05 - dez

Memória – Demência: Orientação Preventiva e Terapêutica

Categoria(s): Cuidador de idosos, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Gerontologia, Neurologia geriátrica, Nutrição

Memória – Demência: Orientação Preventiva e Terapêutica

Nos consultórios médicos é freqüente a queixa de perda de memória tanto entre os idosos como nos adultos jovens. Quando uma pessoa vai ao médico com queixa de palpitações, o exame do eletrocardiograma permite um diagnóstico comprobatório da afirmativa do paciente, mas quando a queixa é “memória fraca” não existe uma aparelho que determina quanto isso é verdade. Então esta é uma área com amplas possibilidades de atuação do psicólogo, seja no diagnóstico, avaliação, reabilitação e, sobre tudo, nos programas de prevenção.

Alguns fatores são potencialmente modificaveis pela atuação médica, como isquemias cerebrais leves, hipertensão arterial, o diabetes, o álcool, o fumo e o engajamento em atividades físicas e mentais. Muitos hábitos prejudiciais e comportamentos de risco preveníveis merecem uma atuação enérgica e participativa em conjunto de várias áreas a saúde como médica, enfermagem, nutrição, psicologia, terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, educação física e, principalmente, dos cuidadores. O trabalho conjunto destes profissionais pode contribuir na otimização dos processos de mudança de comportamentos, alteração de hábitos e adesão ao programa de recuperação da memória, fatores fundamentais à promoção da saúde e qualidade de vida. A visão atual de alguns profissionais de apenas administrar um medicamento para a memória, mostra o quanto estes estão distantes da realidade terapêutica.

A vinda o paciente ao consultório médico mostra a sua necessidade e vontade de melhorar,  fatores que devem ser aproveitados como um campo fértil para as mudança de conceitos e paradigmas, como elementos importantes na prevenção e adesão de comportamentos saudáveis, na percepção de suporte social, nas estratégias de enfrentamento a eventos estressantes e no ajustamento pessoal. Ou seja, pode-se considerar como possibilidade de intervenção no trabalho com idosos na comunidade no sentido de favorecer a adesão de comportamentos saudáveis e no engajamento de atividades sociais, educacionais e de lazer.

Referências:

Almeida OP. Queixa de problemas com a memória e o diagnóstico de demência. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 56(3-A):412-418,1998.

Scazufca M et al. Investigações epidemiológicas sobre demência nos países em desenvolvimento. Revista de Saúde Pública, v. 36(6):773-778, 2002.

Souza JN.; Chaves EC. O efeito do exercício de estimulação da memória em idosos saudáveis. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 39(1):13-19, 2005.

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03 - dez

Memória – Declínio Cognitivo Leve (DCL)

Categoria(s): Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Gerontologia, Neurologia geriátrica, Programa de saúde pública, Psicologia geriátrica

Memória – Declínio Cognitivo Leve (DCL)

 

O Declínio Cognitivo Leve (DCL)

O declínio cognitivo leve (DCL) ou comprometimento cognitivo leve (CCL) trata-se de um declínio da memória maior do que o esperado para idade, mas que interfere pouco nas atividades de vida diária. Como esquecer o nome das pessoas que não convive no dia-a-dia, deixar de dar o recado que lhe foi pedido, ira ao supermercado e não trazer o que havia proposto comprar, etc.  Pessoas com DCL podem permanecer estáveis, mas mais da metade dos casos evolui para uma demência dentro de cinco anos.

A percepção do funcionamento da própria memória é fator importante, e as queixas sobre as falhas da memória podem indicar alterações normais do envelhecimento, mas também podem sinalizar o início de um quadro patológico. Portanto as queixas de memória devem ser investigadas cuidadosamente.

Como esta condição é um estado de risco para demência, a sua identificação nos obriga a fazer uma prevenção secundária através do controle dos fatores de risco como: pouco contato social, atividade intelectual pobre, tabagismo, viver sozinho, sedentarismo e depressão. Doenças que afetam o sistema cardiorespiratório e nutricional também se constitui em fatores de risco e devem ser corrigidos, assim, anemia, carência de vitaminas e sais minerais, diabetes, hipotireoidismo, hipertensão arterial, doencas cardíacas e pulmonares são alguns desses fatores.

