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Osteodistrofia renal (ODR)
Categoria(s): Dicionário, Nefrogeriatria, Reumatogeriatria |
Resenha
O osso é um órgão dinâmico que sob a ação da unidade multicelular básica, o complexo osteoclasto-osteoblasto, sofre remodelação constante, cujo processo dura em média três meses. O defeito de mineralização no osso adulto se denomina osteomalácia (OM). As anormalidades do osso urêmico são chamadas osteodistrofia renal (ODR), na qual a OM é um dos achados.
O rim participa do metabolismo do cálcio, do fósforo, do PTH e da vitamina D, assim à medida que a destruição do parênquima renal ocorre, são esperadas alterações ósseas e minerais. Dentre os fatores que interferem no aparecimento destas alterações temos: idade do paciente, duração da IR, dieta, terapia utilizada e duração do tratamento dialÃtico.
A osteodistrofia pode ser dividida de acordo com o grau de remodelação óssea. A condição clássica de alta remodelação é o hiperparatireoidismo secundário e a de remodelação incluem a osteomalácia (OM), a doença óssea relacionada ao alumÃnio (DORA) e a doença óssea adinâmica (DOA).
A osteodistrofia renal é caracterizada por vários tipos de lesões ósseas, decorrentes de alterações do metabolÃsmo ósseo causado pela insuficiência renal crônica e os processo dialÃticos. Na ODR, a maioria dos pacientes é assintomática, entretanto artrite aguda pode estar presente, sendo nesta ocasião necessário o diagnóstico diferencial com as artropatias metabólicas. Dor óssea é rara, usualmente encontrada na osteomalácia. Podem ocorrer deformidades esqueléticas.
Na doença leve os achados radiológicos, em geral, estão ausentes, porém sempre presentes no casos avançados. O achado radiológico clássico é a reabsorção óssea subperiostal e erosões, tipicamente conhecidas como osteÃte fibrosa cÃstica. Tumor marrom ou osteoclastoma devem ser distinguidos de lesões da metástase, da amiloidose e dos tumores malignos primário do osso. Outro sinal descrito é a calcificação de partes moles e vasos sangüÃneos, denominada calcificação metastática.
A maioria dos pacientes com insuficiência renal crônica (IRC) desenvolvem hiperparatireoidismo e osteodistrofia renal ao longo da evolução da doença. Esses pacientes geralmente apresentam dores e fraturas ósseas. Os fatores que causam hiperparatireoidismo secundário (HPS) na insuficiência renal terminal são vários, a destacar temos hipofosfatemia, balanço negativo do cálcio e deficiência da 1,25 vitamina D, bem como expressão diminuÃda de receptores de cálcio na glândula para tireóide, alterações de citocinas, de fatores do crescimento e resistência óssea ao paratormônio (PTH).
Imagens radiológicas mostram as lesões ósseas como manchas escuras (seta) nos locais onde deveriam estar os ossos densos.
Classificação das osteodistrofias renais
Existem três tipos de doença renal óssea: a osteÃte fibrosa, a osteomalácia e a doença óssea adinâmica.
A osteÃte fibrosa apresenta turnover ósseo aumentado devido ao hiperparatireoidÃsmo secundário. Os sintomas comuns as osteodistrofias é de dor ou fraturas ósseas. Os sinais radiológicos são de reabsorção óssea subperiótea das falanges, clavÃculas distais e crânio.
A osteomalácia (OM) com baixo turnover ósseo e formação osteóide aumentada secundária à deposição de alumÃnio no osso. As pseudofraturas e osteopenia são sugestivas desta patologia. Cerca de 20% a 30% dos pacientes em insuficiência renal crônica (IRC) apresentam osteomalácia. Encontramos, ainda, nessa condição, restrição dietética e anorexia que contribuem para uma baixa ingestão de vitamina D. Logo, a instalação da diálise e reposição precoce de vitamina D ativa contribuem para uma menor incidência de osteomalácia.
