15
Set

 Terapia Ocupacional na Geriatria - Parte 3. Uso das atividades como recurso terapêutico

Categoria(s): Gerontologia

Resenha

Papel da Terapia Ocupacional nas Instituições de Longa Permanência

Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Uso das atividades como recurso terapêutico

Os recursos terapêuticos utilizados na Terapia Ocupacional são as atividades, que proporcionam um conhecimento e uma experiência que auxiliam na transformação de rotinas e ordens estabelecidas e oferecem aos sujeitos instrumentos que sejam para seu próprio uso, ampliando a comunicação, permitindo crescimento pessoal, interação social e inclusão cultural, criando novas possibilidades e finalidades de intervenção. As atividades tem a finalidade de potencializar a comunicação, a troca de informações, a participação dos sujeitos no mundo, proporcionando o enfrentamento dos problemas, ressignificação dos projetos de vida, auto conhecimento, e buscando as necessidades e potencialidades de cada sujeito.
De Carlo e Bartalotti (2001).

“Na Terapia Ocupacional, as atividades possibilitam a cada um ser reconhecido e se reconhecer por outros fazeres; elas permitem conhecer a história de vida dos sujeitos, havendo um resgate bibliográfico no campo das atividades, no qual se descobrem interesses, habilidades e potencialidades que delineiam caminhos possíveis no rol das atividades e produções humanas.”

Através das atividades a história pessoal é contada aos poucos, e assim é possível mapear também as necessidades e possibilidades que estabelecerão um conjunto de práticas centradas no fazer humano, visando à independência, autonomia, auto conhecimento, bem estar, auto estima, limitações, habilidades e potencialidades de cada sujeito, adaptações.

O ato de realizar atividades promove mudança de atitudes, pensamentos e sentimentos; restabelece, de maneira sutil, o equilíbrio emocional e atua na estruturação da relação tempo-espaço, promovendo trocas sociais, rompendo com o isolamento e a invalidação dos sujeitos.

Pelas atividades é possível a criação de novas possibilidades e finalidades de intervenção; garantir formas múltiplas de ação e expressão e novas formas de vida.

Quando as atividades são realizadas, é possível completar experiências que ficaram destituídas de sentido e significado ou criar novos sentidos e significados para as experiências vividas, acessando também o inconsciente do sujeito.

Segundo Francisco (2001), o fazer deve acontecer através do processo de identificação das necessidades, problematização e superação de conflitos, não existindo receitas mágicas, nem técnicas específicas que garantam que estamos realmente resolvendo o problema. Complementando, segundo De Carlo e Bartalotti (2001), “Não se trata de construir modelos, receitas, bulas, indicações de atividades, mas de construir com cada paciente, junto com ele, uma trajetória singular.”

A Terapia Ocupacional deve construir com o sujeito um projeto de vida, ampliar a vida, buscar conexões, favorecer encontros, possibilitar novas descobertas, facilitar o auto conhecimento, ser “a ponte” entre o sujeito e a atividade. Não existe uma receita de atividade para cada tipo de patologia, ou de sujeito, cada sujeito é único e singular, e cabe ao terapeuta ocupacional encontrar os recursos junto ao sujeito, através de suas necessidades, habilidades, potencialidades, e seu momento de vida.

Para utilizar a atividade como recurso terapêutico, o terapeuta ocupacional faz a analise da atividade, conhecendo em seus pormenores, observando assim suas propriedades específicas, e seu leque de ações, Francisco (2001).

Complementando tais pensamentos, segundo Feriotti (2001), entende-se a atividade não apenas como meio ou instrumento de tratamento, mas também como fim em si mesma, e objetivando o desenvolvimento de um homem livre, ativo, criativo, transformador, solidário, feliz e integrado ao seu meio, como finalidade última da intervenção terapêutica.

Assim, percebemos que as atividades como recursos terapêuticos são meios, instrumentos da Terapia Ocupacional no tratamento do sujeito, sendo muito amplas, complexas, e únicas para cada sujeito, não existindo uma receita mágica para o tratamento.

Referências:

De Carlo e Bartalotti (2001) (orgs) Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001.

Feriotti, ML - Atuação da Terapia Ocupacional no corpo sujeitado. In: O mundo da Saúde. São Paulo, 2001;25(4):389-393.

