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Esclerose sistêmica progressiva - manifestações cardiovasculares
Categoria(s): Cardiogeriatria, Dermatogeriatria, Reumatogeriatria |
Resenha
Esclerose sistêmica progressiva
A esclerose sistêmica progressiva é definida como uma doença auto-imune sistêmica na qual os pacientes desenvolvem extensa disfunção do tecido conjuntivo, representada clinicamente por espessamento e fibrose cutânea, podendo estar associada com alterações do sistema osteoarticulomuscular e com manifestações sistêmicas diversas, cardÃacas, pulmonares, renais e gastrointestinais.
O coração tem sido reconhecido como um órgão alvo na esclerose sistêmica (ES) desde o primeiro trabalho de Weiss e col, em 1943.
Importantes alterações cardiológicas tem sido verificadas em 50% das necropsia de pacientes portadores de ES e representou a causa de óbito em no mÃnimo 15% deles.
A despeito da ausência de sintomas, o coração e freqüentemente acometido nesta doença e se faz necessário o diagnóstico precoce e conveniente tratamento.
Disritmias - Clinicamente, Kostis e col encontrou em teste de monitorização eletrocardiográfica de 24 horas (Holter) a prevalência de 67% de ectopias ventriculares. Havendo forte correlação entre a disritmia ventricular e mortalidade.
Chamou atenção para o fato da alta incidência de disritmias nos pacientes que estavam em uso de drogas antiarrÃtmicas, sugerindo efeito de pro-arritmia, sobretudo nos casos de taquicardia ventricular espontânea.
Hipertensão pulmonar - A hipertensão pulmonar secundária a ES é um fato de suma importância, conseqüente a proliferação Ãntimal ou coagulação intravascular disseminada das pequenas artérias pulmonares.
A insuficiência do ventrÃculo direito, causa edema visceral (hepatomegalia, espleno-megalia), ascite, edema nos membros inferiores e anasarca.
A deterioração da função ventricular direita pode ocorrer por dois motivos, ou seja, pela própria ES no músculo e coronárias do ventrÃculo direito, ou pela sobre carga imposta a esta câmara pela hipertensão pulmonar secundária.
Miocardiopatia - A miocardiopatia na ES resulta do efeito vascular isquêmico e pela própria ES, que agindo no interstÃcio prejudica a nutrição das células miocárdicas.
Como vimos esta ação deteriora a função do ventrÃculo direito, e também do ventrÃculo esquerdo, causando queda da fração de ejeção e conseqüentemente do débito cardÃaco.
Sistema de condução - As razões da lesão no sistema de condução ainda são incertas, porém existem comprovações de anormalidades estruturais do nódulo sinusal, nódulo atrioventricular, feixes de His e seus ramos.
Coronariopatia - A insuficiência coronária tem sido bem demonstrada na ES pela cintilografia com tálio-201. Ocorrendo várias explicações para este fato, como a proliferação da camada Ãntima das pequenas artérias coronárias intramurais, a coagulação intravascular disseminada nessas mesmas artérias, espasmo coronário dos vasos epicárdicos.
Estas lesões isquêmicas podem resultar em infarto do miocárdio ou insuficiência contrátil difusa (miocardiopatia).
Diagnóstico - O diagnóstico é clÃnico e por biópsia da derme com análise histopatológica.
Tratamento - O tratamento do quadro de esclerose sistêmica melhora o quadro cardiológico, Quando necessário institui-se a medicação cardiológica especÃfica.
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Referências:
Anvari A, Graninger W, Schneider B, Sochor H, Weber H, Schmidinger H - Cardiac involvement in systemic sclerosis. Arthritis & Rheumatism, 1992;35(11):1356-1361.
Jasoni DL, Osborn TG, Moore TL, Shah DG, Kenney RG, Zuckner J - Heart disease in systemic sclerosis. Semin Arthritis Rheum. 1989;19:191-200.
Subcommittee for Scleroderma Criteria of the American Rheumatism Association Diagnostic and Therapeutic Criteria Committee: Preliminary criteria for the classification of systemic sclerosis (scleroderma). Arthritis Rheum. 1980;23:581-590.
Maddahi J, van Train K, Prigent F, Garcia EV, Friedman J, Ostrzega E, Berman D - Quantitative single photon emission computed thallium-201 tomography for detection and localization of coronary artery disease: optimization and prospective validation of a new technique. J Am Coll Cardiol. 1989;14:1689-1699.
Kostis JB, Seibold JR, Turkevich D, Masi AT, Grau RG, Medsger TA Jr, Steen VD, Clements PJ, Szydlo L, D’Angelo WA - Prognostic importance of cardiac arrhytmias in systemic sclerosis. Am J Med 1988;84:1007-1015.
Tags: esclerose sistêmica progressiva, miocardite, vasculite
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