29
Set

 A obesidade e a apnéia obstrutiva do sono

Categoria(s): Endocrinogeriatria, Nutrição, Pneumogeriatria

Resenha

A obesidade e a apnéia obstrutiva do sono

Colaboradora: Astrid de Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeiral e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Aspectos Nutricionais

Sabe-se hoje, que o sono e as alterações do ciclo vigília-sono pode influenciar vários aspectos do equilíbrio nutricional e metabólico do organismo, porque as alterações do ciclo levam à privação do sono, gerando distúrbios vários como aumento da obesidade, sindrome metabólica, dislipidemias, diabetes, etc.

A ingestão alimentar nestas condições, tem se mostrado alterada e prejudicial à saúde, resultando numa maior predisposição para o aparecimento de problemas nutricionais.

Em condições de restrição de sono, o apetite por alimentos com alta quantidade de carboidratos, incluindo doces, biscoitos, salgados, cereais e tubérculos, evidenciando a preferência por alimentos mais calóricos e ricos em lipídeos.

Existe a Leptina que é uma proteína produzida pela glândula mamária, músculo esquelético, epitélio gástrico e pelo tecido adiposo, que fornece informações sobre o equilíbrio energético para o centro regulatório do cérebro e a sua liberação está associada com a promoção da saciedade. Durante o sono, a leptina encontra-se elevada (pela ingestão durante o dia) e com a privação do sono encontra-se diminuída, alterando a habilidade da leptina em produzir o sinal de saciedade, levando ao aumento da ingestão calórica. Um período de sono de 8 h que diminui para 5 horas, ocorre diminuição de 15,5% nos níveis da leptina.

Obesidade

A prevalência mundial de obesidade, vem crescendo de forma assustadora sendo que ela representa um dos problemas contemporâneos de saúde mais importante de todos os tempos. Tornou se um problema de Saúde Pública, pois responde pelo aumento das doenças crônicas com risco de morbidade e mortalidade.

Pode-se entender a obesidade como sendo o resultado de um balanço energético positivo e de longa duração, e defini-se obesidade, o índice de massa corpórea acima de 27kg/m2, e a circunferência abdominal maior que 94cm para homens e maior que 80cm para mulheres.

O número de obesos tem aumentado e isto se observa também entre os idosos, o que representa um impacto muito negativo na vida dos idosos, uma vez que limita sua independência na execução das atividades de vida diária, diminui sua capacidade funcional, aumenta o risco para desenvolver doenças crônicas (Diabetes Mellitus, Hipertensão, Síndromes Metabólicas, doença cardiovascular).

A prevalência na região sudeste do Brasil é de 37% para os homens e 57% para as mulheres acima dos 65 anos. Estudos desenvolvidos com idosos por Tadei et al (1997), em ambulatório hospitalar para riscos cardiovasculares, demonstram que 30% destes, eram obesos e a faixa de maior incidência, foi a de 65 a 74 anos.

Tratar obesidade em idosos, é muito complexo, pois vários são os fatores que influenciam em suas escolhas alimentares, como: renda, composição familiar, hábitos e valores culturais, religião, etnia, sexo. Suas necessidades nutricionais dependem do estado geral da sua saúde física, emocional, mental e funcional.

A obesidade tem alta prevalência na população geral, sendo que apresentam risco maior de desenvolver, além das doenças crônicas já citadas, também a Síndrome da Apneia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono (SAHOS), que é uma doença crônica, progressiva, incapacitante, com alta morbidade e mortalidade cardiovascular. Fatores anatômicos e funcionais contribuem para esta instabilidade das vias aéreas. Como sintomas gerais, está presente o Ronco, as pausas respiratórias, sono fragmentado, sonolência excessiva e défcits cognitivos entre outros.

Ronco e Apnéia

A Introdução do estudo do sono realizado com o suporte da Polissonografia, na Europa, iniciou na década de 1960. Foram realizados estudos com pacientes obesos, observando os despertares pós-apnéias, sendo a fragmantação do sono, a causa mais provável da sonolência diurna, que era um dos sintomas observados. Durante o sono, o tônus dos tecidos orofaríngeos diminui se aproximam e bloqueiam a passagem do ar pelas vias aéreas, causando as apnéias durante o  sono.

