03
ago

 Estudo de caso – Doença de Paget com surdez

Categoria(s): Bioquímica, Caso clínico, Reumatogeriatria

Interpretação clínica

  • Homem branco de 75 anos, apresentando cefaléia e surdez importante nos últimos 2 anos. No exame radiológico observou-se alargamento do crânio. Seu nível de fosfatase alcalina sérica é de 8.600 U/l (normal, 36 a 92 U/l) e seu nível de hidroxiprolina urinearia é de 150 mg/24h (normal,  menor que 50 mg/24 h).

Como confirmar o diagnóstico e indicar a terapia para o caso?

O achado de alargamento do crânio em homem idoso com concentração sérica elevada de fosfatase alcalina é muito sugestivo de doenca de Paget dos ossos.Não existe a necessidade de outros testes diagnósticos para confirmar o diagnóstico e instituir o tratamento.

Tratamento – O tratamento indicado é no sentido de controlar a dor óssea e a progressão da deformidade. A surdez é complicação comum da doença de Paget do crânio. O controle da doença de Paget, geralmente, não melhora a surdez.

Veja - Estudo de caso – Fosfatase alcalina elevada

Referência:

Delmas PD, Meunier PJ – The management of Paget’s disease of bone.  engl J Med. 1997;336:558-566.

Tags: , ,

Veja Também:
Doença de Paget
Estudo de caso – Fosfatase alcalina elevada
Doença óssea de Paget
Estudo de caso – Artrite e doença inflamatória intestinal
Estudo de caso – Vasculite
Estudo de caso – Diarréia e hipopotassemia

Comments (3)    



17
mar

 Surdez súbita

Categoria(s): Otogeriatria

Resenha

Segundo o serviço de estatística do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (National Institute of Health) existe alta prevalência na população adulta que procura esta instituição: perda auditiva (13% dos casos), zumbido (17%) e tontura (42%), principalmente em indivíduos idosos. A maior prevalência em idosos seria devido à alta sensibilidade dos sistemas auditivo e vestibular a problemas clínicos situados em outras partes do corpo humano e ao processo de deterioração funcional destes sistemas com o envelhecimento.

A surdez súbita é definida como um episódio de deficiência auditiva, de instalação repentina, que varia de minutos a poucos dias. A magnitude dos sintomas pode variar de pequenas perdas auditivas ou eventualmente, anacusia (surdez total). Em geral é unilateral ou, mais raramente bilateral. Quando além da parte auditiva, a vestibular também for comprometida, tonturas e acúferos (perceber sons que não foram gerados externamente ao corpo, sons imaginários) podem ser sentidos.

Apesar de tais sintomas poderem ocorrer por doenças agudas no nível dos ouvidos externos e médio, como nos casos de rolhas de cêra e otites médias secretoras, o termo de surdez súbita foi consagrado pelo uso, para referir-se apenas às surdezes sensorioneurais, causadas por doenças dos receptores periféricos e/ou vias acústicas centrais.

O diagnóstico da possível etiologia da surdez súbita é muito importante, especialmente no que diz respeito à sua precocidade, pois a doença é encarada como uma emergência médica, cujo tratamento deve ser estabelecido tão cedo quanto seja feito o diagnóstico. Mais uma vez, a anamnese é fundamental. A pesquisa de antecedentes como, exposição a esforços físicos, variações de pressão ambiental, infecções virais ou bacterianas do ouvido ou meninges, traumas, doenças vasculares concomitantes, auto-imunes, exposição a ruídos, uso de ototóxicos podem definir o diagnóstico e a conduta. Considerando-se que a etiologia se deve a doencas sistêmicas, a avaliação clínica e laboratorial deve ser dirigida por um geriatra ou clínico geral habilitado e atento a tais problemas, ajudando o otorinolaringologista em regime de estreita coloboração.

