31 - mai

Tromboangeíte obliterante – Doença de Buerger

Categoria(s): Angiologia Geriátrica, Dicionário, DNT, Imunologia, Inflamação

Angiologia – Tromboangeíte obliterante

Doença de Buerger

A tromboangeíte obliterante, também conhecida como doença de Buerger, é uma doença obstrutiva que acomete artérias de pequeno e médio calibre das extremidades e eventualmente algumas veias superficiais – a chamada tromboflebite superficial migratória que pode preceder as lesões arteriais. As lesões são de natureza inflamatória mediada pelo sistema imunológico que ocorre particularmente em indivíduos, brancos, do sexo masculino, com idade menor que 40 anos. Nesta doença chama a atenção a estreita relação com o tabagismo sendo a persistência deste vício, um importante fator prognóstico na evolução da doença.

Sintomatologia – Os sintomas causados pelo fornecimento reduzido de sangue aos braços ou às pernas aparecem de forma gradual; iniciam-se nas cabeças dos dedos das mãos ou dos pés e progridem pelos braços ou pelas pernas acima, envolvem parestesias (formigamentos), claudicação do pé e panturrilha, alteração da coloração dos dedos, frialdade, lesões cutâneas como ulceração e gangrena. Tromboflebite superficial migratória poderá ocorrer antes da doença se manifestar, ou na fase crônica. A dor é uma queixa habitual podendo surgir antes das lesões tróficas mesmo em repouso, ou com as lesões já instaladas.

Diagnóstico – Em mais de 50 % dos casos, o exame físico mostra pulso arterial está fraco ou ausente numa ou mais artérias dos pés ou dos braços. Com frequência, as mãos, os pés e os dedos das mãos ou dos pés tornam-se pálidos quando se elevam acima da altura do coração e vermelhos quando se baixam (chamado de rubor isquêmico). Podem, assim, aparecer úlceras na pele e gangrena num ou mais dedos da mão ou do pé. A ecografia Doppler revela uma grave diminuição da pressão do sangue e do fluxo sanguíneo nos pés, nas mãos e nos dedos afectados. As angiografias (radiografias das artérias) mostram artérias obstruídas e outras anomalias da circulação, sobretudo nas mãos e nos pés. A figura acima mostra as artérias da perna obstruídas e a circulação arterial da perna é feita por pequenas artérias neoformadas, chamada de circulação colateral. Não há exames laboratoriais para confirmar tromboangeíte obliterante, entretanto os exames de rotina como hemograma, glicemia, VHS, coagulograma e perfil lipídico deverão ser realizados.

Às vezes torna-se necessário proceder a investigação de trombofilias (proteínas C e S, antitrombina III, anticardiolipinas) e vasculites do colágeno.

Tratamento – A dor é um dos sintomas mais freqüentes e deve ser tratado de acordo com a intensidade. Para isto pode-se utilizar desde as drogas analgésicas e antiinflamatórias mais comuns até os opiáceos para casos graves. Devido à ansiedade e tendência à depressão, pode-se usar medicações ansiolíticas e antidepressivas. Em certos casos há necessidade de bloqueios anestésicos que são também úteis para a realização de curativos.

A cirurgia habitualmente fará parte do plano terapêutico do portador de tromboangeíte obliterante em algum momento da sua vida. Poderá ser preventiva – revascularizações e simpatectomia – ou curativa – debridamentos e amputações. Lamentavelmente os poucos candidatos às revascularizações (menos que 10%) têm baixo índice de sucesso (em geral inferior a 30%) quando comparados aos indivíduos sem revascularização.

Simpatectomia – Simpatectomia é a secção do nervo simpático da região afetada e pode ser indicada com a finalidade de melhorar a perfusão cutânea e eventualmente para facilitar a cicatrização. Seu efeito sobre o sintoma isquêmico muscular – claudicação – é irrelevante. Apesar das ressalvas é um procedimento que poderá fazer parte do plano terapêutico em pacientes sem indicação da cirurgia arterial de revascularização. A neurotripsia (secção da porção sensitiva do nervo) é uma opção extrema para casos de dor refratária em que ainda não há indicação da amputação. Amputação poderá ser a única opção para muitos pacientes, e em alguns casos poderá ser primeiro tratamento a ser realizado.

