01 - ago

Serotonina e o sistema digestório

Categoria(s): Bioquímica, Câncer - Oncogeriatria, Endocrinologia geriátrica, Gastroenterologia

Bioquímica digestiva

Serotonina

A serotonina é uma molécula sinalizadora e um neurotransmissor com importante ação em várias funções no sistema digestório e cerebral. No intestino atua na motilidade,  sensibilidade, secreção de eletrólitos e fluxo sanguíneo. Assim, tanto os pacientes dispépticos quanto os pacientes com síndrome do intestino irritável têm sido detectado aumento da serotonina plasmática pós-prandial em relação aos controles normais.

O mecanismo pelo qual a serotonina e outras substâncias como neuroquinina, substância P, colecistoquinina, gastrina, peptídeo vasoativo intestinal (VIP), óxido nítrico, peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) e peptídeo ativador da adenil-ciclase pituitária (PACAP) interferem na motilidade e na transmissão e/ou percepção de estímulos sensitivos permanece desconhecido. Existem algumas evidência que os canais de cálcio nas fibras musculares lisas podem participar destes eventos, uma vez que a concentração intracelular deste íon participa dos mecanismos relacionados à contração e ao relaxamento da musculatura lisa do tubo digestivo.

ColonA motricidade intestinal é controlada pelo plexo mioentérico e, os plexos da submucosa, o controle do fluxo sanguíneo e da secreção. O plexo mioentérico responsabiliza-se por dois terços de todos os neurônios entéricos, incluindo neurônios aferentes intrísecos primários, interneurônios, neurônios motores excitatórios e inibitórios, neurônios viscerofugais e neurônios secretomotores e vasomotores que se projetam ao epitélio e a vasos sangüíneos da submucosa.

A atividade neuronial entérica é modulada por diversas substâncias, como a histamina, prostaglandinas, leucotrienos, interleucinas, proteases e a serotonia. A função de modulação do trato gastrointestinal pela serotonina (5-HT) é estabelecida pela sua ação em nervos intrísecos e extrínsecos que, possuindo os receptores serotoninérgicos, sinalizam aos neurônios aferentes modificações presentes na mucosa do trato digestivo.

A serotonina liberada pelas células enterocromafins, nos neurônios, mastócitos e células musculares, por aumento da pressão intraluminal do intestino e estímulos químicos, atinge os receptores (5-HT 1p; 5 – HT3; 5-H4) existentes nos neurônios aferentes intrínsecos primários e, conseqüentemente, reflexos entéricos capazes de alterar a secreção intestinal ou a contração muscular. A estimulação de receptores 5-HT4 resulta na liberação de neurotransmissores como acetilcolina e peptídeo relacionado ao gen da calcitonina de neurônicos entéricos os quais modulam o reflexo peristáltico.

Estes mecanismos explicam os distúrbios intestinais decorrem dos estados emocionais, tanto de constipação, como de diarréias.

O papel da serotonina no tubo digestivo pode ser visto nos chamados tumores carcinóides do intestino médio que incluem o jejuno, íleo, apêndice, ceco, cólon ascendente que freqüentemente secretam níveis elevados de serotonina e manifestam a síndrome carcinóide clássica – onde os pacientes se apresentam com as manifestações cutâneas de “flushing”, pelagra, quadro esclerodermiforme, telangectasias e metástases cutâneas. O “flushing” ocorre em quase todos os casos (90%) e geralmente é restrito às regiões de face, pescoço e tronco superior.

Avaliação da serotonina – O diagnóstico de síndrome carcinóide requer a mensuração dos níveis de serotonina ou de seus metabólitos na urina. O teste mais comumente usado é a medida dos níveis de ácido 5-hidroxi-indolacético (5HIAA) em urina de 24 horas. Falso-positivos podem ocorrer em pacientes que fizeram uso de alimentos ricos em serotonina; banana, kiwi, abacate, nozes, além de medicamentos que contêm acetaminofeno, salicilatos, L-DOPA. O teste só é positivo se o paciente excretar mais de 30 miligramas de 5-HIAA por dia. A determinação do 5-HIAA tem apenas 73% de sensibilidade e quase 100% de especificidade para o diagnóstico de síndrome carcinóide. O valor normal de 5-HIAA é de 2 a 8mg em urina de 24 horas.

Na célula carcinóide o L-triptofano é convertido em ácido 5-hidroxitriptofano e este em 5-hidroxitriptamina que é levada à corrente sanguínea e convertida em 5-HIAA (ácido 5-hidróxi-indolacético), que é excretado pelo rim, aparecendo em grandes quantidades na urina.