A otoscopia pode eventualmente colaborar no diagnóstico etiológico (otites externas, serumem, etc) mesmo que por exclusão. A timponotomia exploradora faz ou exclui o diagnóstico das fístulas perilinfáticas em casos suspeitos. Os exames de potenciais evocados e radiológicos colaboram no diagnóstico etiológico, bem como no diferencial com a doença de Ménière e neurinoma do acústico.

Causas de surdez súbita

  1. Surdez viral
  2. Surdez auto-imune
  3. Surdez vascular
  4. Surdez por fístula perilinfática
  5. Surdez ototóxica
  6. Perda auditiva induzida por ruído (PAIR)
  7. Surdez idiopática

Tratamento

O ideal é dirigi-lo para a causa da doença sistêmica, porém a dificuldade no diagnóstico etiológico gera um tratamento, na maioria das vezes, empírico e controvertido. Por outro lado, um percentual significativo dos caos evoluem para cura espontânea, o que torna os estudos estatísticos das diversas formas terapêuticas empregadas impossível.

A maioria dos tratamentos, inclui, isoladas ou em combinações, o emprego dos mais variados medicamentos e métodos. Assim, tem sido utilizados corticosteróides, vasodilatadores, anticoagulantes, antiagregantes plaquetários, sedativos, ansiolíticos, vitaminas, bloqueio do gânglio estrelado, oxigenoterapia hiperbárica, carbogenioterapia e hemodiluição.

Em todos os casos de tratamento ambulatorial ou hospitalar é prudente o paciente ficar em repouso no leito ou poltrona, com a cabeça e o tórax sempre elevados, pois a possibilidade de fístula perilinfática na surdez súbita sempre está presente e a necessidade da diminuição da pressão intracraniana é mandatória.

Veja – Audição humana

Sistema auditivo – O ouvido é constituido por um complexo de membranas que formam canais e cavidades, cheios de endolinfa, que flutuam dentro da perilinfa, que por sua vez as separam e protegem da carapaça óssea da cápsula ótica, situada na intimidade do osso mais duro do corpo humano, o osso temporal. Esse tipo de proteção deve-se à extrema delicadeza do órgão.

Órgão de Corti – O órgão de Corti, com seus órgãos receptores, imersos na endolinfa, é responsável pelas sensações auditivas e as máculas e cristas ampulares, pela sensação de posição do corpo no espaço, vivem em um permanente equilíbrio pressórico, bioquímico e bioelétrico que se interligam.

Abaixo (detalhe marcado na figura acima), esquema tridimensional de um trecho labirinto membranoso que coloca em evidência as células e as estruturas que compõem o órgão de Corti. A retirada de um pequeno trecho da membrana tectória demonstra como as cabeças dos pilares se engrenam firmemente entre si, assegurando a forma e a estabilidde da galeria de Corti, e como as partes superficiais das células acústicas, com seus pêlos, alternam-se de maneira regular às outras estruturas celulares.

Legenda – 1. membrana de Reissner, 2. membrana tectória, 3. extremidade espiral, 4. sulco espiral interno, 5. fibras nervosas do nervo coclear, 6. célula acústica interna, 7. pilar interno, 8. galeria de Corti, 9. cabeças dos pilares, 10. células acústicas externas, 11. células de Deiters, 12. pilar externo, 13. células de Hensen, 14. células de Claudius, 15 ligamento espiral, 16 estria vascular, 17 falanges das células de Deiters, 18. pêlos acústicos.

Endolinfa – O equilíbrio pressórico entre a endolinfa e a perilinfa, que mantém esses dois sistemas em equivalência de pressão e que conserva sua anatomia, é fornecido pelo líquido cefalorraquidiano do espaço subaracnóideo, através do aqueduto coclear, sobre o espaço de mesmo nome. Assim, esses dois espaços ficam em equilíbrio pressórico e também com o líquido cefalorraquidiano do espaço subaracnóideo. A compreensão do equilíbrio entre esses três sistemas não só é essencial para o entendimento do funcionamento do ouvido interno, como também explica os acontecimentos de rupturas de membranas e hidropsia endolinfática, como acontece na síndrome de Ménière.

