21 - mai

Transportadores de glicose – Glut 4 nos Diabetes e Obesidades

Categoria(s): Bioquímica, Endocrinologia geriátrica, Nutrição

Transportadores de glicose – Glut 4

 

Papel nos Diabetes e Obesidades

As membranas celulares não são permeável a glicose. Assim, a glicose, principal fonte de energia celular, é transportada na maioria das células por difusão facilitada, através de proteínas transportadoras presentes na membrana plasmática. Está caracterizada a existencia de uma família de transportadores (GLUT1-GLUT7), com características funcionais e distribuição tecidual distintas. Porém, nos epitelios intestinal e tubular renal, o transporte é contra gradiente e acoplado ao Na+ na membrana apical das células através de cotransportadores (SGLT1-SGLT2), com posterior difusão para o interstício através de GLUTs presentes na membrana basolateral.

 insulina-glicoseGLUT4 é o transportador insulino-sensível e promove a captação de glicose nos tecidos adiposo e muscular esquelético. GLUT4 situa-se no compartimento intracelular (95% do conteúdo situa-se no interior do adipócito).

Transporte da glicose para o interior da célula e seu metabolísmo

A insulina liga-se ao receptor na membrana 1, ativando a cascata molecular para sinalização da abertura da proteína de transporte de glicose (glut4) 2; abertura da proteína glut4, possibilita a entrada da glicose na célula 3, após sua entrada na célula ocorre o armazenamento da glicose na forma de glicogênio 4 no músculo esquelético e fígado.  A geração de energia, para as atividades celulares se dá pelo metabolísmo da glicose a piruvato 5 ou, então ocorre a transformação e deposição da glicose em ácido graxo nas células do tecido adiposo 6.

Resistência a insulina – Obesidade e Diabetes

Um defeito na translocação de GLUT4 produz obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e Resistência a Insulina (RI). A RI se instala inicialmente no tecido adiposo que produzirá fatores que estimulam essa resistência no tecido muscular.

• Fatores produzidos por adipócitos:  TNF alpha; IL-6; Resistina (diminui a ação da insulina); Adiponectina (aumentam a ação da insulina); Falta de Melatonina: redução de GLUT4 no tecido adiposo e muscular.

O controle da resistência a insulina,por conseguinte do diabetes e da obesidade se faz pelo aumento da expressão de GLUT4, com as seguintes medidas comprovadas experimental e clinicamente:
       – Emagrecimento
       – Atividade física
       – Metformina
       – Tiazolidinedionas (TZD)
       – Restrição de sal
       – Captopril (IECA) – melhora a sensibilidade à insulina
       – Aumento do mRNA do GLUT4: ativação do MEF2A, MEF2D e HIF-1a.

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15 - abr

Obesidade – Síndrome do Comer Noturno

Categoria(s): Endocrinologia geriátrica, Nutrição, Programa de saúde pública, Psicologia geriátrica

Obesidade – Síndrome do Comer Noturno

 

Stunkar, na década de 1950 descreveu um transtorno alimentar-comportamental caracterizado por três componentes principais: pouco apetite de manhã, comer excessivamente à tardinha ou à noite e insônia. Stunkard observou também que a Síndrome do Comer Noturno tendia a ser desencadeada pelo estresse e que seus sintomas diminuíam quando o estresse era aliviado.

Em estudos posteriores e muito detalhados (Birketvedt et al, 1999) mostraram que a Síndrome do Comer Noturno aparece em 10% das pessoas que se tratam de obesidade e em 27% daquelas submetidas à cirurgia para obesidade.

Os episódios compulsivos de comer (Binge Eating) aparecem apenas na Compulsão Alimentar Periódica e não na Síndrome do Comer Noturno. Estes episódios de Binge Eating não são motivados apenas uma fome fisicamente determinada, mas por um impulso irrefreável de ingerir comida em grande quantidade. Pode se comer tudo que estiver disponível, durante esses episódios, mesmo sem tomar o paladar como critério, ou seja, são ingeridas comidas frias, alimentos doces misturados com salgados, alimentos vencidos, e assim por diante. O que interessa mesmo é a quantidade.

