09 - abr

Iatrogenia – Farmacologia: Depuração dos fármacos

Categoria(s): Bioquímica, Farmacologia e Farmácia, Genética médica

Iatrogenia – Farmacologia: Depuração dos fármacos

 

Gene da Farmacodinâmica

 

prescrevendo

O objetivo final da prática médica é a boa terapia, neste sentido o conhecimento, por parte do médico e profissionais da área da saúde, de todas as etapas que o medicamento passa pelo organismo humano é fundamental, ou seja o processo farmacocinético, que compreende a absorção, a circulação, a chegada aos locais afetados, o metabolismo e a eliminação da droga; e o processo farmacodinâmico ou mecanismo intrínseco de ação da droga. Nos idosos, estes mecanismos têm aspectos peculiares, resultantes do envelhecimento dos diversos orgãos e sistemas, assim como alterações dos sistemas enzimáticos.

Farmacocinética: Fase de eliminação do fármaco

A última etapa farmacocinética é a de eliminação ou excreção da droga inatura ou inativada como produtos do metabolísmo. A grande maioria dos fármacos tem eliminação renal, porém, existem eliminação, pelo trato gastrointestinal, pelos pulmões e pelas secreções da pele (sudorese). O conhecimento da vida média das substâncias, especialmente, com ação no sistema cardiocirculatório é fundamental. Os fármacos com vida médica curta atingem o estado de equilíbrio rapidamente e podem ser mais facilmente interrompidos, ex. diuréticos. Os medicamentos de vida média longa, tem maior possibilidade de acumular no organismo e causar intoxicações, Ex. digital.

Considerando, que o idoso apresenta normalmente uma diminuição da função renal, sempre que vamos utilizar um ou mais medicamentos com eliminação via renal, devemos fazer um estudo do clearence renal. Com isso, podemos prever e quantificar as doses ideais para cada paciente. Esta prática contribuirá para a diminuição dos graves riscos da iatrogenia, reponsável pela 3 causa de óbito nos EUA.

Depuração hepática – Papel da MRP2

ABCC2O gene ABCC2* fornece instruções para fazer uma proteína chamada proteína de resistência a múltiplas drogas 2 (MRP2). MRP2 transporta uma variedade de substâncias para fora das células. Por exemplo, certas drogas MRP2 limpa de órgãos e tecidos, desempenhando um papel no metabolismo de drogas. Metabolismo de fármacos envolve a quebra de drogas em componentes químicos diferentes, permitindo as drogas para ter os efeitos pretendidos e, eventualmente, ser eliminados do corpo. Assim, esta proteína atua como uma bomba para o transporte de substâncias para fora do fígado, rins, intestino, placenta.

As mutações do gene ABCC2 podem produzir a uma versão do MRP2 que não pode bombear eficazmente substâncias para fora das células, causando intoxicações. Existem mais de 30 mutações do gene ABCC2 estudadas  e estudos citogenéticos determinaram estes gene no cromosso 10. Localização: 10q24 – Pares de base 101,542,462 to 101,611,661

MRP2 transporta uma variedade de substâncias para fora das células, limpa de órgãos e tecidos, desempenhando um papel no metabolismo de drogas. Metabolismo de fármacos envolve a quebra de drogas em componentes químicos diferentes, permitindo as drogas para ter os efeitos pretendidos e, eventualmente, ser eliminados do corpo.

* O gene ABCC2 fornece instruções para a produção de uma proteína denominada proteína de resistência a múltiplas drogas 2 (MRP2). Esta proteína é uma de uma família de proteínas de resistência a múltiplas drogas envolvidas no transporte de substâncias para fora das células. MRP2 é encontrado principalmente no fígado, com quantidades menores nos rins, intestino, e placenta.

Referências:

Rau, T., et al. – High-dose methotrexate in pediatric acute lymphoblastic leukemia: impact of ABCC2 polymorphisms on plasma concentrations. Clin Pharmacol Ther, 2006. 80(5): p. 468-76.

Allevato M – O tratamento de Polimedicados. XXIV Congresso Brasileiro de Psiquiatria- Out 2006. Curitiba, PR.

