16 - mar

Elefantíase por filaríases

Categoria(s): Infectologia, Inflamação

Dicionário

Filariose – Elefantíase

ElefantíaseA filariose, ou filaríase, é causada por vermes que parasitam os vasos linfáticos do homem. No caso brasileiro, ela é ocasionada por helmintos da espécie Wuchereria bancrofti. A infecção ocorre quando mosquitos da espécie Culex quinquefasciatus, que ao picarem o homem transmitem larvas da W. bancrofti.

Causadora da elefantíase, a filariose linfática coloca em risco um bilhão de pessoas em todo o mundo. Mais de 120 milhões sofrem da doença, sendo que mais de 40 milhões se encontram gravemente incapacitados ou apresentam deformações. Dos infectados, um terço vive na Índia, um terço na África e o restante na Ásia, Pacífico Ocidental e Américas.

O período de incubação da filariose é de 9 a 12 meses. Os primeiros sintomas costumam ser processos inflamatórios (desencadeados pela morte do verme adulto) localizados nos vasos linfáticos (linfangite), com febre, calafrio, dor de cabeça, náusea, sensibilidade dolorosa e vermelhidão ao longo do vaso linfático – em diferentes regiões independentes de sua localização: escroto, cordão espermático, mama, membros inferiores, etc. São freqüentes os casos com ataques repetidos de linfangite, linfadenite (inflamação dos nódulos linfáticos) e lesões genitais.

A evolução da filariose é lenta. Seus sinais e sintomas são decorrentes principalmente da dilatação (ectasia) do vaso linfático muitas vezes complicada por infecções secundárias. De 10% a 15% dos casos de filariose vão apresentar elefantíase (figura), após 10 a 15 anos de infecção. Na elefantíase, há fibrose (endurecimento e espessamento) e hipertrofia (inchaço exagerado) das áreas com edemas linfáticos, provocando deformações. Geralmente, ela se localiza em uma ou ambas as pernas.

Tratamento

A droga de escolha para o combate à filariose é a dietilcarbamazina. Em países em que a doença coexiste com a oncocercose, usa-se a ivermectina. Em casos específicos de resistência ao tratamento clínico com medicamentos, há indicação de retirada cirúrgica do verme adulto.

Referências:

Ferreira, F.S.C. & Rocha, L.A.C.- Filaríases. In: Veronesi, R. Doenças Infecciosas e Parasitárias, 8a Ed., Rio de Janeiro, Guanabara-Koogan, 1991.

Dreyer G, Rocha A. Filariose Bancroftiana. In: Ferreira, AW, Ávila SLM (ed) Diagnóstico Laboratorial: avaliação de métodos de diagnóstico das principais doenças infecciosas e parasitárias e auto-imunes. Correlação clínico-laboratorial. São Paulo, Guanabra Koogan, p.194-200, 1996.

Amaral F, Dreyer G, Figueredo-Silva J, Norões J, Cavalcanti A, Samico SF, Santos A, Coutinho A. Live adult worms detected by ultrasonography in human Bancroftian filariasis. American Journal of Tropical Medicine and Hygiene 50:753-757, 1994

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06 - fev

Drenagem linfática: 100 dúvidas a respeito – 5ª Parte.

Categoria(s): Angiologia Geriátrica, Terapias Alternativas

Esclarecimentos


A – corte histológico dos vaso linfáticos em pequeno aumento; B – corte histológico de vaso (endoté;lio) linfático; C- esquema do interstício.

81. O que é linfangite?

  • A linfangite é o processo inflamatório dos vasos linfáticos, podendo ter origem bacteriana, por micose interdigital ou ferimento na pele, viral, fúngica ou parasitária por leishmaniose, filariose, toxoplasmose e oncocercose.

82. Quais os sintomas e sinais físicos de uma linfangite?

  • Os sintomas mais comuns das linfangites são a presença de estrias avermelhadas e quentes, na pele correspondente  ao trajeto dos vasos linfáticos, e calor, dor local, adenomegalia (aumento dos linfonodos) inguinal (íngua), febre e edema (inchaço). Exemplo, na linfangite da perna os sinais inflamatórios corre longitudinalmente na perna, estendendo-se desde a lesão cutânea até a virilha, onde surge os linfonodos reacional (ingua).