O processo diagnóstico do DCL abrange várias etapas. Em primeiro lugar leva-se em consideração a queixa do paciente ou de seu familiar ou conhecido que convive com ele. Se na avaliação da história de vida e do estado mental não forem observados critérios de demência, mas há alteração da cognição sem comprometimento no desempenho de atividades de vida diária, então a possibilidade é de DCL. Nesse processo, o médico deve pesquisar a causa mediante testes e exames laboratoriais, exame físico geral ou neurológico e exames de neuroimagem. O neuropsicólogo ajuda realizando uma avaliação neuropsicológica mais abrangente e detalhada.

Referências:

ALMEIDA, O. P. Queixa de problemas com a memória e o diagnóstico de demência. Arquivos de Neuropsiquiatria, v. 56(3-A):412-418, 1998.

GAUTHIER, S. et al. Mild cognitive impairment. Lancet, v. 15:1262-1269, 2006.

MARRA, T. A. et al. Avaliação das atividades de vida diária de idosos com diferentes níveis de demência. Rev. Bras. Fisio, v. 11 (4):267-273, 2007.

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02 - dez

Idoso Demenciado – Impacto na Saúde Pública

Categoria(s): Gerontologia, Neurologia geriátrica

Autora – DANIELA PRUNES REGI

Título – O Idoso Demenciado e seu Impacto na Saúde Pública: Estamos preparados?

Orientadores:

Prof. Dr. Armando Miguel Junior

Prof. Dr. Antonio Carlos Leitão Campos Castro

Monografia realizada como conclusão do Curso de Pós-graduação em Saúde Geriátrica oferecido pela METROCAMP

Resumo

O envelhecimento da população é uma realidade. A faixa etária a partir de 60 anos de idade é a que mais cresce. Estima-se que em 2025, haverá cerca de 32 milhões de idosos. Um dos fatores importantes para esse aumento populacional é a transição epidemiológica e suas alterações relevantes no quadro de morbimortalidade. As  emências, caracterizadas pela perda das habilidades cognitivas e emocionais, suficientemente graves para interferirem na vida diária de seus portadores, sendo prevalentes em idosos, são consideradas um problema de saúde pública, na medida em que aumenta a longevidade das populações. Numerosos casos de demência passam despercebidos, pois infelizmente, o médico não procura pela demência ou não a reconhece. A falta de difusão do conhecimento geriátrico junto aos profissionais de saúde, tem contribuído decisivamente para as dificuldades na abordagem médica do paciente idoso. O reconhecimento das demências no idoso tem um papel fundamental para a saúde pública, pois através do diagnóstico breve a qualidade de vida destes pacientes pode se manter por maior tempo, contribuindo para a manutenção das diretrizes do Estatuto do Idoso. Além disso, se faz cada vez mais importante, a capacitação de profissionais da saúde com enfoque na geriatria e gerontologia, buscando um atendimento integral e qualificado à saúde do idoso. Este trabalho tem como finalidade, trazer à tona uma discussão sobre as demências e o envelhecimento, dentro do âmbito da Saúde Pública, proporcionando um momento de reflexão sobre o tema e sobre como poderemos aprimorar o atendimento do idoso no Sistema Único de Saúde – SUS.

