03 - mar

Diabetes Mellitus – Papel educacional

Categoria(s): Demografia, DNT, Endocrinologia geriátrica, Programa de saúde pública

Editorial

Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu a condição epidêmica da diabetes. As estatísticas apontam que o número de casos registrados em 2006, cerca de171 milhões, deve se multiplicar, chegando aos 366 milhões em 2030. No Brasil acredita-se que existam 4,553 milhões de diabéticos em tratamento, com previsão de 11,305 milhões em 2030.

exerciciosEstudo recente divulgado pela Organização Mundial de Saúde, OMS, revela que as principais causas de morte no mundo mudarão em 25 anos e a América Latina será uma das regiões onde esta mudança será mais evidente, por causa do maior impacto das afecções crônicas – cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais e diabetes. Segundo o trabalho, em 2030, o diabetes mellitus será a segunda causa de morte na América Latina, duplicando seu impacto e, em comparação aos 5% de mortes que provoca atualmente, passará a causar 10% dos óbitos.

De acordo com os indicadores da OMS, o mundo já vive uma epidemia de diabetes. Em 1985, a doença atingia aproximadamente 30 milhões de pessoas. O número aumentou para 135 milhões em 1995 e para 177 milhões em 2000. A entidade estima que a prevalência do diabetes deva alcançar 366 milhões de pessoas em 2030. Estes fatos, mobilizaram o Ministério da Saúde do Brasil criar o HIPERDIA* – Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos.

A prevalência na faixa etária de 30 a 69 anos é de 7,5%, mas se eleva com a idade. Alguns dos fatores que favorecem esse crescimento alarmante de casos, todos relacionados à mudança do estilo de vida, outrora saudável e atualmente sedentário e rico em alimentos industrializados, e muito carbohidratos.

A diabetes, por si só, já constitui um problema de saúde pública e perda de qualidade de vida pessoal, porém, mais alarmante são suas complicações. Ela é hoje a principal causa de cegueira em pessoas de 20 a 74 anos; 40% dos pacientes que entram em programa dialítico o fazem como conseqüência de insuficiência renal crônica secundária à nefropatia diabética; o risco de doença arterial coronariana é duas a quatro vezes maior que nos não diabéticos e o diabetes, também, é a principal causa de amputação não traumática de membros inferiores, tendo como causa a insuficiência arterial periférica.

O crescimento socioeconômico, geralmente, está ligado à melhora do padrão nutricional e a longevidade, porém, nas últimas décadas têm surgido algumas tecnologias, como a televisão e, posteriormente, do computador e dos jogos eletrônicos, deixando as pessoas, especialmente as crianças e jovens mais sedentários e, portanto, alvos fáceis da obesidade e do diabetes. Caso não ocorram mudanças significativas no atual estilo de vida, em 2050 o risco das pessoas nascidas em 2000 (que terão 50 anos de idade) apresentarem distúrbios metabólicos, sobretudo diabetes será estarrecedor, aproximadamente 35% para o sexo masculino e 40% para o sexo feminino.

Como citamos acima, as pessoas portadoras de diabetes mellitus são vítimas de sérias complicações decorrentes da evolução natural da doença e, a falta tratamento e o tratamento inadequado são fatores determinantes para o aparecimento e aceleração dessas complicações.

A educação é pedra angular para obtenção de bons resultados no seguimento da doença e de suas complicações. Na verdade, sem uma efetiva compreensão e adesão do paciente, todo o esforço terapêutico será inútil. Os pacientes precisam estar convencidos de que vale a pena seguir as orientações da equipe de saúde, para o sucesso no tratamento. No entanto, para aprenderem a mudar seu estilo de vida é necessário que isso lhes seja ensinado. Este ensino é de responsabilidade de toda a equipe médica e paramédica que tem contato com ele. Vários projetos de educação têm sido criados, um deles é o “Diabetes Weekend”, que baseando-se nos modelos utilizados para o diabetes tipo, desenvolveu projetos de educação para os grupos de diabéticos e portadores de síndrome metabólica.

O desconhecimento ou descrença nessas diretrizes (consensos) e programas para o controle do diabético por parte dos profissionais, tem sido um dos entraves ao sucesso terapêutico, pois é certo que, o tratamento do diabetes, sofre uma melhora notável quando médicos de todas as especialidades têm um maior conhecimento da relação ao diabetes, as complicações e quando estão familiarizados com os passos para implementação de um programa de tratamento intensivo, ou seja, estão conscientes da própria participação no que concerne à saúde do diabético.