83. Como os linfáticos são orgãos de defesa imunológica, tem necessidade de se tratar as linfangites?

  • Sim, as linfangites deverão ser tratadas de forma intensiva, pois, caso contrário, poderá se instalar o linfedema (elefantíase), que, muitas vezes, adquire proporções dramáticas, levando a danos irreversíveis, como vimos nas dúvidas anteriores.

84. Então os linfedemas e as elefantíases pode resultar de linfangites mal curadas?

  • Sim esta é a principal causa de elefantíase.

85. O linfedema é resultande de vários surtos de linfangite?

  • Não, uma só crise já pode levar ao linfedema.

86. Como é feito o tratamento da linfangite?

  • o tratamento deverá incluir repouso com elevação do membro afetado, curativos diários quando necessário, antibióticos, linfocinéticos (drogas que atuam nos vasos linfáticos), flebotônicos (drogas que atuam nas veias) nos casos em que houver insuficiência venosa associada, analgésicos (drogas contra a dor) e antitérmicos (drogas contra a febre).

87. Como pode surgir uma linfangite?

  • A linfangite é resultante de infecções da pele, resultante de pequenos traumatismos, arranhões e micoses interdigitais.

88. Como previnir as linfangites?

  • A prevenção depende de uma boa higiene, sobretudo dos pés, local que mais causam erisipela e linfangite, que atinge as pernas.

89. A depilação e sapatos de salto alto podem ocasionar linfangites?

  • Sim, a depilação, os sapatos apertados, calos, unhas encravadas podem ocasionar lesão na pele e provocar infecção como linfangites e erisipela. O uso contínuo de sapatos de salto alto proporcional varizes nas pessoas com tendência familiar e as varizes podem resultar em linfangites e linfedemas.

90. As varizes podem ocasionar linfedemas?

  • Sim, as veias doentes prejudicam a drenagem venosa dos membros inferiores, levando as complicações da doença, que clinicamente se expressa por: acentuação dos trajetos varicosos; hiperpigmentação cutânea (manchas ocres) ocasionada pelo extravasamento de sangue no tecido subcutâneo, eczema varicoso provocado pela presença de hemoglobina livre no tecido subcutâneo, que causa processo inflamatório crônico neste tecido. O sistema linfático, por sua própria característica procura drenar este material excedente, material esse que em excesso ocasiona dificuldade na drenagem linfática e conseqüente linfedema.

91. Quais as medidas gerais que auxiliam na prevenção e tratamento do linfedema?

  • Para o bom resultado do tratamento do linfedema, algumas medidas gerais devem ser consideradas, tais como: emagrecer, praticar exercícios físicos (preferencialmente a natação, a hidroginástica e as caminhadas), evitar o uso de anticoncepcionals, evitar ficar de pé parado por muito tempo, não usar cintas abdominais apertadas, ingerir dieta rica em fibras e corrigir problemas ortopédicos.

92. A inflamação das artérias (vasculites) podem ocasionar linfangite e linfedema?

  • Sim, a inflamação das artérias (recebe o nome de arterites), podem ocasionar inflamação dos vasos linfáticos próximos. O mesmo pode ocorrer com as veias que recebe o nome de flebite.

93. O que é vasculite?

  • O termo é genérico, mas é utilizado para denominar um grupo de doenças caracterizadas por inflamação ou necrose da parede do vaso sanguíneo (arteríola ou artéria) com manifestações clínicas variadas.

94. O que pode causar a vasculite?

  • As vasculites podem ser causadas por vários fatores (ou agentes) sendo os muito comuns os agentes infecciosos (bactérias, vírus, protozoário, etc) agindo diretamente na parede do vaso. Ou podem ser drogas os agentes (penicilina, quinina, antibióticos vários, etc). Ultimamente têm sido comum as vasculites, pelo uso de drogas ilícitas (heroína, cocaína, etc).

