30
Set

 Doenças da Parede Torácica

Categoria(s): Conceitos, Fisioterapia, Neurogeriatria, Pneumogeriatria

Resenha

Colaborador: Antonio Cesar Antoniazzi *

* Médico e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

músculos respiratórios

Os alvéolos são as unidades funcionais dos pulmões, onde a troca gasosa (entrada de oxigênio e saída de gás carbônico) ocorre, mas para que o ar entre nos pulmões é fundamental o bom funcionamento da caixa torácica, sobre tudo dos músculos (figura) que agem sinérgicamente na inspiração e na expiração. Deformidades na caixa óssea ou disfunções neuromusculares podem levar a graves problemas ventilatórios.

1. Doenças Neuromusculares

As doenças que afetam os músculos da respiração ou seu suprimento nervoso incluem a poliomielite, a esclerose lateral amiotrófica, traumatismos da medula espinhal, distrofias musculares, miastenia grave, síndrome de Guillain-Barré, lesão do nervo frênico e paralisia diafragmática, acidente vascular cerebral e lesão cerebral traumática. Todas estas doenças podem conduzir à dispnéia e à insuficiência respiratória.

A incapacidade do indivíduo para realizar inspirações profundas reflete-se na redução da Capacidade Vital (CV), da Capacidade Pulmonar Total (CPT), da Capacidade Inspiratória (CI) e do Volume Expiratório Forçado (VEF).

O mais importante músculo da respiração é o diafragma, motivo pelo qual os indivíduos com doenças progressivas não se queixam de dispnéia até que este esteja envolvido. Nessa ocasião a reserva ventilatória pode estar gravemente comprometida.

A progressão da doença pode ser controlada pela medição da Capacidade Vital e dos gases do sangue. A ventilação assistida pode vir a ser necessária.

2. Cifoescoliose

É a deformidade óssea do tórax causada pela curvatura posterior (cifose) e curvaturas laterais (escoliose) acentuada da coluna vertebral. De causa na maioria das vezes desconhecida, pode ocorrer em doenças como a tuberculose óssea ou a doenças neuromusculares.

A queixa inicial é a dispnéia durante o exercício; a respiração tende a ser superficial e rápida. Evolui para hipoxemia e pode sobrevir retenção de dióxido de carbono e cor pulmonale. Indivíduos fumantes a bronquite é comum.

As provas de função pulmonar apresentam diminuição de todos os volumes pulmonares, que pode ser muito acentuada. A resistência das vias aéreas é praticamente normal, contudo existe desigualdade de ventilação devida em parte ao fechamento das vias aéreas nas regiões de declive. Algumas porções do pulmão estão comprimidas e muitas vezes há áreas de atelectasia.

A hipoxemia é devida ao desequilíbrio de ventilação-perfusão. Quando há retenção de CO2 é possível demonstrar uma diminuição da resposta ventilatória ao CO2. Isto leva ao aumento do trabalho respiratório causado pela deformidade da parede torácica. Não só a parede torácica é rígida como também o trabalho dos músculos respiratórios não é eficiente. O leito vascular pulmonar está limitado, o que eleva a pressão arterial pulmonarque é exagerada pela hipóxia alveolar. Congestão venosa e edemas periféricos podem ocorrer. O indivíduo pode ser acometido de uma infecção pulmonar intercorrente ou a uma insuficiência respiratória, podendo ser fatal.

3. Espondilite Anquilosante

É uma doença reumática que acomete a coluna vertebral e a caixa torácica. A inflamação articular crônica acarreta a fusão dos corpos vertebrais e das articulações costovertebrais, produzindo uma diminuição crítica da complacência da caixa torácica.

Há uma diminuição da CV e da CPT, mas a VEF/CVF e a resistência das vias aéreas estão normais.

O pulmão em si mantém-se normal e os movimentos do diafragma estão conservados. Não ocorre insuficiência respiratória.

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4. Tórax Frouxo (Instável)

Ocorre como resultado de fraturas múltiplas de costelas que acarretam uma flutuação livre de uma parte da parede torácica. A porção desestabilizada da parede torácica apresenta um movimento paradoxal durante o ciclo respiratório, arqueando para fora na expiração e colapsando para dentro durante a inspiração espontânea, com seu gradiente negativo de pressão intratorácico associado. A contusão pulmonar, o hemotórax e o pneumotórax estão freqüentemente associados com o tórax frouxo e exigem tratamento de urgência ou de emergência.

