21 - dez

Vertigem – 200 dúvidas a respeito: Parte 4

Categoria(s): Fisioterapia, Fonoaudiologia, Otorrinolaringologia geriátrica, Saúde Geriátrica, Semiologia Médica

Esclarecimentos

 

61. O que é a Vertigem Posicional Benigna (VPPB)?

A VPPB é uma vertigem à mudança de posição da cabeça, ao levantar-se ou olhar para cima. Os sintomas aparecem dias, meses ou anos depois em quadro clínico como doença de Ménière e outras formas de hidropsia endolinfática, equivalentes de migrânea, neurite vestibular ou insuficiência vértebro-basilar.

A VPPB está relacionada com a disfunção ovariana, hiperlipidemia, hipoglicemia, hiperglicemia, hiperinsulinismo, distúrbios vasculares, trauma craniano, pós cirurgia otológica, etc.

O substrato fisiopatológico é a presença de acúmulos de pedaços de estatolitos (cálculos) utriculares na corrente endolinfática de um ou mais ductos semicirculares (ductolitíase), ou sobre a cúpula da crista ampular de um ou mais dos ductos (cupulolitíase).

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62. O que é o sistema vestíbulo-coclear?

O sistema vestibulo-coclear é o sistema composto pelos canais semi-circulares (responsável pelo equilíbrio) e coclear (responsável pela audição). Este sistema está envolto por uma membrana (veja estrutura em destaque amarelo na figura), com líquido em seu interior banhando estas estruturas, externamente (perilinfa) e internamente (endolínfa).

63. Como este sistema linfático regula o equilíbrio?

A redução da pressão perilinfática, decorrente de fístulas perilinfáticas, ou o aumento da pressão na endolínfa, como na doença de Ménière, podem gerar tonturas. Por tanto, a pressão da perilinfa e da endolinfa devem permanecer um níveis semelhantes, para que não ocorra distúrbios de equilíbrio.

64. Por que uma pessoa que faça um grande esforço físico, pode ficar com tonturas e problemas de audição por algum tempo?

O esforço físico demasiado, a tensão interna (via explosiva), ou os mergulhos submarinos, a hiperventilação anestésica (via implosiva) podem ocasionar a fístula perilinfática, causando graus variados de perda auditiva e vertigens.

65. O espaço perilinfático pode ficar hipertenso?

Quando existe um defeito no medíolo, ou o aqueduto coclear é excessivamente amplo, pode ocorrer um aumento da pressão da perilinfa, provocando a chamada Síndrome de Hipertensão Perilinfática.

Veja na figura a relação entre o osso estribo (os três ossos que conduzem o son são; martelo, bigorna e estribo) e saco perilinfático pela chamada janela oval. O son que ouvimos é aplificado pelo conjunto desses três ossículo, transmitido ao sistema de endolinfa através da janela oval, que conduzirá até a cóclea, ao nervo auditivo até o cérebro.

O quadro clínico da Síndrome de Hipertensão Perilinfática é de surdez. raramente distúrbios vestibulares.

66. A vertigem pode levar a perda da audição?

Não, a audição pode ser normal. Há pessoas que sentem-se incomodadas com sons altos. Algumas pessoas sentem pressão nos ouvidos, distorção auditiva, diplacusia (sensação de ouvir o mesmo som com diferentes sensações nos dois ouvidos). A perda auditiva durante a crise labiríntica deve ser estudada.

67. O zumbido faz parte da labirintite?

Os zumbidos podem estar presentes. É muito significativa o zumbido ou a alteração da perda auditiva durante a crise de vertigem.

68. O que é o teste do equilíbrio ou teste de Romberg?

O teste de Romberg é feito com a pessoa em pé, de pés juntos, com os olhos fechados, durante um minuto. Em caso de lesão vestibular recente, não compensada, o corpo se inclina, com tendência a queda para o lado do labirinto lesado.

69. Como avaliar a marcha da pessoa com distúrbio do labirinto?

A marcha é testada, inicialmente com a pessoa com os olhos abertos, depois com os olhos fechados. O médico acompanha o paciente de perto, pois pode ocorrer queda durante o teste. O paciente que tem distúrbio do labirinto anda com os pés afastados, abre a base de sustentação do corpo.

70. O que é a Doença de Ménière?

A doença foi descrita por Ménière, em 1861, por tanto, a mais de 140 anos, e representa 20% das doenças que afetam o sistema vestibular. A pessoa apresenta crises vertiginosas freqüentes, perda auditiva e zumbidos. Os sintomas agravam-se com a progressão da doença, sendo que as vertigens podem tornar-se incapacitantes e a perda auditiva pode tornar-se intensa. Veja mais.