Referência

Schuknecht HE – pathology of the Ear. 2Ed Philadelphia, Lea & Febiger, 1993.

Cladas N, Caldas Neto s -Surdes súbita In: Ganança MM – Vertigem tem Cura: O que aprendemos nestes últimos 30 anos. São Paulo, Lemos Editorial, 1998.

Tags: ,

Veja Também:
Estudo de caso – Doença de Paget com surdez
Síndrome do QT longo – Torsades de Pointes
Síndrome de Kearns-Sayre (SKS)
Demência – Doença de Creutzfeldt-Jakob
Surdez no idoso
Vertigem – 200 dúvidas a respeito – Parte 9

Comments (14)    



04
mar

 Miopatia mitocondrial

Categoria(s): Dicionário, Neurogeriatria

Dicionário

As miopatias mitocondriais são um grupo raro de doenças, caracterizadas por comprometimento multissistêmico e anormalidades morfológicas e bioquímicas das mitocôndrias. As síndromes mais comuns são: síndrome de Kearns-Sayre – uma síndrome esporádica não-hereditária associada com deleções do DNA mitocondrial, caracterizada por oftalmoplegia externa progressiva, retinite pigmentosa e bloqueio do sistema de condução do coração, alguns pacientes podem apresentar surdez, ataxia, diabetes e hipertireoidísmo; epilepsia mioclônica – apresentam mioclonia e crises epilépticas; miopatia mitocondrial – apresenta encefalopatia, acidose láctica e episódios semelhantes a acidente vasculares cerebrais e oftalmoplegia externa progressiva com miopatia esquelética.

Em muitos idosos a maior manifestação clínica é a oftalmoplegia externa progressiva, que se desenvolve insidiosamente com ptose bilateral e fraqueza muscular proximal leve. O diangóstico é feito por estudo histológico de biópsia de músculo e estudos laboratorias dos músculos (cratinofosfoquinase).

O exame histológico mostra aumento do número de mitocôndrias na fibra muscular, aumento do tamanho ou a existência de inclusões cristalinianas anormais nestas mitocôndrias. O exame histoquímico revela um padrão de cores nas fibras musculares que resulta do acúmulo de mitocôndrias aumentadas de tamanho. Ao exame de mancha tricômica as fibras se coram de azul, enquanto as mitocôndrias da periferia se coram de vermelho forte, tendo o aspecto ” Ragged red fibers” (Ver figura) .

miopatia mitocondrial

 Conduta

No diagnóstico diferencial da miopatia mitocondrial é importante que sejam incluídos: miastenia gravis, orbitopatia de Basedow-Graves.

A miopatia mitocondrial é uma desordem complexa que requer o envolvimento de várias especialidades médicas, incluindo neurologia, cardiologia, oftalmologia e endocrinologia. É imperativo que os pacientes tenham um acompanhamento regular nestas áreas, uma vez que o prognóstico é reservado e a desordem é geralmente progressiva.

Referências:

Gabbai AA., Oliveira ASB. Doenças dos músculos. In: Prado FC do P, Ramos J, Valle JR. Atualização terapêutica manual prático de diagnóstico e tratamento. 17ª ed. São Paulo: Artes Médicas; 1995. p.707-8.

Larsson NG, Oldfors A. Mitochondrial myopathies. Acta Physiol Scand. 2001;171(3):385-93.

Kalenak JW, Koller AE. Kearns-Sayre syndrome and primary open-angle glaucoma. Am J Ophthalmol. 1989;108(3):335-6. 

Consoni Filho E, Oliveira ASB, Schmidt B. Musculatura extra-ocular: um músculo esquelético diferenciado. Arq Bras Oftalmol. 1994;57(6):394-9.

