08
Out

 Estudo de caso - Fasciíte eosinofílica

Categoria(s): Gerontologia

Interpretação

  • Homem de 55 anos vai ao seu consultório por ficado progressivamente doente nas últimas 3 semanas. Seus sintomas são de fadiga e mal-estar geral. Os sintomas se iniciaram após ter trabalhado no jardim da casa da casa nova, por dois dias seguidos. Não tem feito esforço físico com este nos últimos 10 anos. Ao exame físico a pele sobre o antebraço está espessada, com áreas que têm aspecto semelhante à casca de laranja (Figura). Os exames laboratoriais mostraram hematócrito de 35%, contagem de leucócitos de 9.200/ml eosinófilos de 22%, plaquetas de 345.000/ml
Como entender o caso?

O caso apresenta-se com as características clínicas indicativas de fasciíte eosinofílica, com início após esforço incomum e pele endurecida e espessada, parecida com casca de laranja (peau d”orange) - figura.

O diagnóstico diferencial é com esclerodermia, porém, a falta de alterações capilares no leito ungueal e de fenômeno de Raynaud tornam esta hipótese pouco provável.
O tratamento inicial é com corticóides.

Veja mais a respeito de fasciíte eosinofílica

Referências:
Shulman LE - Diffuse fasciitis with eosinophilia: a new syndrome? Trans Assoc Am Phys. 1975;88:70-86.

Lakhanpal S, Ginsburg WW, Michel CJ Doyle JA, Moore SB - Eosinophilic fasciitis: clinical spectrum and therapeutic response in 52 cases. Semin Arthritis Rheum. 1988;17:221-231.

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18
Ago

 Fasciíte Eosinofílica

Categoria(s): Dicionário, Fisioterapia, Reumatogeriatria

Dicionário

A fascite eosinofílica é mais comum em paciente de meia-idade e em homens, e pode estar associada a uma atividade física recente. A eosinofilia é o achado laboratorial clássico. A confirmação diagnóstica é feita por biópsia da camada muscular profunda, que mostra uma fáscia mais grossa com infiltrados inflamatórios (figura).

A ressonância magnética mostra espessamento do tecido fibroso (fáscia) ao redor dos feixes musculares.

O tratamento inicial é com glicocorticóides.

A fasciíte eosinofílica não apresenta comprometimento visceral, alterações capilares ou fenômeno de Raynaud.

Referência:

French LE, Shapiro M, Junkins-Hopkins JM, Wolfe JT, Rook AH. Eosinophilic fasciitis and eosinophilic cellulitis in a patient with abnormal circulating clonal T cells: increased production of interleukin 5 and inhibition by interferon alfa. J Am Acad Dermatol. 2003;49:1170-4.

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16
Jun

 Estudo de caso - Fasciíte necrotizante

Categoria(s): Caso clínico, Dermatogeriatria, Emergências, Endocrinogeriatria, Infectologia

Interpretação clínica

  • Mulher de 62 anos deu entrada no departamento de emergência queixando-se de intensa dor na coxa direita. Portadora de diabetes mellitus tipo 2, sendo tratada com sulfoniluréia de segunda geração. Tem artrite e está usando antiinflamatórios não-esteróides para controle da dor articular. Nega hipertensão arterial ou cardiopatia. Há 1 dia, pela manhã, notou uma dor na parte superior da coxa direita e pensou que poderia ser uma agudização da artrite e, assim sendo, tomou uma dosagem extra de ibuprofeno. No mesmo dia, tarde da noite, a coxa ficou inchada e estranhamente sensível. Ela foi ao pronto socorro, onde foi atendida por um médico residente, que a encaminhou ao departamento de emergência.
  • Ao exame físico, obesa e estava ansiosa. Temperatura de 38,9 graus C. Foi observada um leve taquicardia. A coxa direita estava inchada e extremamente sensível ao toque mais profundo. Havia uma mancha vermelha pequena (5 cm de diâmetro) no centro da área sensível. Uma radiografia da coxa não revelou alteração óssea, a não ser as referentes à osteoartrite nos quadris e nos joelhos. O exame não revelou presença de gás no tecido mole. Foi admitida com o diagnóstico de celulite. No dia seguinte a paciente estava pior, com quadro toxêmico. Um TC da coxa revelhou edema difuso nos grupos musculares.
Como entender o caso?
 
Acreditou-se que esta paciente apresenta celulite, com base nos achados cutâneos locais e febre. No entanto, sua apresentação inicial era suspeita para infecção mais profunda, devido à dor desproporcional na área do eritema e diabetes. O estado toxêmico sugere lesão grave.

Esta paciente pode estar apresentando um quadro gravíssimo de mionecrose (necrose muscular) por germe como Streptococcus pyogenes. O estudo com Ressonância magnética e imediata drenagem cirúrgica do possível abscesso é primordial para a cura.

O diagnóstico mais provável é de fasciíte necrotizante, que refere-se à infecção que envolve os tecidos moles abaixo da camada de gordura subcutânea, especialmente a fáscia e os músculos adjacentes. Essas infecções podem causar destruição irreversível dos tecidos, geralmente progridem rápido, podendo resultar em perda de membros e ameaça à vida. O diagnóstico pode ser atrasado, pois essas infecções são raras. A patogênese mais frequente para fasciíte necrotizante é a infecção de tecidos isquêmicos ou desvitalizado. Isso pode ocorrer em pacientes com doença arterial associada ao diabetes mellitus ou à aterosclerose, após grandes cirurgias, ou após acidentes ou traumas graves. Infecções em tecidos pouco perfundidos é relativamente inacessível às defesas humoral e celular do paciente. Consequentemente, o microorganismo prolifera rapidamente, liberando toxinas e produtos metabólicos que lesam mais tecido e, portanto, estesnde a infecção.

Somente a drenagem cirúrgica isolada pode não controlar a necrose tecidual; tratamento definitivo requer exploração cirúrgica e debridamento.

Medidas físicas como elevação das pernas e compressas mornas podem ajudar a reduzir os sintomas, mas elas não alteram o curso de piora da doença. 

Referências:

Yoder EL, Mendez T, Khatib R. Spontaneous gangrenous myositis induced by Streptococcus pyogenes: case report and review of the literature. Rev Infect Dis 1987;9:382-385.

Bisno AL, Stevens DL - Streptococcal infections in skin and soft issue. N Engl J Med. 1966;334:240-245. 

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