13
Jan

 Zumbido - Fisiopatologia

Categoria(s): Otogeriatria

Entendendo

Um terço da população adulta sofre ou já sofreu de zumbido, que é uma das três grandes manifestações otoneurológicas, ao lado da perda da audição (diacusia neurossensorial) e da tontura, sendo muitas vezes a principal queixa do paciente.

zumbidoZumbido (tinnitus) é a sensação de ruído leve, moderado ou severo no ouvido, perto do ouvido ou à distância, em alguma outra parte da cabeça. Os ruídos podem ser de vários tipos (chiado, assobio, barulho de chuva, estalos etc.). A maioria das pessoas não se incomoda com o zumbido, só o percebendo em situações especiais como no silêncio ou após a ingestão de alcool. Em 5% dos casos, o zumbido chega a ser insuportável, dificultando as atividades normais, prejudicando a concentração, o raciocínio e a memória.

O zumbido não é uma doença em si, mas sintoma de alguma lesão ou desordem no sistema auditivo. Há mais de 200 doenças relatadas que podem causar o zumbido e é fundamental saber identificar as causas de cada caso.

O zumbido pode ser classificado em dois tipos: o períotico (ZPO) e neurossensorial (ZNS)

O zumbido períotico (ZPO) é o ruído gerado nas estruturas próximas à orelha interna e transmitido à cóclea. Como não é originário do labirinto, praticamente não tem relação com outras manifestações otoneurológicas como tontura, diminuição da audição (disauisia neurossensorial) e intolerância a sons intensos. As causas do ZPO podem ser miogênica, vascular e tubal.

O ZPO miogênico podo ser causado tanto pelos músculos da orelha média (tensor do tímpano e estapédio) como pelos músculos elevador do palato e tensor do palato, que alteram a fisiologia da tuba auditiva.

O ZPO de origem vascular é percebido como um ruído pulsátil síncrono com os batimentos cardíacos e é causado pelo fluxo sangüíneo, transmitido à orelha interna diretamente ou através da orelha média. Pode ser causado por tumor glômico (jugular ou tímpano), aneurisma da artéria carótida interna, fístula arteriovenosa e hipertensão arterial.

O zumbido neurossensorial (ZNS) manifesta-se em situações, como alterações metabólicas, infecções,traumas, tumores, isquemia e principalmente, uso de medicamentos ototóxicos, em que ocorre disfução na cóclea, especialmente nas estruturas neuroepiteliais do órgão de Corti e em todo sistema auditivo (desde a sinapse entre a célula ciliada e os dentritos do gânglio espiral, passando pelo nervo coclear, vias auditivas no troncoencefálico, no diencéfalo, nas estruturas subcorticais até a área auditiva no córtex cerebral, situado no giro temporal transverso anterior).

O ZNS é referido como um ruído semelhante a apito, chiado, cachoeira, chuva, cigarra, etc. É esse zumbido que mais incomoda a pessoa e é o mais difícil de ser tratado, por sua complexa fisiopatologia, envolvendo inúmeras estruturas, como vimos acima.

Como o órgão de Corti faz parte do labirinto membranoso e este é constituído, também, pela mácula utrículo-sacular e pela crista ampolar, as alterações existentes na cóclea podem manifestar-se nas estruturas do labirinto posterior, causando, além das manifestações auditiva, vertigem, tonturas e desequilíbrio.

Como o zumbido afeta física, mental e psicologicamente a pessoa, cabe ao geriatra ouvir atentamente as queixas procurando estabelecer a etiologia, compreendendo a fisiopatologia e estabelecendo uma parceria com paciente, aliviando sua ansiedade e tornando o zumbido menos problemático.

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Referências:

Fukuda, Y - Zumbido: Diagnóstico e tratamento. Rev.Bras Med Otorrinolaringol, 1997,4(2):39-43.