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21 - jul

Melatonina – Reguladora do sono

Categoria(s): Biologia, Bioquímica, Farmacologia e Farmácia, Imunologia, Neurologia geriátrica

Melatonina – Reguladora do sono

Farmacologia

A melatonina (N-acetil-5-metoxitriptamina) é uma substância classificada como neuro-hormônio produzido pelas células da pineal. Sua síntese dá-se a partir do aminoácido triptofano, que se transforma em serotonina (neurotransmissor e modulador), e em seguida na melatonina. Sua função principal é a de regular do sono. É produzida no momento em que fechamos os olhos e, na presença da luz, uma mensagem neuroendócrina é enviada, bloqueando a sua produção.

A melatonina também pode ser secretada causando sonolência e relaxamento quando se faz uma refeição rica em triptofano, porque a serotonina resultante também é indutora do sono. A redução da disponibilidade de triptofano no cérebro pode interferir na qualidade do sono, e esta ocorre quando outros aminoácidos competem com ele pelo transporte através da barreira hematoencefálica. Por tanto, após alimentação rica em proteínas, ocorre diminuição do transporte do triptofano ao cérebro e conseqüente insônia. O efeito indutor de sono que surge após alimentação rica em carboidratos é devido ao decréscimo nos níveis plasmáticos de aminoácidos, uma vez que os carboidratos estimulam a liberação , e a insulina causa remoção de aminoácidos do plasma e captação pelos músculos.

Papel na Obesidade e na depressão – A produção da adrenalina e do cortisol induzem a formação de uma enzima a triptofanopirolase que destrói o Triptofano e com isso nem Melatonina e nem Serotonina é fabricada. Pode gerar compulsão ao hidrato de carbono, aumento do peso e depressão.

Papel imunológico – A melatonina apresenta seu pico máximo de produção em torno dos 3 anos de idade e declina de forma importante entre os 60 e 70 anos. Em conseqüência desta redução ocorrem, além das desordens do sono, declínio imunológico, alteração no humor, tendência a desenvolver depressão emocional e diminuição da capacidade de neutralizar radicais livres. As pesquisas atuais tem sugerido haver uma importante relação entre a melatonina, alguns hormônios (estrógenos, testosterona, DHEA, pregnenolona e hormônio do crescimento) e o Sistema Imunológico.

A melatonina vem se destacando como um agente de manutenção da harmonia e do funcionamento do Sistema Imunológico. Estes fatos levaram alguns autores a incluí-la nos chamados “hormônios anti-envelhecimento”.

A melatonina é estruturalmente similar ao triptofano e à serotonina. A dosagem indicada é de 5 mg ao dietar.

Referência:

Coomes MW – Metabolísmo de aminoácidos. In Devlin TM. Manual de Bioquímica com correlações clínicas. Editora Edgard Blücher São Paulo 2003.(Tradução Michelacci YM)

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15 - jun

Dietas – Quais alimentos combatem a Depressão

Categoria(s): Cuidador de idosos, DNT, Gerontologia, Nutrição, Psicologia geriátrica

Depressão – Tratamento dietético

Está comprovada que a deficiência de uma substância, a serotonina, é a grande causadora da ansiedade e depressão. Alguns alimentos estimulam a síntese se serotonina, responsável pela sensação de bem-estar, e podem ajudar no controle do estresse e das emoções.

Inclua na dieta alimentos ricos em carboidratos (pão, arroz, macarrão), em acido fólico (brócolis, feijão, frutas cítricas), em minerais como potássio (vegetais de cores fortes), magnésio (abóbora, amendoim, tofu), selênio (noz e castanha-do-pará) e nas vitaminas C (mamão, frutas cítricas) e do complexo B (atum, frango, amendoim). Esses nutrientes estimulam a atividade cerebral e energizam a pessoa. Também administre leite e iogurte, que são fontes de uma substância chamada triptofano (aminoácido que estimula a fabricação de serotonina).

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19 - set

Tumores Neuroendócrinos – Síndrome carcinoide

Categoria(s): Bioquímica, Câncer - Oncogeriatria, Endocrinologia geriátrica, Pneumologia geriátrica

Síndrome carcinoide

Os pacientes com a Síndrome Carcinóide se apresentam com as manifestações cutâneas de “flushing”, pelagra, quadro esclerodermiforme, telangectasias e metástases cutâneas. O “flushing” ocorre em quase todos os casos (90%) e geralmente é restrito às regiões de face, pescoço e tronco superior.