Palavras chaves: Demencia, idoso, Saúde Pública

Abstrat:

The aging of the population is a reality. The etária band from 60 years of age is the one that more grows. They is esteem that in 2025, it will have about 32 million aged. One of the important factors for this population increase is the transistion excellent epidemiologist and its alterations in the morbimortalidade picture. The dementias, characterized for the loss of the cognitivas and emotional abilities, enough serious to intervene with the daily life of its carriers, being prevalent in aged, are considered a problem of public health, in the measure where it increases the longevity of the populations. Numerous cases of dementia pass unobserved, therefore unhappyly, the doctor does not look for for the dementia or he does not recognize it. The lack of diffusion of the together geriatrical knowledge to the health professionals, has contributed decisively for the difficulties in the medical boarding of the aged patient. The recognition of the dementias in the aged one has a basic paper for the public health, therefore through the brief diagnosis the quality of life of these patients can be remained for bigger time, contributing for the maintenance of the lines of direction of the Statute of the Aged one. Moreover, if it makes each more important time, the qualification of professionals of the health with approach in the geriatria and gerontologia, searching an integral and qualified attendance to the health of the aged one. This work has as purpose, to bring to tona a quarrel on the dementias and the aging, inside of the scope of the Public Health, providing a reflection moment on the subject and on as we will be able to improve the attendance of the aged one in the Only System of Health – SUS.

Word-key: Dementia, Aged, Public Health.

Monografia Idoso Demenciado e seu Impacto na Saúde Pública

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31 - dez

Quedas nos idosos – Reabilitação pós-queda

Categoria(s): Cuidador de idosos, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Saúde Geriátrica, Terapeuta ocupacional

Resenha: Quedas nos idosos – Reabilitação pós-queda

Colaboradora : Larissa Franceschetti Lopes Cunha

* Enfermeira, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica da METROCAMP

As intervenções pós-queda nos idosos são realizadas por uma equipe multidisciplinar com o objetivo de reabilitar o idoso. Com a reabilitação o idoso começa a readquirir algumas capacidades funcionais perdidas após a queda tornando-se mais independente e autônomo. A enfermagem tem um papel fundamental na reabilitação pós-queda, capacitando o idoso a realizar as atividades básicas da vida diária e as Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD).

As formas de reabilitação pós-queda mais usadas de acordo com a causa são:

- Fraqueza de membros inferiores: programa de fortalecimento muscular de quadríceps e dorsi-flexores de tornozelo. Exercícios excêntricos são recomendados. A eficácia é maior se forem realizados para grupos de idosos de alto risco e se forem supervisionados por fisioterapeuta.

- Distúrbio de equilíbrio: treino de equilíbrio em relação à integração das informações sensoriais, ao controle dos limites de estabilidade, ao controle da rotação de tronco e na eficácia das estratégias motoras.Recomenda-se a prática de Tai Chi. Podem ser realizados em casa.

- Distúrbios de marcha: adequação e ou prescrição de dispositivos de auxílio à marcha. O treino de uso adequado é recomendável. Deve realizar visitas regulares ao podólogo.

- Déficit visual: adequação de lentes corretivas. Visita anual ao oftalmologista.Evitar o uso de lentes bifocais. Acompanhamento cuidadoso do equilíbrio corporal após cirurgia de catarata.

- Déficit auditivo: prescrição e uso adequados do aparelho de amplificação sonora.

- Hipotensão Postural: realizar revisão das medicações, elevação da cabeceira da cama, orientação de movimentos de MMII antes de se levantar.

- Uso de medicações psicotrópicas: rever a necessidade de uso de anti-psicóticos, anti-depressivos e benzodiazepínicos (curta e longa duração). Prescrever um número reduzido de medicações e levantar o uso de medicações sem prescrição médica.

- Presença de riscos ambientais: modificação ambiental só foi eficaz na redução das quedas quando realizada após avaliação feita por profissional de terapia ocupacional e fornecido as adaptações necessárias.

- Presença de queixa de tontura: se presença de quadro de tontura (vertigem, cabeça oca, flutuação, afundamento, etc) encaminhamento ao otoneurologista. Se diagnosticada síndrome vestibular, implementar Reabilitação Vestibular.

- Necessidades específicas nas eliminações: evitar ingesta hídrica antes de dormir. Acender luz ao ir ao banheiro durante a noite ou deixar luz noturna acesa. Utilização de fraldas noturnas.Realizar reabilitação funcional do assoalho pélvico.