Fukuda Y - Zumbido e suas correlações otoneurológicas. In Ganança MM - Vertigem tem cura? O que aprendemos nestes últimos 30 anos. Editora Lemos, São Paulo, 1998. p.171

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Veja Também:
Zumbido e surdez nos idosos
Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 6
Deficiência da audição nos idosos - Presbiacusia ou surdez
Vertigem -Síndrome de Ménière: Tratamento medicamentoso
Vertigem - Tonturas - Labirintopatia
Surdez - Tratamento, implante coclear

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30
Nov

 Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 1

Categoria(s): Fisioterapia, Otogeriatria, Saúde Geriátrica

Esclarecimentos

1. Labirintite (sic) tem cura?

Sim, labirintite tem cura. A idéia de que não é possível curar a vertigem é errônea, freqüentemente oriunda da falta de conhecimento sobre os distúrbios labirínticos e de erros diagnósticos e terapêuticos.

2. O que é tontura?

A tontura, também denominada tonteira, zonzeira, atordoamento ou estonteamento, é a sensação de perturbação do equilíbrio corporal. Pode ser definida como uma percepção errônea, uma ilusão ou alucinação de movimento, uma sensação de desorientação espacial de tipo rotatório (vertigem) ou não-rotatório (instabilidade, flutuação, oscilações, etc) desequilíbrio e distorção visual (oscilopsia).

3. Por que algumas pessoas que sofrem de tontura apresentam perda de memória e falta de concentração mental?

Devido às inter-relações entre o sistema vestibular e as diversas áreas do cérebro, pode ocorrer a falta de memória, a dificuldade de concentração, fadiga, além de, insegurança física, psíquica, irritabilidade, perda da autoconfiança, ansiedade, depressão ou pânico.

4. Quais são os mecanismos do equilíbrio?

O nosso equilíbrio é regido por inúmeros processos que envolve os estímulos musculares (fusos musculares e reflexos de estiramento), estímulos posturais (mudanças lineares ou angulares na posição da cabeça em relação a terra e ao corpo), que ativam os receptores vestibulares (células ciliadas dos canais semicirculares e dos órgãos otolíticos. Estes estímulos nervosos, percorrem a espinha, penetram no tronco encefálico e vão terminar no complexo de núcleos vestibulares situado na porção mais alta do bulbo, invadindo a ponte. A figura ilustra as várias estruturas envolvidos nos reflexos do equilíbrio, como os orgãos do sentido (fuso muscular, olho, vestíbulo) e os centros cerebrais, feixes vestíbulo-espinais e espino-cerebelares, núcleos vestibulares, núcleo oculomotor (III) núcleo troclear (IV) núcleo abducente (VI), nervo vestibulococlear e cerebelo.

centros do equilíbrio

A orelha interna, chamada labirinto, é formada por escavações no osso temporal, revestidas por membrana e preenchidas por líquido. Limita-se com a orelha média pelas janelas oval e redonda. O labirinto apresenta uma parte anterior, a cóclea ou caracol - relacionada com a audição, e uma parte posterior - relacionada com o equilíbrio e constituída pelo vestíbulo e pelos canais semicirculares.

Veja mais a respeito

5. O que é vestibulopatia?

Vestibulopatia é a designação genérica para os distúrbios do equilíbrio corporal sediado no sistema vestibular periférico ou central.

6. O que é vestibulopatia periférica?

Tanto a vestibulopatia periférica como a central têm os mesmos sintomas de tontura, porém, as vestibulopatias periféricas podem apresentar, perda da audição, zumbido, sensação de pressão ou desconforto no ouvido, ânsia de vômito, sudorese fria e palidez.

7. O que é vestibulopatia central?

Além da tontura, a vestibulopatia central apresentam incoordenação motora (ataxia), visão dupla (diplopia), perda da força parcial ou total dos músculos da face, dificuldade de engolir (disfagia), fraqueza, distúrbios de sensibilidade.

8. O que é labirintite?

O termo correto é labirintopatia, que é a afecção determinada por comprometimento do ouvido interno (labirinto). Labirintite seria a inflamação do labirinto, que é uma condição rara.

