16 - abr

Obesidade – Controle cerebral do apetite

Categoria(s): Bioquímica, Endocrinologia geriátrica, Genética médica, Neurologia geriátrica, Nutrição

Obesidade – Controle cerebral do apetite

 

A proteína ob (ou leptina) é secretada pela célula adiposa, em resposta ao aumento da massa gordurosa, e age sobre o hipotálamo ventromedial, no qual diminui a biossíntese e a secreção do NPY (neuropeptídeo Y), reconhecido como o mais potente estimulador do apetite. A leptina, assim, emergiu como um hormônio da saciedade. Estas descobertas apontaram para a terapêutica sob a forma de drogas que aumentem a produção de leptina ou que amplifiquem seu sinal.

 


Controle energético cerebral

O núcleo arqueado do hipotálamo contém dois grupos distintos de neurônios que têm um papel chave na regulação do balanço energético. O primeiro grupo de neurônios expressa os neurotransmissores orexígenos (estimulantes do apetite), neuropeptídeo Y (NPY) e peptídeo relacionado ao gene agouti (AgRP), enquanto a outra população de neurônios expressa os  neurotransmissores anorexígenos: transcrito regulado por cocaína e anfetamina (CART) e pró-opiomelanocortina (POMC). Ambas as populações de neurônios inervam o núcleo paraventricular, o qual por sua vez manda sinais para outras áreas do cérebro.

 Estímulos hormonais

Essas duas populações de neurônios recebem informações de vários hormônios
Anorexigenos
Leptina – No final de 1995, identificou-se um hormônio protéico codificado pelo gene ob, o qual foi denominado leptina (do grego, delgado), e que se sabe estar centralmente envolvido na regulação do tecido adiposo. Portanto, a leptina é um hormônio secretado pela célula gordurosa, anorexigênico cujos níveis plasmáticos são proporcionais à massa de tecido adiposo e exerce seus efeitos através da ligação ao seu receptor (LepR). A leptina promove uma redução na ingestão alimentar e aumento no gasto energético através de estímulo na expressão de peptídeos anorexígenos (POMC e CART) e diminuição da expressão de peptídeos orexígenos (NPY e AgRP). Veja mais

Insulina – O pâncreas secreta a insulina, a qual tem influência anorexígena no núcleo arqueado.

Grelina – A grelina é produzida predominantemente no estômago e duodeno e em pequenas quantidades no pâncreas, hipófise, fígado e placenta. Estimula os neurônios NPY/AgRP através da ligação aos seus receptores secretagogos de hormônio de crescimento (GHSRs), aumentando o apetite e a adiposidade. Seus níveis plasmáticos aumentam antes da alimentação e decrescem após a mesma.

O peptídeo YY3-36 (PYY3-36)   -  O peptídeo YY3-36 é secretado pelo trato intestinal distal pela ingestão alimentar e produz um efeito inibitório nos neurônios NPY/AgRP.

** Os neurônios NPY/AgRP têm ainda um efeito inibitório sobre os neurônios POMC/CART através da liberação de ácido g-amino-butírico (GABA), o qual pode ser estimulado pela ligação da grelina aos GHSRs.

*** Os sinais orexígenos e anorexígenos produzidos pelos neurônios NPY/AgRP e POMC/CART são então enviados aos neurônios efetores em outra áreas do cérebro, os quais também recebem sinais da dopamina, serotonina e endocanabinóides.

***A saciedade é ainda regulada por outros fatores, como a distenção intestinal e liberação do peptídeo colecistoquinina (CCK). Ainda, as incretinas: peptídeo símile ao glucagon-1 (GLP-1), peptídeo insulinotrópico glicose-dependente (GIP) e oxintomodulina (OXM), potencializam a resposta do pâncreas endócrino aos nutrientes absorvidos.

**** a enzima dipeptidil peptidase -4 (DPP-4) é responsável pela inativação dos hormônios incretinas.

Referências

Borges MBF, Jorge MR. Evolução histórica do conceito de compulsão alimentar. Psiq Prat Med 2000;33(4):113-8.

