01 - fev

Vertigem – 200 dúvidas a respeito: Parte final

Categoria(s): Fonoaudiologia, Otorrinolaringologia geriátrica, Saúde Geriátrica

Esclarecimentos

giroscópio

181. Como deve ser planejamento terapêutico das labirintites?

O equilíbrio corporal é resultado de um processo de aprendizado, que inicia-se na infância, ao engatinhar, procurar ficar em pé, etc. Este processo vai criando um padrão de referência, que estabiliza o campo visual e mantém a postura ereta, sob a coordenação do cerebelo. Em condições normais, a informação sensorial visual, proprioceptiva (fusos musculares) e vestibular harmoniosa corresponde ao padrão fisiológico normal identificado pelo sistema nervoso central, que desencadeia reflexos oculares (vestibulocular, optocinético, cérvico-ocular) e espinhais (vestibuloespinhal, vestibulocólico, cervicocólico, cérvico-espinhal) apropriados para a manutenção automática e inconciente do controle postural no meio ambiente.

O planejamento terapêutico passa pelo reconhecimento e entendimento de todos estes mecanismos envolvidos no equilíbrio. Ou seja, uma reabilitação vestibular personalizada, não somente a retirada do fator que provocou a labirintite, mas o “re-ensino” do sistema vestibular.

182. Quais os objetivos da terapia de reabilitação vestibular?

O sistema vestibular bem controlado é aquele em que sistema nervoso central, por meio de adaptação, promove o adequado controle dos movimentos oculares, da cabeça e do tronco, para tornar estável o equilíbrio.

Em vista disso, os objetivos primordiais da reabilitação são: 1. promover a estabilização visual durante os movimentos da cabeça; 2. melhorar a interação vestibulovisual durante a movimentação da cabeça; 3. ampliar a estabilidade postural e estática e dinâmica; 4. diminuir a sensibilidade individual à movimentação da cabeça.

183. Quais as evoluções das labirintopatias?

Os pacientes podem curar-se após obter um diagnóstico completo do distúrbio labiríntico, tratamento higieno-dietético, medicamentoso, psicológico e fisioterápico com reabilitação vestibular. Em alguns casos, a doença é autolimitada e pode curar-se expontaneamente (como nos casos de obstrução tubária) ou ser bem controlada. Em casos especiais, onde os processos perpetuam as informações errôneas ao sistema labírintico, somente o tratamento cirúrgico permite a cura. Ou seja, praticamente todas as formas de labirintopatias tem cura, se a terapia for bem a conduzida.

184. A obstrução nasal pode causar labirintite?

orelha média

Sim, os distúrbios de pressão causados por obstrução da trompa de Eustáquio podem levar  à vertigem, provavelmente, por movimentação da perilinfa, que é provocada pelos deslocamentos da janela redonda, que se lateraliza, e do estribo, que se desloca para dentro da janela oval com a retração do tímpano e do martelo.

185. Quando está indicado o tratamento cirúrgico?

As principais indicações de cirurgia são nos casos de: doença de Ménière, fístulas perilinfáticas, pós trauma craniano ou cirúrgico, vertigens posicionais severas, colesteatomas com fístulas e alças arteriais, algumas labirintites infecciosas e serosa.

186. Quando indicar a cirurgia?

Os bons resultados da cirurgia depende mais do diagnóstico correto do que propriamente da técnica cirúrgica, e certo que os centro mais bem equipados e as equipes melhores preparadas obtem os melhores resultados. Porém, deve-se ter muita cautela na indicação da cirurgia. os medicamentos ora disponíveis permitem abolir os sintomas e esperar que ocorra a compensação fisiológica espontãnea, ou acelerá-la com exercícios de compensação labiríntica. Nas disfunções labirínticas bilaterais, a indicação cirurgia deve ser considerada apenas ecepcionalmente.

187. A doença de Ménière pode ser tratada cirurgicamente?

Sim, a cirurgia é indicada quando, apesar do tratamento medicamentoso intensivo, a pessoa segue com crises invalidantes e com perda progressiva da audição.

188. Qual a cirurgia mais indicada para o tratamento da doença de Ménière?

Não existe apenas um tipo de cirurgia que diminua a pressão da endolinfa, mas sim várias. As técnicas cirúrgicas mais empregadas são: 1. Conservadoras -quimiocirurgias, descompressão do saco endolinfático, neurectomia retrolabiríntica e a cocleossaculotomia; 2. Agressivas – labirintectomia por via da janela oval e por via translabiríntica e a neurectomia vestibular translabiríntica.

189. O que é um cirurgia – Labirintectomia química?

A labirintectomia química é um tratamento simples, efetivo e sem os efeitos adversos das técnicas agressivas, particularmente em relação à perda auditiva. Consta a aplicação de 3 a 6 de injeções de gentamicina (antibiótico) intratimpanica em dias seguidos. O sucesso na cura é de 70% a 90% dos casos, a audição é preservada em 75% dos casos. A verificação dos resultados é feita por audiometrias diárias e o estudo da função vestibular é feito antes, logo após as aplicações e depois de 6 meses.

Desvantagens da labirintectomia – Injeções diárias na membrana timpânica. O paciente deve permanecer em posição supina (deitado de costas) com a orelha afetada voltada para cima e sem deglutir por 45 minutos.

