27
jun

 Flexibilidade nos idosos

Categoria(s): Fisioterapia, Reumatogeriatria

Conceitos

Colaboradora: Sandra Chiavegato Perossi *

* Fisioterapeuta e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

O envelhecimento, processo natural da vida, não é simplesmente o “passar do tempo”, mas sim as manifestações apresentadas dos processos biológicos que ocorrem ao longo da vida.

Quanto mais velha a pessoa, menor sua flexibilidade, sendo a flexibilidade natural maior que a observada posteriormente. Os tendões e as fáscias musculares são particularmente susceptíveis de espessarem-se (aumentar de espessura) devido à idade e a falta de exercício (Dantas, 1999).

Pode-se ressaltar que o momento da vida em que o ser humano é potencialmente mais flexível é justamente na hora de seu nascimento, quando até mesmo as articulações da calota craniana mobilizam-se para permitir a passagem pelo canal vaginal.

Progressivamente com o passar do tempo, esta possibilidade de adquirir flexibilidade irá diminuindo, na razão inversa do treinamento específico realizado. Assim quanto mais cedo se iniciar o treinamento da flexibilidade, maiores serão as possibilidades de se atingir grandes arcos de mobilidade articular. Por exemplo, uma pessoa que inicie seu treinamento de flexibilidade aos 40 anos atingirá níveis de proficiência nesta qualidade física bastante inferiores aos que poderia obter se começasse o treino aos 20 anos.

A flexibilidade está intimamente relacionada com a mobilidade articular e a elasticidade muscular, e, portanto, com a autonomia do idoso e sua qualidade de vida, pois a sua estimulação é fundamental para a saúde do ser humano de uma forma geral, principalmente sobre o aspecto da motricidade humana.

Conforme Hollman & Hettinger em Dantas, 1999, flexibilidade é a “qualidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem o risco de provocar lesão”.

Para Achour Junior 1999, o objetivo não é atingir os componentes plásticos para aumentar a flexibilidade, mas sim os elementos elásticos, o que demonstra plena coerência com os apontamentos de Dantas 1999, que diz que a perda desta qualidade física durante o processo de envelhecimento, deve-se mais à diminuição da elasticidade muscular do que à mobilidade articular.

O tecido conjuntivo torna-se mais rígido e as articulações menos móveis. Há a formação de ligações cruzadas entre fibrilas de colágeno adjacente, reduzindo a elasticidade e favorecendo a lesão mecânica do tecido afetado. Os vasos sangüíneos tornam-se, progressivamente afetados pela aterosclerose e arteriosclerose, diminuindo desta maneira, o suprimento de oxigênio a todos os órgãos do corpo. A massa óssea diminui aproximadamente em 10% do pico de massa óssea até os 65 anos, e cerca de 20% em torno dos 80 anos (Robergs & Roberts,2002, Achour Júnior, 1999, Nieman, 1999), descrições corroboradas por Dantas et al. 2002.

Com o processo de envelhecimento, a redução da flexibilidade vai aumentando progressivamente, e isto é inevitável. Ao alcance de todos está o treinamento físico, com o objetivo de atenuar esta perda de forma acentuada, pois os indivíduos que realizaram atividades físicas adequadas quando jovens ou ainda praticam exercícios com regularidade, conseguem retardar este acontecimento (ACSM, 2003).

Pesquisas realizadas por Baptista (2004); Alves et al. (2004a); Pernambuco (2004) e Vale (2004), corroboram a importância do treinamento de flexibilidade e das práticas alternativas, como o yoga e shiatsu, na promoção da flexibilidade e autonomia funcional em mulheres senescentes.

Prevenir a redução da autonomia funcional é um dos objetivos comum dos profissionais que atuam nesta área, pois tornar o idoso mais independente nas suas tarefas diárias é a meta de fundamental relevância para a sociedade, que pode ter como influência, o treinamento da flexibilidade.

Frontera (2002), caracteriza a importância e os benefícios do treinamento de flexibilidade em idosos. Sendo assim, concluímos que o sedentarismo é um fator nefasto na vida humana. Já, os indivíduos praticantes, assiduamente, do exercício físico e da caminhada, apresentaram índices também acima da média de referência, adquirindo então, benefícios promotores da flexibilidade, que refletiram em sua motricidade, fatos que também podem ser verificados nos estudos de Bendall et al. (1989).

Referências:

1. Achour Júnior, A – Bases para exercícios de alongamento relacionado com a saúde e o desempenho atlético. 2ª edição. Londrina: Phorte editora, 1999.

2. Alves, A e col. – A Ginástica Adaptada na Terceira Idade. In: 19º CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA-FIEP, Foz do Iguaçu, 2004a. Fiep Boulletin. V. 74. p. 156.