95. Quais os sintomas das vasculites?

  • Considerando que quase todos os vasos do corpo podem ser atingidos pelas vasculites, não é de surpreender a riqueza e variedade do quadro clínico observado nas vasculites. As vasculites podem se apresentar com um quadro clínico pouco característico, como febre de origem desconhecida, perda do apetite, fadiga, mal-estar geral, suores noturnos, hipotensão, dores fortes nas articulações ou nos músculos. Por vezes aparecem lesões na pele (nódulos, enfartamento, púrpura) ou até úlceras cutâneas, geralmente nas pernas ou braços.

96. Qual o tratamento para as vasculites?

  • O tratamento para as vasculites é específico para o agente causador. Exemplo, vasculite bactériana é tratada com antibióticoterapia.

97. O que causa oclusão dos ductos linfáticos?

  • A oclusão dos ductos linfáticos, que resulta no acúmulo anormal de líquido intersticial nas partes afetas, geralmente é secundário a disseminação de tumores malignos; ou procedimentos cirúrgicos radicais como remoção de grupos de linfonodos regionais; ou fibrose pós radioterapia; ou filariose; ou fibrose pós-inflamatória.

98. A linfa pode ficar acumulada nas cavidades corporais normais?

  • Sim, a linfa pode se acumular na pleura – quilotórax; na cavidade abdominal – ascite quilosa; e no pericárdio – quilopericárdio.

99. quais as causas desses tipos especiais de acúmulo de linfa?

  • A ascite quilosa, o quilotórax e o quilopericárdio são provocados por rutura dos linfáticos dilatados e obstruídos no peritônio, na cavidade pleural ou no pericárdio, geralmente em conseqüência de obstrução de linfáticos por massa tumoral infiltrante.

100. Qual o papel do tratamento psicológico?

  • o suporte psicológico é fundamental para esses pacientes, minimizando o impacto que essa doença causa na imagem do paciente.

Referências:

Leduc O, Leduc A, Bourgoeois P, Belgrado Jean P: The physical treatments of upper lymphedema. Cancer 1998 Sup Dec; 12: 2835 – 2.839.

Casley S Jr: Modern treatments of lymphedema II, the Benzopyrones. Austral J Dermatol 1992;33(2):69-74.

Bourgeois P, Leduc O, Leduc A: Imaging techniques in the managemente and prevention of posttherapeutic upper lymphedema. Cancer 1998 Sup Dec;15:2.805-2.813.

Földi M: Treatment of lymphedema. Lymphology 1994;27:1-5.

Cestari SCP, Petri V, Castiglioni MLV, Lederman H: Linfedema de membros inferiores. Revista Assoe Med Brasileira 1994;40(2):93-100.

Godoy JMP, Godoy MF, Valente A, Camacho EL, Paiva EV. Lymphoscintigraphic evaluation in patients after erysipelas. Lymphology 2000;33:177-80.

Andrade MF, Lastória S, Yoshida WB, Rollo HA. Tratamento Clínico do linfedema. In: Maffei FH. 3ª ed. São Paulo: Medsi; 2002. p. 1647-59

Godoy MFG. Atividades de vida diária no tratamento do linfedema. Lymphology 2002/03;35 Suppl 2:213-5.

Godoy JMP, Godoy MFG, Braile DM Jr., Longo O. Quality of life and peripheral lymphedema. Lymphology 2002;35(2):72-5.

Mcneil GC, Witte MH, Witte CL, et al. Whole-body lymphangioscintigraphy: preferred method for initial assessment of the peripheral lymphatic system. Radiology. 1989;172:495-502.

José Maria Pereira de Godoy
Rua Floriano Peixoto, 2950
CEP: 15010-02 – São José do Rio Preto – SP

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04 - fev

Drenagem linfática: 100 dúvidas a respeito – 3ª Parte.

