Revisão
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Insuficiência CardÃaca: Aspectos Fisioterápicos
Autores:
Daniela Schiavo
LetÃcia Camarro
Luciana Aparecida Rosário
Tais Mitsuyasu
Tatiane Missari
Prof. Dr. Armando Miguel Junior
Local da realização
Faculdade de Fisioterapia
PontifÃcia Universidade Católica de Campinas PUC-Campinas
2001
Resumo
Neste trabalho os autores abordam as alterações hemodinâmicas, mecanismos de compensação e as medidas para o controle da Insuficiência CardÃaca, sobretudo os
aspecto fisioterápico, tanto na fase aguda como crônica, respeitando o estado do paciente (compensado e descompensado)
Nos pacientes descompensados, aplica-se a fisioterapia respiratória, sempre tomando cuidado com as contra-indicações. Já nos pacientes compensados a fisioterapia respiratória, além da aplicação de exercÃcios aeróbios, sempre adaptando intensidade, duração, freqüência, ao estado do paciente.
No final do trabalho, há uma proposta de condicionamento fÃsico para cardiopatas.
Summary
In this work we are approaching the Insufficiency Cardiac, in its clinical and physiotherapy aspect.
It has the boarding of the haemodinamic alterations and mechanics and mechanisms of compensation, where it is present the effect of reduction of the contractility, cardiac frequency and its alterations, beyond the clinical picture, with symptoms and auscultation it.
We enumerate the measures for the control of the Cardiac Insufficiency that are: reduction of the load, increase of the performance, and control of the hidrossalin clamping. And, finally, the physiotherapy aspect, where it is divided in acute and chronic phase, respecting the state of patient (compensated and descompensated)
In the out of step patients, applies it respiratory physiotherapy, always taking well taken care of with the contraindications. Already in the compensated patients, we aim at, also the respiratory physiotherapy, beyond the application aerobic exercises, always make suitable intensity, duration, frequency, to the state of the patient.
In the end of the work, it has a proposal of physical conditioning for heart illness
1. CONCEITO GERAL DE INSUFICIÊNCIA CARDÃACA
SÃndrome clÃnica decorrente da incapacidade de o coração manter suficiente volume de ejeção para manutenção das necessidades metabólicas do organismo em diferentes situações funcionais
2. ALTERAÇÕES HEMODINÂMINAS E MECÂNICAS (SISTÓLICAS E DIASTÓLICAS) E MECANISMOS DE COMPENSAÇÃO
Efeitos de diminuição da contratilidade. A contratilidade é um fenômeno que responde a estÃmulos nervosos(sistema nervoso autônomo), estÃmulos humorais (hormônios) e depende do comprimento inicial da fibra. O estado contrátil diminuÃdo tem como conseqüência: aumento do volume sistólico final e do volume diastólico final, que determinam a dilatação, e o coração se torna incapaz de mobilizar o resÃduo sistólico que se acumula. No coração insuficiente, a tensão desenvolvida por grama de músculo está diminuÃda. No inÃcio da insuficiência miocárdica uma certa efetividade externa pode ser desenvolvida, mantendo-se volume sistólico normal em presença de pressão média sistólica normal, antes que seja solicitado o efeito compensador da dilatação. Contudo a velocidade de encurtamento já é menor, comprovada por diminuição do pico de aceleração do sangue ejetado e diminuição do pico de aceleração do sangue ejetado e diminuição da velocidade de elevação da pressão sistólica antes da ejeção.
Freqüência cardÃaca e suas alterações. A freqüência é um determinante do desempenho do coração, tendo participação fundamental, dentro de certos limites, no débito cardÃaco.
Taquicardias excessivas são causa de insuficiência cardÃaca, sobretudo quando existem alterações associadas de outros parâmetros que regulam o desempenho. Da mesma forma, diminuição crÃtica e fÃsica da freqüência, como ocorre no bloqueio AV total, é capaz de conduzir à diminuição secundária da contratilidade.