71. A doença pode acometer os dois ouvidos?

A doença atinge os dois ouvidos em 50% dos casos, mas pode permanecer unilateral durante anos.

72. Por que ocorre a doença de Ménière?

O substrato fisiopatológico da doença de Ménière é a hipertensão da endolinfa, líquido que irriga as estruturas sensoriais auditivas e vestibulares do labirinto (desenho de cor amarela na figura). A hipertensão endolinfática pode ser ocasionada pela deficiência de reabsorção da endolinfa no saco endolinfático, pelo excesso de sua produção ou por ambos os mecanismos.

73. O uso de diurético pode diminuir o volume de líquido do saco endolinfático?

Não, já tentou-se “esvaziar” o espaço endolinfático utilizando-se diuréticos e recomendando dietas com restrição de líquidos e sal. Mas, na verdade, o volume da endolinfa, assim como da perilinfa, são sofre a menor influência, pelo contrário, pode intoxicar a área metabólica da orelha interna, agravando a audição do paciente.

74. Quais as causas que podem provocar a doença de Ménière?

A causa da doença de Ménière pode ser reconhecida em mais da metade dos casos e nesses o melhor tratamento é o da causa básica. As possíveis etiologias: diabetes, hipoadrenalismo, hipopituitarismo, hipotireoidismo, deficiências nutricionais, alergia por inalantes ou alimentos, doenças auto-imunes, viroses, lues, trauma craniano, cervical, acústico, barométrico ou cirúrgico, distúrbios cardiovasculares, osteodistrofias da cápsula ótica, estreitamento de meato acústico interno, senilidade labiríntica, distonias neurovegetativas ou distúrbios psicossomáticos.

75. A diabetes pode causar a Doença de Ménière?

Sim, doença de Ménière é decorrente da hipertensão da endolinfa, líquido que irriga as estruturas sensoriais auditivas e vestibulares do labirinto existem inúmeros fatores desencadeantes e agravantes, como o diabetes, sífilis, doenças reumáticas, doenças da tireoide, cardiopatias e medicamentos. No caso da diabetes, as crise de hiper e hipoglicemia são os fatores causadores das crises.

76. O que é o tremor do globo dos olhos na crise de labirintite?

O movimento ritmado dos olho, tanto lateralmente, como verticalmente, chama-se nistagmo e é a parte mais importante do exame do sistema vestibular.

77. Por que ocorre o nistagmo?

O nistagmo pode ocorrer no plano horizontal, que é o mais comum, ou vertical, ou oblíquo, ou ser rotatório, dependendo do canal semicircular do labirinto ou via vestibular afetada. Veja a figura.

78. Quais os medicamentos que podem ser utilizados nas vertigens?

Muitos tipos de medicamentos podem ser utilizados nas vertigens, mas não podemos esquecer que eles são apenas parte do tratamento. Mudanças no estilo de vida, hábitos alimentares, exercícios fisioterápicos específicos, apoio psicoterápico complementam o tratamento individualizado para cada caso.

Anticolinérgicos – escoplamina uso nos enjôos de transporte (via transdérmica)

Anticonvulsivantes – hidantoína e clonazepam – usado nas vertigens não vasculares

Antidopaminérgicos – clorpromazina, trifluoperazina, metaclopramida e domperidona – antieméicos usados nas fases agudas das afecções labirinticas

Anti-histamínicos – buclizina, ciclizina – usados na prevenção das cinetoses (vertigem de movimento)

Antagonistas de cálcio – cinarizina, flunarizina, benciclan e nimodipina – vertigem de origem vascular.

Outros medicamentos – substâncias vasoativas – diidroergocristina, nicergolina, papaverina, betaistina, ginkgo biloba, pentoxifilina.

79. O que é neuronite vestibular?

A neuronite vestibular são crises vertiginosas recidivantes (repetitivas), semelhante à doença de Ménière, mas sem os sintomas auditivos (surdez e zumbido). O exame otoneurológico, mostra hiporreflexia vestibular, uni ou bilateral, decorrente de atrofias de células receptoras labiríticas e/ou fibras nervosas. A causa pode ser tóxica, infecciosa, viral. ou desconhecida. O tratamento é sintomático até ocorrer a compensação labiríntica, ou seja um sistema labiríntico de um lado compensa o lado lesado.

80. O que nos informa o exame vestibular?

O exame vestibular nos informa: a) se existe uma doença no sistema vestibular; b) se o problema é central (cérebro) ou periférico (labirinto no ouvido) e c) se o problema é somente de um lado ou de ambos.

Na próxima semana (28/12/2007) a quinta parte.

Semanalmente, serão apresentadas 20 dúvidas, até completar 10 semanas com 200 dúvidas e respostas.

 

Terceira parte   Quinta parte

Referências:

No final da série das 200 dúvidas.

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