190. O que é a cirurgia de descompressão do saco endolinfático?

É uma cirurgia que permite o equilíbrio pressórico entre a endolinfa, perilinfa e líquido cefalorraquidiano, amplia a superfície de absorção de endolinfa, possibilita melhor suplimento sangüíneo e facilita as trocas gasosas. É uma técnica conservadora que preserva a audição. A porcentagem de complicações é pequena (1% a 3% dos casos). Indicada quando a labirintectomia química não deu bom resultado.

191. O que é a cirurgia de neurectomia vestibular?

A cirurgia de neurectomia vestibular controla a vertigem pela desconexão entre o labirinto e os núcleos vestibulares, permitindo que estes possam executar o mecanismo de compensação. Essa cirurgia preserva a audição. O controle da vertigem ocorre em 94% dos casos. Pode ocorrer fístula liquórica em aproximadamente 5% dos casos.

192. O que é a cirurgia labirintectomia?

Essa técnica é indicada quando as cirurgia citadas anteriormente não deram resultado ou estão contraindicadas. É uma cirurgia que afeta a audição. A cirurgia via transmeatal consiste em aspirar o conteúdo do vestíbulo após a remoção da bigorna e estribo e unir as duas janelas por meio da remoção do osso do promontório. Controla a vertigem em até 97% dos casos, mas lesa a audição.

193. O que é a cirurgia vestibular translabiríntica?

Também é uma técnica cirúrgica destrutiva, permite a secção pré-ganglionar do nervo vestibular e do nervo coclear se necessário.

194. A vertigem aguda é uma emergência médica?

Sim, apesar não ser considerada um causa de risco de morte, é uma emergência médica. Nos casos agudos, o quadro clínico é devastador, implicando na incapacitação física temporária, gerando a impressão de uma doença de maior gravidade, como infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral.

195. As crises de vertigem necessitam de internação?

A crise vertiginosa que não cessa rapidamente, acompanhada de náuseas, vômitos, palidez, taquicardia e queda da pressão pode requerer internação hospitalar, para melhor diagnóstico e tratamento. Sobretudo conforto e segurança para o paciente e seus familiares.

196. Os médicos valorizam ou subvalorizam as crise de vertigem?

Os médicos de uma forma geral desconhecem todas implicações fisiológicas que estão envolvidas no equilíbrio e na sua perda. Muitas vezes não procuram realizar o diagnóstico completo do distúrbio que causou a disfunção do sistema vestibular, limitando-se a prescrever um medicamento antivertiginoso.

197. O idoso deve ter seu sistema vestibular examinado preventivamente?

Sem sombra de dúvida. Uma das maiores causas de incapacitação é a perda do equilíbrio, que inúmeras vezes resulta em quedas e suas conseqüências. Não devemos estudar o sistema labiríntico apenas quando o “mundo roda”, mas da mesma forma com que fazer o “check up” cardiológico.

198. Quem tem mais labirintite o jovem ou o idoso?

A labirintopatia não tem idade predominante, ocorre em todas, com igual intensidade. Nos idosos, as pequenas tonturas são de um forma geral negligênciadas – É próprio da idade, afirmam. Só se preocupam com as quedas dos idoso. Procuram previni-las adaptando as habitações e não estimulando o sistema vestibular, com medidas fisioterápicas (veja reabilitação vestibular).

199. As múltiplas doenças crônicas e as inúmeras medicações são causas de labirintite?

Sim, as múltiplas doenças associadas nos idosos e polifarmácia são grandes fatores de risco para os distúrbios do equilíbrio.

200. Quais as práticas diária previnem a labirintopatias?

A vida diária, competitiva, estressante, sedentária, tóxica agride ao nosso organismo de múltiplas formas. Afetam os nossos sentidos, e o equilíbrio (sistema vestibular), como mostra os giroscópios  (figura acima) têm que estar continuamente se adaptando. Somente a vida saudável previne as doenças e ajuda o equilíbrio e a marcha. A vida saudável é complexa e ao mesmo tempo simples. Depende de nossa boa alimentação, dos exercícios físicos regulares, do laser, do repouso comedido e da poesia da vida.

Ao longo de 10 semanas foram apresentadas 200 dúvidas com respostas a respeito de vertigem e labirintopatias. Certamente, não respondeu a todas as dúvidas, se não, criou outras. A internet com sua interativida nos permite rever conceitos e buscar novas respostas.

Nona parte    

Referências:

Ganança MM, Munhoz MSL, Caovilla HH, Silva MLG – Condutas na vertigem. Editora Moreira Jr, São Paulo, 2004.

Ganança MM, Vieira RM, Caovilla HH – Princípios de Otoneurologia. Editora Atheneu, São Paulo, 1998.

Ganança MM – Vertigem tem cura? O que aprendemos nestes últimos 30 anos, Editora Lemos, São Paulo, 1998.

Baloh RW – Dizziness, Hearing Loss, and Tinnitus. Ed. Davis Philadelphia, 1998

Lavinsky L – Cirurgia de vertigem. Rev Bras Atualiz Otorrinolaringol, 3:5-19,1996.

Barbosa MSM, Ganança FF, Caovilla HH, Ganança MM- Reabilitação labirintica: O que é e como se faz. Rev Med Otorrinolaring 2(1):24-34,1995.

Formigoni LG et al – Contribuição ao tratamento da surdez súbita. Rev. Bras. Otorrinolaringol, 42: 2-9,1976.

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