos nervosos, percorrem a espinha, penetram no tronco encefálico e vão terminar no complexo de núcleos vestibulares situado na porção mais alta do bulbo, invadindo a ponte. A figura ilustra as várias estruturas envolvidos nos reflexos do equilíbrio, como os orgãos do sentido (fuso muscular, olho, vestíbulo) e os centros cerebrais, feixes vestíbulo-espinais e espino-cerebelares, núcleos vestibulares, núcleo oculomotor (III) núcleo troclear (IV) núcleo abducente (VI), nervo vestibulococlear e cerebelo.

centros do equilíbrio

A orelha interna, chamada labirinto, é formada por escavações no osso temporal, revestidas por membrana e preenchidas por líquido. Limita-se com a orelha média pelas janelas oval e redonda. O labirinto apresenta uma parte anterior, a cóclea ou caracol - relacionada com a audição, e uma parte posterior - relacionada com o equilíbrio e constituída pelo vestíbulo e pelos canais semicirculares.

Veja mais a respeito

5. O que é vestibulopatia?

Vestibulopatia é a designação genérica para os distúrbios do equilíbrio corporal sediado no sistema vestibular periférico ou central.

6. O que é vestibulopatia periférica?

Tanto a vestibulopatia periférica como a central têm os mesmos sintomas de tontura, porém, as vestibulopatias periféricas podem apresentar, perda da audição, zumbido, sensação de pressão ou desconforto no ouvido, ânsia de vômito, sudorese fria e palidez.

7. O que é vestibulopatia central?

Além da tontura, a vestibulopatia central apresentam incoordenação motora (ataxia), visão dupla (diplopia), perda da força parcial ou total dos músculos da face, dificuldade de engolir (disfagia), fraqueza, distúrbios de sensibilidade.

8. O que é labirintite?

O termo correto é labirintopatia, que é a afecção determinada por comprometimento do ouvido interno (labirinto). Labirintite seria a inflamação do labirinto, que é uma condição rara.

9. Quem costuma ter mais tonturas o homem ou a mulher?

Cerca de 10% da população mundial tem algum tipo de tontura e esta pode ser de origem central ou periférica. Na mulher a incidência é maior que no homem (aproximadamente 2:1) e ao se investigar as causas da tontura verifica-se que todas as citadas pela literatura incidem também na mulher e com o agravante de que a variação hormonal normal ou anormal influencia no funcionamento do ouvido interno; o que pode ocasionar ou agravar a tontura e, com isso, pode-se ter uma paciente com os sintomas de “tensão pré-menstrual†que tem também tonturas.

10. Quais são os tipos de tonturas?

Tontura, tonteira, zonzeira, atordoamento, vertigem, estonteamento, é a sensação de perda do equilíbrio corporal. Pode ser do tipo rotatório (vertigem), ou não rotatório (instabilidade, flutuação, oscilações), desequilíbrio e distorção visual (oscilopsia).

11. A vertigem das alturas é uma doença?

Não, a vertigem das alturas, assim como, as cinetoses (tonturas com o movimento, p.ex barco), as vertigens auditivas, as proprioceptívas (por movimentos bruscos e amplos da cabeça), constituem alguns tipos de tonturas fisiológicas.

12. Por que muitas tonturas parecem não ter cura?

Em muitos pacientes o diagnóstico da causa da tontura não são feitos de forma apropriada e causa real não é identificada. Nesses casos, o tratamento é apenas parcial, insuficiente, puramente sintomático (medicamentos para “circulação”) e os insucessos terapêuticos prevalecem.

13. Quando procurar um especialista?

No primeiro sintoma. Muitas vezes, as pessoas, se auto-diagnosticam e se auto-medicam no primeiro sintoma de tontura. Julgam que o sintoma apresentado, foi decorrente de algum exagero alimentar, de um momento de estresse, de um nervosismo, e que logo vai passar. Aceitam, prontamente, o conselho medicamentoso de um amigo ou vizinho.

Geralmente, o segundo episódio é mais forte que o obriga a procurar um pronto-socorro, no plantão noturno, recebe um medicamento e nenhum estudo diagnóstico.