Papel do alumÃnio - Na IRC e hemodiálise, o alumÃnio da dieta é eliminado de forma inadequada, sendo depositado no osteóide, inibindo a mineralização com conseqüente osteomalácia. Na doença óssea relacionada ao alumÃnio a dor óssea é difusa e mais grave e incapacitante que a da osteÃte fibrosa, com maior risco de fraturas, principalmente de costelas. Esta patologia, nos dias atuais, parece ser menos comum devido ao abandono do uso de quelantes do fósforo contendo alumÃnio e do aprimoramento de tratamento da aguado dialisado.
A doença óssea adinâmica (DOA), descrita rescentemente, prevalece mais nos pacientes idosos, pacientes com diabetes mellitus sendo tratado com hidróxido de alumÃnio e pacientes com diálise peritonial ambulatorial contÃnua. A fisiopatologia da doença óssea adinâmica pode se relacionar à supressão excessiva de PTH pela terapia com calcitriol.
Na DOA observada em pacientes submetidos à diálise, a quantidade de osteóide é normal com número reduzido de osteoblastos e osteoclastos e taxa de formação óssea reduzida. Em geral, os nÃveis séricos de PTH são menores que 100 pg/ml, bem como valores baixos de fosfatase alcalina.
MetabolÃsmo do Paratormônio - PTH
A retenção de fosfato tem papel central no estÃmulo ao aumento da sÃntese do hormônio da paratireóide. Acredita-se que ele promova a liberação de PTH pelas seguintes formas: primeiro, o efeito da hipocalcemia; segundo, a formação diminuÃda e o efeito do calcitriol [1,25-diidroxivitamina D] e finalmente, pelo efeito direto da hiperfosfatemia na expressão do gene do PTH.
O diagnóstico do metabolÃsmo do PTH deve ser medido pelo PTH intacto (ou PTH N-terminal).
Hipocalcemia - O efeito da hipocalcemia pode ser sentido diretamente pela glândula paratireóidea como um receptor sensÃvel ao cálcio, com seu RNAm e proteÃna.
Calcitriol - A supressão da sÃntese de calcitriol renal pode aumentar o PTH, diminuindo a concentração sérica de cálcio e/ou removendo o efeito inibitório do calcitriol na glândula paratireóidea.
Tratamento
O objetivo do tratamento é manter nÃveis de PTH em duas a três vezes o valor normal para superar a resistência óssea ao PTH, ao mesmo tempo em que se evita o paratireoidÃsmo excessivo.
O tratamento inicial das osteodistrofias deve incluir restrição dietética de fósforo e quelante de fosfato contendo cálcio por via oral ( acetato de cálcio e carbonato de cálcio nas refeições) para normalizar o cálcio sérico e os nÃveis de fósforo.
O calcitriol deve ser usado em pacientes com hipocalcemia persistente ou hiperparatireoidismo importante. A administração de calcitriol mostrou suprimir a secreção de PTH e diminuir o desenvolvimento de osteomalacia em pacientes com IRC.
Diagnósticos diferenciais
Além da OR, outras manifestações têm sido descritas em pacientes urêmicos, são elas: artrites induzidas por crista, artropatia crônica amilóide, espondiloartropatia destrutiva, ruptura de tendão, infecção piogênica articular e/ou óssea, hemartrose recorrente, bursite olecraniana, calcificação de partes moles, necrose avascular, envolvimento muscular.
Referência
Hruska KA, Teitelbaum SL - Renal osteodytrophy. N Engl J Med 1995;533:166-174.
Duarte ALBP, Vieira WP - Manifestações-esqueléticas (MME) na doença renal crônica (DRC). Rev. Bras. Med jun 2005;6(2):39-42.
Negrea A. Osteodistrofia enal. In: Hricik D et al. segredos em Nefrologia, 3ªed. PortoAlegre, Artmed, 2002.
Llack F, Bover J. Renal Osteodystrophies. In: Brenner BM et al And Rector’ The Kidney. 6th ed. Philadelphia: W.B. Saunders Company, 2000, 2103-86.
Tags: alumÃnio, doença óssea adinâmica, hiperparatireoidismo, metabolÃsmo ósseo, osteÃte fibrosa, osteomalácia
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