9. Quem costuma ter mais tonturas o homem ou a mulher?

Cerca de 10% da população mundial tem algum tipo de tontura e esta pode ser de origem central ou periférica. Na mulher a incidência é maior que no homem (aproximadamente 2:1) e ao se investigar as causas da tontura verifica-se que todas as citadas pela literatura incidem também na mulher e com o agravante de que a variação hormonal normal ou anormal influencia no funcionamento do ouvido interno; o que pode ocasionar ou agravar a tontura e, com isso, pode-se ter uma paciente com os sintomas de “tensão pré-menstrual†que tem também tonturas.

10. Quais são os tipos de tonturas?

Tontura, tonteira, zonzeira, atordoamento, vertigem, estonteamento, é a sensação de perda do equilíbrio corporal. Pode ser do tipo rotatório (vertigem), ou não rotatório (instabilidade, flutuação, oscilações), desequilíbrio e distorção visual (oscilopsia).

11. A vertigem das alturas é uma doença?

Não, a vertigem das alturas, assim como, as cinetoses (tonturas com o movimento, p.ex barco), as vertigens auditivas, as proprioceptívas (por movimentos bruscos e amplos da cabeça), constituem alguns tipos de tonturas fisiológicas.

12. Por que muitas tonturas parecem não ter cura?

Em muitos pacientes o diagnóstico da causa da tontura não são feitos de forma apropriada e causa real não é identificada. Nesses casos, o tratamento é apenas parcial, insuficiente, puramente sintomático (medicamentos para “circulação”) e os insucessos terapêuticos prevalecem.

13. Quando procurar um especialista?

No primeiro sintoma. Muitas vezes, as pessoas, se auto-diagnosticam e se auto-medicam no primeiro sintoma de tontura. Julgam que o sintoma apresentado, foi decorrente de algum exagero alimentar, de um momento de estresse, de um nervosismo, e que logo vai passar. Aceitam, prontamente, o conselho medicamentoso de um amigo ou vizinho.

Geralmente, o segundo episódio é mais forte que o obriga a procurar um pronto-socorro, no plantão noturno, recebe um medicamento e nenhum estudo diagnóstico.

O correto, para não deixar a doença se torne crônica, é procurar um médico de confiança que certamente o encaminhará para um otorrinolaringologista, já no primeiro episódio de tontura.

14. Como diagnosticar a causa da tontura?

O passo inicial para o diagnóstico é a história clínica, seguida de uma boa avaliação no contexto da medicina geral, otológica e neurológica. Pois, a etiologia pode estar distante dos sistema vestibular. O sistema vestibular é de tal forma sensível à influência de distúrbios em outras áreas do corpo, que as tonturas podem surgir antes dos sintomas da doença principal.

O passo seguinte é a avaliação bioquímica dirigida, exames indicados pelos clínica do paciente, como radiografia do tórax, eletrocardiograma, eletroencefalograma. Complementa o estudo os exames otoneurológicos.

15. Quem deve cuidar do paciente com tontura?

A abordagem terapêutica é multidisciplinar, ou seja, vários profissionais, devem estar envolvidos no processo de cura. Consiste em um grupo de medidas concomitantes (tratamento etiológico, medicamentos, reabilitação auditiva e/ou vestibular, correção de possíveis erros alimentares, orientação de mudança de hábitos, eventual acompanhamento psicológico, etc) capitaneadas pelo médico otorrinolaringologista e/ou clínico geral ou geriatra.

16. O que é ototoxicose?

Ototoxicose é a lesão do aparelho auditivo por alguma substância tóxica. Muitos são os medicamentos (antiinflamatórios, anti-bióticos, hipotensores, hipoglicemiantes, etc) que podem lesar o aparelho vestibular e causar as tonturas. O mesmo, pode ocorrer com os inseticidas, produtos de limpeza, solventes, etc. Quando se pensa nesta etiologia, deve-se afastar rapidamente o produto suspeito.

17. Uma “gripe” pode provocar “labirintite”?

Sim, trata-se de uma infecção com possível etiologia viral, a neurite vestibular, relativamente comum, que ocasiona uma crise vertiginosa súbita. A intensidade do ataque e o tempo até a cura podem variar, mas o que costuma ocorrer é uma progressiva, até completa, recuperação. O episódio geralmente é único. Não existe tratamento específico, apenas repouso. Os exames laboratoriais ajudam no diagnóstico.

