27 - set

Medicina medieval – A dietética medieval e as distinções sociais

Categoria(s): História da medicina, Nutrição

A dietética medieval e as distinções sociais

 

Elisielly Falasqui da Silva
Graduanda em História pela Unicamp

Medicina

Os médicos da Antiguidade greco-romana pensavam em “qualidade da pessoa” para designar uma dieta específica, de acordo com a idade, o temperamento (medicina humoral), o trabalho, enfim, o modo de vida do paciente. Nesse sentido, a “qualidade da pessoa”, na dietética antiga, dizia respeito à sua identidade fisiológica.

            A partir do século IX, a “sociedade tripartite” se estabeleceu, com o mundo dos religiosos (clérigos e monges) separado do mundo laico, e este sendo dividido entre aqueles que guerreavam, ou seja, a nobreza – a quem também fica reservada a prática da caça, pois havia uma associação entre caça e guerra – e aqueles que trabalhavam (sobretudo em atividades agrícolas), ou seja, os camponeses.

            Com essa mudança na sociedade, a noção de “qualidade da pessoa” também se modifica: não designa mais a identidade fisiológica, mas sim a pertença social. “A dietética não se define mais apenas como um conjunto de preceitos de higiene, mas revela-se portadora de uma nova dimensão de norma social, de código de comportamento.” (Massimo Montanari, 1998, p. 296).

            Assim, embora algumas características da dietética antiga tenham se mantido na dietética medieval, como sua proximidade com a arte gastronômica, na primeira personalizava-se a dieta de acordo com as características pessoais; enquanto na segunda a personalização se dava com base na classe social a qual o paciente pertencia. Dessa forma, a dietética se tornou um fator de distinção social e um instrumento para manter a ordem estabelecida.

 

 Referência Bibliográfica

 MAZZINI, Innocenzo. “A alimentação e a medicina no mundo antigo” IN: FLANDRIN, J. e MONTANARI, M. História da alimentação. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.

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25 - set

Medicina medieval – A dietética antiga

Categoria(s): Gerontologia, História da medicina, Nutrição

A DIETÉTICA ANTIGA: Os cuidados com o corpo entre a saúde e a alimentação

Elisielly Falasqui da Silva
Graduanda em História pela Unicamp

Medicina

A medicina da Antiguidade era constituída por três ramos fundamentais: a cirurgia, a farmacologia e a dietética. Esta última abordava questões amplas relacionadas a: alimentação, exercícios corporais, trabalho, banhos, sono, atividade sexual e excreções (por exemplo, a prática de vômitos e purgações para curar as doenças e manter o corpo saudável, prevenindo doenças).

            Nesse sentido amplo, a dieta, na Antiguidade, só estava disponível às pessoas mais ricas, que tinham tempo e dinheiro para dedicar à sua saúde. Os mais pobres recorriam a remédios e, se necessário, cirurgias, mas poderiam receber instruções gerais e breves sobre a alimentação, que sempre deveria ser compatível com o trabalho da pessoa: a ideia, ainda muito atual, era a de que o que a alimentação acrescentava ao corpo era subtraído pelo trabalho ou por exercícios físicos.

            Junto aos conhecimentos de dietética se desenvolveu a medicina humoral. A teoria era de que nosso corpo é formado por humores (ou temperamentos), que devem estar em equilíbrio. A doença era considerada um desequilíbrio dos humores do corpo e, então, a tarefa do médico seria a de restituir a saúde do paciente, equilibrando novamente seus humores.

Esse tipo de medicina exigia conhecimento em dois aspectos: primeiramente, era preciso conhecer o corpo do paciente, pois as dietas eram sempre personalizadas (de acordo com a idade, o trabalho, o modo de vida, etc); depois, era preciso saber quais eram as propriedades específicas dos alimentos. Aos médicos da Antiguidade era necessário saber como tornar os alimentos mais saudáveis e ter um conhecimento polivalente das áreas médicas, do corpo ou da natureza humana, dos temperamentos, de farmacologia, de exercícios físicos… E até a astrologia poderia interferir na dieta prescrita a um paciente!

As teorias dietéticas permaneceram fortes desde o século V a.C. até o século VI d.C. e não se observaram, segundo o historiador Innocenzo Mazzini, muitas mudanças nessas teorias, apenas atualizações, agregando-se novos alimentos às considerações anteriores. Hipócrates, Galeno e Antimo foram alguns dos médicos que mais se destacaram. Para nós, a medicina humoral pode parecer distante e até sem muita lógica, mas, naquela época, as dietas receitadas com base nos temperamentos das pessoas se revelavam, muitas vezes, a única medicina eficaz. A importância que os médicos da Antiguidade davam à alimentação na busca da cura ou manutenção da saúde fica clara na colocação de Galeno, em De alimentorum facultatibus: “Não temos necessidade o tempo todo de outras ajudas, mas sem a alimentação nem os homens saudáveis, nem os doentes, poderiam viver.”