Os pontos fundamentais do tratamento do tórax frouxo é a ventilação com pressão positiva (quando necessária), com ou sem estabilização cirúrgica da caixa torácica, e a analgesia adequada.

Referências:

1.West, John B., Doenças Restritivas, in Fisiopatologia Pulmonar Moderna, 1986, Ed. Manole.

2.Tarantino, Affonso B., Doenças Pulmonares, segunda edição, 1982, Ed. Guanabara Koogan.

3.Scanlan, Craig L. ET all, Fundamentos da Terapia Respiratória de Egan, sétima edição, primeira edição brasileira, 2000, Ed. Manole.

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08
Mai

 Osteoartrose de joelho - Gonartrose

Categoria(s): DNT, Reumatogeriatria

Resenha

Colaboradora : Sandra Chiavegato Perossi

* Fisioterapêuta, especializada no método Pilates, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica - METROCAMP

artroseA osteoartrose de joelho também chamada de gonartrose, é uma doença de caráter inflamatório e degenerativo, que provoca a destruição da cartilagem articular e leva a uma deformidade da articulação. A etiologia da degeneração é complexa e inicia-se com o envelhecimento (1).

Aspectos epidemiológicos – A doença é de caráter crônico, de evolução lenta e sem comprometimento sistêmico de outros órgãos, afetando as articulações periféricas e axiais, mais freqüentemente as que suportam peso. Na grande maioria dos indivíduos se desenvolve de maneira silenciosa. Abaixo dos 40 anos, a freqüência é semelhante, em ambos os sexos sendo, esta patologia, um tanto quanto incomum. Estudos radiológicos demonstraram que a freqüência da Osteoartrose gira em torno de 5% em indivíduos com menos de 30 anos e, atinge 70% a 80% daqueles com mais de 65 anos. Contudo, somente 20% a 30% dos portadores de alterações radiológicas apresentam sintomas da doença.

Particularmente, na articulação do joelho, evidenciou-se, que 52% da população adulta apresenta sinais radiológicos da doença, sendo que, somente 20% destas apresentam alterações consideradas como graves ou moderadas. Já foi demonstrado que a gonartrose (artrose do joelho) tem uma incidência de cerca de 2% por ano nos Estados Unidos, A incidência desta patologia aumenta com a idade, estimando-se atingir 85% da população até os 64 anos sendo que, aos 85 anos é ela universal. Seu impacto social e seu grau de incapacidade e tão importante, que motivou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a criar a Década do Osso e da Articulação (2).

Um recente estudo a OMS refere que a osteortrose seria a quarta causa mais importante de incapacidade entre as mulheres e a oitava entre os homens. Estudos radiográficos mostram algumas alterações em 30% dos homens e mulheres acima de 65 anos, mas apenas um terço desses são sintomáticos (2).

Fatores de Risco (3):
1- De suscetibilidade individual a:
- Hereditariedade (filhas de mães com artrose tem mais probabilidade de desenvolver a patologia).
-Fatores Hormonais (descontroles hormonais propiciam a agudização da doença).
- Obesidade (indivíduos obesos possuem maior carga articular propiciando os fenômenos degradativos).
- Massa óssea (alterações de massa óssea interferem no aparecimento da patologia).
-Hipermotilidade (a hipermotilidade implica em maior stress articular e, como conseqüência, maior facilidade na ruptura da malha colágena)
- Doenças metabólicas.
2 - considerados fatores mecânicos:
- Macro traumas.
- Traumas repetitivos localizados.
- Sobrecargas esportivas.
- Uso inadequado de aparelhos de musculação.
- Alteração da biomecânica normal da articulação.

Sintomas (1):
• Dor relacionada a exercício físico;
• Dor ao repouso;
• Dor noturna;
• Rigidez após inatividade (tempo parado);
• Perda de movimento;
• Sensação de insegurança ou de instabilidade;
• Limitação funcional;
• Incapacidade.