Alterações das propriedades diastólicas do coração. A distensibilidade, como a contratilidade, é uma propriedade do músculo cardÃaco. A velocidade e a extensão do encurtamento sistólico são conseqüências do estado contrátil e dependem também da distensibilidade. A velocidade e a extensão do relaxamento são funções da distensibilidade e também da contratilidade.
Mecanismos de compensação intracardÃacos. Para tentar manter o débito cardÃaco o coração utiliza três mecanismos principais de compensação: mecanismo de Frank-Starling; hipertrofia com ou sem dilatação; hiperatividade simpática. No mecanismo de Frank-Starling a dilatação entra primariamente em jogo nos casos que se iniciam com sobrecarga de volume e secundariamente quando por diminuição da contratilidade. A hipertrofia é um mecanismo compensador importante nas sobrecargas de pressão e volume. Esta se desenvolve visando normalizar o estresse sistólico.
3. FISIOPATOLOGIA
Talvez a doença mais importante a ser tratada pelos médicos seja a insuficiência cardÃaca, que pode resultar de qualquer problema em que o coração reduza sua capacidade de bombear sangue. Usualmente, a causa é a contratibilidade diminuÃda do miocárdio, resultante do fluxo sangüÃneo coronário diminuÃdo, embora a incapacidade de bombear também possa ser causada pôr lesões das válvulas cardÃacas, pressão externa em torno do coração, deficiência vitamÃnica, doença muscular cardÃaca primária ou qualquer outra anormalidade que torne o coração uma bomba hipoefetiva.
Depois dos primeiros dois minutos de um ataque cardÃaco agudo, começa um estado secundário prolongado, caracterizado principalmente por dois eventos: (1) a retenção de lÃquidos pelos rins e (2) a recuperação usualmente progressiva do próprio coração por perÃodo de várias semanas a meses.
Apesar de muitos cardiologistas anteriormente considerarem a retenção de lÃquidos sempre como tendo efeito prejudicial na insuficiência cardÃaca, sabe-se que agora um aumento moderado do lÃquido corporal e do volume sangüÃneo é um fator muito importante ajudando a compensar a capacidade de bombeamento diminuÃda do coração. Por outro lado, na insuficiência grave com excessos extremos de retenção de lÃquido surgem então conseqüências muito graves, inclusive o estiramento excessivo do coração, que enfraquece ainda mais; filtração de lÃquido para os pulmões causando edema pulmonar e conseqüentemente desoxigenação do sangue; e também, com freqüência, desenvolvimento de edema em todos os tecidos do corpo.
Logo após a lesão, a restauração se inicia, um novo suprimento de sangue colateral começa a penetrar nas porções periféricas da área infartada, fazendo com freqüência com que grande parte do músculo nas áreas periféricas se torne novamente funcional. Assim, a musculatura não lesada se hipertrofia, deste modo compensando grande parte da lesão cardÃaca.
Obviamente, o grau de recuperação depende do tipo da lesão cardÃaca e varia de nenhuma recuperação a recuperação quase completa.
4. ETIOPATOGENIA
A etiopatogenia da Insuficiência CardÃaca tem na perda da contratilidade do músculo do coração, nas sobrecargas ao esvaziamento de suas câmaras, nos distúrbios do enchimento de suas cavidades e nas alterações do débito cardÃaco as principais alterações responsáveis pela descompensação cardÃaca.
Na dependência das anormalidades presentes, as caracterÃsticas da IC estão relacionadas: 1) com a incapacidade de lançar no sistema arterial o conteúdo sangüÃneo das câmaras ventriculares (IC sistólica) e 2) com anormalidades mecânicas e bioquÃmicas que alteram a função diastólica dessas câmaras, condicionando modificações no seu enchimento (IC diastólica).
Enquanto a primeira está relacionada à perda da capacidade contrátil do músculo cardÃaco, a IC diastólica está na dependência dos obstáculos (ao nÃvel atrial ou atrioventricular) ou da incapacidade da câmara ventricular de acomodar, com valores baixos de pressão, o volume sangüÃneo que lhe é transferido pelas câmaras atriais. Esta perda de acomodação pode ser transitória e se relaciona ao relaxamento, lento e incompleto, como podemos observar durante os episódios isquêmicos, ou permanente, como o encontrado nas hipertrofias concêntricas e nas sÃndromes restritivas (amiloidose), dependendo da diminuição da complacência diastólica da bomba ventricular.