Beers MH – Explicit criteria for determining potentially inappropriate medication use by the elderly. Arch intern Med 157:1531-1536,1997.

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26 - out

Anorexia – Medo de engordar

Categoria(s): Conceitos, Endocrinologia geriátrica, Enfermagem, Gastroenterologia, Gerontologia, Nutrição

Anorexia – Medo de engordar

Entendendo o assunto

Freqüentemente o idoso, deixa de se alimentar. Em muitos casos a causa é suspeitada, Insuficiência renal terminal, infecção pulmonar grave, insuficiência cardíaca, neoplasias avançadas, etc. Porém, em alguns casos a redução da ingestão alimentar pode ser secundária à anorexia (definição: recusa em se alimentar); entretanto, os mecanismos responsáveis pelo seu desenvolvimento ainda não estão completamente estabelecidos. 

Controle cerebral do apetite – A ingestão alimentar é regulada por uma interação complexa de vias centrais e periféricas. A serotonina contribui para a regulação da ingestão e do apetite. Um neuropeptídeo, denominado Y (NPY) induz o apetite, através da ação dos receptores de NPY, no hipotálamo. Vários neuropeptídeos influenciam a alimentação, através de ações no nível gastrointestinal/hepático ou no sistema nervoso central. Na anorexia ocorre disfunções de alguns neurotransmissores como dopamina, serotonina, noradrenalina e peptídeos opióides, ligados à regulação normal do comportamento alimentar e manutenção de peso.

Controle hipotalâmico –  O hipotálamo regula a ingestão de alimentos através de dois centros: centro da fome [lateral, no núcleo do leito do feixe medial do cérebro anterior em sua junção com as fibras pálido-hipotalâmicas] e centro da saciedade [localizado no núcleo ventro-medial]. A estimulação do centro da fome induz à conduta de comer e sua destruição leva a severa desnutrição por anorexia. Estimulação do centro da saciedade leva à conduta de cessar o ato de alimentação e a destruição deste centro leva à hiperfagia e obesidade. Estes centros não trabalham alternadamente – na verdade, o centro da alimentação está sempre ativado e pode ser inibido pelo centro da saciedade. O centro da saciedade é ativado quando os níveis de glicose em suas células [assim chamadas “glucostatos”] for elevado. Quando os níveis de glicose forem baixos, as células são inibidas e o centro da fome passa a exercer sua função. O sistema límbico tambem exerce um papel no controle da fome. Nos casos de lesão dos núcleos amigdalóides do sistema límbico, os animais apresentam hiperfagia [mais discreta do que em lesões do hipotálamo], porem perdem o critério da escolha de alimentos e ingerem alimentos deteriorados e diversos materiais e objetos. Animais hiperfágicos costumam apresentar tambem alterações de comportamento do tipo agressividade.

Mecanísmos imunológicos – No caso de algumas doenças ditas consuptivas (câncer, infecções graves, tuberculose, cirrose hepática, nefropatia terminal, miocardiopatias graves, doenças fibróticas pulmonares, etc.), a ativação imunológica, caracterizada pelo aumento das citocinas pró-inflamatórias, principalmente interleucinas (IL) e fator-a de necrose tumoral (TNF-a), têm importante papel no desenvolvimento de estados catabólicos.

O TNF-a é produzido por monócitos e macrófagos, por células endoteliais, e induz a síntese de outras citocinas como IL-1, IL-2 e IL-6 e está associado a piora da função endotelial e a indução de apoptose. Os dados apresentados sugerem que as citocinas e, particularmente, o TNF-a podem ser agentes responsáveis ou coadjuvantes no desenvolvimento da caquexia. Entretanto, ainda não está completamente descartada a possibilidade de que estas substâncias sejam apenas marcadores de gravidade da doença.

Efeitos das doenças crônicas – Vários fatores podem ter papel na gênese da anorexia: dietas pouco saborosas devido, principalmente, ao baixo conteúdo de sódio; estado de depressão grave que pode acometer muitos doentes com insuficiência cardíaca, renal, pulmonar, hepática, etc.

