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28
Abr
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Doença de Alzheimer - Cuidados de Enfermagem. Parte 1
Categoria(s): Gerontologia |
Resenha
Colaboradora: Larissa Franceschetti Lopes Cunha *
* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp
Demência e Doença de Alzheimer
O aumento da expectativa de vida da população fez com que a demência passasse a ser um dos mais importantes problemas de saúde pública. A incidência e prevalência das demências aumenta com a idade, após 64 anos de idade, a prevalência é de cerca de 5 a 10% e após os 75 anos de idade é de 15 a 20% segundo o Instituto de Geografia e EstatÃstica(IBGE). A demência é um quadro de diminuição progressiva da função cognitiva.
Segundo Matheus Papaléo Netto as formas de demência são: demência senil do tipo Alzheimer, demência por múltiplos infartos, além de outras como: deficiência de vitaminas, hipotireodismo e infecções.
Demência é uma sÃndrome caracterizada pelo declÃnio progressivo e global das funções cognitivas, na ausência de um comprometimento agudo do estado de consciência, e que seja suficientemente importante para interferir nas atividades sociais e ocupacionais do indivÃduo. O diagnóstico de demência exige a constatação de deterioração ou declÃnio cognitivo em relação à condição prévia do indivÃduo.
Dentre os critérios clÃnicos mais utilizados para o seu diagnóstico incluem-se o comprometimento da memória e, ao menos, um outro distúrbio como apraxia, agnosia e afasia. Tal declÃnio interfere nas atividades da vida diária e, portanto, na autonomia do indivÃduo. A abordagem do paciente com demência deve incluir, sempre, a avaliação e monitoramento das habilidades cognitivas, da capacidade para desempenhar atividades da vida diária, do comportamento e da gravidade global do quadro.
A demência do tipo Alzheimer é a mais comum entre as demências em idosos. São 15 milhões de indivÃduos acometidos pela Doença de Alzheimer em todo o mundo e sua prevalência vem aumentando de forma significativa, e no Brasil 500 mil pessoas são acometidas por esta doença .
Dentre todas as demências, a Doença de Alzheimer é a que mais ocupa espaços nas publicações e nos debates nos eventos cientÃficos, bem como na mÃdia em geral. Tal assunto tornou-se mais evidente especialmente depois que personalidades do meio polÃtico, artÃstico e cultural, no âmbito internacional, declararam publicamente que eram portadoras dessa doença. Além disso, nos paÃses desenvolvidos, os altos custos dos tratamentos da demência se avolumaram como nunca antes observado. O aumento dos gastos públicos e privados com os cuidados a um número crescente de portadores da doença provocou forte canalização de investimentos em recursos materiais e humanos em favor da pesquisa e intervenção com os portadores e suas famÃlias.
A doença de Alzheimer descrita pelo neuropatologista alemão Alois Alzheimer em 1907, é uma afecção neurodegenerativa progressiva e irreversÃvel de aparecimento insidioso, que compromete as áreas do cérebro responsáveis pela memória, pensamento e linguagem .
A principal causa de declÃnio cognitivo em adultos, DA, sobretudo em idosos, representando mais da metade dos casos de demência. A idade é o principal fator de risco: sua prevalência passa de 0,7% aos 60-64 anos de idade para cerca de 40% nos grupos etários de 90 a 95 anos. Isso revela a magnitude do problema no Brasil, onde já vivem cerca de 15 milhões de indivÃduos com mais de sessenta anos. A etiologia é desconhecida. Os fatores de risco para a doença de Alzheimer são: história familiar de demência, idade, presença da isoforma E4 da apolipoproteÃna E, trissomia do cromossomo 21, SÃndrome de Down, sexo feminino, traumatismo craniano e exposição ao alumÃnio. Mutações dos cromossomos 1, 14 e 21 (raras) determinam doença de inÃcio precoce e herança autossômica dominante .
Três estágios são caracterizados pela doença de Alzheimer: leve, moderado e grave. Cada estágio pode durar alguns anos. No estágio leve os sintomas são: esquecimento de eventos recentes, comprometimento do aprendizado de novas informações, desorientação têmporo-espacial, dificuldade em realizar tarefas complexas, necessidade de ser lembrado sobre os cuidados pessoais e higiene. No estágio moderado os sintomas são: esquecimento eventual do nome e identidade de familiares e amigos, dificuldades com a noção de tempo, confusão aguda e crônica, agnosia, afasia, anomia, fala menos espontânea e complexa, perda da iniciativa, dificuldade em realizar as atividades da vida diária (AVDs), incontinência urinária e fecal, irritabilidade, agressividade, delÃrios, alucinações e perambulação.
No estágio Grave os sintomas mais freqüentes são: problemas com a memória de longo prazo, perda gradual da orientação de tempo e espaço, comunicação por modo não verbal, perda total da independência, aparência fragilizada , Irritabilidade extrema e mudança de personalidade.
O diagnóstico clÃnico da doença de Alzheimer se baseia na observação do quadro clÃnico compatÃvel e na exclusão de outras causas de demência por meio de exames laboratoriais e de neuroimagem estrutural. A tomografia computadorizada e, particularmente, a ressonância magnética revela atrofia da formação hipocampal e do córtex cerebral, de distribuição difusa ou de predomÃnio em regiões posteriores. Esses pacientes preenchem os critérios diagnósticos da denominada doença de Alzheimer provável. Outra possibilidade é o diagnóstico de doença de Alzheimer possÃvel, em que os pacientes apresentam variações na forma de apresentação ou evolução clÃnica e também nos casos em que outras condições passÃveis de produzir demência estejam presentes, porém sem serem consideradas, com base em juÃzo e experiência clÃnica, responsáveis pelo quadro demencial. O diagnóstico definitivo só é possÃvel por exame anatomopatológico.
O tratamento da doença de Alzheimer envolve estratégias farmacológicas e intervenções psicossociais para o paciente e seus familiares. Inúmeras substâncias psicoativas têm sido propostas para restabelecer ou preservar a cognição do paciente demenciado. Contudo, os efeitos limitam-se a um retardo na evolução natural da doença, permitindo apenas uma melhora temporária do estado funcional do paciente. Os inibidores da acetilcolinesterase são as drogas hoje licenciadas para o tratamento especÃfico da doença de Alzheimer. Tem efeito sintomático discreto sobre a cognição, algumas vezes beneficiando também as alterações não-cognitivas da demência. Porém apresentam efeitos colaterais importantes.
Referências:
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Tags: alucinações, deficit cognitivo, Doença de Alzheimer, incontinência fecal, incontinência urinária, irritabilidade
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