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Fundo de olho – Diabetes
Categoria(s): Conceitos, Endocrinogeriatria, Oftalmologia |
Resenha
A incidência de cegueira é 25 vezes mais frequente nos diabéticos que nos não diabéticos. Este fato, por si só, nos obriga a investigar periodicamente a retina do paciente diabético, e isto é feito através do exame do fundo de olho, que é peça fundamental no estudo do paciente diabético.
Existem três tipos de retinopatia diabética: não-proliferativa; pré-proliferativa e proliferativa.
- Figura 1. Estruturas anatômicas do olho
Legenda A- retinopatia diabética, B- exame com fluoresceina, C- fundo de olho normal
Fase não-proliferativa – Durante a fase não-proliferativa pode se observar no fundo de olho os microaneurismas, que são resultantes da oclusão, dilatação e aumento da permeabilidade dos pequenos vasos da retina. Os micro aneurismas por si só não são ameaça a visão, e a maioria desaparece na evolução. No entanto, o número de microaneurismas retinianos é um preditor importante na progressão da retinopatia diabética.
Se houver vazamento de lÃquido seroso e de lipoproteÃnas para a área da mácula, pode ocorrer edema macular, e a visão central pode ficar comprometida. O edema macular não pode ser detectado com o exame pelo oftalmoscópico, mas sua presença pode ser suspeitada se existirem exsudatos duros nas proximidades da mácula. Quando este fato é detectado, devemos encaminhar com urgência o paciente para o oftalmologista pois existe o risco de perda da visão, e o tratamento com fotocoagulação a laser pode reduzir em 50% o risco da perda da visão pelo edema macular.
Fase pré-proliferativa – Na fase pré-proliferativa (figura A e B) encontramos no exame do fundo de olho “Pontos de algodão” (exsudatos moles) que são infartos isquêmicos da camada inferior da retina e representam formas avançadas de retinopatia. Estes infartos podem ser acompanhados por “nodulações” das veias retinianas ou tortuosidades dos capilares.
Fase proliferativa – Na fase proliferativa observamos, no exame do fundo de olho, a neovascularização da superfÃcie da retina que algumas vezes se estende para o humor vÃtreo posterior, e é o estágio mais ameaçador à visão. Novos vasos tendem a sangrar, e se o sangramento ocorrer no humor vÃtreo, o paciente relata “flutuações” ou “teias”. Uma grande hemorragia retinitana pode causar cegueira súbita indolor.
A proliferação de tecido fibroso que se segue à retinopatia proliferativa pode levar ao deslocamento da retina e a contrações de tecido fibroso.
A retinopatia diabética está relacionada a hiperglicemia crônica e existem três hipoteses para explicar este relacionamento: o acúmulo de sorbitol dentro das células retinianas; o acúmulo de produtos finais da glicosilação avançada no lÃquido extra celular; e um distúrbio na auto-regulação do fluxo sanguÃneo retiniano. Ou seja, a retinopatia é resultante da interação de fatores hemodinâmicos, hormonais e bioquÃmicos.
Veja – Diabetes – Retinopatia diabética
Referência:
Ferris FL 3rd, Davis MD, Aiello LM – Treatment of diabetic retinopathy. n Engl J Med. 1999;341:667-678.
Tags: diabetes, edema macular, exsudato moles, exsudatos duros, fundo de olho, retinopatia
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