18. Um trauma no pescoço pode causar “labirintite”?

Sim, trata-se da chamada síndrome cervical, que se manifesta com dores na nuca, limitação dos movimentos do pescoço, formigamento nas mãos e sem dúvida o quadro de tontura. Pode ser decorrente da chamada síndrome da chicotada (whiplash injury) quando a cabeça faz um movimento rápido como um chicote, inflamatória, osteoartrites.

19. A pressão arterial alta pode causar tonturas?

A hipertensão arterial é uma das causas mais freqüentes de tonturas. Com o controle da pressão os sintomas desaparecem. Caso isso, não ocorra, deve-se pensar em micro infarto cerebral, especialmente na região do cerebelo.

20. A enxaqueca é causa ou conseqüência da tontura?

É muito comum a associação de enxaqueca e vestibulopatia, recebe o nome de enxaqueca vestibular. As possíveis causas dos distúrbios vestibulares podem ser também fatores desencadeantes da enxaqueca e o tratamento deles beneficia a melhora das duas doenças.

Na próxima semana (07/12/2007) a segunda parte.

Semanalmente, serão apresentadas 20 dúvidas, até completar 10 semanas com 200 dúvidas e respostas.

Referências:

No final da série das 200 dúvidas. 

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Veja Também:
Estudo de caso - Vertigem postural fóbica
Vertigem - Síndrome de Ménière
Estudo de caso - Vertigens posturais
Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)
Vertigem - 200 dúvidas a respeito - Parte 9
Vertigem - 200 dúvidas a respeito - Parte 8

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26
Mai

 Vertigem -Síndrome de Ménière: Tratamento medicamentoso

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria

Painel

A doença de Ménière também é muito freqüente, principalmente em adultos e idosos. A queixa é de crises vertiginosas, diminuição da audição, zumbido e sensação de pressão ou ouvido cheio. O zumbido, a diminuição da audição e a sensação de plenitude no ouvido costumam piorar durante as crises de vertigem.

As crises vertiginosas geralmente são intensas, com náuseas, vômitos, suores no rosto e nas mãos, palidez e palpitações. A crise pode ser precedida por manifestações premonitórias (aura) podem anunciar (minutos, horas ou dias antes) a crise vertiginosa iminente. A associação com Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) e migrânea (enxaqueca) é freqüente, com os sintomas característicos destas afecções. A VPPB pode aparecer durante, logo após ou meses depois das crises vertiginosas.

O intervalo entre as crises é variável, e o paciente pode ficar sem nenhum sintoma, e ocorrer perda progressiva da audição ao longo do tempo. Alguns pacientes relatam audição flutuante, variável em função do tempo. Outros sintomas comuns são hipersensibilidade a sons mais intensos e distorção da sensação sonora.

meniere1meniere2

Figura 1. endolinfa normal Figura 2. hipertensão endolinfática
O substrato fisiopatológico é a hipertensão da endolinfa, líquido que irriga as estruturas sensoriais auditivas e vestibulares do labirinto. A hipertensão endolinfática pode ser ocasionada pela deficiência de reabsorção da endolinfa no saco endolinfático, pelo excesso de sua produção ou por ambos os mecanismos.

As possíveis etiologias da doença de Ménière são: diabetes, hipoadrenalismo, hipopituitarismo, hipotireoidismo, deficiências nutricionais, alergia por inalantes ou alimentos, doenças auto-imunes, viroses, lues, trauma craniano, cervical, acústico, barométrico ou cirúrgico, distúrbios cardiovasculares, osteodistrofias da cápsula ótica, estreitamento de meato acústico interno, senilidade labiríntica, distonias neurovegetativas ou distúrbios psicossomáticos.

