17 - ago

Climatério – Sudorese e Fogachos

Categoria(s): Endocrinologia geriátrica, Ginecologia geriátrica

Climatério – Sudorese e Fogachos

 

Interpretação clínica

  • Mulher de 50 anos, que entrou na menopausa há 6 meses, apresenta fogachos e intenso distúrbio do humor. Não tem história de tabagismo, hipertensão ou doenças venosas. Os exames ginecológicos têm sido normais. Exame de Papanicolau e mamografia normais. Deseja esclarecimentos a respeito da possibilidade de reposição hormonal, para aliviar os sintomas de fogacho e distúrbio do humor. Porém, está preocupada com os risc0s de câncer de mama, pois tem parente próximo com esta neoplasia. Além disso, está preocupada com os efeitos adversos da terapia com estrogênio e deseja considerar o modulador seletivo da resposta estrogênica raloxifeno como forma alternativa de terapia de reposição hormonal.

Qual a melhor orientação para essa paciente?

O risco relativo de câncer de mama com a terapia de reposição hormonal (TRH) é pequeno, mas real. Todavia, estudos tem mostrado que a  mortalidade por câncer de mama não é maior nas mulheres que usaram a TRH. O risco de câncer de mama pode eventualmente ser contrabalanceado pelo efeito cardioprotetor do estrogênio. Os fogachos podem ser diminuídos com o uso de clonidina (agente simpatolítico). Já o raloxifeno não vai prevenir e pode exacerbar os fogachos; pois, sendo um modulador dos receptores de estrogênio, ele aparentemente ñao tem efeitos estrogênio-like no hipotálamo.

Os fogachos

Fogacho – Cerca de 50% a 70% das mulheres apresentam sintomas vasomotores (fogachos, calores noturnos) durante a transição para a menopausa. Fogachos são sensações transitórias de dissipação de calor através da pele, acompanhadas de sudorese, palpitações, náuseas, tonturas, cefaléias e alterações do sono e eventualmente insônia. Os mecanismos fisiopatológicos que contribuem para o desenvolvimento dos fogachos não são completamente conhecidos; sabe-se que, alterações dos níveis de estrógenos oriundos do declínio da função ovariana são importantes, mas não suficiente para o seu desenvolvimento. A extensão do problema pode ser avaliado pelo número de mulheres brasileiras no climatério (período que entre 45 e 64 anos), mais de 13,5 milhões segundo o CENSO de 2000, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Regulação neuroendócrina da temperatura

O controle termoregulador se dá através de um centro localizado na região hipotalâmica anterior. Acredita-se que, durante a transição para a menopausa, ocorra um estímulo maior do sistema simpático através de receptores beta-2-adrenérgicos. Essa ativação adrenérgica contribuiria para a redução da chamada zona termoneutra (zona de variação normal da temperatura corpórea); desse modo, os sintomas vasomotores ocorreriam em resposta a pequenas variações de temperatura corpórea. O centro hipotalâmico termoregulador também é sensível a variações de neurotransmissores noradrenérgicos, como a serotonina e a noradrenalina, e hormônios como a progesterona e luteinizante.

Referências:

Joffe, H; Watson R. et al – Assessment and treatment of hot flushes and menopausal mood disturbance. Psychiatric Clinic North American.2003; 26(3):563-580.

McNagny SE – Prescribing hormone replacement therapy for menopausal symptoms. Amm Intern Med. 1999;131:431-439

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19 - abr

Menopausa – Terapia de reposição hormonal

Categoria(s): Caso clínico, Endocrinologia geriátrica, Ginecologia geriátrica

Interpretação clínica

  • Mulher de 52 anos na perimenopausa, com fogachos, está preocupada com os efeitos adversos da terapia com estrogênio e deseja consideraro modulador seletivo da resposta estrogênica raloxifeno como forma alternativa de terapia de reposiçnao hormanal. Possui história de trombose venosa profunda e está usando warfarina há seis meses.

Qual a melhor orientação para essa paciente?

Tanto a terapia de reposição hormonal quanto o raloxifeno produzem pequeno aumento na incidência de eventos tromboembólicos. No entanto, nenhum deles é absolutamente contra-indicado em mulheres com história de trombose venosa.

A terapia com estrogênio alivia os sintomas da menopausa, mas o raloxifeno não vai prevenir os fogachos, podendo exacerba-los.

Os fogachos são resultantes da instabilidade vasomotora; a patogênese é complexa e envolve várias substâncias vasoativas. ocorrem predominantemente em estados de amenorréia secundária com altos níveis de gonadotropina, e são suprimidos por doses de estrogênio que reduzem os níveis de gonadotropina.

Referências:

McNagny SE – Prescribing hormone repalcement therapy for menopausal symptoms. Ann Intern Med. 1999;131:605-616.

Khovidhunkit W, Shoback DM – Clinical effects of raloxifene hydrochloride in womem. Ann Intern Med. 1999;130:431-439.

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23 - jun

Terapia de Reposição Hormonal (TRH) e trombose venosa

Categoria(s): Caso clínico, Endocrinologia geriátrica, Ginecologia geriátrica

Interpretação clínica

  • Mulher de 51 anos, em menopausa há 1 ano, com fogachos importantes, que atrapalham os seus afazeres do dia a dia. Teve episódio de trombose venosa na perna direita há 6 anos, fazendo terapia com anticoagulante (warfarina) por 1 ano. Atualmente, sem medicações. Está preocupada com os efeitos colaterais dos hormônios e gostaria de sua orientação.
Tanto a terapia de reposição hormonal quanto o raloxifeno produzem aumento na incidência de eventos tromboembólicos. No entanto, nenhum deles é formalmente contra-indicado em mulheres com história de trombose venosa.
Fogachos – Os fogachos são resultantes de instabilidade vasomotora; a patogênese é complexa e envolve diversas substâncias vasoativas. O fogacho ocorre principalmente nos casos de amenorréia secundária com altos níveis de gonadotropina, e são suprimidos por doses de estrogênios que reduzem os níveis de gonadotropina.
Raloxifeno – O raloxifeno é uma substância moduladora seletiva da resposta estrogênica, mas não previne o fogacho, e até ao contrário pode aumenta-lo.
Referência:
McNagny SE – Precribing hormone replacement therapy for menopausal symptoms. Ann Intern Med. 199;131:605-616.

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