A Síndrome do Comer Noturno, por sua vez, se manifesta por comer excessivamente à tardinha ou à noite, mas não compulsivamente, apenas por aumento da vontade de comer. Entre as pessoas que sofrem de Compulsão Alimentar Periódica, 15% delas tem, concomitantemente, a Síndrome do Comer Noturno (Dobrow, 2002).

Um dado interessante na Síndrome do Comer Noturno é que, em média, esses pacientes consumem 56% de toda sua ingestão calórica diária no período noturno, entre as 22 e 6 horas, ao passo que a população geral consume aproximadamente apenas 15% da ingestão calórica diária nesse período.

Uma das características da Síndrome do Comer Noturno é sua associação com a obesidade, depressão, baixa auto-estima e diminuição da fome diurna. Os pacientes obesos com Síndrome do Comer Noturno têm menos êxito nos programas de redução de peso do que pacientes obesos sem a Síndrome do Comer Noturno.

 Tratamento

A etiologia da TCAP ainda não foi9 esclarecida, mas se supõe que as crises de compulsão alimentar ocorram por surtos, o que as colocaria próximo das crises epilépticas. Assim, o uso do anticonvulsivante topiramato tem sido o medicamento de escolha para o controle das crises de TCAP. O uso de antidepressivo pode ser usado concomitante, pois muitos pacientes com TCAP, também apresentaram quadro de depressão no passado.

Referências

Borges MBF, Jorge MR. Evolução histórica do conceito de compulsão alimentar. Psiq Prat Med 2000;33(4):113-8.

Gofin J, Abramson JH, Kark JD, Epstein L. The prevalence of obesity and its changes over time in middle-aged and elderly men and women in Jerusalem. Int J Obes 1996;20:260-6.

Euronut SENECA investigators. Nutritional status: anthropometry. Eur J Clin Nutr 1991;45(45s3):31-42.

Hudson JI, Carter WP, Pope HG-Jr. Antidepressant treatment of binge-eating disorder: research findings and clinical guidelines. J Clin Psychiatry 1996; 57(Suppl 8):73-9.

Chaimowicz F. A saúde dos idosos brasileiros às vésperas do século XXI: problemas, projeções e alternativas. Revista de Saúde Pública. Abr.1997;31(2):184-200. [on line]

Overweigh and Obesity – Centers for Desease Control and Prevention – EUA [on line]

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14 - abr

Obesidade – Transtorno compulsivo alimentar periódico (TCAP)

Categoria(s): Farmacologia e Farmácia, Nutrição, Programa de saúde pública, Psicologia geriátrica

Obesidade -Transtorno compulsivo alimentar periódico (TCAP)

 

O Transtorno baseia-se na presença de compulsão alimentar com subseqüente angústia devido à ausência de comportamentos regulares voltados para eliminação do excesso alimentar. A compulsão alimentar é definida atualmente como: ingestão, em um período limitado de tempo, de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria num período similar, sob circunstâncias similares, com sentimento de falta de controle sobre o consumo alimentar durante o episódio. O TCAP foi descrito a partir de observações de pacientes obesos, porém, apesar de bastante freqüente nesse grupo, também acomete indivíduos de peso normal.

 

Diagnóstico

O critério de diagnóstico para TCAP proposto pelo DSM-IV requer a presença de:

a. Episódios recorrentes de compulsão alimentar.

Um episódio de compulsão alimentar é caracterizado por ambos os seguintes critérios:
1. ingestão, em um período limitado de tempo (por exemplo, dentro de um período de duas horas), de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria em um período similar, sob circunstâncias similares;
2. um sentimento de falta de controle sobre o episódio (por exemplo, um sentimento de não conseguir parar ou controlar o que ou quanto se come).

b. Os episódios de compulsão alimentar estão associados a três (ou mais) dos seguintes critérios:

1. comer muito e mais rapidamente do que o normal;
2. comer até sentir-se incomodamente repleto;
3. comer grandes quantidades de alimentos, quando não está fisicamente faminto;
4. comer sozinho por embaraço devido à quantidade de alimentos que consome;
5. sentir repulsa por si mesmo, depressão ou demasiada culpa após comer excessivamente.

c. Acentuada angústia relativa à compulsão alimentar.

d. A compulsão alimentar ocorre, pelo menos, dois dias por semana, durante seis meses.

e. A compulsão alimentar não está associada ao uso regular de comportamentos compensatórios inadequados. por exemplo, purgação, jejuns e exercícios excessivos, nem ocorre durante o curso de anorexia nervosa ou bulimia nervosa.

