|
07 - dez
|
Pioderma gangrenoso |
Categoria(s): Dermatologia geriátrica, Enfermagem, Farmacologia e Farmácia, Imunologia |
|
Pioderma gangrenoso
O pioderma gangrenoso é uma lesão de pele que se apresenta úlcerada, com áreas de necrose e no exame histólogico apresenta abundantes neutrófilos. A cultura da lesão não mostrou o crescimento de nenhum microrganismo. Inicialmente foi descrita por Brunsting et al em 1930, e sua incidência é bem rara, aproximada de três a dez por milhão de habitantes por ano. Seu aparecimento pode ser precipitado por um traumatismo cirúrgico, como feridas operatórias, ostomias e, também, orifÃcios de punção venosa. Assim, o seu diagnóstico precoce é difÃcil no contexto pós-operatório conduzindo frequentemente a um tratamento inadequado.
Doenças associadas
Em 50 a 70% dos casos, o pioderma gangrenoso associa-se a patologia sistêmica:
1. Doenças inflamatórias intestinais (colite ulcerosa, doença de Crohn e doença diverticular do cólon).
2. Doenças reumatológicas (artrite reumatóide, espondilartropatia, sÃndrome de Felty, artrite psoriásica, lupus eritematoso sistémico).
3. Doenças hematológicas (leucemias, linfomas, sÃndromes mielodisplásicos, osteomielofibrose, policitemia vera, mieloma múltiplo, trombocitopenia essencial).
4. Doenças neoplasicas sólidas (do cólon, mama, ovário, bexiga, próstata, pulmão e suprarrenal).
5. Doenças imunológicas e infecciosas (hipogamaglobulinemia, status pós-transplante, hepatite crónica activa, sÃndrome de imunodeficiência adquirida).
6. Doenças endocrinológicas (diabetes mellitus, hipertiroidismo).
7. Doenças induzidas por fármacos (propiltiouracilo, pegfilgastrim, gefinib e o α-interferon).
Sintomatologia
O seu aparecimento do pioderma gangrenoso pode ser insidioso ou, fulminante, com lesões cutâneas geralmente muito dolorosas dando origem a extensas crateras em apenas 24 a 48 horas. Pode ocorrer em qualquer superfÃcie cutânea ou mucosa, predominando nas pernas, tronco, mama e mãos.
De acordo com a apresentação clÃnica Powell et al em 1996, classificaram quatro variantes de pioderma gangrenoso:ulcerativo ou clássico (mais frequente), pustuloso, bolhoso e vegetante. O ulcerativo caracteriza-se por pústulas ou pápulas eritematosas, coalescentes e rapidamente progressivas, que originam úlceras dolorosas (de número, profundidade e diâmetro variável) com necrose central, exsudato de aspecto purulento e bordos violáceos, “escavadosâ€, irregulares e bem definidos, rodeadas por um halo
eritematoso (figura); atinge preferencialmente os membros inferiores (70%) e associa-se, em 70% dos casos, a uma patologia sistémica( Quadro acima).
No pioderma gangrenoso, o exame histopatológico é inespecÃfico, mas fundamental para a exclusão de outros diagnósticos, pondo em evidência, habitualmente, infiltração neutrofÃlica maciça da derme (figura). Podem existir micro-abcessos, necrose, ulceração epidérmica, reação granulomatosa e vasculite.
Diagnóstico
O pioderma gangrenoso constitui um diagnóstico de exclusão que se baseia numa apresentação clÃnica tÃpica (lesão inflamatória ulcerada muito dolorosa e com bordo violáceo descolado), eventual associação de doença sistêmica, exames microbiologicos negativos (embora possa existir infecção secundária) e histopatológicos inespecÃficos (infiltrado inflamatório predominantemente neutrofÃlico).
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial inclui doenças vasculares (arteriais ou venosas), doenças reumatológicas (granulomatose de Wegener, doença de Beçet, lupus eritematoso sistêmico, sÃndrome do anticorpo anti-fosfolipÃdico), doenças endócrinas (glucagonoma, necrobiose lipoÃdica), neoplasias (linfoma, leucemia, carcinoma de células escamosas, basalioma), lesões tramáticas (mordeduras de insetos ou aracnÃdeos), reações a drogas (halogéneos, warfarina, isotretinoina e factor estimulante do crescimento dos granulócitos), infecções (sifÃlis, herpes, esporotricose, criptococose, tuberculose, micobacteriose atÃpica, ectima, infecções necrotizantes dos tecidos moles como a fasceÃte necrotizante e a miosite por clostrÃdios) e parasitoses (amebÃase, úlcera de Bauru).
Tratamento
A terapêutica sistémica está indicada na maioria dos casos e baseia-se na administração de corticosteróides em doses elevadas. Nos casos resistentes ao tratamento com corticóide, recomendam-se associação com outros medicamentos como a ciclosporina, infliximab e a plasmaferese.
Referências:
Brooklyn T, Dunnill G, Probert C.Diagnosis and treatment of pyoderma gangrenosum. BMJ 2006; 333(22):181-4.
Bhat RM.Management of pyoderma gangrenosum –An update. Indian J Dermatol Venereol Leprol 2004; 70(6): 329-35.
Hughes AP, Jackson JM, Callen JP. Clinical features and treatment of periostomal Pyoderma Gangrenosum. JAMA 2000; 284(12):1546-8.
Tags: Úlcera cutânea, Úlcera de Bauru, Doença de Beçet, FasciÃte necrosante, Granulomatose de Wegener, Lúpus eritematoso sistêmico, Linfoma, Pioderma gangrenoso, Sifilis
Vasculites: Arterites e Flebites
Retocolite ulcerativa idiopática – RCUI
Artrite e doença cutânea
Retocolite ulcerativa inespecÃfica (RCUI)






CIRURGIA DE PRÓSTATA
DOENÇAS SEXUAIS
Formas de Medicina Natural
Odontologia – Ortodontia – Próteses Dentárias – Snap on Smile – Check-up Preventivo
Saúde Geriátrica