01 - jun

Dor no joelho – Artrose do joelho (Gonartrose):Condroprotetores

Categoria(s): Fisioterapia, Inflamação, Reumatologia geriátrica

Resenha

O viver sem dor nos joelhos

Colaborador: Adalberto Jose de Oliveira Neto *

* Médico e pós-graduado do curso de Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A terapia farmacológica da artrose focaliza-se nos medicamentos que agem rapidamente para o alívio dos sintomas (analgésicos, antiinflamatórios), fármacos de administração local e drogas de ação lenta. Estas foram denominadas SADOAs na década de noventa pela Organização Mundial da Saúde e pela Liga Mundial de Luta contra o Reumatismo.

SADOAs – São drogas que iniciam sua ação cerca de quinze a vinte dias e podem prolongar seus efeitos durante algumas semanas depois de suspensa sua administração.  Além disso, agem sobre a sintomatologia, sem inibir a síntese de prostaglandinas (PGs), exercendo, assim, um efeito sintomático de ação lenta (SySADOA). Denominam-se condroprotetores porque têm evidenciado efeito anti-evolutivo sobre a doença, propostos como agentes modificadores da doença (DMOAD) (Nasswetter, 2001).  São eles: sulfato de glucosamina, sulfato de condroitina, diacereína e ácido hialurônico.

Glucosamina
– A glucosamina (GLU) é uma substância sintetizada pelo organismo, encontrada na cartilagem, composta de glicose e aminoácido. Desempenha um importante papel na manutenção e reparação da cartilagem articular. O sulfato de glucosamina é um sal da glucosamina sintetizado artificialmente (Nasswetter, 2001).

Estudos in vitro usando condrócitos humanos mostram que a GLU não só se incorpora dentro dos glicosaminoglicanos, mas estimula a síntese dos proteoglicanos.

Um recente estudo de Gouze et al. (2001) destaca que a GLU, além de ser uma base externa preferencial para o condrócito do paciente com artrose, possui um mecanismo farmacológico de ação própria: previne os efeitos deletérios da IL-1β no metabolismo dos proteoglicanos (efeito DMOAD) e age também sobre a geração de PGs proinflamatórias e do óxido nitroso (ação SySADOA), pela inibição desta citoquina que está aumentada na artrose.

Sulfato de condroitina – O sulfato de condroitina é um polissacarídeo sulfatado e consiste de cadeias repetidas de moléculas denominadas mucopolissacarídeos. É o maior constituinte da cartilagem, promovendo estrutura, retenção de água e nutrientes, permitindo que outras moléculas se movam através da cartilagem.

A condroitina estimula a síntese de colágeno e proteoglicanos, importantes componentes da cartilagem. A administração de preparações com sulfato de condroitina permite a deposição deste na cartilagem onde, além da função de restabelecer as propriedades funcionais do tecido cartilaginoso, pode inibir enzimas que destroem a matriz cartilaginosa, como a elastase de leucócitos e hialuronidase. Também possui a característica de fixar água (as cadeias de sulfato de condroitina possuem carga negativa, em virtude da presença de enxofre, que capturam as moléculas de água, dando a cartilagem característica de uma esponja. Quando a articulação está relaxada, a cartilagem absorve o líquido sinovial da cápsula articular. Quando comprimida, o fluido é espalhado pela articulação promovendo a lubrificação, nutrição e eliminação de substâncias), assegurando a flexibilidade e resistência mecânica da mesma (Rezende e Gobbi, 2009).

Diacereína – A diacereína é um lipídeo solúvel cujo metabólito ativo é a reina que ocorre por acetilação da carboxiantroquinona. Sua principal ação é inibir os efeitos da IL-1 e estimular a produção de TGF-ß.

Atua principalmente pela inibição dos efeitos da IL-1, a qual degrada a proteína inibidora do fator nuclear capa beta, que leva à transcrição de óxido nítrico, IL-1, TGF e metaloproteinases. Também tem propriedades anabólicas, estimulando a produção de TGF-ß, proteoglicanos, colágeno e ácido hialurônico. Além de eficaz no alívio sintomático da artrose, foi comprovada, em estudo de longo prazo (três anos), multicêntrico e prospectivo, a ação modificadora da doença pela menor diminuição do espaço articular em relação ao placebo, isto é, nível de evidência IA de que é uma droga modificadora da doença osteoartrítica, retardando a evolução da OA (Dougados et al., 2001).

A diacereína também tem propriedades anabólicas. Mostrou estimular a produção de TGF-ß. Este é o mais potente estimulador da proliferação do condrócito, aumentando, consequentemente, as sínteses de colágeno e proteoglicanos. Ele também é um inibidor de diversos processos catabólicos induzidos pela IL-1 e modera os efeitos adversos que estes processos podem ter sobre a cartilagem.
Além disso, o TGF-ß aumenta a expressão dos inibidores teciduais das metaloproteinases, inibindo, assim, a produção de metaloproteínas.
Em prazo mais longo, a diacereína também estimula a síntese dos componentes da cartilagem tal como o AH, bem como o colágeno e os proteoglicanos, mesmo na presença da IL-1. Isto fornece os componentes primários essenciais para melhorar a síntese da matriz extracelular, levando à regeneração da cartilagem (Dougados et al., 2001 e Pelletier et al., 2000).
Veja – Osteoartrose de joelho – Gonartrose

Referências:

Dougados M, Nguyen M, Berdah L, Maziéres B, Vignon E, Lequesne M. ECHODIAH Investigators Study Group. Evaluation of the structure-modifying effects of diacerein in hip osteoarthritis: ECHODIAH, a three year, placebo-controlled trial: evaluation of the chondromodulating effect of diacerein in OA of the hip. Arthritis Rheum 2001;44(11):2539-47.

Gouze JN, Bordji K, Gulberti S et al: Interlukin -1β down-regulates the expression of glucuronosyl-transferase I, a key enzyme priming glycosaminoglycan biosynthesis  Arthritis Rheum 2001; 44:351-60.

Nasswetter GG. Novas Perspectivas na terapéutica farmacológica da artrose. Hospital das Clínicas da Universidade de Buenos Aires, 2001.

Pelletier JP, Yaron M, Haraoui B, Cohen P, Nahir MA, Choquette D, et al. Efficacy and safety of diacerein in osteoarthritis of the knee: a double-blind, placebo-controlled trial. The Diacerein Study Group Arthritis Rheum 2000;43(10):2339-48.

Rezende MU de, Gobbi GR. Tratamento medicamentoso da osteoartrose do joelho. Rev bras ortop 2009; 44(1):14-19.

Tags: , , , , , ,

Veja Também:

Comments (11)    




" A informação existente neste site pretende apoiar e não substituir a consulta médica.
Procure sempre uma avaliação pessoal com um médico da sua confiança "