A absorção intestinal de nutrientes e as enteropatia perdedora de proteínas, em pacientes com doenças crônicas como insuficiência cardíaca, tem sido estudada desde a década de 60. Porém, os mecanismos responsáveis pela perda de nutrientes nas fezes não estão completamente estabelecidos.

Efeitos das medicações -Drogas freqüentemente prescritas para o tratamento da ICC podem, inadvertidamente, contribuir para a redução da ingestão alimentar. A intoxicação digitálica pode provocar anorexia, náuseas e vômitos; o uso crônico e vigoroso de diuréticos pode acarretar depleção dos estoques corporais de zinco e potássio. A depleção de zinco causa redução do paladar e a hipopotassemia promove hipomotilidade intestinal. Alguns inibidores da enzima conversora da angiotensina, particularmente o captopril, podem alterar o paladar e exacerbar a anorexia.

Referências:

Anker SD, Coats AJS. Cardiac cachexia. A syndrome with impaired survival and immune and neuroendocrine activation. Chest 1999; 115:836-47.

Poehlman ET. Special considerations in design of trials with elderly subjects: unexplained weight loss, body composition and energy expenditure. J Nutr 1999; 129:260S-263S.

Tracey KJ, Morgello S, Koplin B, Fahey TJ, Fox J, Aledo A, Manogue KR, Cerami A. Metabolic effects of cachetin/tumor necrosis factor are modified by site of production: cachetin/tumor necrosis factor-secreting tumor in skeletal muscle induces chronic cachexia, while implantation in brain induces predominantly acute anorexia. J Clin Invest 1990; 86:202014-24.

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21 - ago

Depressão – Teste de genotipagem para medicamentos antidepressivo

Categoria(s): Avanços da Medicina, Biologia, Bioquímica, Farmacologia e Farmácia, Psicologia geriátrica

Depressão -Teste de genotipagem para medicamentos antidepressivo


Teste do citocromo P450

Medicamentos para a depressão são usualmente prescritos com base nos sintomas e história médica. Para algumas pessoas, que já foi tentado primeiro antidepressivo alivia sintomas de depressão e tem efeitos colaterais toleráveis. Para muitos outros, no entanto, encontrar o medicamento certo leva tentativa e erro. Para algumas pessoas, pode levar vários meses ou mais para encontrar o antidepressivo adequado. Testes de genotipagem, como citocromo P450 testes podem acelerar o processo de identificação dos medicamentos que possam trabalhar melhor.

Com os resultados do teste do citocromo P450 pode-se dividir as pessoas em quatro tipos de capacidade de metabolizar medicamentos:

1. Metabolizadores pobres. As pessoas desse grupo metabolizam uma determinada droga mais lentamente do que o normal, assim o medicamento pode se acumular em seu sistema. Isto aumenta a probabilidade do medicamento causar efeitos adversos.
2. Metabolizadores normais. Se o teste mostra que você processar certos antidepressivos normalmente, é mais provável a se beneficiar do tratamento e ter menos efeitos colaterais que são pessoas que não metabolizam os medicamentos específicos também.
3. Metabolizadores intermediários. Porque você tem pelo menos um gene envolvido no metabolismo de drogas que não funciona normalmente, você não pode processar alguns medicamentos, bem como metabolizadores normais.
4. Metabolizadores ultra-rápidos. Nestes casos, os medicamentos deixam o corpo muito rapidamente – muitas vezes antes que eles tenham a chance de trabalhar corretamente.

Limitações de teste – Embora tenham potencial, os testes de genotipagem têm limitações, pois há outros fatores metabólicos envolvidos que podem afetar a forma como um antidepressivo age e que não são indicados por testes de citocromo P450.

Testes de citocromo P450 não é útil para todos os antidepressivos, mas pode fornecer informações sobre como a pessoa poderá metabolizar medicamentos como: fluoxetina, duloxetina, fluvoxamina, paroxetina, venlafaxina, desvenlafaxina, nortriptilina, amitriptilina, iomipramina,  desipramina e imipramina.