O correto, para não deixar a doença se torne crônica, é procurar um médico de confiança que certamente o encaminhará para um otorrinolaringologista, já no primeiro episódio de tontura.

14. Como diagnosticar a causa da tontura?

O passo inicial para o diagnóstico é a história clínica, seguida de uma boa avaliação no contexto da medicina geral, otológica e neurológica. Pois, a etiologia pode estar distante dos sistema vestibular. O sistema vestibular é de tal forma sensível à influência de distúrbios em outras áreas do corpo, que as tonturas podem surgir antes dos sintomas da doença principal.

O passo seguinte é a avaliação bioquímica dirigida, exames indicados pelos clínica do paciente, como radiografia do tórax, eletrocardiograma, eletroencefalograma. Complementa o estudo os exames otoneurológicos.

15. Quem deve cuidar do paciente com tontura?

A abordagem terapêutica é multidisciplinar, ou seja, vários profissionais, devem estar envolvidos no processo de cura. Consiste em um grupo de medidas concomitantes (tratamento etiológico, medicamentos, reabilitação auditiva e/ou vestibular, correção de possíveis erros alimentares, orientação de mudança de hábitos, eventual acompanhamento psicológico, etc) capitaneadas pelo médico otorrinolaringologista e/ou clínico geral ou geriatra.

16. O que é ototoxicose?

Ototoxicose é a lesão do aparelho auditivo por alguma substância tóxica. Muitos são os medicamentos (antiinflamatórios, anti-bióticos, hipotensores, hipoglicemiantes, etc) que podem lesar o aparelho vestibular e causar as tonturas. O mesmo, pode ocorrer com os inseticidas, produtos de limpeza, solventes, etc. Quando se pensa nesta etiologia, deve-se afastar rapidamente o produto suspeito.

17. Uma “gripe” pode provocar “labirintite”?

Sim, trata-se de uma infecção com possível etiologia viral, a neurite vestibular, relativamente comum, que ocasiona uma crise vertiginosa súbita. A intensidade do ataque e o tempo até a cura podem variar, mas o que costuma ocorrer é uma progressiva, até completa, recuperação. O episódio geralmente é único. Não existe tratamento específico, apenas repouso. Os exames laboratoriais ajudam no diagnóstico.

18. Um trauma no pescoço pode causar “labirintite”?

Sim, trata-se da chamada síndrome cervical, que se manifesta com dores na nuca, limitação dos movimentos do pescoço, formigamento nas mãos e sem dúvida o quadro de tontura. Pode ser decorrente da chamada síndrome da chicotada (whiplash injury) quando a cabeça faz um movimento rápido como um chicote, inflamatória, osteoartrites.

19. A pressão arterial alta pode causar tonturas?

A hipertensão arterial é uma das causas mais freqüentes de tonturas. Com o controle da pressão os sintomas desaparecem. Caso isso, não ocorra, deve-se pensar em micro infarto cerebral, especialmente na região do cerebelo.

20. A enxaqueca é causa ou conseqüência da tontura?

É muito comum a associação de enxaqueca e vestibulopatia, recebe o nome de enxaqueca vestibular. As possíveis causas dos distúrbios vestibulares podem ser também fatores desencadeantes da enxaqueca e o tratamento deles beneficia a melhora das duas doenças.

Na próxima semana (07/12/2007) a segunda parte.

Semanalmente, serão apresentadas 20 dúvidas, até completar 10 semanas com 200 dúvidas e respostas.

Referências:

No final da série das 200 dúvidas. 

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Veja Também:
Estudo de caso - Vertigem postural fóbica
Vertigem - Síndrome de Ménière
Estudo de caso - Vertigens posturais
Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)
Vertigem - 200 dúvidas a respeito - Parte 9
Vertigem - 200 dúvidas a respeito - Parte 8

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09
Dez

 Vertigem - Tonturas - Labirintopatia

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria

Vertigem

Resenha

A tontura é uma das anomalias mais comuns em todo o mundo. Ela atinge cerca de 10% da população mundial de ambos os sexos. Embora sua ocorrência seja mais comum em adultos e idosos, crianças e adolescentes também sofrem desse distúrbio.
As causas da tontura estão geralmente ligadas a disfunções na orelha interna (labirinto) ou no sistema nervoso central. Elas podem estar situadas, também, em outros órgãos do corpo. O sistema vestibular (nervo encarregado de levar informações de equilíbrio ao cérebro) é muito sensível à influência de distúrbios no corpo.