Tags: , , , , ,

Veja Também:
Síndrome de Kearns-Sayre (SKS)
Oftalmoplegia externa crônica progressiva (OECP)
Estudo de caso – Miopatia mitocondrial
Estudo de caso – disfagia e ptose
DNA mitocondrial – Cadeia respiratória
Síndrome da fadiga crônica

Comments (36)    



21
jun

 Audição humana

Categoria(s): Otogeriatria, Publicações

Conceitos

Colaboradores : Ruy Barbosa Oliveira Neto * & Sandra Chiavegato Perossi **

* Biólogo e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

** Fisioterapeuta e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

O som é produzido por ondas de compressão e descompressão alternadas do ar.
As ondas sonoras propagam-se através do ar exatamente da mesma forma que as ondas propagam-se na superfície da água. Assim, a compressão do ar adjacente de uma corda de violino cria uma pressão extra nessa região, e isso, por sua vez, faz com que o ar um pouco mais afastado se torne pressionado também. A pressão nessa segunda região comprime o ar ainda mais distante, e esse processo repete-se continuamente até que a onda finalmente alcança a orelha.

audição

A orelha humana é um órgão altamente sensível que nos capacita a perceber e interpretar ondas sonoras em uma gama muito ampla de freqüências (16 a 20.000 Hz – Hertz).

A captação do som até sua percepção e interpretação é uma seqüência de transformações de energia, iniciando pela sonora, passando pela mecânica, hidráulica e finalizando com a energia elétrica dos impulsos nervosos que chegam ao cérebro.

O ouvido é constituido por um complexo de membranas que formam canais e cavidades, cheios de endolinfa, que flutuam dentro da perilinfa, que por sua vez as separam e protegem da carapaça óssea da cápsula ótica, situada na intimidade do osso mais duro do corpo humano, o osso temporal. Esse tipo de proteção deve-se à extrema delicadeza do órgão.

Seus órgãos receptores, imersos na endolinfa, o órgão de Corti, responsável pelas sensaçnoes auditivas e as máculas e cristas ampulares, pela sensação de posição do corpo no espaço, vivem em um permanente equilíbrio pressórico, bioquímico e bioelétrico que se interligam. O equilíbrio pressórico entre a endolinfa e a perilinfa, que mantém esses dois sistemas em equivalência de pressão e que conserva sua anatomia, é fornecido pelo líquido cefalorraquidiano do espaço subaracnóideo, através do aqueduto coclear, sobre o espaço de mesmo nome. Assim, esses dois espaços ficam em equilíbrio pressórico e também com o líquido cefalorraquidiano do espaço subaracnóideo. A compreensão do equilíbrio entre esses três sistemas não só é essencial para o entendimento do funcionamento do ouvido interno, como também explica os acontecimentos de rupturas de membranas e hidropsia endolinfática, como acontece na síndrome de Ménière.

Os equilíbrios bioquímico e bioelétrico do ouvido interno estão relacionados entre si e envolvem interações iônicas entre sódio, potássio e cálcio, especialmente como mediadores de fenômenos elétricos, incluindo polarização e despolarização celular no nível das células ciliadas.

1. Energia sonora – Orelha externa

O pavilhão auditivo capta e canaliza as ondas para o canal auditivo e para o tímpano. O canal auditivo serve como proteção e como amplificador de pressão.

Quando se choca com a membrana timpânica, a pressão e a descompressão alternadas do ar adjacente à membrana provocam o deslocamento do tímpano para trás e para frente. Logo, o tímpano vibra com a mesma freqüência da onda. Dessa forma, o tímpano transforma as vibrações sonoras em vibrações mecânicas que são comunicadas aos ossículos (martelo, bigorna e estribo).

2. Energia mecânica – Orelha média

O centro da membrana timpânica conecta-se com o cabo do martelo. Este, por sua vez, conecta-se com a bigorna, e a bigorna com o estribo. Essas estruturas (ver anatomia da orelha humana), encontram-se suspensas através de ligamentos, razão pela qual oscilam para trás e para frente.

A movimentação do cabo do martelo determina também, no estribo, um movimento de vaivém, de encontro à janela oval da cóclea, transmitindo assim o som para o líquido coclear. Dessa forma, a energia mecânica é convertida em energia hidráulica.

