09
Jun

 Memória - Uso de vitaminas do complexo B

Categoria(s): Bioquímica, Neurogeriatria, Saúde Geriátrica

Terapia Ortomolecular

VITAMINAS DO COMPLEXO B

Há doze tipos diferentes de vitamina B, dos quais cinco têm demonstrado efeitos positivos no sistema nervoso:

Vitamina B1 (Tiamina) - considerado um poderoso antioxidante, com importante função no metabolismo energético, por participar na conversão da glicose em energia, atuando na fase de piruvato à acetil Co A. A dose recomendada varia de 25 a 300 mg por dia. Considerando que a vitamina B1 desempenha papel essencial no metabolismo dos carbohidratos, a maior fonte de energia para as células, a sua deficiência nutricional pode ser observada quando encontramos falhas no metabolismo cerebral, como desnutridos e alcoólatras. Devemos observar que dietas ricas em carbohidratos depletam a tiamina. As fontes de vitamina B1 são: carnes vermelhas, soja, arroz integral, grãos integrais, ovos e peixes.

Vitamina B3 (niacina) - ajuda a desenvolver a memória e combater o stress. Doses recomendadas: 1 00 a 200 mg diariamente. Doses elevadas, inclusive quando superior a 100 mg pode ocorrer ‘flushing’, cujos sintomas são prurido, vermelhidão nas extremidades, ondas de calor e parestesia, principalmente no rosto, pescoço, braços e tórax. Este efeito é consequência da dilatação arterial, determinada pela síntese da histamina.

Vitamina B5 (Ãcido pantotênico) – O ácido pantotênico faz parte da molécula da Coenzima A, e como a conversão da colina em acetilcolina (importante para a memória) necessita da acetilação da colina que é dependente da acetil Co A, esta é a fase de ação do ácido pantotênico. Nesta etapa também participa a lecitina. O ácido pantotênico é indispensável para síntese de lipídios e hormônios esteróides. Nas situações de estresse ocorre um grande consumo desta vitamina (chamada de anti-stress). Dosagem de 50 a 200 mg/dia.

Vitamina B6 (Piridoxina) - uma das mais importante para o sistema nervoso central, porque é uma coenzima na transaminação, e descarboxilação de aminoácidos, ajudando o cérebro a produzir neurotransmissores vitais ao seu funcionamento. Tem demonstrado aumentar o tempo de vida e diminuir o stress. As doses recomendadas são de 50 a 1 00 mg por dia. Possui interação medicamentosa com a Levodopa, inativando-a no intestino. Devemos considerar que a forma ativa é o fosfato de piridoxal, portanto devemos evitar megas dose de piridoxina, devido a grande dificuldade de conversão em piridoxal, e a parte que não for convertida pode exercer forte competição com a forma ativa, à nível de receptores e, clinicamente manifestar-se como neuropatias periféricas. Se quisermos melhora a sua eficácia devemos associar magnésio na sua formulação.

Vitamina B12 (Cianocobalamina) - está relacionada no tratamento de deficiências cerebrais por lesões a nível de SNC, processos degenerativos, principalmente desmielinizantes do sistema nervoso periférico. Doses de 100 a 200 mcg são sugeridas em associação com 400 mcg de ácido fólico. A vitamina B12 praticamente inexiste nos vegetais, portanto os vegetarianos, geralmente tem deficiência de vitamina B12, que é encontrada nos alimentos de origem animal. A vitamina B12 está vinculada ao metabolismo dos lípides, participando na eleboração da porção lipídica da lipoproteína da bainha de mielina, por atuar promovendo a transferência de hidrogênio e isometerização , na conversão do metilmalonato em succinato.

A síntese diária do SAME (S-adenosil metionina) substância importantíssima na regeneração e prevenção ao envelhecimento do SNC está na dependência do ácido fólico e da vitamina B12.

Tags: , , , ,

Veja Também:
Vitaminas - O que são?
Conseqüências da desnutrição no idoso
Estudo de caso - Neurite periférica
Vitaminas e sais minerais - Toxicidade
Síndrome da alça curta
Chumbo - Saturnismo

Comentários     Indique esse artigo Indique esse artigo



30
Mar

 Estudo de caso - Neurite periférica

Categoria(s): Caso clínico, Neurogeriatria, Nutrição

Interpretação clínica

Homem de 54 anos é hospitalizado por causa de incapacidade de andar e quedas freqüentes. Queixa-se de dormência e formigamento nas mãos e pés há quatro meses. O paciente diz que caminhar no escuro é impossível, e não pode mais tomar banho de chuveiro com os olhos fechados. Tem recebido tratamento antituberculoso e ingere suplemento nutricionais, por conta própria, diariamente.

Ao exame físico, apresenta marcha atáxica. Há redução na sensibilidade dolorosa e tátil distal em relação aos joelhos e punhos. A sensibilidade vibratória e a propriocepção estão bastante diminuídas, especialmente nas extremidades superiores. Os reflexos tendinosos profundos estão globalmente ausentes. A força muscular está preservada. O teste de Romberg é positivo.

Como entender o quadro neurológico apresentado pelo paciente? pode haver intoxicação medicamentosa?

A neuropatia sensitiva ou neuronopatia pode ser causada pela piridoxina (vitamina B6) quando administrada em grandes doses (usualmente mais que 600 mg/dia). Entretanto, a toxicidade é dose-dependente e pode ocorrer com doses de 200 a 300 mg diários. Os sintomas incluem dormência e formigamento nas mãos e nos pés.

Os achados neurológicos incluem arreflexia difusa e diminuição marcante da sensibilidade vibratória e da posição das articulações com marcha atáxica. A vitamina B6 é comumente encontrada nos suplementos vitamínicos. A dose indica é de 50 mg por dia.

Medicamentos utilizados no tratamento da tuberculose (rifampicina, etambutol e pirimetamina) não causam neuropatia periférica como efeito colateral.

Veja mais sobre Vitaminas

Referência:

Berger AR, Schaumburg HH, Schroeder C, Apfel S, Reynolds R. Dose response, coasting, and differential fiber vulnerability in human toxic neuropathy: a prospective study of puridoxine neurotoxicity. Neurology 1992,42: 1367-1370.

Tags: , , , ,

Veja Também:
Esclerose Múltipla - Neurite óptica
Estudo de caso - Vasculite
Estudo de caso - Tumor fantasma
Estudo de caso - poliúria
Estudo de caso - Necrose óssea
Estudo de caso - Compressão medular

Comentários     Indique esse artigo Indique esse artigo