21
Ago

 Estudo de caso - Bradicardia em cardiopata

Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clínico, Endocrinogeriatria

Interpretação

  • Homem de 68a de idade que foi submetido à angioplastia coronária com colocação de stent na coronária direita e descendente anterior há 2 meses, com restabelecimento bem-sucedido do fluxo sangüíneo. No retorno o cardiologista, refere não ter mais sintomas anginosos, porém sente o coração e o pulso fraco, entre 30 a 40 bpm. Faz uso de atenolol (beta-bloqueador) 50 mg por dia. Ao exame físico o cardiologista detectou bradicardia de 42 bpm, que o eletrocardiograma revelou ritmo sinusal, pressão arterial de 140/85 mmHg. Restante do exame físico normal, coração sem sopro ou atritos, pulmões limpos.
  • Os exames laboratoriais estavam normais, exceto o hormônio sérico estimulante da tireóide que estava 38,6 uU/ml (Normal = 0,5 a 5 uU/ml)

Qual o diagnóstico e como agir nesse caso?

A bradicardia apresentada pelo paciente pode ser decorrente de dois fatos; primeiro, o uso de beta-bloqueador (atenolol) e segundo, hipotireoidismo primário, que pode ter sido desenvolvido pela carga de iodo recebida durante o cateterísmo, que funcionou como gatilho de uma disfunção tireoidiana preexistente, subclínica que já estava presente. Deve-se atentar que este procedimento requer um longo tempo de cateterísmo e emprego de razoável dosagem de contraste iodado.

O conteúdo de iodo do corante angiográfico, inibiu a liberação do hormônio tireoideano, que causou a queda da freqüência cardíaca e motivou a elevação do hormônio tireoestimulante (TSH) produzido pela hipófise anterior.

A bradicardia, especialmente em pacientes tomando betabloqueador e naqueles com doença do sistema condutor cardíaco, é uma manifestação cardiovascular importante do hipotireoidismo. Envista dos fatos citados acima o diagnóstico é de hipotireoidismo primário.

Como agir?

A terapia de reposição sempre deve ser iniciada, em qualquer paciente, com doses baixas do hormônio tireoideano e gradualmente aumentada para a dosagem que normaliza a concentração sérica de TSH. A terapia tireoideana aumenta a demanda miocárdica de oxigênio e precipita angina e isquemia em alguns pacientes com doença arterial coronária.

A conduta “comece baixo e continue baixo” para o tratamento comT4 é apropriada sempre que uma doença cardiovascular estiver presente ou for provável.

Referência:

Gomberg-Maitland M, Frishman WH - Thyroid hormone and cardiovascular disease. Am Heat J. 1998;135: 187-196.

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