17
Set

 Terapia Ocupacional na Geriatria - Parte 5. TO e os Familiares

Categoria(s): Gerontologia

Resenha

Papel da Terapia Ocupacional nas Instituições de Longa Permanência

Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Ações da Terapia Ocupacional com os familiares dos idosos institucionalizados

Enfatizamos a família como parte integrante no processo de envelhecimento, visto que esta pode desenvolver e manter o equilíbrio físico e afetivo do idoso.

Momentos de crise e períodos de transição são pertinentes á família, podendo levar a um desequilibro biopsicosocial do idoso. Logo, a atuação do Terapeuta Ocupacional no contexto familiar é primordial na relação família/idoso e seu papel destina-se ao resgate de valores do idoso dentro e fora da família, através de informações pertinentes ao cotidiano e soluções restauradoras ou adaptativas.

Podemos afirmar que esta é a expectativa da instituição, ainda que não sejam expressas tão claramente nem implementadas, com a necessária rapidez, estratégias que avancem neste sentido. Por outro lado, é preciso lembrar que a família, incluindo o próprio idoso, é que busca a instituição de longa permanência como parceira nas demandas de cuidado. Ao acoplar-se à instiutição, a família busca a extensão de si mesma para cuidar adequadamente de seu idoso.

A relação entre o idoso e a família é diversificada, em que podemos evidenciar tanto aqueles que mantêm (ou retomam) relacionamentos significativos com seus familiares, cuja base de comunicação é o amor, como aqueles que, por circunstâncias diversas, romperam os vínculos, ou mantêm uma comunicação ruidosa.

O afastamento prolongado da família ocasiona, depressão, angustia e solidão no idoso, que se sente abandonado. O Terapeuta Ocupacional, junto com a instituição, deve proporcionar e motivar a integração da família com o idoso dentro da instituição, mostrar para a família a importância das visitas periódicas aos idosos; sua participação em eventos da instituição, como festas temáticas, aniversários, atividades de lazer; sendo importantes para o bem estar dos idosos, e resgatar os vínculos familiares.

Concluindo, a ILPI não pode substituir a família, mas deve ser vista como a ampliação da família, com laços e vínculos igualmente significativos, porém o maior vínculo do idoso deve ser com sua família.

Referências:

Born, T e Boechat, NS - A Qualidade dos cuidados ao idoso institucionalizado. In: FREITAS, E. V. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2ª. Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

Creutzberg M, Santos BRL - Se a gente não tem família, não tem vida: subsídios para o cuidado de enfermagem domiciliar. Rev. Gaucha Enfermagem, 2000; 21(n. esp): 101-2.

Creutzberg M, Gonsalves LHT - A comunicação entre a família e a Instituição de Longa Permanência para Idosos. In: Rev. Bras. Geriatr. Gerontol.2007;10(2). - Rio de Janeiro  2007.

Secchi, SR - Memória do idoso: o papel da Terapia Ocupacional. Trabalho de Conclusão do Curso de Pós Graduação em Gerontologia – Metrocamp – Campinas: 2008.

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16
Set

 Terapia Ocupacional na Geriatria - Parte 4. Ações da TO com idosos institucionalizados

Categoria(s): Gerontologia

Resenha

Papel da Terapia Ocupacional nas Instituições de Longa Permanência

Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Ações da Terapia Ocupacional com idosos institucionalizados

A Terapia Ocupacional gerontológica visa manter, restaurar e melhorar a capacidade funcional, mantendo o idoso ativo e independente o maior tempo possível. A atuação do Terapeuta Ocupacional tem como objetivo geral promover o desempenho dos idosos nas atividades de vida diária, nas atividades instrumentais de vida diária, nas atividades de trabalho e nas atividades de lazer. Então se torna fundamental definir as atividades de vida diária e as atividades instrumentais de vida diária, uma vez que são conceitos muito utilizados na pratica do terapeuta ocupacional com idosos.