Categoria(s): Angiologia Geriátrica, Fisioterapia, Terapias Alternativas

Esclarecimentos



41. Como reconhecer o linfedema?

  • A história clínica e aspecto da área acometida indicam o diagnóstico de linfedema. Além do edema endurecido, pouco depressível à compressão digital, o aspecto da pele (hiperceratose, verrucosidades, fistulas, úlceras, elefantíase, deformidades das unhas), e grande volume da área afetada confirmam o diagnóstico. A história clínica indica as possíveis etiologias.

42. Como os exames de imagem fecham o diagnóstico?

  • Apesar do diagnóstico de linfedema ser basicamente clínico, a obtenção de imagens radiológicas e de ultrassonografia permitem melhor compreensão dos fenômenos patológicos envolvidos e excluir outras causas de edema.

43. Como se estuda os vasos linfáticos afetados?

  • O estudo dos vasos linfáticos é feito pela linfografia e pela linfocintilografia. A linfocintilografia é, atualmente, o exame de escolha para estudar a anatomia e função dos vasos linfáticos. É um exame não invasivo e de fácil realização.

44. Como deve ser o tratamento do linfedema?

  • O linfedema como todas doenças crônicas debilitantes deve ser vista e assistida por equipe multidisciplinar adaptada às exigências do tratamento. O tratamento envolve várias etapas, desde o apoio psicológico, tratamento farmacológico, fisioterápico e cirúrgico.

45. Que medidas gerais auxiliam no tratamento do linfedema?

  • O linfedema deve ser entendido com doença crônica que necessita de implementar mudança no estilo de vida para se obter um melhor controle. Não existe cura, mas controle. Da mesma forma, como ocorre com as doenças crônicas, hipertensão arterial, diabetes, artrite, etc. Perda de peso se a pessoa for obesa, evitar alcool, fumo, excesso de sal, roupas apertadas nas coxas e cintura. Procurar exercitar-se com nadar e pequenas caminhadas, pois melhoram o fluxo linfático residual.

46. O tratamento do linfedema é fundamentalmente medicamentos?

  • Não, o tratamento medicamentoso é considerado adjuvante no tratamento do linfedema, visando diminuir o edema, tratar e previnir infecções.

47. Quais os medicamentos que podem ser utilizados no controle do linfedema?

  • Atualmente, está indicada a utilização de antiinflamatórios não hormonais, corticóides, benzopironas, cumarínicos e venotônicos.

48. Qual a papel dos diuréticos?

  • Os diuréticos podem ser empregados, em alguns pacientes, nas fases iniciais da doença. Porém, são pouco utilizados, pois podem causar complicações, como hemoconcentração (perda da relação entre o número de globulos vermelhos e o volume de plasma), e ter efeitos deletérios locais, pelo aumento de proteínas no interstícios.

49. Como age as benzopironas?

  • As benzopironas têm ação de quebras as proteínas de grande peso molecular (ação proteolítica), através da ação dos marcófagos, facilitando a remoção dessas proteínas dos tecidos e diminuindo sua concentração no interstício.

50. Quando deve ser usado os antiinflamatórios não hormonais?

  • Os antiinflamatórios não hormonais devem ser utilizados quando clinicamente e laboratorialmente detectamos porcessos inflamatórios na região do linfedema.

51. Qual o papel dos corticóides?

  • Apesar dos corticóides reterem líquido no organismo, nos linfedemas eles ajudam diminuindo ao aprecimento da fibrose, nesses locais.

52. Como os vasotônicos agem nos linfedemas?

  • Substâncias vasotônicas extraidas de plantas, como curamina, rutina, diosmina e hespiridina, agem aumentando o calibre dos vaso e o fluxo linfiático. Tanto isoladamente, como em associação entre elas.

53. Como é o tratamento fisioterápico?

  • O tratamento fisioterápico do linfedema consiste na utilização de inúmeras técnicas, sendo a drenagem linfática a mais empregada. As demais técnicas que auxiliam na obtenção de melores resultados são: terapia física complexa descongestiva, autodrenagem linfática com roletes, contenção elástica com compressão e pressão pneumática intermitente.

