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06
Fev
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Anemia Ferropriva no idoso
Categoria(s): DNT, Dicionário, Gastrogeriatria, Nutrição |
Resenha
Nos idosos as anemias hipocrômicas microcÃticas são as mais prevalentes e, dentre elas, as ferropênicas. As perdas fisiológicas de ferro são, geralmente, restritas ao trato gastrointestinal, trato geniturinário e pele. Nos homens a perda basal é de 1 mg/dia. A anemia por deficiência de ferro ocorre quando a quantidade de ferro necessária à s funções metabólicas é insuficiente.
Na verdade, a anemia é a consequência final da deficiência de ferro, pois devido à dinâmica de seu metabolismo, ela aparece somente após a extinção do estoque do ferro - seja por absorção de ferro ingerido (desnutrição crônica, baixa ingesta), por alterações orgânicas ou funcionais do trato gastrointestinal (verminose, gastrite atrófica, poliposes, hemorróidas, divertÃculos, neoplasias).
Diagnóstico
Apesar do diagnóstico de anemia ser facilmente caracterizado no exame hematológico pelo menor número de hemáceas, descoradas (hipocrômicas), com tamanho menor (microcÃtica) (veja figura com o sangue normal no detalhe), este achado laboratorial obriga criteriosa investigação etiopatogênica. Faz parte dessa avaliação, a história clÃnica, com ênfase à s perdas crônicas nos casos de anemias carenciais. O interrogatório complementar, antecedentes pessoais e familiares e o exame fÃsico estabelecem base de raciocÃnio em relação à dinâmica do quadro: inÃcio agudo (hemorragia aguda ou hemólise aguda), insidioso (”carenciais”, hereditárias, secundárias à s doenças inflamatórias crônicas ou neoplásicas etc.).
Se há história familiar de anemia, o raciocÃnio deve ser direcionado à s anemias hereditárias; se ocorrerem manifestações hemorrágicas (petéquias, equimoses, gengivorragias), associadas ou não a infecções, deve-se relacioná-la a patologias que comprometem os demais setores do sangue, tais como as leucemias, aplasias medulares, mieloma múltiplo etc.
Por vezes, além das habituais queixas de anemia, como fraqueza, intolerância aos esforços, distúrbios visuais, taquicardia, lentidão de raciocÃnio etc., observam-se manifestações de doenças sistêmicas, como a insuficiência renal crônica, hepatopatia crônica, colagenoses e hipotireoidismo, patologias estas que frequentemente cursam com anemia.
A anemia hipocrômica e microcÃtica pode ser de quatro tipos: anemia ferropriva; talassemia; anemia sideroblástica e anemia por envenenamento por chumbo (veja saturnÃsmo).
No exame hematológico observamos volume corpuscular médio (VCM) <80 fl; Hemoglobina corpusular média (HCM) < 26 pg; Concentração de hemoblobina corpuscular média (CHCM) < 32%.
No diagnóstico diferencial das anemias hipocrômicas deve ser ressaltada a importância das sÃndromes talassêmicas, grupo heterogêneo de anemias hereditárias caracterizadas por defeito na sÃntese de uma ou mais cadeias globÃnicas. A talassemia menor é, na prática, a única anormalidade hematológica, além da deficiência de ferro, associada a microcitose importante (VCM < 70 fl). O diagnóstico de traço talassêmico é feito pelo aumento de hemoglobina A2 (HbA2 > 3,5%) na eletroforese de hemoglobina. Apesar de ser possÃvel a associação de talassemia menor e anemia ferropriva, frequentemente o traço talassêmico é confundido erroneamente com deficiência de ferro e a terapia com ferro instituÃda, o que pode levar à sobrecarga de ferro, com consequente dano tecidual.
No diagnóstico diferencial de anemias microcÃticas se encontra também a anemia de doença crônica e as anemias sideroblásticas,que constitui um grupo heterogêneo de doenças caracterizadas por anemia de gravidade variável e diagnosticadas pelo achado de mais de 15% de sideroblastos em anel na coloração especÃfica para ferro no mielograma. É anemia hipocrômica microcÃtica de leve ou moderada intensidade e se associa, com frequência, a dimorfismo eritrocitário (uma população de hemácias hipocrômicas microcÃticas e outra normocrômica normocÃtica). A concentração de ferro sérico, saturação da transferrina e os nÃveis séricos de ferritina estão aumentados.
Tratamento
Estabelecida a causa básica, o tratamento da anemia ferropriva é feito com a suplementação do Ãon tanto na forma oral, mais usual, quanto na parenteral.
Os principais sais de ferro disponÃveis para suplementação oral são: sulfato ferroso (Fe++); fumarato de Fe++; gluconato de Fe++; e o complexo de hidróxido de Fe polimaltosado.
Os principais efeitos colaterais da medicação oral estão relacionados ao trato gastrointestinal com sintomas epigástricos, como náuseas, vômitos, epigastralgias e dispepsias e diarréia ou obstipação. Tais sintomas se devem, com frequência, à dose utilizada e não ao composto em uso, embora as preparações de liberação lenta sejam mais bem toleradas. A administração após as refeições é de maior aceitabilidade do que a em jejum, embora esta última apresente melhor absorção.
As preparações parenterais são indicadas nos casos de efeitos colaterais intratáveis de trato gastrointestinal, na presença de má absorção e nas deficiências graves por perdas sanguÃneas incontroláveis.
Referências:
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Tags: anemia, ferro, hipocrômia, microcitose, saturnismo
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