Referência:

Mayo Clinic – Mayo Medical Laboratories [on line]

 

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09 - ago

Balanopostite Candidiásica – Iatrogenia agravando o quadro

Categoria(s): Dermatologia geriátrica, Emergências, Farmacologia e Farmácia, Infectologia, Sexualidade e DST, Urologia geriátrica

Interpretação clínica

DADOS DO PACIENTE: Paciente jovem, estudante, vida sexual ativa, compareceu ao consultório, com quadro exuberante de processo inflamatório em região do pênis e com evolução de 3 semanas. Referia consulta prévia com médico generalista, sendo prescrito cremes de corticoesteróides e antibióticos sistêmicos. Após discreta melhora inicial, o quadro se agravou, decidindo então por realizar avaliação com dermatologista. (Fig. A)

EXAME DERMATOLÓGICO: Paciente apresentando grave processo inflamatório em região do corpo e glande do Pênis, com exulceração, vesículas e exsudato muco-purulento. Havia ainda grande desconforto local e Agravo Psicológico.

CONDUTA: Após realizar impressão diagnóstica clínica de Candidíase Genital, foi aventado o diagnóstico de Bálano-Postite Candidiásica, induzida pelo uso prolongado de CE tópicos. Instituído então o seguinte tratamento: a) Compressas locais de Água Boricada Frias a 1,0 %, várias vezes ao dia e Itraconazol oral 100 mg – 2x/ dia, durante 7 dias.

Evolução: Melhora gradual do paciente e Cura Clínica após 7 dias (Fig.B).

Comentários: Este caso deve ser distinguido de outra patologia rara que atinge esta região, denominada Balanite de ZOON, entidade de causa não conhecida, de evolução crônica e que atinge mais pacientes acima de 50 anos. Ainda como diagnóstico diferencial, deve-se pensar também em Herpes simples genital. E em todos os casos de Candidíase exuberante, solicitar sempre sorologia para HIV , Pesquisa de Diabetes Mellitus e tratamento concomitante da parceira ou parceiro sexual.

Referências:
Dermatologia de Fitzpatrick – 6ª Edição. Ed. Artmed
Dermatologia – Sampaio e Rivitti – 3ª Edição. Ed. Artes Médicas


Colaborador : Dr Edilson Pinheiro do Egito *

* Médico Dermatologista

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31 - jul

Medicamento fracionado – Direito à servir o paciente.

Categoria(s): Enfermagem, Farmacologia e Farmácia, Gerontologia, Notícia

Medicamento fracionado

O Governo Federal está transformando os medicamentos fracionados em realidade. Isto significa que todas as farmácias e drogarias do Brasil poderão oferecer remédios na quantidade exata prescrita em sua receita médica.

Além de ampliar o acesso a medicamentos, o fracionamento contribui para a promoção da saúde, pois evita que os pacientes mantenham em sua casa sobras de remédios utilizados em tratamentos anteriores. Isto reduz a utilização de medicamentos sem prescrição ou orientação médica (auto-medicação), diminuindo o número de efeitos adversos e intoxicações.

O Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, já estabeleceu as condições técnicas e operacionais necessárias para a realização adequada dessa atividade em todas as suas etapas. A regulamentação da Anvisa garante a qualidade e a segurança aos produtos fracionados.

Qualidade do produto – O medicamento por menor que seja a dose tem que continuar envolto num blister, numa pequena bisnaga, numa ampola, etc. E esta embalagem menor tem que conter informações básicas sobre a origem do produto.

Onde encontrar – A regulamentação permite que tanto farmácias quanto drogarias, sem distinção, possam oferecer remédio na quantidade exata que o consumidor pedir. Basta apresentar a receita médica especificando a quantidade. O próprio balconista pode atender e “repartir” o medicamento, desde que esteja sendo supervisionado por um farmacêutico, profissional qualificado que deve sempre estar à disposição no estabelecimento. A farmácia ou drogaria tem que ter uma parte do balcão destinada a isso, onde haverá uma placa indicando “Área de Fracionamento”.

É importante o paciente pedir ao médico que prescreva na dose certa para que ele possa comprar só o necessário.

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