54.O que é a Fisioterapia Complexa Descongestiva?

A técnica da Fisioterapia Complexa Descongestiva foi estabelecida por Pöldi em 1979 e constava de tratamento compreendendo duas fases. A primeira fase se constituía de higiene e cuidados com a pele e tratamento de micoses, massagem de drenagem manual, compressão por bandagem e exercícios linfocinéticos. Nos casos de linfedemas avançados (grau 3), a repetição em tratamento de duas a três vezes ao ano, o que constituía a fase 2. Em todos os casos era prescrita a colocação de malha compressiva elástica. A partir daí, várias escolas europeias, americanas e australianas desenvolveram tratamentos baseados no método Pöldi, apresentando algumas diferenças técnicas, mantendo, porém, as bases do tratamento.

55. Quais são os tipos de drenagem linfática?

  • Atualmente a  drenagem linfática manual está representada dos duas técnicas; a técnica de Leduc e a técnica de Vodder.

56. Quais as manobras básicas da drenagem linfática?

  • Existem básicamente três formas de manobra: 1. Manobra de captação – realizada diretamente sobre o local edemaciado, visando aumentar a captação da linfa pelos capilares linfáticos; 2. Manobra de reabsorção – esta manobra acontecem nos pré-coletores e coletores linfáticos, responsáveis pelo transporte da linfa captada pelo capilares linfáticos; 3. Manobra de evacuação – atuando nos linfonodos que recebem a confluência dos coletores linfáticos.

57. A manobra pode ser realizada por qualquer pessoa?

  • Não, este procedimento é altamente especializado, necessitando de profundo conhecimento dos pontos de drenagem linfática. A atuação do profissional requer uma técnica capaz de realizar uma massagem com pressões suaves, lentas e rítmicas, seguindo o trajeto do sistema linfático acometido.

58. Como é a Técnica de Leduc?

  • A técnica de Leduc sugere a seguinte combinação: cuidados com a pele, massagem de drenagem manual, enfaixamento compressivo inelástico, bomba compressiva intermitente com pressão inferior a 40mmhg, exercícios linfocinéticos e malha compressiva após o término do tratamento. Leduc determina que a massagem seja tecnicamente individualizada, e que a estimulação deverá ser realizada somente nas regiões onde houver linfonodos para serem estimulados. O curso usual de tratamento descrito por ele, começa com cinco sessões semanais e vai diminuindo progressivamente até uma sessão semanal, podendo se prolongar por meses. O melhor resultado se dá nas primeiras duas semanas.
  • A técnica de Leduc utiliza cinco movimentos:
  • 1. Drenagem dos linfonódios: inicia-se mediante contato direto dos dedos indicador e médio do terapeuta com a pele do paciente, ou coma mãos sobrepostas. Amanobra é realizada com uma pressão moderada e rítmica, estando baseada no processo de evacuação
  • 2. Círculo com os dedos: utiliza-se desde o dedo indicador até o mínimo (os movimentos são leves, rítmicos e obedecem a uma pressão na área edemaciada, seguindo o sentido dos vasos linfáticos.
  • 3. Círculo com o polegar: é realizado somente com o polegar.
  • 4. Movimentos combinados: combinação dos dois movimentos descritos anteriormente, com o polegar e com os outros dedos.
  • 5. Pressão em bracelete: o sentido da drenagem deve ser distal para proximal, sendo que a pressão deve ser intermitente e obedecer ao sentido da drenagem.

59. Como é a técnica de Vodder?

  • A técnica de Vodder basea-se em 4 tipos de movimentos:
  • 1. Círculos fixos: coloca-se a mão espalmada sobre a pele e, com os dedos, realizam-se movimentos circulares, efetuando uma pressnao/descompressnao.
  • 2. Movimento de bombeamento: as mãos são colocadas no tecido a ser drenado, iniciando-se movimentos ondulatórios, com pressões decrescentes na palma para os dedos.
  • 3. Movimento do “doador” : é iniciado com as palmas das mãos posicionadas perpendicularmente às vias de drenagem, sendo baseado em amnobras de arraste envolvendo uma combinação de movimentos.
  • 4. Movimento giratório ou de rotação: é empregado em superfície planas. O posicionamento das mãos depende da seqüência realizada. Podem ser posicionadas proximal ou distalmente, seguindo sempre o fluxo de drenagem.