Os ossículos funcionam como alavancas, aumentando a força das vibrações mecânicas e por isso, agindo como amplificadores das vibrações da onda sonora.

Se as ondas sonoras colidissem diretamente na janela oval, não teriam pressão suficiente para mover o líquido coclear para frente e para trás, a fim de produzir a audição adequada, pois o líquido possui inércia muito maior que o ar, e uma intensidade maior de pressão seria necessária para movimentá-lo.

A membrana timpânica e o sistema ossicular convertem a pressão das ondas sonoras em uma forma útil, da seguinte maneira:

1 – As ondas sonoras são coletadas pelo tímpano, cuja área é 22 vezes maior que a área da janela oval.
2 – Portanto, uma energia 22 vezes maior do que aquela que a janela oval coletaria sozinha é captada e transmitida, através dos ossículos, à janela oval.
3 – Da mesma forma, a pressão de movimento da base do estribo apresenta-se 22 vezes maior do que aquela que seria obtida aplicando-se ondas sonoras diretamente à janela oval.
4 – Essa pressão é, então, suficiente para mover o líquido coclear para frente e para trás.

3. Energia hidráulica – Orelha interna

À medida que cada vibração sonora penetra na cóclea, a janela oval move-se para dentro, lançando o líquido da escala vestibular numa profundidade maior dentro da cóclea.
A pressão aumentada na escala vestibular desloca a membrana basilar para dentro da escala timpânica; isso faz com que o líquido dessa câmara seja empurrado na direção da janela oval, provocando, por sua vez, o arqueamento dela para fora. Assim, quando as vibrações sonoras provocam a movimentação do estribo para trás, o processo é invertido, e o líquido, então, move-se na direção oposta através do mesmo caminho, e a membrana basilar desloca-se para dentro da escala vestibular.

A vibração da membrana basilar faz com que as células ciliares do órgão de Corti se agitem para frente e para trás; isso flexiona os cílios nos pontos de contato com a membrana tectórica. A flexão dos cílios excita as células sensoriais e gera impulsos nas pequenas terminações nervosas filamentares da cóclea que enlaçam essas células.
Esses impulsos são então transmitidos através do nervo coclear até os centros auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral.

Dessa forma, a energia hidráulica é convertida em energia elétrica.

Percepção da altura de um som

Um fenômeno chamado ressonância ocorre na cóclea para permitir que cada freqüência sonora faça vibrar uma secção diferente da membrana basilar. Quando sons de alta freqüência penetram na janela oval, sua propagação faz-se apenas num pequeno trecho da membrana basilar, antes que um ponto de ressonância seja alcançado. Como resultado, a membrana move-se forçosamente nesse ponto, enquanto o movimento de vibração é mínimo por toda a membrana.

Quando um som de média freqüência penetra na janela oval, a onda propaga-se numa maior extensão ao longo da membrana basilar antes da área de ressonância ser atingida.
Finalmente, uma baixa freqüência sonora propaga-se ao longo de quase toda a membrana antes de atingir seu ponto de ressonância.

Dessa forma, quando as células ciliares próximas à base da cóclea são estimuladas, o cérebro interpreta o som como sendo de alta freqüência (agudo), quando as células da porção média da cóclea são estimuladas, o cérebro interpreta o som como de altura intermediária, e a estimulação da porção superior da cóclea é interpretada como som de baixa freqüência (grave).

A intensidade de um som é determinada pela intensidade de movimento das fibras basilares. Quanto maior o deslocamento para frente e para trás, mais intensamente as células ciliares sensitivas são estimuladas e maior é o número de estímulos transmitidos ao cérebro para indicar o grau de intensidade. Por exemplo, se uma única célula ciliar próxima da base da cóclea transmite um único estímulo por segundo, a altura do som será interpretada como sendo de um som agudo, porém de intensidade quase zero.
Se essa mesma célula ciliar é estimulada 1.000 vezes por segundo, a altura do som permanecerá a mesma (continuará agudo), mas a sua intensidade será extrema (a potência do som será maior devido à intensidade de movimento das fibras basilares).

