27 - set

Cuidados com pacientes com sonda naso-enteral

Categoria(s): Cuidador de idosos, Enfermagem, Gastroenterologia, Gerontologia, Nutrição, Saúde Geriátrica

Orientações

Colaboradoras: Ana Cristina Tosta & Astrid Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeiras e pós-graduandas do curso Gerontologia da Metrocamp

sondaOs usos de sondas para suporte nutricional, são de extrema importância e reconhecida como fator definitivo na recuperação de doentes, devido aumento da prevalência de doenças crônicas na população, especialmente nos idosos, pois permite o aporte de nutrientes. Sua indicação esta também associada as patologias que levam a dificuldades na deglutição, impossibilitando a alimentação por via oral.

O método utilizado é pouco invasivo, mas exige cuidados especializados. Ter conhecimento das técnicas de introdução das sondas, métodos para realizar a administração das dietas, saber reconhecer os riscos e complicações que possam advir dessa terapia, são fundamentais.

Muito conhecida e utilizada hoje, a sonda DOBBHOFF, (fabricada por Dobbie e Hoffmeister na década de 70) são fabricadas em poliuretano e silicone, não sofrem alteração física em contato com o PH ácido do estomago, são flexíveis, maleáveis e duráveis. Seu calibre é fino, com uma ogiva distal (tungstênio) possibilitando seu posicionamento além do esfíncter piloro, permitindo também o fechamento dos esfíncteres durante seu trajeto (Cárdia e Piloro).

Hoje, as vias mais utilizadas para alimentação por sondas são: via Nasogástrica, Nasoentérica e Ostomias (Gastrostomias, Jejunostomias). As sondas de polivinil devem ser utilizadas somente para drenagem de secreções devido serem de material que pode deteriorar mais facilmente e por causarem irritação em contato com a mucosa por longo período.

No momento da alta hospitalar, os familiares recebem muitas e extensas informações/orientações/cuidados, a respeito da doença e aos novos dispositivos agregados a ele: sondas, cateteres, curativos, etc. Ocorre muita dificuldade em absorver os conhecimentos e cumprir as novas tarefas, sendo fundamental o acompanhamento domiciliar destes doente-idosos.

No domicilio, alimentar o paciente via sonda, seja nasogástrica, nasoentérica ou por ostomia ( Gastrostomia), e necessário a cooperação dos familiares, cuidadores e paciente. Devemos estimulá-los e ensiná-los sobre a importância da terapia, fornecendo-lhes informações sobre a enfermidade e a necessidade do uso da sonda, deixando-os mais seguros, diminuindo suas ansiedades, garantindo melhor resultado na aceitação e no aprendizado dos cuidados com a manipulação e administração da dieta, diminuindo os riscos de complicações.

Orientação e Cuidados Gerais

As orientações dispensadas aos pacientes, familiares e cuidadores, relacionam-se aos cuidados com:

Manuseio da sonda – cuidados com retrações, pois pode ser deslocada do posicionamento correto. Exemplo: durante o sono, banho, mudança de decúbito ou pelo próprio paciente.

Limpeza/Higiene/Fixação – Após banho seca-la e trocar a fixação (Nasogástrica, Nasoentérica) da face, devendo estar sempre limpa e seca, evitando o desconforto para o paciente, odores desagradáveis, higienizar as narinas do paciente e tomar cuidado para não tracionar a asa nasal ao fixar a sonda, causando lesões. As vezes se faz necessário restringir as mãos do paciente com luvas sem os dedos, para impedi-lo de retirar a sonda, como pode ocorrer com doentes com demências, agitação motora, quadros de confusão mental, etc.

Administração de dieta, infusões de líquidos e medicamentos – posicionar o paciente sentado e ou, sendo acamado, manter cabeceira elevada por no mínimo 30 graus, (diminuindo riscos de aspirações de dieta, refluxos gástricos), e não deitar o paciente logo após ingesta alimentar e hídrica, lavar a sonda com água filtrada após administração de dietas (1 -2 seringas de 20 ml), medicamentos, mantendo sua permeabilidade, evitando obstruções por resíduos alimentares. Havendo obstruções, pode se realizar manobras para desobstrução, infiltrando água morna (ideal com seringa de 50 ml).