 Tratamento

 A etiologia da TCAP ainda não foi esclarecida, mas se supõe que as crises de compulsão alimentar ocorram por surtos, o que as colocaria próximo das crises epilépticas. Assim, o uso do anticonvulsivante topiramato tem sido o medicamento de escolha para o controle das crises de TCAP. O uso de antidepressivo pode ser usado concomitante, pois muitos pacientes com TCAP, também apresentaram quadro de depressão no passado.

Referências

Borges MBF, Jorge MR. Evolução histórica do conceito de compulsão alimentar. Psiq Prat Med 2000;33(4):113-8.

Gofin J, Abramson JH, Kark JD, Epstein L. The prevalence of obesity and its changes over time in middle-aged and elderly men and women in Jerusalem. Int J Obes 1996;20:260-6.

Euronut SENECA investigators. Nutritional status: anthropometry. Eur J Clin Nutr 1991;45(45s3):31-42.

Hudson JI, Carter WP, Pope HG-Jr. Antidepressant treatment of binge-eating disorder: research findings and clinical guidelines. J Clin Psychiatry 1996; 57(Suppl 8):73-9.

 Chaimowicz F. A saúde dos idosos brasileiros às vésperas do século XXI: problemas, projeções e alternativas. Revista de Saúde Pública. Abr.1997;31(2):184-200. [on line]

Overweigh and Obesity – Centers for Desease Control and Prevention – EUA [on line]

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09 - fev

Obesidade – Uso dos refrigerantes light ou diet

Categoria(s): Bioquímica, Câncer - Oncogeriatria, Nutrição, Programa de saúde pública

Obesidade – Uso dos refrigerantes light ou diet

O uso de refrigerantes light ou dieta como forma de evitar o aumento do peso pode ser muito prejudicial para a saúde. Neste refrigerantes ocorre o excesso de benzeno, que é uma substância tóxica e causadora de leucemia e outros tumores. O benzeno surge da mistura do ácido benzóico com a vitamina C. Nos refrigerantes normais esse processo não ocorre por causa do açúcar, que inibe a reação química, mas os refrigerante light ou diet cítrico que não contém açucar acaba por ter alta concentração de benzeno. Foi o que a Associação de Consumidores Proteste, mostrou em uma análise 24 amostras de diversos refrigerantes realizados em 2009, constatando a presença de benzeno em sete delas.

No Brasil, não existe limite de benzeno para os refrigerantes. A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) prevê valor somente para a água potável, de 5 ppb (partes por bilhão) ou 5 microgramas por litro. As indústrias de refrigerantes Coca-Cola, Schincariol e Ambev comprometeram-se a reduzir a quantidade de benzeno em suas bebidas ao máximo de 5 ppb (partes por bilhão) apartir de 2017. Até lá continuaremos tomando refrigerantes com um pouco mais de benzeno.

O benzeno é uma das matérias-primas mais utilizadas no mundo, largamente empregado na fabricação de plásticos, borrachas, adesivos e também como solvente em combustíveis derivados do petróleo.

Veja a reportagem da TV Brasil sobre o benzeno

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08 - fev

Obesidade Central – Parâmetros de avaliação

Categoria(s): Endocrinologia geriátrica, Gerontologia, Nutrição

Obesidade central – Parâmetros de avaliação

 

A obesidade é o excesso de tecido adiposo no organismo, sendo considerada uma doença crônica que tem forte relação de causa e efeito com outras doenças como as doenças cardiovasculares, osteomusculares e neoplásicas.

As estimativas de obesidade para detectar riscos à saúde são mais frequentemente
reportadas pelo índice de massa corporal – IMC (veja quadro abaixo). Entretanto, é conhecido que a obesidade central, definida como a concentração de gordura na região abdominal, apresenta uma maior correlação com as doenças e perda da saúde. O Brasil, por ser um país continental, com múltiplas etnias e peculiaridades regionais apresenta diferentes padrões constitucionais e aspectos de obesidade, dificultando a criação de um padrão único de avaliação para a saúde e obesidade.