 Referência Bibliográfica

 MAZZINI, Innocenzo. “A alimentação e a medicina no mundo antigo” IN: FLANDRIN, J. e MONTANARI, M. História da alimentação. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.

 

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14 - mar

Dieta – Síndrome pré-menstrual (SPM)

Categoria(s): Endocrinologia geriátrica, Gerontologia, Ginecologia geriátrica, Nutrição

 Síndrome pré-menstrual

 

Orientação dietética


Colaboradora:

Beatriz Carvalho Vida da Silva

Nutricionista

Sumário
O controle dietético da síndrome pré-menstural tem por objetivo evitar o descontrole do sistema serotoninérgico causado pela oscilação dos níveis hormonais dos estrógenos e da progesterona, bem como, minimizar os sintomas desagradáveis da síndrome.

De acordo com  a manifestação principal, a SPM pode ser definida em quatro grupos. Através da caracterização de cada grupo podemos instituir um dieta visando a melhora dos sintomas principais de cada pessoa.

Grupo 1. predomina ansiedade, irritabilidade ou tensão nervosa;
Grupo 2. predomina edema, dores abdominais, mastalgia e ganho de peso;
Grupo 3. predomina cefaléia, podendo ser acompanhada por aumento de apetite, desejo de doces, fadiga, palpitação e tremores;
Grupo 4. predomina quadro depressivo é preponderante, com insônia, choro fácil, esquecimento e confusão.

A teoria mais aceita para explicar o mecanismo fisiopatológico da síndrome pré-menstrual é a oscilação anormal nos níveis dos estrógenos e da progesterona, no ciclo menstrual, atuando sobre a função serotonina, em mulheres mais sensíveis, levando às manifestações da clínicas da síndrome.

Cuidados dietéticos gerais

Linhaça dourada – A linhaça é a maior fonte alimentar de lignanas, um fitoesteróide que “imita” a ação do estrógeno. A lignana é muito importante na menopausa, quando as taxas desse hormônio são baixas, sendo ela um importante agente natural no controle da SPM. A lignana “engana” os receptores de estrógeno e se acopla a eles. Tratando-se de um óleo vegetal natural, os fitoesteróides têm uma ação fraca em relação ao estrógeno, não tendo ação negativa sobre o tecido mamário.

As mulheres que possuem restrição ao uso sementes em sua alimentação, podem utilizar as sementes em farelos ou farinhas – Colocar 1 colher de sobremesa no iogurte, nas vitaminas de frutas ou por cima do arroz.

Magnésio – O consumo de alimentos ricos em magnésio, como leguminosas (feijão, soja, lentilha e ervilha), vegetais de folha verde escura (agrião, espinafre, rúcula entre outros), nozes e grãos de cereais integrais (aveia, granola, arroz, farinha de trigo integral, entre outros) ajuda no controle dos sintomas intestinais e humor.

Sódio – O controle do teor de sódio ajuda a impedir a retenção de líquidos. Assim, quantidades reduzidas de sódio na dieta diminui o inchaço, a irritabilidade e a distenção abdominal.

Triptofano – O triptofano é um aminoácido envolvido na produção da serotonina, neurotransmissor que proporciona a sensação de bem estar e auxilia no combate à depressão. Alguns alimentos ricos em triptofano são: grão de bico, lentinha, nozes, castanha, soja, banana, abacate.

Os alimentos devem ser consumidos diariamente e de preferência na parte da manhã para que o seu efeito possa ser sentido durante o dia.

Cuidados por grupo

Grupo 1. predomina ansiedade, irritabilidade ou tensão nervosa.
Neste grupo, alimentos ricos em triptofano como: grão de bico, lentinha, nozes, castanha, soja, banana, abacate, são bastante úteis por produzir serotonina, neurohormônio envolvido no controle da tensão nervosa, irritabilidade e ansiedade.

Grupo 2. predomina edema, dores abdominais, mastalgia e ganho de peso.
Neste grupo o farelo de aveia é um alimento importante, pois possue uma fibra chamada beta-glucana que contibui para diminuir a fermentação intestinal, que está aumentada nesse período, além das vitaminas do complexo B que contribuem para melhorar as dores nas pernas, caimbras nas panturilhas, irritabilidade e insônia. Usar duas colheres de sopa em sucos, vitaminas de frutas ou saladas de frutas.