Observação e detecção de anormalidades – obstrução, vazamentos, quebras dos conectores das extremidades proximais, Se (gastrostomia,) proteger a pele se houver contato com conteúdo gástrico, para evitar formação de lesões, inflamações, infecções.

Tempo de troca – determinado pelo protocolo do serviço de acompanhamento do paciente.

Complicações com o uso da sonda

1. Infusões rápidas – levam a quadros de distensão abdominal, diarréias, vômitos.

2. Refluxos gástricos e pneumonias aspirativas – podem ser observadas pelos familiares na presença de agitação, tosse, dispnéia, cianose de face. (idosos acamados, seqüelados, afásicos, com reflexos diminuídos).

3. quadros de constipação intestinal, flatulências – necessitando readequação nutricional, sendo de grande importância aos familiares e cuidadores, observarem a presença de eliminações fisiológicas(volume, quantidade, aspecto, consistência, etc.).

Vale reforçar, que, o paciente no domicilio, deve ser acompanhado sempre por uma equipe multiprofissional e multidisciplinar, cabendo a nutricionista, definir a terapia nutricional mais indicada, também avaliando e acompanhando os resultados e adequando as alterações necessárias a cada paciente, levando em conta seu histórico alimentar, histórico de doenças, tipos de sonda, etc, orientando também , familiares e cuidadores.

Técnica de sondagem

- procedimento é de responsabilidade do enfermeiro ou médico
1. Características da sonda nasoenteral
A sonda nasoenteral tem comprimento variável de 50 a 150 cm, e diâmetro médio interno de 1,6mm e externo de 4 mm,com marcas numéricas as longo de sua extensão, facilitando posicionamento, maleáveis, com fio guia metálico e flexível, radiopaca.
2. Cálculo do tamanho da sonda a ser empregada
Fazer uma medição do lobo da orelha a ponta do nariz até o apêndice xifóide, adicionando-se mais 05 a 10 cm.
3. Instalação da sonda
A instalação da sonda pode seguir vários procedimentos dependendo de normas e rotinas de cada instituição, porém alguns passos são universais, como: a) após a instalação, o paciente deve ficar pelo menos 4 horas em jejum para não haver náusea ou vômitos; b) evitar muitos adesivos que possa prejudicar a visão do paciente; c) não infundir a dieta rapidamente, pois pode causar diarréia; d) manter o paciente em posição sentado ou semi-sentado durante e após o processo de administração da dieta; e) dar preferência ao uso de “bomba de infusão” para um melhor controle da dieta; f) utilizar as sondas de fino calibre que diminuem o risco de refluxo gástrico, conseqüentemente previne as pneumonias aspirativas.

Cuidados com pacientes que fazem uso de sonda nasoenteral:

1. Certificar a posição gástrica através da ausculta com estetoscópio em região epigástrica, injetando 20 ml de ar, aspirar conteúdo gástrico e realizar RX torácico/abdominal,
2. Deixar o paciente em posição lateral direita para progressão da sonda para região pilórica;
3. Manter a cabeceira do leito elevada a 30 graus para diminuir o risco de bronco aspiração;
4. Administração da dieta pode ser contínua ou intermitente;
5. Controlar, quando possível em bomba de infusão para melhor manutenção;
6. Observar intolerância (náuseas, vômitos e diarréia) a alguns componentes da dieta, neste caso deve-se alterar sua composição, principalmente quando idosos;
7. Deve-se aspirar o conteúdo gástrico através sonda, toda vez que for instalar nova dieta, para avaliar a presença de resíduos gástricos Caso exista um volume gástrico aspirado maior que 200 ml suspender a próxima dieta;
8. Controlar sinais vitais, diurese, distensão abdominal, glicemia capilar, edemas, turgor da pele, dispnéia;
9. Ficar atento na fixação da sonda, alternando o local para não lesar a pele das narinas;
10. Cuidados no preparo e manuseio das sondas e dietas, de forma estéril, mantendo as dietas em refrigerador exclusivo, podendo ficar até 04hs em temperatura ambiente e 24hs na geladeira;

Referências:

Rosário M, Marquini J – Sondas Nasogástricas/ Nasoentéricas. Cuidados.Medicina, Ribeirão Preto,35: 95-101, jan/mar -2002

Borges, VC, Et All: Nutrição Domiciliar: Uma Experiência no Brasil. In: Waitzberg, D.L. Nutrição oral, Enteral e Parenteral na Pratica Clinica. RJ: Ateneu.2002 p. 977-981.

