20
Abr

 Câncer e Morte celular programada

Categoria(s): Biogeriatria, Bioquímica, DNT, Oncogeriatria

Resenha

A manutenção do tamanho de um orgão ou tecido é mantida às custas do equilíbrio entre a formação e destruição das células. Fisiologicamente a apoptose é um dos principais participantes ativos da homeostase no controle do equilíbrio entre a taxa de proliferação e morte em um tecido, o que auxilia na manutenção do tamanho e forma dos tecidos e órgãos adultos e em desenvolvimento. É fácil imaginar que para uma determinada taxa de proliferação celular, deverá existir uma mesma taxa de morte celular. Quando a taxa de proliferação for exagerada ou a taxa de morte for baixa, ocorrerá o aparecimento de uma neo(novo)plasia(tecido)=câncer.

Câncer

O conhecimento da atuação dos proto-oncogenes, dos genes supressores de tumor e agentes extracelulares, que levam a morte celular programada, será muito importante para o conhecimento da senescência (envelhecimento natural do indivíduo) e como retarda-la.

Indutores de apoptose
Existem muitos agentes que podem induzir o processo apoptótico, dentre eles podem ser citados alguns ativadores fisiológicos como fatores de crescimento, neurotransmissores, glicocorticóides e o cálcio, e outros. Fatores ambientais também podem ser considerados indutores de apoptose, como, por exemplo, os choques de temperatura, toxinas bacterianas, radicais livres, agentes oxidantes, agentes genéticos, dentre outros. Muitos agentes farmacológicos podem também induzir a apoptose, como, por exemplo, os quimioterápicos, antibióticos, radiações, peptídeos beta-amilóide e o etanol.

Inibidores da apoptose
Dos agentes que inibem a apoptose, citam-se principalmente os hormônios esteroides, zinco, fatores da matriz extracelular, alguns aminoácidos.

O conhecimento da biologia celular moderna tem revelado a cada dia que a morte celular programada e seus indutores e inibidores podem ser a chave da compreensão e entendimento de muitas doenças.

Nos cânceres, a quebra do mecanismo que regula a população celular pode levar a um acúmulo de células neoplásicas. Quase todas as drogas quimioterápicas levam à morte da célula tumoral através da ativação do programa de morte celular apoptótica.

O entendimento dos processos bioquímicos e genéticos da apoptose será de extrema importância na geriatria, na cura e prevenção de muitas doenças e compreensão do envelhecimento celular.

Referência:

Thompson CB. Apoptosis in the pathogenesis and treatment of disease. Science, 1995; 267:1456-62.

Molina FD et al - Apoptose em otorrinolaringologia e cabeça e pescoço. Rev. Bras. Med . V.60 N.6 Julho de 2003: 365-369.

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06
Dez

 Insônia nas idosas - Papel da Menopausa

Categoria(s): Endocrinogeriatria, Ginecogeriatria, Neurogeriatria

Comentário

Os transtornos do sono constituem uma queixa comum entre as mulheres na menopausa. Alguns estudos sugerem que mulheres em transição para a menopausa apresentam problemas de insônia com uma freqüência muito maior que as jovens na pré-menopausa. Entre as prováveis causas de insônia ou outros tipos de transtornos de sono associados à menopausa, destacam-se os fogachos e as sudoreses noturnas, além das presenças dos quadros depressivos, da apnéia do sono, e dos quadros de dores crônicas.

As alterações na arquitetura do sono, particularmente aquelas que resultem na redução do sono delta (estágios 3 e 4 do sono, também chamados de “sono profundo” , sono delta ou sono de ondas lentas), costumam ser acompanhadas de prejuízo de funções de alerta diurno e de memória, diminuindo o desempenho em atividades laborativas, piora de quadros de dor crônica, além de uma série de alterações neuroendócrinas como, intolerância à glicose, alterações nos níveis de produção e secreção de prolactina, do hormônio de crescimento e de cortizol.

O eixo hipotâlamo-hipofisário-gonadal parece exercer papel modulador sobre os neuroesteróides e neurotransmissores ligados ao controle do humor e sono, como a serotonina, o GABA e a melatonina. Esse eixo mantém relações com a adrenal, o que certa forma leva as respostas humorais ao estresse, precipitando sintomas depressivos e distúrbios do sono, quando ocorrem variações dos níveis dos hormônios gonadais.
Durante algum tempo admitiu-se que o uso de terapias hormonais era o tratamento ideal para os diversos sintomas da menopausa, inclusive a insônia. Porém, atualmente, considerando-se os riscos cardiovasculares e o câncer de mama, a procura por terapias alternativas não-hormonais tem sido a tônica.

Terapias como o uso da técnica cognitivo-comportamental, que procura orientar como se comportar em relação ao sono, são cada vez mais empregadas.

Referência:

Buckey TM e Schatzberg AF On the interactions of the hypothalamic-pituitary-adrenal (HPA) axis and sleep: normal HPA axis activity and circadian rhythm, exemplary sleep disorders. J Clin Endocrinol Metab 90(5):3106-3114,2005.

Soares CN - Insônia na menopausa e perimenopausa - características clínicas e opções terapêuticas. Rev. Psiq. Clin 32(2):103-109,2006

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