ORIENTAÇOES GERAIS – Aconselha-se a caminhar entre 15 a 30 minutos, duas vezes por dia, exceto as pessoas com gangrena ou dor em repouso, as quais, pelo contrário, podem necessitar de repouso na cama. Os pés deverão ser protegidos com ligaduras almofadadas para os calcanhares ou com botas de espuma de borracha. A cabeceira da cama pode ser elevada com blocos de 12 cm a 18 cm, para que a gravidade facilite o fluxo de sangue pelas artérias das pernas. A pessoa deve deixar de fumar; caso contrário, o processo agravar-se-á de forma inexorável e, finalmente, será necessária uma amputação do membro necrosado. Também deve evitar a exposição ao frio; as lesões por calor ou por frio, ou substâncias como o iodo ou os ácidos usados para tratar calos e calosidades; as lesões provocadas pelo calçado mais apertado ou por pequena cirurgia como retirar as calosidades.

Referência:

Bacon PA. Therapy of vasculitis. J Rheumatol 1994;21(5):788-790.

Buerger L. Thrombo-angiitis obliterans: a study of the vascular lesions leading to presenile spontaneous gangrene. Am J Med Sci 1908;136:567-580.

Mills JL, Porter JM. Buerger’s disease (thromboangiitis obliterans). Ann Vasc Surg 1991;5:570-572.

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09 - nov

Tromboflebite – O que é?

Categoria(s): Angiologia Geriátrica, Dicionário, Hematologia geriátrica

Dicionário

Tromboflebite

Abstrat:
Thrombophlebitis is swelling (inflammation) of a vein caused by a blood clot. Thrombophlebitis can appear in patients hospitalized for a major surgery or with a major illness; disorders that make more likely to develop blood clots as to stay sitting for a long period of time (such as on a long airplane trip). The health care provider can usually diagnose the condition based on how the affected area looks, as: inflammation (swelling) in the part of the body affected; pain in the part of the body affected; skin redness; warmth and tenderness over the vein. In general, treatment may include support stockings and wraps to reduce discomfort as well as medications such as: Analgesics (pain killers); Antibiotics (if infection is present) and anticoagulants (blood thinners) to prevent new clots from forming.

 

 

A tromboflebite é caracterizada por um quadro de dor e hiperemia localizada, na trajetória da veia acometida por irritação contínua do endotélio seguida de uma colonização bacteriana. A lesão apresenta-se hiperemiada, edemaciada e com a presença de um cordão palpável (foto). A veia geralmente evolui para um cordão endurecido e indolor, que com o passar do tempo desaparece totalmente. Esta evolução não dura mais que um mês, e dificilmente evolui para embolia pulmonar.

A causa mais comum é a iatrogênica, provocada pelas agressões químicas (soluções concentradas) e mecânicas (punções e cateterizações). Menos comum são as de origem endoteliais como doenças de Behçet, Mondor e Buerger. Hematológicos como deficiência de antitrombina III, co-fator II da heparina, proteinas C e S, fator XII, defeitos no sistema fibrinolítico, alterações do plasminogênio, desfibrinogenemia, anticoagulante lúpico e sindrome do anticorpo anticardiolipina.

Pode ocorrer tromboflebite por condições que levam a alterações secundárias da coagulação, como neoplasia, gravidez, uso de cotraceptivos, sepcemias, varizes e imobilização pós-operatória.

Diagnóstico – O exame clínico é o principal elemento diagnóstico das tromboflebites superficiais.
Pode-se lançar mão de recursos por imagem como o ultrasson com doppler, principalmente nas tromboflebites extensas de membro inferior que podem evoluir com uma trombose venosa profunda.

Tratamento – O tratamento consiste em afastar a causa base da doença e na adoção de certas
condutas: compressão elásticas do membro, se possível; estimular a deambulação; promover a elevação do membro; instituir o uso de calor local e antiinflamatório; o uso de antibiótico será destinados aos casos de infecção ativa, como nas flebites sépticas; anticoagulantes será reservados para casos específicos, como trombose extensas e ou tromboflebites rebeldes que estejam progredindo e ameaçando o sistema venoso profundo.

Referências:

Lastória, S. Tromboflebite superficial. In: Maffei FHA, Lastória S, Yoshida WB, Rollo HA. Doenças vasculares periféricas. 2a edição. Rio de janeiro: MEDSI; 1995. p. 831-840.

Pitta GBB. Urgências vasculares. In: Batista Neto J. Cirurgia de urgência: condutas. Rio de Janeiro:Revinter; 1999. p. 513-519.

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