O equilíbrio é uma função sensório-motora que tem como objetivo estabilizar o campo visual e manter a postura ereta. Através da integração das informações provenientes de músculos e articulações nos núcleos vestibulares sob a coordenação do cerebelo, é possível manter o equilíbrio.

Quando há conflito na integração das informações destes três receptores, surge a sensação de perturbação do equilíbrio corporal, causando tontura, também chamada tonteira, zonzeira ou atordoação. Ela caracteriza-se por uma percepção errônea, uma ilusão ou alucinação de movimento, uma sensação de desorientação espacial dos tipos rotatório (vertigem) ou não rotatório (instabilidade, flutuação, oscilação), desequilíbrio e distorção visual (oscilopsia). A perda auditiva, dificuldade de entendimento, zumbido, sensação de pressão no ouvido e incômodo com sons geralmente estão também associados com a tontura.

O desequilíbrio corporal pode ser causado por disfunções do sistema vestibular que podem ser primárias ou as originárias de outros órgãos, chamadas de secundárias. As causas mais comuns destes tipos de desequilíbrios são: traumatismos de cabeça e pescoço, infecções (por bactérias ou vírus), drogas ou medicamentos (nicotina, cafeína, álcool, maconha, anticoncepcionais, sedativos, tranqüilizantes, antidepressivos, antiinflamatórios, antibióticos, etc.), erros alimentares, tumores, envelhecimento, distúrbios vasculares (hiper ou hipotensão arterial, arteriosclerose), anemia, problemas cervicais, doenças do sistema nervoso central, alergias e distúrbios psiquiátricos.

A descoberta da causa implica, muitas vezes, na realização de diversos exames complementares (sangue, urina, radiológico) ou avaliações em outras áreas médicas (endocrinologia, neurologia, cardiologia, psiquiatria, ortopedia, reumatologia, etc.).
Inúmeras doenças que podem acometer o sistema vestibular e auditivo, causando tonturas com ou sem outros sintomas como: zumbido e surdez.

As tonturas comumente são chamadas de “labirintiteâ€, porém este termo é utilizado de forma equivocada para designar todas as doenças do labirinto. Os termos mais adequados são; labirintopatias, para designar as afecções do ouvido interno ou labirinto e vestibulopatias, para designar as afecções que acometem qualquer parte do sistema vestibular ou sistema de equilíbrio.

Ainda dentro dessas doenças podemos citar a cinetose, também conhecida como mal do movimento, caracterizada pelo enjôo em navios e automóveis, doenças do ouvido médio e da tuba auditiva, causadas pela obstrução da tuba que geram zumbidos e a doença de Ménière que são as crises vertiginosas com diminuição da audição seguida de uma pressão no ouvido.

O tratamento é feito de maneira personalizada de acordo com o diagnóstico e com as necessidades de cada paciente, podendo incluir o uso de medicamentos, otoneurocirurgia e reabilitação vestibular, além de correção de erros alimentares, mudanças de hábito e de estilo de vida e aconselhamento psicológico quando necessário.

A grande maioria dos pacientes (cerca de 90%) responde favoravelmente à terapia antivertiginosa. A maioria dos casos fica definitivamente curada. Outros melhoram significativamente, e apenas poucos casos são rebeldes ao tratamento. Nesses últimos casos, novas estratégias de tratamento, como exercícios e fisioterapia podem ser aplicadas até obter-se o melhor resultado possível.

Tire suas dúvidas acessando as 10 páginas - Vertigem - 200 dúvidas a respeito

Referência:

Manual Merck - Seção: Distúrbios do Cérebro e nervos:Cap 63 Vertigem [on line]

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Veja Também:
Estudo de caso - Vertigens posturais
Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 1
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Vertigem - Síndrome de Ménière
Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 2
Reabilitação pós-queda: papel da enfermagem.

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