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04
Fev
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Estudo de caso - dor no joelho: gonartrose
Categoria(s): Caso clÃnico, Reumatogeriatria |
Interpretação clÃnica
Mulher de 61 anos, obesa, casada, 2 filhos de parto normal, queixando-se de fortes dores nos joelhos, especialmente direito, nos últimos dois anos, que é agravada quando caminha ou permanece de pé por tempo prolongado. Uma radiografia, feita seis meses antes, mostrou diminuição do espaço articular medial e formação de osteofÃtos marginal (bico de papagaio). Suas demais articulações estão assintomáticas. Usou medicamentos antiinflamatórios não-esteróides, sem consulta médica, com algum alÃvio da dor, mas refere dor epigástrica após o uso contÃnuo desses medicamentos. Teve gastrite há dois anos, que respondeu bem com cimetidina, e ainda utiliza essa medicação quando sente dor gástrica.
Ao exame fÃsico, está moderadamente obesa. Hemodinamicamente estável, com PA 130/85. Presença de crepitação e dor leve à movimentação do joelho direito, com pequeno inchaço. Exame radiológico acima.
Como entender o caso? Além de exercÃcio de alongamento dos quadrÃceps e de redução do peso, o que poderia estar sendo utilizado no tratamento?
No tratamento inicial da osteoartrose dos membros inferiores, as medidas iniciais incluem orientação do paciente, controle do peso, terapia ocupacional exercÃcios aeróbicos que incluam alongamento e fortalecimento muscular (hidroginática) e utilização de aparelhos de apoio (bengala, joelheiras) para proteção articular. A avaliação da vida diária da paciente, incluindo a postura do corpo durante atividade (movimentos repetitivos, muito tempo sentada, levantar pesos), hábitos cotidianos (p. ex. vida sedentária) e hábitos alimentares (p. ex. excessiva ingestão de carboidratos e lipÃdeos).
As articulações podem ser protegidas, evitando sobrecarga por perÃodos prolongados. Para a preservação dos joelhos, atividades que envolvam agachar ou ajoelhar por longo tempo devem ser evitadas. O uso de cadeiras firmes e altas em vez de macias e baixas e a elevação da altura do vaso sanitário são de grande ajuda para esses pacientes. A bengala utilizada do lado contralateral pode diminuir a carga em 50% sobre a articulação afetada.
O alÃvio da dor pode ser feito utilizando-se acetaminofen. Quando a resposta ao acetaminofen não é satisfatória, outras medidas terapêuticas incluem creme de capsaicina, antiinflamatórios não hormonais (AINEs) e glicocorticóides intra-articulares.
Os AINEs não tem se mostrados mais eficazes que o acetaminofen e são relativamente contra-indicados a pacientes com passado de gastrites, sangramentos digestivos ou úlcera péptica. O risco de complicações gastrointestinais sérias pode ser amenizado com o uso concamitante de inibidores da bomba de próton.
Os novos inibidores seletivos da cicloxigenase-2 (COX-2) causam menos gastrite, porém seu custo é alto.
Terapêutica intra-articular - Injeções (infiltrações) intra-articulares com corticosteróides (especialmente nos joelhos) tem sido de grande ajuda no alÃvio dos sintomas, especialmente na presença de derrame articular. Viscossuplementação é a denominação da injeção intra-articular de hialuronato sintético ou seus derivados. Hialuronato é um glicosaminoglicano formado por dissacarÃdeos repetidos de ácido glicurônico e acetilglicosamina presentes na matriz cartilaginosa. Essa terapia tem se mostrado eficaz n o alÃvio da dor e retardo na progressão da doença.
O uso de compostos de glucosamina e condroitina, em diferentes combinações, para uso oral ainda em estudo, parece ter futuro promissor no tratamento dessa doença.
Referências:
Scafuto AS e cols - Osteoartrose. Rev Bras Med, 2005;62:192-196.
Fellet AJ; Scotton AS - Osteoartrite - Como diagnosticar e tratar. Rev Bras Med, 2006;63:135-142.
Tags: Artrite, hidroginástica, osteoartrose, rigidez matinal
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