Sinais freqüentes na avaliação otoneurológica são: perda auditiva neurossensorial unilateral ou bilateral, com limiares variáveis em audiometrias seriadas; recrutamento à comparação dos limiares tonais com os limiares dos reflexos do músculo do estapédio na impedanciometria; hidropisia endolinfática na eletrococleografia e sinais de disfunção vestibular periférica na vestibulometria.

Tratamento medicamentoso

Medidas gerais - A restrição de açúcares refinados, chá, café e álcool e a recomendação de evitar erros alimentares, como ficar longos períodos do dia sem comer e não comer nada (ou comer pouco) pela manhã, reforça o efeito terapêutico da medicação e da reabilitação vestibular.

Nas crises - Nos episódios de vertigem o uso de diazepam, dimenidrinato e/ou ondansetrona, por via intramuscular, é útil. Quando o intervalo entre a aura e a instalação da crise permitir, a associação de betaistina 24 mg e domperidona 10 mg por via oral com clonazepam 0,25 mg por via sublingual pode evitar ou atenuar a eclosão dos sintomas agudos.

Fases subagudas e crônicas - na fase subaguda e crônica da doença a betaistina (via oral), clonazepam (via oral ou sublingual) e cinarizina (via oral) podem agir favoravelmente . A medicação antivertiginosa também facilita a execução dos exercícios de reabilitação vestibular na clínica e/ou em casa. A betaistina é o medicamento de eleição para o tratamento continuado da afecção, recomendando-se a sua utilização por um ano ou mais.
O uso adicional do clonazepam pode reforçar o efeito antivertiginoso da betaistina na doença de Ménière.

A labirintectomia química com gentamicina, a descompressão de saco endolinfático ou a neurectomia vestibular podem ser indicados nos insucessos com o tratamento clínico.

Efeito hormonal

Cerca de 10% da população mundial tem algum tipo de tontura e esta pode ser de origem central ou periférica. Na mulher a incidência é maior que no homem (aproximadamente 2:1) e ao se investigar as causas da tontura verifica-se que todas as citadas pela literatura incidem também na mulher e com o agravante de que a variação hormonal normal ou anormal influencia no funcionamento do ouvido interno; o que pode ocasionar ou agravar a tontura e, com isso, pode-se ter uma paciente com os sintomas de “tensão pré-menstrual” que tem também tonturas.

A retenção de sódio e água que ocorre no período menstrual pode levar a um quadro clínico semelhante à doença de Ménière pela hipertensão perilinfática e, à semelhança do que ocorre nesta doença, podem ocorrer sintomas auditivos. A interrupção do ciclo menstrual que ocorre na gravidez pode produzir melhora dos sintomas, assim como também o uso de anticoncepcionais pode ser benéfico a essas pacientes. Entretanto no período gravídico, pelas alterações endócrinas do pâncreas, com seu aumento de produção de insulina, incrementam os períodos de hipoglicemia e alteram o funcionamento da orelha interna, podendo desencadear alguns sintomas neurovegetativos e labirínticos (desequilíbrio, náuseas e vômitos).

As variações dos níveis hormonais que acontecem no ciclo menstrual podem alterar o equilíbrio intralabiríntico. Já foram observadas alterações do limiar auditivo, do limiar para o reflexo estapediano, dos potenciais eletrofisiológicos de curta e longa latências durante a variação cíclica menstrual. Neste processo, envolvem-se mediadores do sistema nervoso central como o GABA e a serotonina, que são muito importantes na manutenção das funções labirínticas.

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Referências:

Ganança MM, Munhoz MSL, Caovilla HH, Silva MLG. Condutas na vertigem. São Paulo: Moreira Júnior; 2004.

Ganança MM, Munhoz MSL, Caovilla HH, Silva MLG, Ganança CF, Ganança FF. Como diagnosticar e tratar labirintopatias. Rev Bras Med. 2004; 61:108-12.

Freitas, MR; Weckx, LLM - Como diagnosticar e tratar labirintopatias. Rev Bras Med 55 - Ed especial,1998.

Ganança, MM; Caovilla, HH; Munhoz, MS; SILVA, MLG; Frazza, MB; Ganança, FF, Ganança, CF - “Labirintites” no Idoso: Diagnóstico Laboratorial. Atualidades em Geriatria, 2(13): 8-10, 1997.