As causas da insuficiência cardÃaca podem ser divididas em duas categorias: as determinantes e as precipitantes. As causas determinantes afetam tanto a função diastólica como a sistólica do coração e estão relacionadas à s doenças congênitas e adquiridas que o acometem. Essas por sua vez, modificam as caracterÃsticas estruturais e/ou aumentam as cargas que o coração suporta, acabando por esgotar a capacidade de adaptação do sistema cardiovascular. E as principais causas que precipitam a IC são: modificação inadequada da terapêutica, administração de medicamentos inapropriados, arritmias, estados infecciosos, embolia pulmonar, esforço fÃsico desproporcional à reserva cardÃaca, distúrbios emocionais, alterações das condições ambientais e doenças concomitantes, sejam elas cardÃacas ou sistêmicas.
5. QUADRO CLÃNICO
Sintomas: Os sintomas da IC vão depender do lado mais acometido do coração. Assim, enquanto na IC secundária ao comprometimento do lado esquerdo do coração são mais exuberantes os sintomas devidos à congestão pulmonar (dispnéia, tosse, hemoptise, asma cardÃaca e cianose), na direita estão relacionados com a congestão sistêmica e mais intensamente, dos órgãos do aparelho digestivo (dor, anorexia, náusea, constipação, distensão e melena). Existem, no entanto, sintomas que são comuns as duas formas de IC, estando geralmente ligados a musculatura esquelética (fadiga e fraqueza ), ao sistema urinário ( netúnia e oligúria ) e ao cérebro ( tonteiras, sÃncope, cefaléia, insônia, pesadelo, confusão mental, perda da memória, ansiedade, depressão, psicose com desorientação, delÃrio e alucinação ).
Ausculta: A presença de sopros sistólicos é freqüente nos pacientes com IC e está relacionada com as insuficiências relativas das valvas mitral e tricúspide, devido a dilatação dos ventrÃculos.
6. MEDIDAS PARA O CONTROLE DA INSUFICIÊNCIA CARDÃACA
REDUÇÃO DA CARGA
Diminuir atividade fÃsica
Repouso após as refeições
Manter o peso dentro do nÃvel teórico
Evitar hábitos que aumentam a atividade cardÃaca : fumo e álcool,
Vasodilatadores
AUMENTO DO DESEMPENHO
Digitálicos
Outras substâncias com ação inotrópica positiva
CONTROLE DA RETENÇÃO HIDROSSALINA
Dieta hipossódica
Diuréticos
Paracentese e diálise
7. FISIOTERAPIA NA INSUFICIENCIA CARDÃACA
7.1. Fase Aguda
Na fase aguda, onde o paciente está descompensado, é somente indicado a fisioterapia respiratória, ou seja, está contra-indicado a fisioterapia geral.
Paciente descompensado
Posicionamento do paciente: Este deve ser em Flowler, isso para diminuir o retorno venoso
Fisioterapia Respiratória: Esta é realizada durante 5 minutos, mais ou menos 6 atendimentos por dia (pacientes hospitalizado), para não ocorrer fadiga do paciente. O tratamento segue as condutas abaixo.
Reeducação respiratória
Consiste em promover a aprendizagem e a automatização de movimentos respiratórios em pacientes que não apresentam um bom nÃvel de conscientização dos movimentos, adequando-os as necessidades do seu organismo, consumindo energia fÃsica e metabólica de forma satisfatória e econômica.
A reeducação respiratória visa também fornecer ao paciente um suporte muscular respiratório e a melhora da mobilidade toracoabdominal, a fim de preveni-lo de complicações respiratórias ou reincidências, sobretudo de pneumopatias e de outras complicações pulmonares ou torácicas.
