Interpretação clÃnica
- Homem de 70 anos, veio ao consultório para avaliação de uma palpitação que têm estado presente por cerca de 5 anos e estão ficando mais frequentes e durando mais. Não são acompanhadas de vertigem, pré-sÃncope ou sÃncope. O paciente sente que o ritmo cardÃaco se acelera durante as palpitações, mas nunca contou a frequencia de pulso.
- Ao exame fÃsico, o pulso era de 60 bpm e regular, PA 145/75. O restante cardiológico normal. Eletrocardiograma de repouso sugestivo de sobrecarga atrial esquerda. RX de tórax normal para a idade. Ecodopplercardiograma - normal. Exames laboratoriais da função tireoideana normais. Teste de Holter ECG de 24 horas não revelou anormalidades significantes. Devido a novos episódios de palpitações o paciente retornou ao consultório e nesta ocasião foi detectado episódio de fibrilação atrial revertida expontaneamente após alguns minutos.
Como agir no presente caso?
Os idosos com fibrilação atrial, mesmo que episódica têm risco de 4% a 5% de tromboembolÃsmo ao ano, sendo indicado o uso de anticoagulantes orais (warfarina) como medida preventiva. A aspirina é menos efetiva do que a warfarina, mas pode ser usada nos casos em que a warfarina é contraindicada. O fato do paciente não apresentar alterações anatômicas do coração não autoriza a não prevenção do tromboembolÃsmo. A dose de warfarina deve ser ajustado para o Ãndice internacional normalizado de 2,0 a 3,0, e uso contÃnuo por toda a vida. A prevenção de novos episódios de fibrilação atrial pode ser feita com amiodarona.
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Referência:
Ezekowitz MD, Levine JA - Preventing stroke in patients with fibrillation. JAMA1999;281:1830-1835.
Hart RG, Benavente O, McBride R, Pearce LA - Antithrombotic therapy to prevent stroke in patients with atrial-fibrillation: a meta-analysis. Ann Intern Med. 1999;131:492-501.
Tags: anticoagulante, fibrilação atrial paroxÃstica, tromboembolismo, warfarina
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Interpretação clÃnica
- Mulher de 46 anos se apresenta para consulta médica com queixa de fadiga, insônia, agitação, inchaço nos tornozelos no final do dia, excesso de calor, refere que as menstruacões estão mais abundantes e o intestino mais “solto” que o habitual. Está em acompanhamento clÃnico com médico cardiologista há 3 anos para controle de fibrilação atrial paroxÃstica, com amiodarona 200 mg por dia de segunda a sexta feira. Não toma outras medicações.
Como entender e conduzir o caso?
A maioria dos pacientes tratados com amiodarona (medicamento antiarrÃtimico) permanece eutireoiana. Entretanto, alguns pacientes desenvolvem disfunção tireoidina significativa, tanto hipo quanto hipertireoidismo.Â
O iodo representa aproximadamente 35% do peso do medicamento. Um comprimido de 200 mg libera 6 mg de iodo livre ( 20 vezes a ingesta diária adequada de iodo para o ser humano). O efeito da amiodarona na função tireoideana pode se dar de várias formas. os nÃveis elevados de iodo podem levar a sÃntese reduzida e a secreção reduzida de tiroxina, causando o hipotireoidismo. Além disso, a amiodarona diminui a conversão de T4 em T3, e interfere na ligação da T3 no receptor nuclear.
O hipertireoidismo pode ser precipitado pelo uso contÃnuo da amiodarona. Pacientes com doença de Graves preexistente ou bócio multinodular podem se tornar hipertieroidianos em resposta a uma disponibilidade aumentada de iodo.
A amiodarona pode induzir a tireoidite, com elevação transitória dos nÃveis de hormônio tireoidiano pela liberação de hormônio pré-formado. Â
No presente caso, a clÃnica é sugestiva de hipertireoidismo. Devemos solicitar os exames hormonais de função tireoideana (T4, T4 livre T3 e TSH). Em seguida, estudar o melhor tratamento a ser utilizado, inclusive a troca do antiarritmico. Os casos de hipertireoidismo leve podem ser acompanhados sem intervenção. Os casos de toxicose por tireoidite pode ser tratada com prednisona e, se possÃvel a suspensão da amiodarona.Â
Sempre que resolvermos utilizar a amiodarona em um paciente, devemos inicialmente estudar a função tireoideana e periodicamente avaliarmos o TSH, no sentido de surpreender alguma disfunção da glândula tireoide durante o tratamento da arritmia, que geralmente é crônico.Â
Referência:
Loh KC - Amiodarona induced thyroid disorders: a clinical review. Postgrad Med J. 2000;76:133-140.Â
Tags: amiodarona, fibrilação atrial paroxÃstica, HipertireoidÃsmo, hipotireoidÃsmo
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