 

Overweigh and Obesity – Centers for Desease Control and Prevention – EUA [on line]

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26 - out

Anorexia – Medo de engordar

Categoria(s): Conceitos, Endocrinologia geriátrica, Enfermagem, Gastroenterologia, Gerontologia, Nutrição

Anorexia – Medo de engordar

Entendendo o assunto

Freqüentemente o idoso, deixa de se alimentar. Em muitos casos a causa é suspeitada, Insuficiência renal terminal, infecção pulmonar grave, insuficiência cardíaca, neoplasias avançadas, etc. Porém, em alguns casos a redução da ingestão alimentar pode ser secundária à anorexia (definição: recusa em se alimentar); entretanto, os mecanismos responsáveis pelo seu desenvolvimento ainda não estão completamente estabelecidos. 

Controle cerebral do apetite – A ingestão alimentar é regulada por uma interação complexa de vias centrais e periféricas. A serotonina contribui para a regulação da ingestão e do apetite. Um neuropeptídeo, denominado Y (NPY) induz o apetite, através da ação dos receptores de NPY, no hipotálamo. Vários neuropeptídeos influenciam a alimentação, através de ações no nível gastrointestinal/hepático ou no sistema nervoso central. Na anorexia ocorre disfunções de alguns neurotransmissores como dopamina, serotonina, noradrenalina e peptídeos opióides, ligados à regulação normal do comportamento alimentar e manutenção de peso.

Controle hipotalâmico -  O hipotálamo regula a ingestão de alimentos através de dois centros: centro da fome [lateral, no núcleo do leito do feixe medial do cérebro anterior em sua junção com as fibras pálido-hipotalâmicas] e centro da saciedade [localizado no núcleo ventro-medial]. A estimulação do centro da fome induz à conduta de comer e sua destruição leva a severa desnutrição por anorexia. Estimulação do centro da saciedade leva à conduta de cessar o ato de alimentação e a destruição deste centro leva à hiperfagia e obesidade. Estes centros não trabalham alternadamente – na verdade, o centro da alimentação está sempre ativado e pode ser inibido pelo centro da saciedade. O centro da saciedade é ativado quando os níveis de glicose em suas células [assim chamadas "glucostatos"] for elevado. Quando os níveis de glicose forem baixos, as células são inibidas e o centro da fome passa a exercer sua função. O sistema límbico tambem exerce um papel no controle da fome. Nos casos de lesão dos núcleos amigdalóides do sistema límbico, os animais apresentam hiperfagia [mais discreta do que em lesões do hipotálamo], porem perdem o critério da escolha de alimentos e ingerem alimentos deteriorados e diversos materiais e objetos. Animais hiperfágicos costumam apresentar tambem alterações de comportamento do tipo agressividade.

Mecanísmos imunológicos – No caso de algumas doenças ditas consuptivas (câncer, infecções graves, tuberculose, cirrose hepática, nefropatia terminal, miocardiopatias graves, doenças fibróticas pulmonares, etc.), a ativação imunológica, caracterizada pelo aumento das citocinas pró-inflamatórias, principalmente interleucinas (IL) e fator-a de necrose tumoral (TNF-a), têm importante papel no desenvolvimento de estados catabólicos.

O TNF-a é produzido por monócitos e macrófagos, por células endoteliais, e induz a síntese de outras citocinas como IL-1, IL-2 e IL-6 e está associado a piora da função endotelial e a indução de apoptose. Os dados apresentados sugerem que as citocinas e, particularmente, o TNF-a podem ser agentes responsáveis ou coadjuvantes no desenvolvimento da caquexia. Entretanto, ainda não está completamente descartada a possibilidade de que estas substâncias sejam apenas marcadores de gravidade da doença.

Efeitos das doenças crônicas – Vários fatores podem ter papel na gênese da anorexia: dietas pouco saborosas devido, principalmente, ao baixo conteúdo de sódio; estado de depressão grave que pode acometer muitos doentes com insuficiência cardíaca, renal, pulmonar, hepática, etc.

A absorção intestinal de nutrientes e as enteropatia perdedora de proteínas, em pacientes com doenças crônicas como insuficiência cardíaca, tem sido estudada desde a década de 60. Porém, os mecanismos responsáveis pela perda de nutrientes nas fezes não estão completamente estabelecidos.

Efeitos das medicações -Drogas freqüentemente prescritas para o tratamento da ICC podem, inadvertidamente, contribuir para a redução da ingestão alimentar. A intoxicação digitálica pode provocar anorexia, náuseas e vômitos; o uso crônico e vigoroso de diuréticos pode acarretar depleção dos estoques corporais de zinco e potássio. A depleção de zinco causa redução do paladar e a hipopotassemia promove hipomotilidade intestinal. Alguns inibidores da enzima conversora da angiotensina, particularmente o captopril, podem alterar o paladar e exacerbar a anorexia.