Francisco, BR - Terapia Ocupacional. Campinas: Papirus, 2001.

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13
Set

 Terapia Ocupacional na Geriatria - Parte 1. Breve História da TO

Categoria(s): Gerontologia

Resenha

Papel da Terapia Ocupacional nas Instituições de Longa Permanência

Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A história da Terapia Ocupacional é bastante recente, porém podemos falar que a atividade humana enquanto recurso terapêutico foi utilizado, de forma talvez pouco consciente e/ou científica, desde os tempos mais remotos.

Nos séculos XVII e XVIII acreditavam-se que todos os indivíduos que suscitavam repulsa se tremor - indigentes, vagabundos, preguiçosos, incapazes, velhos, prostitutas, loucos, deficientes -, eram considerados como ameaças à sociedade, deviam ser afastados e confinados em um espaço isolado do convívio social. Eram recolhidos para que fossem cuidados, mas, na verdade, o que se praticava eram seu isolamento e exclusão, para proteger a sociedade contra a desordem dos loucos e dos diferentes e dos perigos que eles representavam.  Os hospitais eram de caráter mais religioso do que médico, tendo como objetivos realizar trabalho caritativo, com a pretensão de salvar a alma do pobre e a sua própria, Da Carlo e Bartalotti,2001.

A Terapia Ocupacional surgiu, basicamente, de dois processos: a ocupação de doentes crônicos em hospitais de longa permanência e a restauração da capacidade funcional dos incapacitados físicos.

Os principais fatores para o começo formal da Terapia Ocupacional no início do século XX, foram o renascimento do Tratamento Moral nos hospitais psiquiátricos e o retorno dos soldados norte americanos cronicamente incapazes de Primeira Guerra Mundial, Woodeside (1979) e Francisco (2001).

Assim, uma das raízes mais concretas do início da profissão, refere-se à Primeira Guerra Mundial com os Estados Unidos. Com o aumento da tecnologia e prosperidade econômica deste país, grande numero de soldados feridos necessitava de um programa ativo de reabilitação, o que,  exigiria pessoal treinado, levando assim à formação das Auxiliares de Reabilitação, surgindo um grande programa reconstrução e reabilitação de guerra e pós-guerra.

Na Segunda Guerra Mundial surgiu à necessidade de terapeutas ocupacionais em hospitais civis e militares, e com isso houve um aumento de escolas e uma expansão considerável da Terapia Ocupacional, sobretudo na área do tratamento das incapacidades físicas.

Neste momento, crescia, devido a demanda, o chamado Movimento Internacional de Reabilitação, nascido de uma necessidade da população em atendimentos em especial na área das disfunções físicas. Foi um período de intensas transformações na área da saúde, como se pode observar na citação de MOSEY, 1979,
À medida que diminuía a massa de veteranos incapacitados, grupos preocupados com o grande número de condições incapacitadoras procuravam reabilitação. Foram estabelecidos programas especiais de acordo com as categorias de doença. Desta forma, as duas guerras mundiais favoreceram uma expansão rápida da Terapia Ocupacional, no tratamento da disfunção física.

Essas informações são muito relevantes para a compreensão da história da Terapia Ocupacional no Brasil, pois foi justamente nesse período que se constituíram os primeiros cursos de formação de terapeutas ocupacionais no país.

A primeira publicação que se tem referência sobre Terapia Ocupacional é de 1915, do Dr. Willian Rush Dunton, Occupational Therapy: a manual for nurses. Este manual era indicado especialmente ás enfermeiras, propondo princípios de aplicação de ocupação no tratamento de doentes mentais. “Nascia, então, o termo Terapia Ocupacional” Francisco, 2001.

Referências:

Carlo, MMRP; Bartalotti, CC (orgs) - Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001.

Francisco, BR - Terapia Ocupacional. Campinas: Papirus, 2001.

Woodeside, HH - Terapia Ocupacional. O desenvolvimento de Terapia Ocupacional – 1910 a 1920. Terapia Ocupacional aplicada: Saúde Mental e Psiquiatria. Tradução de Raquel Kopit. Faculdade de Ciências Médicas de Belo Horizonte e PUC Campinas, 1979.

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