As atividades de vida diária referem-se às atividades relacionadas aos cuidados pessoais, tais como alimentar-se, banhar-se, vestir-se, e fazer higiene, mobilidade e comunicação funcional. As atividades instrumentais de vida diária referem-se às atividades relacionadas à administração do ambiente de vida e estabelecem relação entre o domicilio meio externo. Estas atividades incluem comprar e preparar alimentos, cuidar da limpeza da casa, lavagem das roupas, ou seja, capacidade para viver em comunidade, Barreto e Tirado (2006).

Na atuação com o idoso, a Terapia Ocupacional age como um facilitador que capacita o mesmo a fazer o melhor uso possível das capacidades remanescentes, a tomar suas próprias decisões e lhe assegurar uma conscientização de alternativas realísticas.

Através do estímulo ao auto-conhecimento e ao auto cuidado, gerando uma melhoria na auto-estima, o idoso tem condições de lidar com seus potenciais e a partir daí construir uma maneira própria de se relacionar com o meio social, atuando nele mais autonomamente. Basicamente, procura-se que o idoso tenha um desempenho mais independente possível, enfatizando as áreas de auto cuidado, do lazer, da manutenção de seus direitos e papéis sociais, segundo o Boletim do CRE (Ano VII n. 2).

A Terapia Ocupacional deve intervir também visando à qualidade de vida dos idosos, sempre considerando os processos de perdas próprias do envelhecimento e as possibilidades de manutenção de seu estado de saúde (Lacerda, 2005). Nesse sentido, a saúde não significa ausência de doença, mas, sim, uma condição de bem-estar físico, mental e social que leva o indivíduo a apreciar a vida e enfrentar os desafios do seu cotidiano, sendo, portanto, entendida pela multiplicidade de aspectos do comportamento humano,  Pitanga, 2004.

A Reabilitação Cognitiva é feita pelo Terapeuta Ocupacional, em que se busca resgatar e estimular o idoso nas atividades cognitivas e a atuar no seu cotidiano, através de atividades que mantenham os idosos ativos a concentração, seqüência do pensamento, atenção e a capacidade de fazer escolhas.  Como por exemplo, a leitura, jogo de xadrez, bingo, palavras cruzadas, fazer uso de anotações, organizar o ambiente, fazer uso de listas, quebra cabeças, jogo da memória, caça palavras, Secchi, 2008.

O processo Terapêutico Ocupacional se inicia com a identificação das habilidades e das limitações funcionais do idoso através da avaliação, que pode ser considerada o inicio do processo terapêutico. Com base nessas informações, são elaborados o planejamento e a implementação da intervenção, seguida de reavaliações periódicas.

A intervenção Terapêutica Ocupacional na área da geriatria se apóia em prescrições de atividades terapêuticas que favorecem o processo de adaptação ao envelhecimento. É fundamental que as atividades realizadas sejam significativas para os idosos e desse modo, se relacionando com seus interesses e com sua realidade socioeconômica e cultural.

Desse modo à Terapia Ocupacional faz com que os dias dos idosos institucionalizados sejam mais produtivos e valorizados impedindo assim que eles desenvolvam uma passividade, a depressão, a raiva e o ressentimento.

Referências:

Barreto, KML e Tirado, MGA - Terapia Ocupacional em Gerontologia. In: Freitas, EV - Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2ª. Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

Born, T e Boechat, NS - A Qualidade dos cuidados ao idoso institucionalizado. In: Freitas, EV - Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2ª. Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

Secchi, SR - Memória do idoso: o papel da Terapia Ocupacional. Trabalho de Conclusão do Curso de Pós Graduação em Gerontologia – Metrocamp – Campinas: 2008.