Na medida do possÃvel, através da orientação e minimização da ansiedade e da angustia, torna o paciente mais independente no que diz respeito ao controle da doença.
O uso contÃnuo da musculatura secundária, sobretudo por tempo prolongado, acarreta desvantagens mecânicas ao sistema respiratório, causando alterações posturais e deformidades torácicas, também há maior gasto de energia.
A reeducação respiratória consiste num conjunto de procedimentos terapêuticos, tem por objetivo ensinar o paciente a respirar de forma vantajosa, usando para isso o padrão respiratório do tipo diafragmático e levando o paciente a não exigir tanto esforço dessa musculatura acessória da respiração.
Os principais procedimentos terapêuticos que compõem a reeducação respiratória, são: orientação respiratória, coordenação e controle da respiração, exercÃcios passivos e localizados, entre outros.
Orientação respiratória
Essa orientação consiste na adequação do tempo inspiratório e expiratório e da profundidade da respiração ao padrão respiratório mais adequado para aquela pessoa, referindo-se à freqüência respiratória quanto ao volume corrente.
É imprescindÃvel o ensinamento da inspiração pelo nariz e a expiração pela boca, usando recursos sensoriais com emissão de sons durante as fases da respiração, estÃmulo visual através do espelho, etc.
Coordenação e controle da respiração
Consiste basicamente em exercÃcios de coordenação do tempo e da profundidade da respiração, com emprego de exercÃcios respiratórios associados a fala e a deglutição e exercÃcios de tronco e membros.
O comando de voz do fisioterapeuta, bem como o controle rÃtmico dos movimentos de tronco, membros e da própria respiração. É fundamental, e disso dependerá o sucesso do tratamento.
Não esquecer que tudo isso deve ser realizado de forma lenta e compassada.
ExercÃcios passivos e localizados
Esses exercÃcios consistem em realizar respiração localizada (só costal, só diafragmática,), conjuntamente com a palpação e a pressão manual, exercidas pelo fisioterapeuta nas regiões para onde se pretende direcionar ou inibir a respiração do paciente. As estimulações diafragmáticas e costal, visam entre outros aspectos, direcionar a respiração para uma região especÃfica do tórax ou abdome.
Os exercÃcios respiratórios passivos podem ser direcionados para uma determinada região do tórax ou abdome. Pode-se, em vez de utilizar as mãos, utilizar objetos como pequenos pesos, bolas ou bexigas, pois, ao mesmo tempo em que direciona a respiração para uma determinada região, promove-se um estÃmulo proprioceptivo, reforçando a aprendizagem do padrão respiratório desejado.
Vibração (depende da ausculta pulmonar apresentada)
Tem como objetivo: deslocamento de secreções, relaxamento dos brônquios com broncoespasmo e estimular a tosse.
O fisioterapeuta coloca suas mãos estendidas sobre a região onde apresenta maior acúmulo de secreção e efetua uma contração isométrica de ambos os membros.
Huffing (Baforada)
É realizada uma inspiração lenta, apnéia de 3 segundos e expiração ativa com a boca aberta interrompida por duas ou mais pausas pronunciando os sons “há, há, háâ€
Compressão expiratória
É realizada através de compressões da parede torácica, onde as mãos do fisioterapeuta devem ser colocadas espalmadas e realizam movimentos acompanhando a dinâmica da respiração e a movimentação rÃtmica das costelas. Pode ser realizada em qualquer lugar da parede torácica desde que bem posicionadas.
Tem como objetivos: dar mobilidade ao gradil costal, diminuir o volume de reserva expiratória, aumentando o volume corrente, assistir a tosse, auxiliar na mobilização das secreções.
Sempre deve-se ter cuidado com: osteoporose, costelas flutuante e fraturadas.
Resistência labial expiratória
Indicada para abertura dos brônquios e bronquÃolos, facilitando a saÃda de a, isso para não ocorrer retenção de CO2.
