20
Nov

 Fratura de colo de fêmur

Categoria(s): Reumatogeriatria

Resenha

Em 1999, Pinheiro realizou, na cidade do Rio de Janeiro, um estudo sobre as internações de pacientes com diagnóstico principal de fratura de colo de fêmur (total de 1.870 internações) nos hospitais credenciados pelo SUS, nos anos de 1994 e 1995. A média de idade do grupo tratado clinicamente foi de 61 anos. No grupo tratado cirurgicamente, a média foi de 68,8 anos. O tempo médio de permanência observado foi de 10,6 dias no grupo de pacientes tratados clinicamente e de 16,2 dias no grupo de pacientes que foram submetidos à cirurgia. O tempo médio de permanência nos hospitais pesquisados variou entre 5,3 e 34,7 dias.

Frente a esse quadro, Carvalho e Coutinho, em 2003 fizeram outro estudo visando a identificação dos fatores de risco que aumentam a incidência de quedas, em particular, daquelas seguidas por fraturas, na população acima de 60 anos.

Segundo o estudo, as quedas distribuíram-se igualmente entre os períodos da manhã, tarde e noite, havendo uma redução em sua freqüência durante a madrugada. Acidentaram-se dentro de casa 78% dos idosos com demência, contra 55% daqueles sem essa doença.

Uma parcela pequena dos idosos caiu de madrugada, contrariando uma idéia do senso comum de que esses indivíduos caem mais durante esse período, quando se levantam para ir ao banheiro ou para beber água. Embora a maior parte das quedas tenha ocorrido durante o dia, estas se deram no próprio domicílio, em especial para o idoso com demência.

Aproximadamente metade dos idosos relatou que caiu enquanto andava. Essa informação, aliada com aquela de que apenas um quarto dos idosos referiu ter escorregado ou tropeçado, dá a idéia de que a maior parte das quedas não ocorreu tanto devido a acidentes, movimentos bruscos ou imprudentes. Parece mais evidente a idéia de que as quedas aconteceram por um enfraquecimento ósseo e/ou muscular, ou ainda por um “mal súbito”, ou “drop attack”.

A desnutrição, tem sido apontada como fator de risco para fraturas entre idosos, sobre tudo nos pacientes com demência, pois, os idosos com demência, independentemente do tipo ou da severidade, possuem o índice de massa corpórea (IMC) aproximadamente 10% menor que aqueles cognitivamente intactos.

Concluindo: a presença de desnutrição e demência são fatores de colocam os idosos no grupo de alto risco de fratura do fêmur.

Referências:

Pinheiro RS. Estudo sobre variações no uso de serviços de saúde: abordagens metodológicas e a utilização de grandes bases de dados nacionais [Tese de Doutorado]. Rio de Janeiro: ENSP/FIOCRUZ; 1999.

Carvalho AM e Coutinho ESF - Demência como fator de risco para fraturas graves em idosos Rev. Saúde Pública v.36 n.4 São Paulo ago.2002.

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