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14
Set

 Terapia Ocupacional na Geriatria - Parte 2. TO no Brasil

Categoria(s): Gerontologia

Resenha

Papel da Terapia Ocupacional nas Instituições de Longa Permanência

Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A Terapia Ocupacional no Brasil

A história da Terapia Ocupacional no Brasil, carrega acontecimentos precursores desde quando o Brasil ainda era colônia de Portugal.

As primeiras instituições brasileiras que atendiam pessoas com incapacidades físicas, sensoriais ou mentais foram criadas na segunda metade do século XIX. Os pioneiros foram os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com a fundação de hospitais e de escolas especializadas para deficientes mentais. Em 1898 iniciou-se o funcionamento do Hospital do Juqueri, atualmente chamado de Hospital Franco da Rocha…, para atender os doentes mentais de todo o país. Franco da Rocha e Pacheco Silva lá introduziram o tratamento pelo trabalho intitulado “praxiterapia” (CARLO e BARTALOTTI, 2001)

Nesta instituição a principal atividade era rural, toda a produção supria tanto a instituição, como também era comercializada. Ao final do século XIX e inicio do século XX, outras atividades como a marcenaria e a ferraria, além das oficinas de trabalho, também foram implantadas como forma de tratamento.

Em 1922, a doença mental era entendida não como causa orgânica, mas sim como uma situação provida de estímulos externos, social, ligada ao trabalho. Para tanto, há uma ênfase para a integração social e ao trabalho.

Vemos isto no trabalho revolucionário de Nise da Silveira, desenvolvido no Rio de Janeiro. Ela era médica, psiquiatra, com pensamentos e idéias muito avançados para a mentalidade social da época. Indignada e irredutível a aceitar os tratamentos vigentes nas instituições psiquiátricas, optou por um método considerado até não muito tempo subalterno: a terapêutica ocupacional.

“…. Um método que utilizava pintura, modelagem, música, trabalhos artesanais, seria logicamente julgado ingênuo e quase inócuo. Valeria quando muito, para distrair os internados ou torna-los produtivos em relação a economia dos hospitais.” (SILVEIRA, 1992)

Nise vinculou-se à Terapia Ocupacional por acreditar no potencial do simbólico do homem, e por ver nas atividades um estímulo para a expressão.

“ Todas as atividades proporcionavam condição para a expressão das vivências de seus freqüentadores. Paralelamente, estimulava-se neles o fortalecimento do ego e um avanço no relacionamento com o meio social, levando-se sempre em consideração, suas possibilidades adaptativas atuais.” (SILVEIRA, 1992).

A partir de 1959, iniciou-se a formação de “técnicos de alto padrão” em Fisioterapia e Terapia Ocupacional, por intermédio de um curso com duração de dois anos, cita CARLO E BARTALOTTI (2001).

Somente em 1969, a profissão de Terapia Ocupacional, conjuntamente com a Fisioterapia, foi reconhecida como de nível superior.  Nos anos 70 e 80, os profissionais, terapeutas ocupacionais, sofreram grandes criticas quanto ao seu papel. A partir daí, os profissionais brasileiros, que recebiam grande influencia dos autores estrangeiros, iniciaram suas contribuições com seus pensamentos para o progresso da nossa profissão.

Vemos assim, que esta profissão tão recente, predominantemente feminina, com grande caráter lutador em seu espaço, funda-se desde o principio ao olhar o sujeito em sua totalidade, hoje entendida com a complexidade constituidora do ser humano. Para tanto, a Terapia Ocupacional tem em sua concepção que a ocupação humana é ação, e com isso preserva e intensifica a importância da atividade como parte do ser humano e foco de transformação deste, FRANCATO (2005).

Referências:

Carlo, MMRP; Bartalotti, CC (orgs) - Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001.

Francato, JC - Atividade: um estudo dos conceitos acerca deste termo em Terapia Ocupacional. Monografia do curso de Terapia ocupacional da Faculdade da PUC Campinas. 2005

Silveira, N - O mundo das imagens. São Paulo: Ática, 1992.

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