60. Qual o melhor tratamento para o linfedema?

  • O melhor tratamento é o diagnóstico precoce e prevenção das complicações. O tratamento bem planejado e orientado demonstrou ser capaz de controlar a grande maioria dos casos, sobretudo nas fases iniciais da doença antes que ocorram as alterações irreversíveis dos tecidos.

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02 - fev

Drenagem linfática: 100 dúvidas a respeito – 1ª Parte.

Categoria(s): Angiologia Geriátrica, Terapias Alternativas

Esclarecimentos

O linfedema é uma doença que vem afetando milhões de pessoas em todo o mundo. É uma doença crônica, caracterizada pelo acúmulo de líquidos e proteínas nos tecidos, decorrente da deficiência do sistema linfático. As implicações psicológicas e sociais, as limitações das atividades da vida diária e a estética interferem de modo negativo na qualidade de vida destas pessoas. Apesar dos avanços na compreensão da doença o seu tratamento continua sendo difícil e permanece nesse novo milênio como mais um dos grandes desafios a serem enfretado pela Medicina.

Nas próximas páginas vamos procurar elucidas os vários questionamentos dos internautas, sobretudo, auxiliando na compreensão de pontos importantes desta terrível doença. Devo lembrar que a medicina evolui rapidamente, e o que hoje pode não tem cura em pouco tempo pode ter.

01. O que é linfedema?

  • Linfedema é um tipo de inchaço (edema) que acomete um parte do corpo decorrente do acúmulo anormal de líquidos e substâncias, especialmente proteínas, nos tecidos, resultante do fraco funcionamento do sistema linfático de drenagem.

02. Quais as pessoas que mais são acometidas pelo linfedema?

  • O linfedema acomete especialmente as pessoas que passam por tratamentos oncológicos (tratamento para o câncer, cirúrgico, radioterapia e quimioterapia), ou procesos inflamatórios e infecciosos.

03. Todas as mulheres que fazem tratamento de câncer de mama ficarão com linfedema no tórax e braço do lado da mama tratada?

  • Não, 25% delas poderão ficar com linfedema decorrente do tratamento a que foram submetidas.

04. O que é o sistema linfático?

  • O sistema linfático é uma porção do sistema circulatório. constituído de uma extensa rede de capilares, vasos, troncos linfáticos, ductos linfáticos e gânglios (linfonodos), que servem como filtros do líquido coletado na intimidade dos tecidos.

05. O sistema linfático trabalha separadamente do sistema sangüíneo?

  • Não, as circulações linfática e sangüínea estão intimamente relacionadas.

06. O sistema linfático tem qual função?

  • Uma das funções do sistema linfático é a de drenagem (limpeza) das grandes partículas para a circulação sangüínea, pois as moléculas pequenas vão, na sua maioria, diretamente para o sangue, sendo conduzidas pelos capilares sangüíneos.

07. Como o sistema linfático circula?

  • O sistema linfático não possui um “coração” que serve para bombear a linfa, como ocorre com o sangue. A linfa depende exclusivamente da ação de agentes externos para poder circular. A linfa move-se lentamente e sob baixa pressão devido principalmente à compressão provocada pelos movimentos dos músculos esqueléticos que pressiona o fluido através dele. A contração rítmica das paredes dos vasos também ajuda o fluido através dos capilares linfático.

08. O que é a linfa?

  • A linfa é um líquido transparente e esbranquiçado, levemente amarelado ou rosado, alcalino e de sabor salgado, constituído essencialmente pelo plasma sanguíneo e por glóbulos brancos, com a mesma composição do que o fluido intersticial.

09. O que é o meio intersticial?

  • O meio intersticial é o espaço entre as células, onde ocorre a troca de nutrientes e eliminação dos produtos do metabolísmo celular.