Grupo 3. predomina cefaléia, podendo ser acompanhada por aumento de apetite, desejo de doces, fadiga, palpitação e tremores.
Está comprovada que a deficiência de uma substância, a serotonina, é a grande causadora da ansiedade e depressão. Alguns alimentos estimulam a síntese se serotonina, responsável pela sensação de bem-estar, e podem ajudar no controle do estresse e das emoções. Como a síntese de serotonina depende de triptofano, alimentos ricos em triptofano como: grão de bico, lentinha, nozes, castanha, soja, banana, abacate, são importantes no tratamento desta forma de síndrome pré-menstrual, diminuindo a compulsão por doces e aumento do apetite.

As frutas como banana, melancia e manga produzem a saciedade, diminue a vontade de doces e é ótima forma de acrescentar farelo de aveia ou linhaça

Grupo 4. predomina quadro depressivo é preponderante, com insônia, choro fácil, esquecimento e confusão.
Os alimentos do grupo 1 são importantes nos quadros depressivos. Porém, para manter os níveis de serotonina altos e evitar a oscilação de fornecimento de açúcar ao cérebro os acúcares refinados devem ser evitados e substituídos por farinhas integrais nos pães e massas. Comer cereais integrais pela manhã também ajuda a manter os níveis de serotoninas altos.

 

<< Cuidados alternativos
   

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10 - mar

Síndrome pré-menstrual – Fatores agravantes

Categoria(s): Gerontologia, Ginecologia geriátrica, Sexualidade e DST

Síndrome Pré-menstrual

 

Fatores agravantes

 

Causas ambientais podem também estar relacionadas à TPM. Entre elas, ressalta-se o papel da dieta. Alguns alimentos parecem ter importante implicação no desenvolvimento dos sintomas, como chocolate, cafeína, sucos de frutas e álcool. As deficiências de vitamina B6 e de magnésio também, devem consideradas na piora dos sintomas.

 

<< Sintomas
  Diagnóstico>>

Referências:

Silva CML, Gigante DP, Carret MLV, Fassa AG. Population study of premenstrual syndrome. Rev. Saúde Pública. 2006;40(1):47-56.

Valadares GC, Ferreira LV, Correa Filho H, Silva MAR. Transtorno disfórico pré-menstrual revisão: conceito, história, epidemiologia e etiologia. Rev. psiquiatr. clín. 2006;33(3):117-23.

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10 - set

Cálculos biliares

Categoria(s): Emergências, Gastroenterologia

Cálculos biliares

O principal componente dos cálculos biliares é o colesterol em combinações variáveis com sais de cálcio e bilirrubina. Os cálculos com pigmentação marrom-enegrecida são constituídos de saida de cálcio de bilirrubina e ocorrem principalmente nos pacientes com doenças hepática em estágio final e as doenças hemolíticas como talassemia e anemia falciforme. Algumas populações têm uma maior prevalência de cálculos biliares sugerindo fator genético na sua causa, porém não pode-se descartar uma característica alimentar desse grupo.

As pessoas obesas que emagrecem rapidamente, como nos casos de cirurgia bariática, tem maior propenção a desenvolver cálculos biliares, assim como a idade avançada (40% das mulheres com mais de 60 anos), níveis baixos de HDL colesterol e niveis elevados de colesterol total e triglicérides. Uso de pílulas anticoncepcionais e estrogenioterapia.

Sintomatologia – A maioria dos paciente com cálculos biliares não referem nenhum sintomais e os mesmos são achados em exames radiológicos e de ultra-som abdominal realizados por outros motivos.

Os cálculos biliares podem apresentar dor de variável intensidade no quadrante superior direito do abdome, podendo irradiar-se para a escápula e ombro direito e intolerância a alimentos gordurosos.

A colecistite (inflamação da vesicula biliar) é a complicação temida que resulta em uma urgência terapêutica com abdominal intensa, febre, toxemia, náuseas e vômitos. Cálculos que estiverem alojados ou transitando nos ductos biliar comum, cístico ou pancreático pode levar a quadros de colangite ou pancretite  aguda.

Veja mais – Dispepsia

Tratamento – Cálculos biliares assintomáticos não devem ser tratados, por que a maioria permanece assintomática e não estão associados com complicações biliares ou neoplasias. Ao longo do tempo a morbidade do tratamento é maior que a morbidade dos cálculos assintomáticos.

A retirada da vesícula biliar (colecistectomia) por cirurgia eletiva laparoscópica é reservada para os 15% dos casos que desenvolvem sintomas. O tratamento clínico com ácidos biliares e/ou litotripsia são menos efetivos que cirurgia e são indicados para os cálculos sintomáticos em pacientes com alto risco anestésico-cirúrgico, ou que recusam a cirurgia.

Dietas – Não existe nenhuma dieta eficaz para o tratamento da litíase biliar.

Referência:

Ransohoff DF, Gracie WA – Treatment of gallstones. Ann Inter Med. 1993;119:606-619.

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