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Doença de Paget
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09
Mai

 Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)

Categoria(s): Fisioterapia, Otogeriatria

Resenha

Colaboradora : Talita Gameiro Ribeiro *

* Fisioterapêuta e Gerontóloga

Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é a vestibulopatia mais comum em idosos, principalmente do sexo feminino. A VPPB é um distúrbio que se caracteriza por episódios momentâneos recorrentes de vertigem que sugerem à mudança de posição da cabeça, principalmente à extensão do pescoço, ao rolar da cama de um lado para o outro, ao levantar-se da cama ou inclinar o corpo para baixo. A vertigem começa após uma latência de alguns segundos após assumir-se a nova posição. Aumenta até um nível máximo de ceder, durando em geral menos de 1 minuto.

A VPPB está associada ao nistagmo rotatório, com abalos em direção ao solo se o paciente estiver deitado com a cabeça para o lado do ouvido afetado. Quando o paciente se senta ou se coloca em uma posição neutra, ocorrem ainda alguns abalos nistagmos, com a fase rápida em direção ao lado oposto. Estes sintomas podem ser reproduzidos no consultório através do teste posicional. A VPPB é fatigável. A repetição do teste posicional abole a resposta.

A VPPB pode estar associada a traumatismo craniano, infecção ou degeneração, mas as vezes pode ocorrer espontaneamente no idoso. O paciente em geral não se queixa de perda auditiva, zumbido ou plenitude aural. Os cristais de carbonato de cálcio (resto de otólitos) se deslocam do utrículo para o canal semicircular posterior, superior ou lateral (canaliculitíase) ou se aderem à cúpula (cupolitíase) destes canais, excitando anormalmente as estruturas sensoriais labirínticas à ação da gravidade na mudança de posição da cabeça de posição da cabeça e gerando a vertigem.

É bastante freqüente, a associaçãoda VPPB com a doença de Ménière e a migrânea (enxaqueca).

Diagnóstico

O diagnóstico de VPPB pode ser feito quando há vertigem posicional e quando o teste de posicionamento que usa a manobra de Dix-Hallpike precipita um surto de nistagmo de torção exacerbado. Pode ser usado também um par de lentes de Fresnel, o que provoca o nistagmo rotatório na direção do ouvido que está pendente. Em casos persistentes e crônicos, refratários ao tratamento, deve ser obtida uma imagem de Ressonância Magnética (IRM) para excluir a possibilidade de neuroma acústico ou tumor no quarto ventrículo. Avaliação otológica, com teste audiológico e vestibular também podem ser solicitados.

Tratamento
A história natural da vertigem posicional benigna é sua resolução espontânea. A maioria dos pacientes fica livre dos sintomas em algumas semanas ou meses. Os sintomas podem ser abolidos por vários exercícios posturais, reabilitação vestibular, uso de medicamentos ou até em alguns casos o tratamento cirúrgico.

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Referências:

Resende, C. R.; Taguchi, C. K.; Almeida, J. G.; Fujita R. R. – Reabilitação Vestibular em Pacientes Idosos Portadores de Vertigem Posicional Paroxística Benigna. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, julho/agosto 2003. [on line]

Ribeiro, A. S. B.; Pereira J. S.- Melhora do equilíbrio e redução da possibilidade de queda em idosas após os exercícios de Cawthorne e Cooksey. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, jan/fevereiro de 2005.[on line]

Silva, A. L. S.; Simões E. L. – Tratamento Individualizado de Paciente Idoso com Vertigem Postural: Relato de Caso. Portal do envelhecimento, junho de 2005. [on line]

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09
Dez

 Vertigem - Tonturas - Labirintopatia

Categoria(s): Neurogeriatria, Otogeriatria

Vertigem

Resenha

A tontura é uma das anomalias mais comuns em todo o mundo. Ela atinge cerca de 10% da população mundial de ambos os sexos. Embora sua ocorrência seja mais comum em adultos e idosos, crianças e adolescentes também sofrem desse distúrbio.
As causas da tontura estão geralmente ligadas a disfunções na orelha interna (labirinto) ou no sistema nervoso central. Elas podem estar situadas, também, em outros órgãos do corpo. O sistema vestibular (nervo encarregado de levar informações de equilíbrio ao cérebro) é muito sensível à influência de distúrbios no corpo.