Por exemplo, os valores médios de Relação cintura–estatura (RCE) observados em Florianópolis foram inferiores (homens:0,51; mulheres: 0,50) aos escores médios dos estudos realizados com adultos de Salvador (homens:o,51; mulheres:o,53), dos Estados Unidos (homens: 0,57; mulheres: 0,56), Iraque (homens: 0,53; mulheres: 0,58), México (homens: 0,58; mulheres: 0,66) e Espanha (homens: 0,57; mulheres: 0,61).

Na obesidade podemos avaliar a gordura total e a gordura de distribuição central, que tem relação direta com as Doenças Cardiovasculares (DCV) e Diabetes Mellitus (DM) tipo II.

Índice de massa corporal (IMC) e risco de doença (Organização Mundial de Saúde)
IMC (Kg/cm2) Classificação Grau da obesidade Risco da doença
<18,5 Magreza 0 Elevado
18,5 – 24,9 Normal 0 Normal
25,0 – 29,9 Sobrepeso 0 Pouco elevado
30,0 – 34,9 Obesidade I Elevado
35,0 – 39,9 Obesidade II Muito elevado
> 40,0 Obesidade grave III Muitíssimo elevado

 

E como avaliar então?

Circunferência abdominal 

Circunferência abdominal acima de 80cm para mulheres e 94cm para homens já caracteriza risco aumentado. Acima de 88cm para mulheres e 102cm para homens caracteriza risco muito aumentado. Pode-se facilmente realizar essa medida com o auxílio de uma fita métrica posicionada na altura do umbigo, com o abdome relaxado e durante a expiração.

Relação cintura–estatura (RCE)

Dentre os indicadores da obesidade central, a razão cintura-estatura (RCE) tem se mostrado mais sensível para a predição de riscos
à saúde do que o perímetro da cintura. O RCE é um índice que ajusta o perímetro da cintura (discriminador de obesidade central) pela estatura, e assim minimiza a avaliação errônea de risco à saúde em adultos com diferentes estaturas. Estudos têm demonstrado maior sensibilidade desse índice em discriminar a obesidade entre os sexos, diferentes grupos etários e etnias.

Relação cintura–quadril (RCQ) – que indica a obesidade central, que é a gordura mais prejudicial e a mais usada para fornecer informações da relação com as doenças citadas; RCQ = medida da cintura / medida do quadril. A OMS considera a RCQ um dos critérios para caracterizar a síndrome metabólica, com valores de corte de 0,90 para homens e 0,85 para mulheres.

 Relação com a idade:
Existe um acúmulo de gordura corporal com o avanço da idade caracteriza-se como um processo comum ao envelhecimento, inerente a diferentes componentes como a adoção de comportamentos sedentários, prática de atividades físicas moderadas a vigorosa em nível insuficiente e a ingestão de alimentos hipercalóricos, bem como outros aspectos fisiológicos, como a redução do metabolismo e alterações hormonais que podem contribuir para o aumento dos níveis de adiposidade corporal. Mesmo nos idosos a prevalência maior de obesidade é entre as mulheres e seu maior pico ocorre entre 45 e 64 anos em ambos os sexos.

Referências
Sousa, T.F. et al. Fatores associados à obesidade central em adultos de Florianópolis, Santa Catarina. Rev Bras Epidemiol
2011; 14(2): 296-309

Gofin J, Abramson JH, Kark JD, Epstein L. The prevalence of obesity and its changes over time in middle-aged and elderly men and women in Jerusalem. Int J Obes 1996;20:260-6.

Euronut SENECA investigators. Nutritional status: anthropometry. Eur J Clin Nutr 1991;45(45s3):31-42.

Ukoli FA, Bunker CH, Fabio A, Olomu AB, Egbagbe EE, Kuller LHl. Body fat distribution and other anthropometric blood pressure correlates in a Nigerian urban elderly population.
Cent J Med 1995;41(5):54-161.

Chaimowicz F. A saúde dos idosos brasileiros às vésperas do século XXI: problemas, projeções e alternativas. Revista de Saúde Pública. Abr.1997;31(2):184-200. [on line]

Overweigh and Obesity – Centers for Desease Control and Prevention – EUA [on line]

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