Sinais (1):
• Pontos doloridos nas margens da articulação;
• Sensibilidade exagerada na articulação;
• Inchaço articular;
• Crepitações (atritos);
• Derrame intra-articular;
• Movimentos restritos e dolorosos;
• Atrofia muscular periarticular;
• Enrijecimento da articulação;
• Instabilidade articular.

Tratamento medicamentoso (2)

O uso de anti inflamatórios deverá obedecer as crises de inflamação e, quanto aos anti artrósicos de ação lenta, estes se justificam, e fazem parte da ação condroprotetora e de redução de medicamentos anti-álgicos e antiinflamatórios não hormonais.
Depois de numerosos anos, a Glicosamina foi proposta como um tratamento de primeira linha para as manifestações sintomáticas da Artrose (dor e limitação de função). Já existe um grupo convergente de estudos, de qualidade metodológica pelos meios válidos, sugerindo de fato que, esta molécula pode melhorar dentro de um prazo de 4 a 6 semanas os sintomas principais portadores de artrose. Se bem que dois estudos rigorosos (1,2) confirmam após um a duração de 3 anos que o Sulfato de Glicosamina em uma dosagem de 1500 mg/dia, permite bloquear a progressão estrutural da Osteoartrose de Joelhos (gonartrose). Certo número de pontos de interrogação, persistem quanto à eficácia anti álgida da Glicosamina quanto a melhor maneira de prescrição (formulação, posologia e duração) deste tratamento.

Tratamento cirúrgico (2)

Artroplastia do Joelho: Trata-se de um procedimento cirúrgico complexo que tem por objetivo a restauração da função articular, e a melhora do quadro doloroso. Isto é obtido através da substituição desta articulação acometida por componentes que serão implantados no ato operatório.

Tratamento Fisioterapêutico (2,5):

A fisioterapia é utilizada para aliviar a dor em fases agudas, preservar a função das articulações e melhorar sua movimentação. A fisioterapia alivia a dor e os espasmos musculares, proporcionando a articulação um certo grau de movimento.

As aplicações do calor ou do frio são recursos valiosos na prática da fisioterapia. Ambos constituem-se em recursos terapêuticos de grande valia no alívio da dor e na melhora da função articular. Atualmente não existe um consenso entre os profissionais de reabilitação sobre qual dos recursos terapêuticos empregar em pacientes com artrose avançada. A literatura é vasta em defender o uso tanto da crioterapia quanto do uso sistemático do calor, seja ele na forma de calor superficial ou profundo.

O uso do calor no tratamento de pacientes portadores de gonartrose é eficaz, pois têm a propriedade de alivia a dor, aumentar a flexibilidade dos tecidos músculo-tendíneos, diminuir a rigidez das articulações, melhora o espasmo muscular e a circulação.

Os efeitos terapêuticos da crioterapia também são pronunciados pois através de pacotes ou o gelo em pinceladas se obtém os seguintes resultados: diminuição do espasmo muscular, alivio da dor, eficaz nos traumatismos (entorses, contusões, distensões musculares, etc.), previne o edema e diminui as reações inflamatórias.

Para o alívio da dor e inflamação são utilizados termoterapia por condução, calor local e também eletroterapia, como o TENS e o interferencial.

Os exercícios são os principais recursos para recuperar a força muscular e quando utilizados com eletroterapia aliviam a dor.

Conclusão:

É importante essaltar que a osteoartrose é a doença reumática mais comum entre os idosos e quando não tratada adequadamente pode levar a incapacidade física, quedas e imobilização devido as dores e perda da força muscular, tornando-se assim um grande problema de saúde pública.

Referências:

1. Cossemerlli, W - Reumatologia Básica. Ed. Sarvier - São Paulo,SP, 1992.

2. Marx,F - Tradução e Validação do questionário algofuncional de Laquesne para osteoartrite de joelhos e quadris para a língua portuguesa

3. Resende M - O que é osteoartrose

4. Novaes, A - Osteoartrose - Conceitos e Aspectos Epidemiológicos [on line]

5. Marques AP, Kondo A - A fisioterapia na osteoartrose: uam revisão da literatura. Rev. Bras Reumatologia 38(2)Mar/Abr:83-90,1998 [on line]

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