10. Como funciona a troca nutritiva entre o sangue e a célula?

  • A água do sangue arterial, carregada de elementos nutritivos, sais minerais e vitaminas, deixa a luz do capilar arterial, chegando ao meio intersticial e banhando as células. Esta retiram desse líquido os elementos necessários a seu metabolísmo e eliminam os produtos de degradação celular. Nas terminações dos capilares sangüíneos venosos ocorre a reabsorção dos gases, especialmente gás carbônico, e elementos secundários do metabolísmo. Essa constitui a chamada microcirculação onde as moléculas pequenas voltam, na sua maioria, diretamente para o sangue sendo conduzida por esse capilares sangüíneos, e as grandes partículas através do sistema linfático.

11. Qual a importância dessa microcirculação e do interstício?

  • É nesse microssistema que ocorre a nutrição celular e a limpeza dos “dejetos” do metabolísmo, sem os quais a célula vai se desnutrindo e se intoxicando, culminando com sua morte. Em síntese a saúde das células, por tanto do indivíduo, depende do bom funcionamento desse microssistema.

12. Além do papel drenador, retirando do interstício celular os detritos e macromoléculas que as células produzem durante seu metabolismo, o que mais o sistema linfático faz?

  • Além disso, os microorganismos patogênicos, drenados pelo sistema linfático, ao passar pelo filtros dos linfonodos (gânglios linfáticos) e baço onde são eliminados. Por isso, durante certas infecções pode-se sentir dor e inchaço nos gânglios linfáticos do pescoço, axila ou virilha, conhecidos popularmente como “íngua”, como também no baço.

13. O que é linfangite carcinomatosa?

  • Alguns tipos de câncer se espalha por este canalículos linfáticos atingindo os linfonodos resultando na chamada linfangite carcinomatosa, que obstrui a passagem da linfa e ocasiona inchaço na região afetada.

14. Por que nos cânceres, como o câncer de mama, retira-se os glânglios linfáticos?

  • Porque comumente estes glânglios e vasos linfáticos ficam tomados pelas células tumorais e podem ocasionar recediva o câncer.

15 Quantos litros de linfa são drenados, por dia, para o sistema circulatório?

  • Como todos os orgãos do corpo humano, o sistema linfático normal trabalha com um grande reserva funcional, em torno de 20 litros de linfa por dia. Porém, o volume diário, em uma pessoa saudável, é de dois a quatro litros.

16. Por que se forma o linfedema?

  • O linfedema se desenvolve a partir de um desequilíbrio entre a quantidade de linfa formada e a capacidade do sistema em drenar a linfa. o excesso de proteínas de alto peso molecular no interstício cria um gradiente osmótico que ” atrai” fluidos do sistema vascular para o interstício gerando o linfedema.

17. O que é drenagem linfática?

  • A drenagem linfática manual é uma técnica de massagem que possibilita a aceleração do retorno venoso ao coração, pois, através de técnicas específicas, exerce pressão suave nos músculos. Com isso, estimula a eliminação de toxinas, resíduos e substâncias oriundas de infecções, inflamações e espasmos musculares.

18. Quais as indicações da utilização de drenagem linfática?

  • A drenagem linfática esta indicada no tratamento e prevenção de edemas, linfedemas, fibroedemas, gelóide, queimaduras, enxertos, pós-operatório de cirurgias plásticas, lipoaspiração, pós mastectomia, varizes, sinusites, otite, rinite, enxaqueca, artroses, artrite, tendinites.

19. Em quais ocasiões a drenagem linfática manual NÃO pode ser utilizada?

  • A drenagem linfática manual está contra-indicada na presença de processos infecciosos, neoplasias, trombose venosa profunda e erisipela.

20. O resultado da drenagem linfática é igual em todos os casos?

  • Não, o resultado da terapia depende do estágio em que se encontra a doença e de quando se inicia o tratamento, independente do fator que causa o linfedema.

Veja – Lifangite, elefantíase e erisipela

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