3. Baptista, MR – A Prática do Yoga sobre a Autonomia Funcional e Qualidade de Vida em Mulheres Senescentes. 2004,325. Dissertação (Mestrado em Ciência da Motricidade Humana) – Universidade castelo Branco – UCB – Rio de Janeiro

3. Dantas, EHM – Flexibilidade: alongamento e flexionamento. 4ª edição. Rio de Janeiro: Shape, 1999

4. Frontera, WR; Bigard, X – The benefits of strength training in the elderly. Science and Sports, v. 17, i 3, p. 109-116, May, 2002.

5. Nieman, DC – Exercício e saúde. 1ª edição. São Paulo: Manole, 1999

6. Pernambuco, CS – Comparação de um Programa de Shiatsuterapia e de um Programa de Flexionamento Dinâmico na Flexibilidade, Autonomia e Qualidade de Vida do idoso. 2004, 177f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Motricidade Humana) Universidade castelo Branco – UCB – Rio de Janeiro.

7.Robergs, RA & Roberts, SO – Princípios fundamentais de fisiologia do exercício para a aptidão, desempenho e saúde. 1ª edição. São Paulo: Phorte editora, 2002.

8. Vale, RGS – Efeitos do Treinamento de Força e de Flexibilidade sobre a Autonomia e Qualidade de Vida de Mulheres Senescentes. Dissertação (Mestrado em Ciência da Motricidade Humana) – Universidade Castelo Branco – UCB – Rio de Janeiro.

9. Silva, CAF e col. -A comparação da flexibilidade entre mulheres senescentes sedentárias e praticantes de diversas atividades físicas. [on line]

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05
abr

 Método Pilates – Benefícios para a terceira idade

Categoria(s): Fisioterapia, Gerontologia, Reumatogeriatria, Saúde Geriátrica

Entendendo o assunto

Colaboradora : Sandra Chiavegato Perossi

* Fisioterapêuta, especializada no método Pilates, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica – METROCAMP

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) em seu documento “Envelhecimento ativo: Uma política de saúde”, uma atividade física regular e moderada reduz o risco de morte por problemas cardíacos em 20 a 25% em pessoas com doença do coração diagnosticada, além de reduzir substancialmente a gravidade de deficiências associadas à cardiopatia e outras doenças crônicas. Assim, o Método Pilates estaria enquadrado neste contexto para prevenção primária, secundária e terciária da saúde.

pilatesO Método Pilates foi idealizado por Joseph Pilates e é um programa completo de condicionamento físico e mental que tem como objetivo melhorar o equilíbrio entre a performance e esforço, através da integração do movimento, a partir do centro estável e sinestesia realçada. Trabalha o corpo como um todo – corrige a postura e realinha a musculatura, desenvolvendo a estabilidade corporal necessária para uma vida mais saudável e longeva (Steers, 2006).

Joseph Pilates juntou os melhores aspectos das disciplinas dos exercícios orientais e ocidentais, e é o equilíbrio desses dois mundos. Do Oriente, Pilates trouxe as filosofias de contemplação, relaxamento e a ligação entre corpo e mente. Do Ocidente, trouxe a ênfase no enrijecimento muscular e a força, a resistência e a intensidade de movimento. Seu método utiliza o corpo inteiro, e não apenas uma parte dele. Usando o corpo inteiro, equilibra-se o uso de grandes músculos superficiais com profundos e pequenos músculos de resistência, responsáveis por manter a força interior(Craig, 2003).

Seus princípios são: relaxamento, concentração, alinhamento, respiração, coordenação e resistência.

Os benefícios deste método são: aumento de força, maior controle muscular, integração corpo e mente, melhora da capacidade respiratória, aumento da flexibilidade, fortalecimento, correção da postura, reestruturação do corpo, prevenção de lesões, aumento da consciência corporal, aumento da auto-estima e alivio de dores musculares (Camarão, 2004).

Pilates considerou a área abdominal em conjunto com os músculos profundos da coluna, bem como os centros de força do corpo, “casa de força” (Powerhouse) que é a área entre as costelas superiores e a pélvis.

Um dos princípios fundamentais do método Pilates é que a “casa de força” é o centro de todo movimento: quanto mais forte a casa de força, mais poderoso e eficiente é o movimento. Portanto, antes de cada exercício de Pilates, um centro é recrutado, empurrando delicadamente o umbigo e contraindo os músculos profundos do abdômen. O objetivo é manter o centro corporal estável enquanto os movimentos de braços e pernas são executados com precisão.

Os três músculos abdominais (o reto abdominal, os oblíquos externos e internos e o transverso abdominal) trabalham com os músculos da coluna (os mais importantes são os multífidos e o quadrado lombar) para formar o centro de força. Os praticantes do método Pilates também incluem o assoalho pélvico na “casa de força” pela forma que este arranjo de músculos e ligamentos conecta-se ao sistema nervoso central dos músculos profundos abdominais. Localizados na partem de baixo da pélvis, o assoalho pélvico consiste de músculos utilizados para controlar o fluxo da urina e impurezas sólidas do corpo. Fortalecer estes músculos nas pessoas idosas é importante, pois neste período a incontinência urinária e fecal é muito freqüente (Craig, 2004).