CUIDADOS: arritmias cardÃacas importantes, aumento abrupto da FC, diminuição ou oscilação da PA
Contra- Indicações
tapotagem
drenagens posturais em que o tronco altera sua posição elevada.
movimentação de membros
massagem de bombeamento dos membros inferiores
7.2. Fase crônica
Paciente compensado
Nesta fase da doença, os objetivos do tratamento visão:
total higiene bronquica;
a manipulação de uma eficiente ventilação pulmonar global;
a adaptação progressiva e controlada do paciente aos esforços fÃsicos semelhantes e/ou superiores aos que realizava antes de ter o agravamento de sua insuficiência cardÃaca.
Todos os exercÃcios devem ser precedidos de uma avaliação cadiorespiratória criteriosa que permita uma correta adequação da carga de trabalho a ser aplicada ao paciente.
Constantemente, durante a terapia, os dados vitais devem ser observados para se ter melhor controle do paciente.
Ao término da sessão de tratamento, rever os dados vitais - fase pós-esforço
A plena recuperação do paciente (prognóstico) dependerá muito a causa da insuficiência cardÃaca.
7.3. Ajustes cardiovasculares durante o exercÃcio
A função básica do sistema cardiovascular é proporcionar um fluxo sangüÃneo necessário para manter a homeostasia dos vários tecidos do organismo. Portanto, o fluxo sangüÃneo é proporcional as necessidades teciduais.
Durante o exercÃcio fÃsico essas necessidades metabólicas aumentam consideravelmente pelo aumento da atividade da musculatura esqueléticas. Para que o sistema cardiocirculatório, possa supri esse aumento do fluxo sangüÃneo, ocorrem reajustes sendo os principais deles: aumento do débito cardÃaco, a descarga simpática e o aumento da pressão arterial. E estas respostas cardiovasculares dependem do tipo, intensidade e duração do exercÃcio.
Em um exercÃcio dinâmico e de baixa intensidade (correr, nadar, pedalar…), a pressão arterial aumenta em proporção à intensidade do exercÃcio. Esta reposta é resultado de dois efeitos compensatórios do exercÃcio agudo e dinâmico.
As alterações da pressão arterial durante um exercÃcio dinâmico, varia conforme a posição do corpo e dos grupos musculares ativos. Assim, os valores baixos da pressão arterial são registrados mais freqüentemente quando o indivÃduo se exercita em decúbito dorsal do que quando se mantém na posição em pé.
ExercÃcios de alta intensidade, que envolvem força de contração isométrica, isotônica ou isocinética, causam acentuado aumento da pressão arterial.
Após o exercÃcio a pressão arterial pode ser transitoriamente reduzida à nÃveis subnormais, provavelmente porque os metabólitos acumulados mantém os vasos musculares dilatados por curto perÃodo. Entretanto a pressão arterial retorna ao normal mais lentamente.
7.4. Efeitos benéficos do exercÃcio aeróbio
A utilização da energia aeróbia durante o exercÃcio é que produz mais efeitos benéficos, pois o exercÃcio é feito por um longo perÃodo sem causar fadiga. A intensidade do exercÃcio aeróbio é sempre submáxima, o que permite que haja tempo suficiente para a oxidação dos substratos energéticos.
O tratamento da insuficiência cardÃaca deve ser multifacetado incluindo modificações de estilo de vida (diminuindo os fatores de riscos), mudanças na dieta, prescrição de medicação e um programa de exercÃcios.
Os objetivos do exercÃcio aeróbio são:
1. causar hipertrofia miocárdica benigna que leva a um aumento da contratilidade do miocárdio e consequentemente aumento do débito cardÃaco;
2. aumento da oferta de oxigênio ao miocárdio;
3.diminuição da pressão arterial sistólica e da freqüência cardÃaca no repouso;
4.diminuir obesidade, stress e normalizar o colesterol e triglicérides;
5.prevenir formação de trombos;
6.melhorar o estado psicológico;
7.diminuir a mortalidade e morbidade;
8.aumento da amplitude de movimento geral;
9.ampliar a capacidade ventilatória;
10.aumento do VO2 máximo pelo aumento da captação, transporte e absorção de oxigênio.
