09 - jun

Doença de Alzheimer – Aspectos Clínicos

Categoria(s): DNT, Neurologia geriátrica, Programa de saúde pública

Doença de Alzheimer – Aspectos Clínicos


A doença de Alzheimer é definida clinicamente como progressiva perda das funções, cognitivas (memória) em duas ou mais áreas não associadas a outros tipos de demência, atingindo entre 10 a 15 % da população com mais de 65 anos e 50 % após os 80 anos.

Perda recente da memória e redução gradativa das atividades habituais são características marcantes do início da doença. Pequenos esquecimentos se acentuam não se recordam com clareza da conversa de ontem, erram caminhos que faziam com facilidade. Não se lembram do que comeram ontem. No início, o diagnóstico correto é muito difícil.

Sjoren dividiu a Doença de Alzheimer em 4 estágios, sendo que em todos a memória está afetada.

Estágio I ‑ Dura de dois a quatro anos se caracteriza por certa desorientação espacial, depressão, apatia e desinteresse pelo cotidiano.

Estágio II e III – Podem durar de 3 a 5 anos. Os sintomas se agravam. A memória já está gravemente afetada. Tem dificuldade em reconhecer seus familiares. Apresentam afasia, apraxia, agnosias, agitação psicomotora, passam a depender totalmente de terceiros.

Estágio IV – Sua duração é muito variada. Neste estágio ocorre a perda total da memória, ocorre apatia e prostração, tornam-se anímicos, indiferentes, extremamente rígidos, espásticos e apresentam incontinência urinária e fecal. Ficam em estado vegetativo e a morte ocorre por infecções.

No exame físico podemos encontrar os reflexos extrapiramidais exacerbados, bradicinesia, rigidez, sinal de Babinski positivo, mioclonias e Parkinsonismo.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com a aterosclerose, outros tipos de demência, depressão, disfunções da glândula tireóide, tumores cerebrais, hidrocefalia oculta, intoxicação por metais pesados, subnutrição e intoxicação medicamentosa.

O diagnóstico laboratorial é feito por mapeamento cerebral na ressonância magnética. Neste exame podemos observar que os núcleos do Hipocampo, da Raphe e “Locus Ceruleus” são bastante afetados.

Estudos anatomopatológicos

Em 1907 ‑ Alois Alzheimer, ao fazer uma necrópsia no cérebro de uma mulher de 51 anos que havia falecido com demência, e detectou uma diminuição do peso do cérebro e o exame microscópico, a presença de placas senis e emaranhados (novelos) neurofibrilares. Nos anos subseqüentes as alterações foram descritas minuciosamente.

O peso do cerebro é de 30 a 40% menor que o normal.

alzhNos exames histopatológicos encontramos: placas senis, emaranhados neurofibrilares, neurônios fantasmas, depósitos de lipofuscina (pigmento formado pelo DNA ligado à proteína), filamentos emparelhados helicoidais que são causados pelo ácido glutâmico alterando a concentração de fósforo na proteína TAU e placas neuríticas resultante do aumento da atividade das proteases.

As placas senis são constituídas de substância amilóide que tem em seu núcleo a proteína β‑amilóide A4, e uma proteína precursora da placa amilóide APP (potente gerador de RL).

A deposição da proteína β-amilóide é considerada por muitos pesquisadores como fator desencadeante mais importante da Doença de Alzheimer. Suspeita‑se que a deposição da proteína β e AAP esteja ligada a alterações no cromossomo 21 (O mesmo da Síndrome de Down).

Em1990, Margareth Periack‑Vance pesquisando um grupo de doentes identificou no cromossomo 19 alterações desencadeantes da doença.

Em outubro de 1992 a doença foi, também associada ao aumento da glicação da Apolipoproteína E4 (Apoe4) aumentando sua ligação com a placa amilóide.

Alguns cientistas associam a doença à presença de um vírus lento.

Glossário

Afasia – comprometimento dos dispositivos corticais relacionados à função da linguagem (sinônimo – disfasia).
Agnosia – perda da capacidade de reconhecer objetos ou símbolos utilizando um dos cinco sentidos.
Anímicos – sem mímica, face sem expressão.
Apraxia – impossibilidade de executar, correta e apropriadamente, atos voluntários, embora não apresente qualquer paralisia ou desordem de tipo sensitivo, atáxico, hipercinético, gnósico ou mental. (sinônimo – dispraxia).
Ataxia – Desordens da coordenação motora e do equilíbrio.
Mioclonias – Movimento musculares involuntários.
Sinal de Babinsky. O Sinal de Babinsky, ou reflexo Cutâneo-Plantar extensor, indica-nos uma lesão dos neurónios Cortico-Espinhais. Pesquisa-se o Reflexo Cutâneo-Plantar raspando ligeiramente a planta do pé sendo a resposta normal a Flexão Plantar dos dedos do pé. A resposta anormal e a extensão dos dedos do pé (sinal de Babinsky positivo).

Referência

Laboratório de Neurociências da USP[on line]

Associação Brasileira de Alzheimer é um núcleo de pessoas envolvidas em cuidar de doentes com Doença de Alzheimer.(abaixo o link).

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