Barrabarra, D F, Buch S, Pinto, S M D, Reis, W. Atenção Nutricional Domiciliar. UFPR. www.proec.ufpr.br

Freitas V E, PY ,L – Tratado de Geriatria e Gerontologia. In: Santos, H V, Resende, A C H – Nutrição e Envelhecimento. Guanabara Koogan .2 ed.,cap.96:930-931

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29 - jul

Uso do cateter vesical em idosos

Categoria(s): Gerontologia, Nefrogeriatria, Urologia geriátrica

Painel

Colaboradora: Astrid Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Gerontologia da Metrocamp

sondaO idoso com incontinência urinária deve ser reavaliado periodicamente para que se possa ter uma indicação correta para o uso da sonda vesical, classificando o tipo de incontinência.

Quando indicada, a cateterização vesical é realizada por meio de técnica asséptica, por profissional da enfermagem treinado e com uso de material estéril.

Aos familiares e cuidadores, são dados todas as orientações necessárias, frente a medidas de manutenção, higiene, manipulação,etc.

O tempo para troca da sonda é definido conforme orientação médica e/ou casos de obstrução, presença de grande quantidade de resíduos no sistema, mau funcionamento do cateter.

Tipos de cateter vesical

-uretrovesical simples: utilizado em cateterização de alívio;

-cateter folley: possui um balão de retenção, que impede a saída involuntária da sonda, utilizado para sondagens de demora;

-cateter folley 3 vias: também possui balão de retenção, utilizado para irrigação vesical.

Apresenta-se de diversos materiais, como: látex, silicone 100%, material siliconizado, impregnado com prata ou nitrofurazona, mas a mais utilizada é a sonda de látex por seu baixo custo. Porém, como desvantagem, deteriora mais rapidamente comparada com a de silicone.

Existem alguns estudos mostrando que o cateter de silicone apresenta menor incidência de obstrução por gerar menos reação inflamatória na uretra.

Cateter impregnado com nitrofurazona e ou prata, é uma alternativa para uso em unidades de queimados.

Profilaxia e tratamento antimicrobiano

A infecção do trato urinário, é uma condição freqüente em idosos, principalmente com o uso do cateter de demora. O uso do cateter vesical por período superior a trinta dias, aumenta a flora microbiana, porém, o uso do antimicrobiano, não reduz a incidência de complicações, mas contribui para o aumento da resistência bacteriana. Por isso, não deve ser feita de forma intempestiva, onde os riscos superam os benefícios.

Em casos sintomáticos (cistites relacionadas ao cateter), o tratamento deve ser realizado por no máximo 14 dias, realizando-se também a troca da sonda vesical.

Papel da enfermeira

O papel da enfermeira é voltado para as orientações frente à conduta de reestruturação da incontinência, prevenindo e melhorando a condição dos idosos incontinentes, através de cuidados básicos, higiene, prevenção de lesões no períneo, favorecerem um ambiente adequado para manter a continência, conservando-o seco e evitando outras complicações.
É de fundamental importância, que a enfermeira geriátrica reconheça o impacto que esta condição gera na população idosa, para trabalhar todos os aspectos que influenciam o quadro do problema: psicológico,social e ambiental

Referências:

Freitas, VE Py L – Tratado de Geriatria e Gerontologia. In: maciel c. A; incontinência urinária. Guanabara koogan, 2006. Capítulo 72: p. 723 – 732.

Rodrigues AP. Rosalina & Mendes m. R. Maria; incontinência urinaria em idosos: proposta para a conduta da enfermeira. Rev. Latino americana de enfermagem – Ribeirão Preto: julho 1994

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