4. Energia elétrica – Da orelha interna aos centros auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral

Após atravessarem o nervo coclear, os estímulos são transmitidos, aos centros auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral, onde são processados. Os centros auditivos do tronco encefálico relacionam-se com a localização da direção da qual o som emana e com a produção reflexa de movimentos rápidos da cabeça, dos olhos ou mesmo de todo o corpo, em resposta a estímulos auditivos. O córtex auditivo, localizado na porção média do giro superior do lobo temporal, recebe os estímulos auditivos e interpreta-os como sons diferentes.

Entendendo – Ressonância

Ressonância é o fenômeno físico em que se registra a transferência de energia de um sistema oscilante para outro, quando a freqüência do primeiro coincide com uma das freqüências próprias do segundo.

Este fenômeno tem aplicações importantes em todas as áreas da ciência, sempre que há a possibilidade de troca de energia entre sistemas oscilantes. A aplicação mais palpável é na área das telecomunicações, onde as ondas eletromagnéticas atuam como intermediárias na transmissão das informações do transmissor até o(s) receptor(es), constituindo-se o que se chama sinal.

Também se pode destacar a área da espectroscopia, onde a energia radiante incidente é absorvida, refletida ou ainda transmitida pela amostra, fornecendo como resultado um espectro que é a informação da energia absorvida em função do comprimento de onda (ou da freqüência) em forma de um gráfico.

Na área médica, a técnica espectroscópica chamada de Ressonância Magnética Nuclear é chamada de Tomografia de ressonância magnética nuclear ou, mais comumente, de Ressonância magnética. Consiste em aplicar em um paciente submetido a um campo magnético intenso, ondas com freqüências iguais às dos núcleos (geralmente do 1H da água) dos tecidos do corpo que se quer examinar. Tais tecidos, absorvem a energia em função da quantidade de água do tecido. Entretanto, para se localizar espacialmente o grupo de núcleos de hidrogênio, é mister se empregar um meio de se diferenciar o campo, impondo-lhe gradientes segundo certas direções.

Referências:

Piteira,M.R. e col. – Sistema Nervoso Periférico – Universidade Nova de Lisboa –Faculdade de Ciências e Tecnologia, 2006 [on line]

Neves V.T., Feitosa M.A. – Envelhecimento do processamento temporal auditivo – 2002 – [on line]

Tags: ,

Veja Também:
Surdez súbita
Capacidade funcional
Plaquetopenia e plaquetopatias
Flexibilidade nos idosos
Ritmo circadiano – Cronobiologia
Pele humana – Composição

Comments (8)    



19
jun

 Deficiência da audição nos idosos – Presbiacusia ou surdez

Categoria(s): Otogeriatria, Sociologia

Painel

Colaboradores : Ruy Barbosa Oliveira Neto * & Sandra Chiavegato Perossi **

* Biólogo e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

** Fisioterapeuta e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A presbiacusia ou surdez do idoso constitui-se em um dos mais importantes fatores de desagregação social. Estudos recentes demonstram que de todas as privações sensoriais, a perda auditiva é a que produz efeito mais devastador no processo de comunicação do idoso.

De acordo com Academia Brasileira de Otologia presbiacusia é o envelhecimento natural do ouvido humano, resultante da somatória de alterações degenerativas de todo o aparelho auditivo. Consiste em uma perda bilateral da audição para sons de alta freqüência, acompanhada, geralmente, por uma perda desproporcional do reconhecimento da fala, sem história prévia de doença sistêmica ou auditiva severa, com início gradual e curso progressivo (Willott, 1991 em Neves, 2002).

As deficiências auditivas acometem 70% dos idosos (mais ou menos 10 milhões de pessoas em nosso país), sendo a segunda inabilidade física mais comum e a quarta afecção mais comum nos EUA.