Como sinal  clínico mais comum e preditivo, ocorre o Ronco, que se traduz na interrupção da respiração de forma intermitente durante o sono, agitação, diminuição da capacidade de memória e concentração, despertar súbito com sensação de sufocamento, sonolência excessiva, irritabilidade e outros que serão relatados neste trabalho.

Existe o ronco primário que é definido pela CIDS como presença de ruído característico de ronco durante o sono, na ausência de alterações na saturação da oxi-hemoglobina.

O Ronco aumenta com a idade, sendo que prevalece em 30% das mulheres acima de 65 anos e 45% dos homens. A comorbidade da Apneia Obstrutiva do Sono é a hipertensão Arterial (HAS), que incide duas vezes mais em roncadores, excluindo a idade e obesidade.

É comum, despertares com o ruído do próprio ronco, causado pela dificuldade de respirar e geralmente é percebido pela família e ou cônjugue.

Referências:

Tufik, S. Medicina e Biologia do Sono;  Instituto do sono SP:cap.20-26; pag.240-305: ed. Manole, 2008

I CONSENSO BRASILEIRO DE RONCO E APNEIA DO SONO,2000. In:Sociedade Brasileira do Sono.[on line]

Alfredo, C. Neto, L. T. Consulta Geib; Sono e Envelhecimento. Ver. Psiquiatria. RS, 25(3):453-465, set/dez.2003

Nabarro,P - Ronco e apnéia: Os Benefícios da Odontologia do Sono. Ortopedia funcional dos maxilares. [on line]

Mariani CM;Tavares S;Aloi F - Apnéia do sono em Obeso. Arq. Brasileiro de Endocrinologia Metabólica,2000;44(2): 81-90.

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07
Jun

 Estudo de caso - Ronco

Categoria(s): Caso clínico, Otogeriatria, Pneumogeriatria

Interpretação clínica

  • Senhor de 53 anos veio para check up anual. Relata estar sem nenhuma problema. A esposa que o acompanha nesta consulta relata que, ultimamente, o esposo tem começado a roncar muito alto, e que isso está afetando negativamente sua capacidade de dormir. Muitas vezes ela tem que dormir noutro quarto. A esposa relata que o paciente sempre roncou ocasionalmente, mas que agora ele ronca toda a noite, e ainda mais alto. Não notou se ele pára de respirar ou engasga durante a noite.
  • O paciente relata que não sabe de seus roncos e acredita que durma bem, pois se sente bem disposto e sem sonolência no dia seguinte.
  • Exame físico - Altura de 178 cm e peso 90 kg, PA 120/84 mmHg. Via aérea faríngea tem uma úvula levemente alongada e é algo eritematosa, com mucosa edemaciada. O pescoço mede 41 cm. Os pulmões estão limpos. Restante do exame físico normal.

Qual seria o diagnóstico e o tratamento inicial mais razoável?

Os roncos causam dois problemas em potencial, primeiro - pode ser indicador de apnéia do sono, segundo - pode gerar tensão e conflitos entre o casal. Inicialmente, devemos procurar maximizar a patência nasl (esteróides nasais) e perda de peso, ambos, provavelmente, aliviarão o problema. O estudo no laboratório do sono não está indicado porque não há evidência de apnéia do sono, além dos roncos.

Apesar da cirurgia das vias aéreas superiores e os aparelhos dentários poderem tratar os roncos, efetivametne, nenhum dos dois tem sucesso total.

Nos casos de apnéia do sono, geralmente encontramos, sonolência durante o dia, hipertensão arterial e pescoço largo.

Referências:

Barthel SW, Strome M - Snoring, obstrutive sleep apnea ad surgery. Med Clin North Am - 1999.83:85-96.

Kump K, Whalen C, Tishler PV, Browner I, Ferrette V et al - Assessment of the validity and utility of a sleep-symptom questionnaire. Am J Respir Crit Care Med. 1994;150:335-341.

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