01
Out

 Estudo de caso - Hipertensão arterial secundária

Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clínico, Endocrinogeriatria

Interpretação

  • Homem de 52 anos  se apresenta para exame periódico anual da empresa onde trabalha. Tem estado de saúde bom e atualmente sente-se bem. Não tem praticado atividades físicas. Ao exame, altura de 167cm, peso de 73 kg, frequencia cardíaca de 80 bpm e pressão arterial de 160/100 mmHg. Voltou ao ambulatório da empresa nos dois dias subsequentes e a PA manteve-se neste mesmo nível.
  • Os exames laboratoriais mostraram, sódio = 140 mEq/l; potásso = 3,3 mEq/l, creatinina = 0,8 mg/dl, uréia = 12 mg/dl, glicemia = 87 mg/dl, cálcio = 8,5 mg/dl e fósforo = 3 mg/dl.
Como completar a avaliação dessa paciente?

Este paciente se apresenta com as características típicas de hiperaldesteronismo primário, ou seja, superprodução de aldosterona. A maioria dos pacientes são assintomáticos, o diagnóstico deve ser considerando quando apresenta hipertensão arterial e hipocalemia (baixa do potássio sérico), que neste caso estava  com potássio de 3,3 mEq/l.

Além do hiperaldosteronismo primário, a avaliação clínica deve focalizar o feocromocitoma, a síndrome de Cushing.

A avaliação bioquímica deve incluir cortisol livre urinário, níveis de aldosterona e renina plasmática pareadas, catecolaminas urinárias e metabólitos, potássio sérico e testosterona sérica e 17-cetoesteróides em mulheres.

A medida aleatória do cortisol sérico não é útil no diagnóstico da síndrome de Cushing, porque os níveis do cortisol flutuam ao longo do dia e podem ser normais, mesmo o paciente tendo a síndrome de Cushing.

Embora a síndrome de Cushing possa causar hipertensão e hipocalemia, nesse paciente não existem as características clínicas da síndrome, o que de serta forma afasta esse diagnóstico.

Referências: 

Young WF Jr - Pheochromocytoma and primary aldosteronism: diagnosis approaches. Endocrinol Metab Clin North Am. 1997;26:801-827

Cook DM - Adrenal mass. Endocrinol Metab Clin North Am 1997;26:829-852

Feocromocitoma

Síndrome de Cushing

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10
Set

 Estudo de caso - Hipertrofia adrenal assintomática

Categoria(s): Caso clínico, Endocrinogeriatria

Interpretação

  • Mulher de 45 anos, assintomática, casada com 2 filhos de parto normais há 25 e 23 anos, submete-se a exame de ultrassonografia abdominal de rotina, solicitado por seu ginecologista. O exame revelou uma massa adrenal esquerda de 6,3 cm.
Como completar a avaliação dessa paciente?

As principais preocupações com uma massa incidentalmente encontrada são; primeiro se há evidência de hiperfunção adrenal e segundo se a lesão pode ser um carcinoma adrenocortical maligno ou mestástase de outra fonte. A avaliação clínica deve focalizar o feocromocitoma, a síndrome de Cushing, o hiperaldosteronismo primário e a malignidade. Entretanto, a massa pode representar apenas um lipoma.

Adenomas adrenais não-funcionantes benignos maiores do que 6 cm de diâmetro são raros. Portanto, uma lesão com mais de 6 cm é indicação de remoção cirúrgica para se obter o diagnóstico. Antes da remoção cirúrgica, deve proceder uma avaliação bioquímica para síndrome de Cushing e feocromocitoma, porque ambos os distúrbios precisam de administração pré-operatória específica.

A avaliação bioquímica deve incluir cortisol livre urinário, níveis de aldosterona e renina plasmática pareadas, catecolaminas urinárias e metabólitos, potássio sérico e testosterona sérica e 17-cetoesteróides em mulheres.

A medida aleatória do cortisol sérico não é útil no diagnóstico da síndrome de Cushing, porque os níveis do cortisol flutuam ao longo do dia e podem ser normais, mesmo o paciente tendo a síndrome de Cushing.

Cuidados pré-operatório

Cortisol urinário livre - Se a paciente tiver cortisol livre urinário elevado, estará em risco de desenvolver hipoadrenalismo após a remoção cirúrgica da massa, e deve ser coberta com glicocorticóides de estresse até que seu status adrenal pós-operatório seja estabelecido.

Catecolaminas - Se a paciente tiver catecolaminas ou metabólitos urinários elevados indicando feocromocitoma, a preparação pré-operatória com reposição de volume e boqueio alfa-adrenérgico é necessária antes da cirurgia, assim como um bom tratamento anestésico pré-operatório.

Referências:

Young WF Jr - Pheochromocytoma and primary aldosteronism: diagnosis approaches. Endocrinol Metab Clin North Am. 1997;26:801-827

Cook DM - Adrenal mass. Endocrinol Metab Clin North Am 1997;26:829-852

Feocromocitoma

Síndrome de Cushing

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