Referências:

Anker SD, Coats AJS. Cardiac cachexia. A syndrome with impaired survival and immune and neuroendocrine activation. Chest 1999; 115:836-47.

Poehlman ET. Special considerations in design of trials with elderly subjects: unexplained weight loss, body composition and energy expenditure. J Nutr 1999; 129:260S-263S.

Tracey KJ, Morgello S, Koplin B, Fahey TJ, Fox J, Aledo A, Manogue KR, Cerami A. Metabolic effects of cachetin/tumor necrosis factor are modified by site of production: cachetin/tumor necrosis factor-secreting tumor in skeletal muscle induces chronic cachexia, while implantation in brain induces predominantly acute anorexia. J Clin Invest 1990; 86:202014-24.

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12 - jun

Obesidade – Fisiopatologia: Leptina

Categoria(s): Bioquímica, Endocrinologia geriátrica, Gerontologia


Leptina

Na década de 50, pela primeira vez, descobriu-se um gene mutante em camundongos obesos. Nas duas décadas seguintes sugeriu-se que a obesidade poderia ser corrigida por uma substância reguladora de peso, presente no sangue de um indivíduo normal, ao se observar que quando se ligavam os sistemas circulatórios de dois animais ao de um rato obeso portador do gene mutante (rato ob/ob) e ao de um outro rato normal, o animal obeso perdia peso.

Em 1994, Zhang et al. caracterizaram o gene do camundongo obeso, e em 1995, a equipe de Jeffrey Friedman cronou a versão não-mutante – e, portanto, normal – deste gene, à qual denominou gene ob. No final de 1995, identificou-se um hormônio protéico codificado pelo gene ob, o qual foi denominado leptina (do grego, delgado), e que se sabe estar centralmente envolvido na regulação do tecido adiposo.

A proteína ob (ou leptina) é secretada pela célula adiposa, em resposta ao aumento da massa gordurosa, e age sobre o hipotálamo ventromedial, no qual diminui a biossíntese e a secreção do NPY (neuropeptídeo Y), reconhecido como o mais potente estimulador do apetite . A leptina, assim, emergiu como um hormônio da saciedade. Estas descobertas apontaram para a terapêutica sob a forma de drogas que aumentem a produção de leptina ou que amplifiquem seu sinal.

O tratamento de camundongos ob/ob com leptina recombinante por duas a quatro semanas reduziu não somente o peso corporal (em mais de 40%), o percentual de gordura corporal (50%), a ingestão alimentar (em mais de 60%) e os níveis de glicemia e insulinemia (em 66% e 41 %, respectivamente), mas ao mesmo tempo normalizou a temperatura corporal e o consumo de oxigênio, possivelmente por diminuir os níveis hipotalâmicos de NPY. A administração de leptina recombinante no líquido cefalorraquidiano de um animal normal induz a perda do apetite.

De tudo que tem sido observado, pode-se concluir que a proteína ob (ou leptina) pode controlar o peso através de um sistema de feedback, que informa ao corpo quanto de gordura ele contém.

Os obesos humanos apresentam aumento dos níveis de leptina; isto sugere que sejam resistentes à mesma. Os níveis de leptina diminuem nos indivíduos que perdem peso. A hiperinsulinemia crônica e o uso de glicocorticóides aumentam os níveis de leptina, sugerindo que a insulina regula o gene ob ou age diretamente no adipócito.

A resistência à leptina pode resultar em diminuição da entrada desta no cérebro, em conseqüência de ligação periférica desta substância, e não devido a um defeito do receptor de leptina. A resistência à insulina está associada a níveis elevados de leptina plasmática independentemente do IMC, contudo a insulina plasmática, por ela própria, não regula prontamente a produção de leptina.

Referências

Silver JK. et al. – Time of onset of non-insulin-dependent diabetes mellitus and genetic variation in the P 3 adrenergie-receptor gene. N. Engl. J. Med., 3333.,43,1995.

Bouchard C, Perusse L. et al – lnheritance of the amount and distribution of human body obesity. Fap – Int. J., 12:205-15,1988.

Shetty PS,  Jung RT et al. -Postprandial thermogenesis in obesity. Clin. Sci.,60.,519-25,1988,

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