- Distúrbios de comportamento, agitação psicomotora, confusão mental: avaliar se há presença de quadro de estado confusional agudo.Adequar o ciclo vigília-sono. Implementar medidas de higiene do sono. Evitar eventos estressores. Usar terapia de validação. Evitar restrição física ou medicamentosa. Vigilância contínua.

- Doença de Parkinson, acidente vascular encefálico, artrite, neuropatias, demência: manejo farmacológico específico. Fisioterapia especializada.

Concluindo, a reabilitação após uma queda é considerada longa, exigindo tempo e paciência dos profissionais e dos idosos.

Referências:

Moura RN, Santos FC dos, Driemeier M, Santos LM dos, Ramos LR. Quedas em idosos: fatores de risco associados. Gerontologia 1999;7(2):15-21

Cryer C, Patel S – Falls, Fragility,Fractures. National Service Frameword for Older People. London, November 2001. [on line]

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25 - ago

Demência

Categoria(s): Caso clínico, Neurologia geriátrica

Interpretação clínica

  • Mulher de 56 anos, professora primária,  é avaliada no ambulatório de geriatria por causa de história de dois anos de esquecimentos, que começou insidiosamente e tem piorado progressivamente. Perdeu o emprego há uma ano, devido o baixo desempenho no trabalho. Ao longo do último ano está muito sedentária, o apetite por doces aumentou e ganhou 7 kg neste ano. Esposo refere que a paciente apresenta um desejo incontrolável de fazer apostas na mais variadas forma de loteria. Afirma que é a forma de compensar o desemprego. Nas raras reuniões familiares procura-se ficar isolada. Tem leve insônia. Quando perguntada se está deprimida ela responde: “Não tem nada de errado comigo”. Seu pai teve doenca de Parkinson nos últimos 5 anos de vida.
  • Ao exame físico bom estado geral, nutrida e Mini-Exame-Mental, com pontuação de 25/30.

Qual a melhor orientação para essa paciente?

O quadro clínico ilustra a difícil situação clínica na qual o médico deve considerar uma demência degenerativa precoce (doença de Alzheimer, doença de Pick, etc) ou uma pseudodemência (demência causada por quadro depressivo). Apesar de inúmeros relatos na literatura sugerirem que determinados aspectos são diagnosticos úteis para diferenciar um quadro do outro, esta distinção torna-se difícil porque a depressão e a demência frequentemente coexistem.

Na paciente do caso é razoável iniciar uma terapia com agente antidepressivo que tenha pouco efeitos colaterais na esfera cognitiva. O teste terapêutico fornecerá informações diagnóstica e terapêutica para o caso.

Os inibidores da recaptação seletiva da serotonina têm menos efeitos colaterais anticolinérgicos do que os antidepressivos tricíclicos e seriam mais apropriados para essa paciente.

O desempenho da paciente no Mini-Exame-Mental está no limite da normalidade, mas os distúrbios do comportamento e a perda do emprego indicam um melhor controle do quadro da paciente e uma avaliaçnao mais completa neurológica e neuropsicológica, inclusive com ressonância magnética cerebral, no sentido de afastar uma possível demência frontotemporal (DFT).

Demência frontotemporal

Em 1892 Arnold Pick descreveu a demência associada à atrofia circunscrita no lobo temporal esquerdo acompanhada de depósitos argentofílicos intranucleares (inclusões ou corpos de Pick). Na atualidade a demência frontal ou frontotemporal é constituida de varias formas demenciais. Apesar de rara, o quadro clínico da demência frontal e frontotemporal, chama atenção pelas suas caracteristicas como: distúrbios afetivos; distúrbios do comportamento; distúrbios da fala e preservação da orientação espacial e das praxias. A instalação dessa demência se dá de forma insidiosa e progressiva. Precocemente ocorre declínio das condutas sociais interpessoais, dificuldade do controle da conduta pessoal, indiferença emocional e perda do “insight” .

Referência:

Raskind MA – The clinical interface of depressão and dementia. J Clin Psychiatry. 1998;59(Supple 10):9-12.

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