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Aneurisma da aorta abdominal
Categoria(s): Cardiogeriatria, DNT, Emergências |
Editorial
Colaborador: Antonio Cesar Antoniazzi *
* Médico e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp
No dia 06 de agosto 2007 recebemos a seguinte nóticia pelo jornal “Folha de São Paulo” - O polonês radicado no Brasil Zygmunt Kubala, um dos principais violoncelistas do paÃs, morreu anteontem à tarde, aos 64 anos, durante um concerto em uma igreja de Ouro Branco (MG), em festival de música do qual participava todos os anos.
O músico apresentou a obra ao público e caiu após tocar apenas uma frase musical. A causa da morte foi aneurisma da aorta.
Apesar de não conhecermos a causa morte em detalhe, o caso do músico nos ajuda a levantar um problema de suma importância para os médicos em geral, que é o aneurisma da aorta abdominal, por sua freqüência, caracterÃstica assintomática e grau de fatalidade, entre os idosos. E, sobre tudo, sua potencialidade de tratamento que possibilita a modificação da evolução tão tórpida e traiçoeira.
A aorta é a maior artéria do organismo, que leva todo o sangue ejetado pelo ventrÃculo esquerdo e distribui por todo o corpo, exceto aos pulmões. Distúrbios podem ocorrer na aorta, como áreas de fragilidades na parede que permitem a formação de aneurismas (dilatações), rupturas externas, hemorragias e a separação das camadas da parede (dissecção). Qualquer um desses distúrbios pode ser fatal, mas a maioria necessita de anos para se desenvolver.
O diâmetro normal da aorta varia de 1,9 a 2,5 cm. Considera-se patologicamente dilatada (anurisma) quando seu diâmetro excede o considerado normal para aquela idade e superfÃcie corporal se superar a 50% do previsto no segmento analisado. Pode ocorrer em qualquer localização, mas três quartos desses aneurismas ocorrem na porção abdominal.
Em geral, a dilatação ocorre em uma área frágil da parede, e podem ser protuberâncias arredondadas (saculares) ou tubulares (fusiformes), sendo esses últimos os mais freqüentes. Decorre principalmente da aterosclerose, que enfraquece a parede da artéria e a pressão intra-arterial acaba causando a protusão.
Em poucas situações na medicina, uma intervenção cirúrgica dita como “profilática†tem um impacto tão grande na modificação da história natural de uma doença como neste tipo de aneurisma, devido a sua alta prevalência, como também pelo incremento de morbidade e mortalidade que acompanha a correção de urgência (risco de óbito 10 vezes maior do que na cirurgia eletiva).
Faixa etária -Estudos têm estimado que 2% dos indivÃduos aos 60 anos, e em cerca de 5% com idade maior que 70 anos terão este tipo de aneurisma, sendo ainda 2 a 3 vezes mais comum no homem do que na mulher
ClÃnica - A principal caracterÃstica clÃnica é a de ser assintomático, mesmo atingindo grandes volumes. A sintomatologia é verificada quando da ruptura do aneurisma, que é a complicação mais grave e freqüente.
O auneurisma sintomático pode expressar-se de duas maneiras:
1-Presença de dor lombar e/ou abdominal de forte intensidade e contÃnua, por vezes semelhante a cólica renal, sem alteração hemodinâmica de hipovolemia, conhecido como aneurisma roto e tamponado ou ainda em expansão, podendo o choque hipovolêmico ocorrer a qualquer momento.
2- Presença da mesma dor anterior seguida de alteração hemodinâmica (choque hemorrágico) e morte, nos casos de ruptura na cavidade abdominal, mas se ocorrer no retroperitônio o choque pode ser reversÃvel a ponto do doente chegar ao hospital.
Probabilidade de ruptura espontânea do aneurisma, quando este atinge o diâmetro transverso de cerca de 6 cm, é de 85% em até 2 anos de evolução.
Todo aneurisma diagnosticado deve ser operado, pois a quase totalidade evolui para ruptura. Outra complicação é a embolia arterial aguda em membros inferior, porém não relacionada a presença de dor ou ruptura do aneurisma. A trombose é complicação pouco freqüente, porém grave.
Diagnóstico - Por ser a aorta abdominal retro-peritonial, a palpação abdominal dificilmente evidenciará o aneurisma, mas pode ser positivo em cerca de 80% se o examinador visar o diagnóstico.
Ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética são realizados para comprovação diagnóstica.
Tratamento - O tratamento é cirúrgico com a aneurismectomia e interposição de prótese de Dacron. Na contra-indicação cirúrgica, podem ser tratados com a colocação de endoprotese por cateterismo femural bilateral. Taxa de mortalidade para o tratamento cirúrgico realizado eletivamente situa-se em torno de 1 a 5%.
Ruptura sem choque hipovolêmico passa a nÃveis de 30%. O choque hipovolêmico, ainda que compensado, a mortalidade chega a 80%.
Alerta - Assim, torna-se evidente a necessidade do clÃnico, cirurgião e geriatra na realização do diagnóstico clÃnico do aneurisma, por meio da palpação abdominal,e exames ultrassonográficos, em pacientes com idade superior a 60 anos, para minimizar os Ãndices de morbidade e mortalidade desta doença.
Referências:
Kubala [on line]
Arquivo Brasileiro de Cardiologia, Diretrizes para a cirurgia das doenças da aorta, volume 82, (suplemento V), 2004
Amorim, Jorge Eduardo, Aneurisma da aorta abdominal, Atualização Terapêutica 2003, Secção 2 Cardiologia, Ed. Artes Médicas, 21 edição, 2003
Merck, Manual, Seção 3, Distúrbios do coração e dos vasos sanguÃneos, Cap. 29, Aneurismas e Dissecção da Aorta, [on line]
Aneurysms: Diseases of the aorta and its branches Merck, Manual, [on line] WWW.msd-brazil.com
Tags: dilatação arterial, hipovolemia, morte súbita
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