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Mar

 Vertigem - Síndrome de Ménière

Categoria(s): Emergências, Neurogeriatria, Otogeriatria

Resenha

Colaboradora : Talita Gameiro Ribeiro *

* Fisioterapêuta e Gerontóloga

A Síndrome de Ménière é a segunda labirintopatia mais freqüente em idosos.

menierCaracteriza-se por ataques recorrentes de zumbido, perda auditiva e vertigem acompanhados por uma sensação de pressão no ouvido, distorção de sons e sensibilidade ao ruído. Todos os sintomas podem não surgir ao mesmo tempo no mesmo ataque. A surdez ou vertigem podem até mesmo ficar ausentes por alguns anos.

Os sintomas ocorrem em crises, com períodos de remissão variáveis, que podem ser de anos. As grandes crises de vertigem com náusea e vômito duram de alguns minutos a muitas horas e podem forçar a interrupção de todas as atividades habituais. Crises leves são caracterizadas por instabilidade, tonteira ou atordoamento.

A perda auditiva começa com um tipo coclear de baixa freqüência que melhora no intervalo dos ataques. Nos casos graves, a perda auditiva torna-se lentamente progressiva e persistente, com configuração plana no audiograma. Os sintomas geralmente são unilaterais, mas tornam-se bilaterais em 20% a 30 % dos pacientes com acompanhamento prolongado.

De acordo com a Associação de distúrbios Vestibulares dos Estados Unidos, a doença de Ménière afeta 2 a 5 milhões de americanos, tendo seu surgimento na terceira ou quarta década de vida. Cerca de 75% das pessoas afetadas têm envolvimento unilateral e 25% bilateral do ouvido.

Os exames de resposta auditiva do tronco cerebral ou estudos por imagem de ressonância magnética com contraste podem ser feitos para excluir neuromas acústicos ou outros tumores. A eletronistagmografia pode mostrar uma resposta vestibular normal ou moderadamente reduzida.

O aspecto histopatológico típico da Síndrome de Ménière, a hidropsia endolinfática, consiste no aumento da pressão e do líquido endolinfático, com abaulamento do ducto coclear, utrículo e sáculo. Como em outros distúrbios caracterizados por aumento do volume de líquido extracelular, os sintomas se agravam com excesso de sal e podem ser diminuídos pela redução da ingestão de sal ou pela administração de diuréticos.

A síndrome de Ménière deve ser separada da sífilis congênita ou terciária, que também causa hidropsia endolinfática, vertigem e surdez. A síndrome de Cogan também deve ser a parte, pois também causa a hidropsia endolinfática e constitui-se de um distúrbio auto-imune e com inflamação ocular.

O tratamento médico é, portanto, direcionado para a redução ou prevenção do aumento de líquido. Muitos pacientes podem lidar bem com os sintomas através de uma dieta controlada. Os pacientes com doença de Ménière devem fazer uma dieta de 2 g diárias de sódio ou menos. Essa é a restrição da dieta mais importante a seguir. Outras substâncias a evitar são cafeína e álcool. As vezes o tratamento médico inclui o uso de diuréticos para controlar a quantidade de água no corpo. A cirurgia para prevenir o aumento de líquido na orelha interna ou para interromper o sinal vestibular anormal pode ser indicada se os episódios forem freqüentes o suficiente para perturbar a função diária.

A fisioterapia é benéfica no tratamento, com exercícios de reabilitação vestibular e estabilização do olhar, da postura e do equilíbrio.

Importante:

A tontura, assim como a febre, é um sintoma de inúmeras doenças, tanto do sistema labiríntico como do corpo. A tontura afeta física, mental e psicologicamente a pessoa, com conseqüências social, profissional e familiar, rebaixando sua qualidade de vida. Não deve-se deixar de investigar a causa tontura. Cabe ao médico otorrinolaringologista a condução do caso, coordenando o tratamento multidisciplinar.

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Referências:

Caovilla, H.H.; Ganança, M.M.; Munhoz, M.S.L.; Silva, M.L.G.; Frazza, M.B. - Cuidando do paciente vertiginoso: a Monitorização da Evolução. Rev. Bras. Med. Otorrinolaring., 5(3): 89-91,1998.

Ganança, M.M.; Caovilla, H.H.; Munhoz, M.S.L.; Silva, M.L.G.; Ganança, F.F.; Ganança, C.F. - Labirintopatias. Rev. Bras. Med. Otorrinolaring., 6(1): 3-12, 1999.

Ganança, M.M. & Caovilla, H.H. - O Universo da Vertigem no Idoso: Desafios e Soluções. Atualidades em Geriatria, 2(7): 22-8, 1996.

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