O equilíbrio é uma função sensório-motora que tem como objetivo estabilizar o campo visual e manter a postura ereta. Através da integração das informações provenientes de músculos e articulações nos núcleos vestibulares sob a coordenação do cerebelo, é possível manter o equilíbrio.

Quando há conflito na integração das informações destes três receptores, surge a sensação de perturbação do equilíbrio corporal, causando tontura, também chamada tonteira, zonzeira ou atordoação. Ela caracteriza-se por uma percepção errônea, uma ilusão ou alucinação de movimento, uma sensação de desorientação espacial dos tipos rotatório (vertigem) ou não rotatório (instabilidade, flutuação, oscilação), desequilíbrio e distorção visual (oscilopsia). A perda auditiva, dificuldade de entendimento, zumbido, sensação de pressão no ouvido e incômodo com sons geralmente estão também associados com a tontura.

O desequilíbrio corporal pode ser causado por disfunções do sistema vestibular que podem ser primárias ou as originárias de outros órgãos, chamadas de secundárias. As causas mais comuns destes tipos de desequilíbrios são: traumatismos de cabeça e pescoço, infecções (por bactérias ou vírus), drogas ou medicamentos (nicotina, cafeína, álcool, maconha, anticoncepcionais, sedativos, tranqüilizantes, antidepressivos, antiinflamatórios, antibióticos, etc.), erros alimentares, tumores, envelhecimento, distúrbios vasculares (hiper ou hipotensão arterial, arteriosclerose), anemia, problemas cervicais, doenças do sistema nervoso central, alergias e distúrbios psiquiátricos.

A descoberta da causa implica, muitas vezes, na realização de diversos exames complementares (sangue, urina, radiológico) ou avaliações em outras áreas médicas (endocrinologia, neurologia, cardiologia, psiquiatria, ortopedia, reumatologia, etc.).
Inúmeras doenças que podem acometer o sistema vestibular e auditivo, causando tonturas com ou sem outros sintomas como: zumbido e surdez.

As tonturas comumente são chamadas de “labirintiteâ€, porém este termo é utilizado de forma equivocada para designar todas as doenças do labirinto. Os termos mais adequados são; labirintopatias, para designar as afecções do ouvido interno ou labirinto e vestibulopatias, para designar as afecções que acometem qualquer parte do sistema vestibular ou sistema de equilíbrio.

Ainda dentro dessas doenças podemos citar a cinetose, também conhecida como mal do movimento, caracterizada pelo enjôo em navios e automóveis, doenças do ouvido médio e da tuba auditiva, causadas pela obstrução da tuba que geram zumbidos e a doença de Ménière que são as crises vertiginosas com diminuição da audição seguida de uma pressão no ouvido.

O tratamento é feito de maneira personalizada de acordo com o diagnóstico e com as necessidades de cada paciente, podendo incluir o uso de medicamentos, otoneurocirurgia e reabilitação vestibular, além de correção de erros alimentares, mudanças de hábito e de estilo de vida e aconselhamento psicológico quando necessário.

A grande maioria dos pacientes (cerca de 90%) responde favoravelmente à terapia antivertiginosa. A maioria dos casos fica definitivamente curada. Outros melhoram significativamente, e apenas poucos casos são rebeldes ao tratamento. Nesses últimos casos, novas estratégias de tratamento, como exercícios e fisioterapia podem ser aplicadas até obter-se o melhor resultado possível.

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Referência:

Manual Merck - Seção: Distúrbios do Cérebro e nervos:Cap 63 Vertigem [on line]

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Veja Também:
Estudo de caso - Vertigens posturais
Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 1
Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 3
Vertigem - Síndrome de Ménière
Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 2
Reabilitação pós-queda: papel da enfermagem.

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