Editorial
Terapia biológica – O futuro do tratamento médico?
De uma forma geral as terapia convencionais para as doenças crônicas são complicadas de sucesso relativo. Os estudos da biologia das reações celulares e humorais têm aberto um novo campo a pesquisa da terapia destas doenças.
As principais doenças inflamatórias intestinais são: a Doença de Crohn (DC) e a Retocolite Ulcerativa inespecÃfica (RCUI). Elas ocorrem a partir da interação de fatores genéticos, luminais (presentes na luz intestinal, como bactérias, seus produtos e antÃgenos alimentares), os relacionados à barreira intestinal (aumento da permeabilidade intestinal) e à imunorregulação da mucosa intestinal.
A RCUI acomete a mucosa do cólon e reto, enquanto a DC agride toda parede intestinal (inflamação transmural) gera reação granulomatosa em qualquer parte do tubo digestivo, com predileção pela região ileal e ileocecal.
Tratamento
Em tratando-se de enfermidades crônicas, com perÃodos variáveis de acalmia e recaÃdas, é fundamental que os médicos informem o paciente sobre isso e a necessidade de controles periódicos. O esquema terapêutico envolve o conhecimento de todo o estado geral do paciente, sobre tudo os possÃveis produtos alimentÃcios que podem desencadear reações do sistema imunológico. Esses alimentos deletérios (diagnósticado pelo teste de alergia alimentar – RAST) devem ser afastado e substituÃdos por outros saudáveis, sob orientação de uma nutricionista.
Os produtos farmacológicos mais indicados são: Derivados salicÃlicos (sulfassalazina e novos derivados salicÃlicos = Olsalazina, Balsalazida, Mesalazina,etc); Corticosteróides (hidrocorisona, prednisona, prednisolona) e Imunomoduladores (azotioprina, 6-mercaptopurina, cloroquina, ciclosporina e metrotrexato).
Terapia biológica – são compostos que age em mediadores e fenômenos naturais e fisiológicos. Esta terapia nas doenças inflamatórias intestinais (DII) objetivam promover um bloqueio seletivo de mediadores inflamatórios (imunidade adquirida), bem como do aumento da imunidade inata.
Trabalhando a imunidade inata
1. Fatores de crescimento (fator epidérmico de crescimento, fator trefoil, TGF-beta, hormônio de crescimento, fator de crescimento do queratinócito) têm sido testados na sentido de melhorar a defesa do trato digestivo (efeito barreira)
2. Prebióticos, probióticos e simbióticos agem modificando a microbiota intestinal e normalizam o conteúdo de Bifidobacteria e Lactobacilli, diminuindo o contingente antigênico imposto às células imunocompetentes da parede intestinal. Estes produtos, também, estimulam a secreção de mucina e de TGF-beta, aumentando a capacidade de defesa do trato gastrointestinal. Veja mais
3. Fator estimulador de colônias de granulócitos e macrófagos (GM-CSF, Sargramotin) melhoram a imunidade inata do intestino.
Trabalhando a imunidade adquirida
No caso da imunidade adquirida, é possÃvel bloquear:
1. Interleucina 12 (IL-12) => anti-IL-12 ou ABT-874
2. Interleucina 2 (IL-2) => anti-IL-2, daclizumabe e basiliximabe
3. Interferon-gama => anti IFN-gama, fontolizumabe e HuZAF
4. clones de células T (CD4+) => anti CD3, visilizumabe ou HuM291
5. alfa Interleucina 6 (alfa IL-6)=>atlizumabe
6. Moléculas de adesão:
–integrina a4 => natalizumabe; integrina alfa4beta7=>MLN-02, LPD-02; intercelular 1 => ICAM1,alicaforsen ou ISIS 2302
7. Fator de necrose tumoral alfa (FNT-alfa) =>infliximabe, certolizumabe e adalimumabe
No Brasil, o infliximabe (anti FNT) é a droga mais testada, e já comercializada. Os efeitos colaterais dependem da velocidade de infusão, como febre, cefaléia, náuseas, dor abdominal, tonturas, artralgia, dor torácica, abscessos, furunculose, pneumonia, infecções das vias aéreas superiores, bronquite, faringite e risco de linfoma não Hodgkin.
No caso da imunidade adquirida, é possÃvel oferecer:
1. citocinas antiinflamatórias – Interleucina 10
Muitas destas terapias biológicas estão em fase experimental. Entretanto, os resultados preliminares são encorajadores.
As pesquisas no campo da terapia biológica certamente trarão medicamentos mais eficazes, de fácil administração, com pouco efeito adversos e com grande impacto sobre a história natural das doenças crônicas, como a Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa inespecÃfica
Referências
Bouma G, Stroger W – The immunological and genetic basis of inflammatory bowel disease. Nature Rev 2003;3:521-33.
Damião AOMC, Habr-Gama A- Retocolite Ulcerativa Idiopática. In Dani R, Paula-Castro L eds. Gastroenterologia ClÃnica. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1993: 1037-76.
Damião AOMC et al – Doença inflamatória intestinal Rev Bras Med 2006;63:108-122