Os principais agentes agravantes da presbiacusia são: exposição a ruídos, diabetes, uso de medicação tóxica para os ouvidos e a herança genética, e a diminuição da acuidade auditiva na terceira idade.

Muitas vezes a deficiência auditiva pode vir acompanhada de um zumbido que compromete ainda mais o bem estar. Esse zumbido tem como característica à percepção de som na ausência de uma fonte sonora externa e afeta cerca de 20% da população mundial. Suas queixas principais são: “chiadoâ€, “griloâ€, “apito no ouvidoâ€, “panela de pressão na cabeçaâ€, etc.

Manifestações clínicas

Com a diminuição da sensibilidade auditiva ocorre uma redução na inteligibilidade da fala, o que vem a comprometer seriamente o seu processo de comunicação verbal. A perda auditiva em altas freqüências (agudos) torna a percepção das consoantes muito difícil, aos idosos, especialmente quando a comunicação ocorre em ambientes insalubres ou ruidosos. “Não entendem o que é ditoâ€.

A presbiacusia no idoso pode acarretar alguns problemas psicosocias tais como: Isolamento social, Incapacidade auditiva (igrejas, rádio e TV), intolerância a sons de moderada à alta intensidade (agudos). Se a pessoa fala baixo o idoso não ouve se ela grita, o incomoda.

Problemas de alerta e defesa: incapacidade para ouvir pessoas e veículos aproximando-se, panelas fervendo, alarmes, telefone, campainha da porta, anúncios de emergências em rádio e TV.

Quando questionados sobre a patologia os familiares descrevem o idoso como:
Principais sintomas: Dificuldade de participar de conversação ou falar ao telefone, sensação de que não consegue compreender as palavras, necessidade de aumentar o volume da TV ou rádio, dificuldade de localizar uma fonte sonora.

Diagnóstico

O idoso com dificuldades auditivas deve ser encaminhado ao otorrinolaringologista e ao fonoaudiólogo para um teste que poderá indicar ou não a utilização de prótese auditiva.

Tratamento

O tratamento da perda da audição nos idosos, resultante da presbiacusia, se faz através da utilização de próteses auriculares, e mais recentemente do implante coclear (veja mais).

Tipos de Próteses:

Programáveis: necessitam da manipulação da pessoa para ajustes de volume de recepção sonora.

Digitais
: multiprocessadas permitem perfeita adaptação às necessidades de amplificação sonora, podendo ser intracanal ou microcanal.

Cuidados com as Próteses: Devem ser testadas nas condições em que o paciente normalmente realiza suas atividades (compras, passeios, etc.). O paciente deve ser treinado para manipular adequadamente sua prótese (troca de pilha, higiene, e inserção no ouvido).

Entenda da anatomia do ouvido humano [on line]

Referências:

1. Academia Brasileira de Otologia – Presbiacusia: Um desafio a vencer 2007.[on line]

2. Neves V.T., Feitosa M.A. – Envelhecimento do processamento temporal auditivo – 2002 – [on line]

3. Rosa M.R.e col. – Programa de Orientação a Usuários de Prótese Auditiva e Questionários de Auto-avaliação: Importantes Instrumentos para uma Adaptação Auditiva Efetiva – Revista Arquivos Internacionais de Otorrinolaringologia Ano: 2006 Vol. 10 (3) – Jul/Set – (6º) [on line]

4. Carvalho Filho E. , Papaléo Neto M. – Geriatria fundamentos, clinica e terapêutica – Atheneu 2. ed. S. Paulo 2006

5. Psicologia General, Dr. C. George Boeree – Departamento de Psicologia,Universidad de Shippensburg [on line]

Tags: , ,

Veja Também:
Surdez no idoso
Estudo de caso – Doença de Paget com surdez
Surdez súbita
Surdez – Tratamento, implante coclear
Hipovitaminose de tiamina – shoshin beriberi
Síndrome de Kearns-Sayre (SKS)

Comments (3)    



Page 1 of 212