7.5. Considerações básicas sobre os exercÃcios a serem aplicados ao portador de insuficiência cardÃaca
A terapia por exercÃcios é usada com o propósito de condicionar o paciente com o objetivo de retorná-lo para um estilo de vida mais ativo. O planejamento de um programa de exercÃcios tem que ter intensidade, duração e freqüência adequados para um bom condicionamento.
Intensidade
Para que aconteça uma melhora tanto da resistência cardiovascular, quanto da musculatura a fadiga, é necessário que a carga dos exercÃcios estejam acima do limiar de estÃmulo de treinamento que está relacionado com o nÃvel de saúde, de atividade do paciente, idade e tipo fÃsico.
O exercÃcio não precisa ser exaustivo para se obter uma resposta de treinamento, que geralmente ocorre em 70 a 85% da freqüência cardÃaca máxima.
Duração
A duração está relacionada a intensidade, ou seja, quanto mais baixa a intensidade do exercÃcio, maior será a sua duração.
Freqüência
A freqüência varia conforme a idade e a saúde do paciente. Sendo mais interessante trabalhar em intensidade mais baixas, aumentando a freqüência do que o contrário. E a freqüência ideal de treinamento é geralmente de 3 a 4 vezes por semana.
8. Proposta de programa de condicionamento fÃsico para cardiopatias
Nos primeiros 10 minutos de cada sessão, realiza-se um perÃodo de aquecimento que tem como objetivo melhorar os numerosos ajustes corporais que necessitam ocorrer antes da atividade fÃsica. O aquecimento também previne ou diminui a suscetibilidade do sistema músculo-esquelético as lesões, aumentando a sua flexibilidade e diminuindo a ocorrência de alterações isquêmicas e arritmias.
Este perÃodo deve ser gradual e suficiente para aumentar a temperatura muscular e central sem provocar fadiga ou reduzir o suprimento de energia.
Durante esses primeiros 10 minutos são realizados exercÃcios de movimentação corporal e alongamentos gerais.
O perÃodo de exercÃcios aeróbios, dura aproximadamente 24 minutos, onde devem ser realizados exercÃcios submáximos, rÃtmicos, repetitivos, dinâmicos e de grande grupos musculares.
É importante que a intensidade do exercÃcio seja grande o bastante para estimular um aumento no volume sistólico e débito cardÃaco e para aumentar a circulação local e o metabolismo aeróbio dentro dos grupos musculares apropriados.
Essa fase é dividida em 12 minutos de atividades na bicicleta ergométrica com carga pré-estabelecida, dependendo das condições de cada paciente. E os outros 12 minutos de marcha, marcha-corrida ou corrida a qual deve ser de forma compassada.
Depois da atividade aeróbia, é necessária uma fase de desaceleração, que ajuda a prevenir acúmulo de sangue nos membros, aumentando o retorno de sangue ao coração e cérebro, melhorar a oxidação de resÃduos do metabolismo e substituições das reservas energéticas, prevenir isquemias do miocárdio, arritmias e outras complicações cardiovasculares.
As caracterÃsticas desse perÃodo são semelhantes aos do perÃodo de aquecimento, onde durante aproximadamente 10 minutos são realizados exercÃcios globais no colchonete e alongamentos gerais.
Os próximos 5 minutos são reservados a um perÃodo de repouso e relaxamento.
Referências:
SERRO AZUL, LuÃs Gastão C. C. & PILEGGI, Fulvio J. C.; MOFFA, Paulo J. Propedêutica cardiológica. 2ª edição. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 1988.
FIILHO, José Barbosa & MOURA, Roberto Soares & BARBOSA, Paulo R. Insuficiência CardÃaca. Editora BYK, São Paulo, 1994.
MIGUEL, Armando Jr. Roteiro em cardiologia. Editora BYK, São Paulo, 1997.
FROELICHER, Victor F. & MYERS, Jonathan & FOLLANSBER, Willian & LABORITZ, Arthur J. ExercÃcio e Coração. 3ª edição. Editora Revinter. Rio de Janeiro, 1998.