* HIPERDIA – O Ministério da Saúde, com o propósito de reduzir a morbimortalidade associada a essas doenças, assumiu o compromisso de executar ações em parceria com estados, municípios e Sociedade Brasileiras de Cardiologia, hipertensão, Nefrologia e Diabetes, Federações Nacionais de Portadores de hipertensão arterial e Diabetes, Conass e Conasems para apoiar a reorganização da rede de saúde, com melhoria da atenção aos portadores dessas patologias através do Plano de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus. Veja o site do HIPERDIA [on line]

Referências:

WHO – Diabetes Programme [on line]

Mesquita PC – A realidade sobre o conhecimento e o comprometimento de médicos clínicos e especialistas não diabetologistas no tratamento do diabetes. Rev. Bras. Med. Vol. 63 n.8 Ago 2006:383-391.

Maia FFR, Araujo LR – Projeto “Diabetes Weekend” Proposta de educação em diabetes mellitus tipo 1. Arq Bras Endocrinol Metab vol.46 no.5:568-573 São Paulo Oct. 2002. [on line]

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17 - jan

Diabetes Mellitus – Prevalência no Brasil

Categoria(s): Demografia, Endocrinologia geriátrica

Editorial

Com a população brasileira estimada em 2006, de aproximadamente 190 milhões, e uma prevalência estimada de aproximadamente 12% de diabéticos, teremos um total de 10.294.200 diabéticos, sendo 8.664.000 com idade entre 30-69 anos e 1.520.000 acima de 69 anos.

Os dados do último Censo Nacional de Diabetes de 1988 já demonstravam uma prevalência média de 7,6% na população urbana brasileira entre 30 e 69 anos, com nada menos de um adicional de 7,8%, nessa mesma faixa etária, que apresentava tolerância diminuída à glicose. Assim, a dimensão real do problema, incluindo os portadores de diabetes e de pré-diabetes, de acordo com o conceito atual, aponta para uma prevalência de nada menos que 15,4% de portadores de condições crônicas que promovem um risco elevado de complicações cardiovasculares. Um dado importante foi de que 50% das pessoas não conheciam o diagnóstico.

Uma outra forma de estimar a população de diabéticos é através dos relatórios dos programas de atenção na rede básica de saúde como o do PSF (Programa de Saúde Família do MS) que têm atualmente 7.5 milhões de hipertensos e 2.5 milhões de pessoas com diabetes e o no SIAB (Sistema de informação de atenção básica) onde existem 1,2 milhões de pessoas com diabetes sendo acompanhada e 5 milhões de hipertensos. 5.272 municípios aderiram ao programa de fornecimento de medicamentos.

Com o objetivo de reduzir o número de óbitos associados à Hipertensão Arterial e ao Diabetes, o Ministério da Saúde realizou, entre 2001 e 2003, o “Plano de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus”. Para viabilizar o projeto e formar um comitê técnico, com o propósito de assessorar as operações do plano, convidou representantes das sociedades científicas especializadas nas respectivas disfunções.

No site HiperDia, é possível encontrar informações sobre o Sistema de Informação em Hipertensão e Diabetes, do Ministério da Saúde. Trata-se de um banco de dados indispensável ao Plano de Reorganização de Atenção à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus, que começou em 2002.

Nos Relatórios, o usuário do site pode conhecer os números do HiperDia. São várias as opções de relatórios: número de diabéticos, hipertensos e diabéticos com hipertensão, por sexo, tipo e risco; resumo de medicamentos prescritos; municípios com envio de dados para a base nacional HiperDia. Já nos gráficos, é possível ver o número de cadastrados no HiperDia, por sexo e faixa etária; a freqüência de patologias, doença renal, sedentarismo, tabagismo, além de sobrepeso / obesidade, entre outros.

Referência:

Prevalence of diabetes mellitus and impaired glucose tolerance in the urban population Aged 30-69 years in Ribeirão Preto (São Paulo), Brazil – Torquato, MT et al. São Paulo Med J. 2003. Nov6; 121(6): 224-30
Sociedade Brasileira de Diabetes

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