A manifestação da síndrome clássica varia conforme a extensão da doença (localizada ou metastática) e o local de origem do tumor primário.  Os tumores carcinóides são classificados de acordo com a localização embrionária que deu origem aos diferentes segmentos do sistema digestório: tumores do intestino anterior, que incluem o trato respiratório, estômago, pâncreas, duodeno; tumores do intestino médio que incluem o jejuno, íleo, apêndice, ceco, cólon ascendente e tumores do intestino posterior, que incluem o cólon e reto. Os tumores carcinóides de intestino médio freqüentemente secretam níveis elevados de serotonina e manifestam a síndrome carcinóide clássica. Já os tumores do intestino anterior e posterior uma vez que raramente secretam serotonina exibem outros sintomas.

As células dos TNE são capazes de sintetizar, armazenar, e às vezes, secretar aproximadamente 40 produtos pertencentes a diversas famílias moleculares: aminas biogênicas (HTP, 5-hidroxitriptofano, histamina, dopamina); peptídeos hormonais (ACTH, hormônio do crescimento, gastrina, glucagon, somatostatina, gonadotropina coriônica, calcitonina, peptídeo natriurético atrial, (ANP), cromograninas A/C, neurotensina, polipeptídico vasoativo intestinal, polipeptídio pancreático (PP)); taquicininas (neuropeptídeo K, calicreína) e algumas prostaglandinas (PGE). A ação combinada de várias destas substâncias pode resultar em quadros clínicos da síndrome carcinoide

A síndrome carcinóide ocorre quando esses mediadores, que são normalmente metabolizados pelo fígado, estão presentes na circulação sistêmica. Isso se deve à ocorrência de metástases hepáticas ou tumores extra-abdominais, ou quando são tumores grandes e/ou múltiplos que produzem um nível de mediadores que ultrapassa a capacidade de metabolização hepática.

Diagnóstico – O diagnóstico clínico da síndrome carcinoide pode ser confirmado pela análise laboratorial de várias destas substâncias, assim como no seguimento do tratamento. Como exemplo, o produto da decomposição da serotonina, 5-HIAA (ácido 5-hidróxi-indolacético).

Tratamento – Atualmente, a remoção cirúrgica do tumor consiste na primeira escolha terapêutica, tanto com finalidade curativa como paliativa. O uso de análogos da somatostatina, como o octreotide, é muito eficaz no controle dos sintomas na síndrome carcinóide, especialmente de flushing e diarréia. A somatostatina inibe a liberação de diversos hormônios, como insulina, glucagon, gastrina, secretina e hormônio do crescimento. Além disso, regula secreção exócrina e glandular, neurotransmissão e contratilidade de músculo liso.

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12 - ago

Depressão – Antidepressivos: O que evitar durante o seu uso?

Categoria(s): Conceitos, Psicologia geriátrica

Orientações

Enxaqueca

Fármacos antidepressivos – Os inibidores da monoaminoxidase (IMAOs)  são substâncias que agem como antidepressivos cujo mecanismo de ação consiste na inibição da enzima monoaminoxidase (MAO), que é responsável pela degradação das monoaminas: serotonina, noradrenalina e dopamina, resultando no aumento da disponibilidade dessas substâncias na fenda sináptica.

INTERAÇÃO IMAO e TIRAMINA

A MAO é encontrada no sistema nervoso central e na parede intestinal. A inibição da MAO, no intestino, promove a redução da metabolização da tiramina, aumentando a sua absorção. Assim, o uso simultâneo de um medicamento IMAO com alimentos ricos em tiramina (bebidas alcoólicas, queijos, chocolate, carnes em conservas, salchiças, lentilhas, amendoin, outras sementes)  provoca uma maior absorção desta substância e, consequentemente, maiores concentrações plasmáticas, levando ao aparecimento de crise hipertensiva. Vale lembrar que o excesso de tiramina também pode desencadear crises de enxaqueca.

Deve-se evitar:

Bebidas alcoólicas

Substâncias psicoestimulantes, sobretudo anfetaminas

Ao consultar qualquer outro médico, sempre informar a medicação que se está tomando, sobretudo no caso de intervenções cirúrgicas ou qualquer procedimento que necessite anestesia

Prudência e precaução ao dirigir automóvel, bem como no manuseio de máquinas.

 

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