Influência na Postura

A postura incorreta faz mais do que diminuir a auto confiança e a dignidade: obstrui a respiração, tensiona os músculos e ligamentos e pode afetar adversamente as articulações da coluna, propensas a artrite, artrose e dor generalizada. As alterações de postura do idoso são: cifose constituída pela cifose dorsal e cervical – a cabeça é projetada para frente e os ombros ficam cronicamente curvados, repuxando apenas os músculos do pescoço; diminuição da curvatura lombar; aumento do ângulo de flexão do joelho e o deslocamento da articulação coxofemoral para trás e a inclinação do tronco para frente.
A rigidez articular e muscular que se instala nos idosos será trabalhada através dos exercícios do método Pilates, assim como a tensão em trapézios e paravertebrais que em conjunto com a “casa de força” levará a uma postura mais alongada.

Vários músculos do sistema respiratório estão inseridos nas vértebras lombares e cervicais e nas costelas influenciando a postura. O diafragma é um músculo respiratório que separa o tórax do abdomen. Quando a “casa de força” nos exercícios do método Pilates é acionada através da respiração, o diafragma é trabalhado levando inclusive a um relaxamento e gerando uma postura correta.

Influência na flexibilidade

Nos exercícios de Pilates os alongamentos são estimulados sempre, levando a uma maior flexibilidade do corpo. Com o envelhecimento, torna-se maior o número de ligações de colágeno intra e intermolecular, o que dificulta o “deslizamento” das proteínas. O tecido fica mais rígido, menos elástico e mais propenso a lesões. Com um estilo de vida pouco ativo, o envelhecimento, a imobilização e as doenças neuromusculares diminuem o tamanho e a quantidade de tecido colágeno. Conseqüentemente, o tecido muscular se enfraquece e a elastina aumenta proporcionalmente. Dessa forma, o tecido combina a elasticidade com a fraqueza.

Uma vida ativa é primordial para manter a homeostase entre a síntese de colágeno e sua degradação. A síntese do colágeno depende da habilidade da célula em transmitir a força mecânica em uma ação bioquímica.

Sabe-se que exercícios de alongamento estimulam a renovação de colágeno para suportar maior estresse. Além disso, melhoram a homeostase entre as glicosaminas e a água, conservam o espaçamento interfibrilas e diminuem as condições favoráveis a formação de adesões (Achour Jr, 2006).

Nos diabetes do idoso as regiões mais limitadas de flexibilidade são as falanges e os ombros. Achour (2006) relata que Jósza& Kannus (1997) revisaram várias pesquisas, evidenciando que os diabetes também afeta o tendão.

Assim, observamos que os exercícios de Pilates ajudam ao idoso com diabetes trabalhando com alongamentos e exercícios de força para melhorar a flexibilidade e a força em ombros e tendões.

Articulações mal alinhadas e frouxas facilitam a instalação de lesões e osteoartroses nos idosos. Há revisões de literatura (Achour Jr, 2006) em que se observou que lesões nos ligamentos colaterais e lesões do menisco associavam-se ao desenvolvimento da osteoartrose em idades prematuras.

Instalada a osteoartrose no joelho e quadril, ela aumenta o custo energético para determinado esforço, dificultando a subida e descida de escadas. Em algumas situações, pode impedir a movimentação até em atividades simples como jardinagem e passeios em parques.

O idoso consegue eliminar a rigidez da osteoartrose e grande parte da dor mediante a pratica contínua de exercícios de Pilates, ativando assim a circulação e diminuindo os espasmos musculares.

É importante para o idoso manter índices de flexibilidade, porque com isso consegue-se interromper a redução natural da flexibilidade. Assim os efeitos dos exercícios de alongamento são positivos independentes do aumento da flexibilidade (Achour Jr, 2006).

Influência na Osteoporose

Na osteoporose há muita fragilidade do esqueleto e maior suscetibilidade à fratura após pequenos traumas, além de dores nas costas devido a contraturas musculares ou por microfraturas e deformidade da coluna com diminuição da altura da pessoa. Geralmente o fêmur e a coluna são as mais acometidas.

Nos exercícios de Pilates trabalha-se com exercícios de fortalecimento dos músculos envolvidos com estas estruturas e de extensão da coluna visando melhora da força muscular, condicionamento físico e coordenação (Frontera, 2001).

“Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem” (Joseph Pilates)

Referências:

Achour Junior, Abdallah – Exercícios de alongamento – Manole Editora, São Paulo, SP, 2006.
Camarão, Teresa – Pilates no Brasil – Editora Alegro – Rio de Janeiro – RJ, 2004.
Craig, Collen – Pilates com Bola – Editora Phorte – São Paulo – SP, 2003.
Craig, Collen – Abdominais com Bola – Editora Phorte – São Paulo – SP, 2004.
Frontera, Walter R. – Exercícios Físicos e Reabilitação – Artmed – São Paulo – SP, 2001
Steers, Magan – Pilates Clinico – Apostila do curso Pilates Clinico produzido por
Valéria Figueiredo Cursos – São Paulo – SP, abril 2006.

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