10 - mai

Atendimento Domiciliar: Solução ou Problema?

Categoria(s): Conceitos, Programa de saúde pública

Ponto de vista

Colaboradora : Vera Regina Tufaile Kovask *

* Enfermeira e Gerontóloga

Atendimento domiciliar

Atendimento Domiciliar

O que se espera quando pensamos ou desejamos um Atendimento Domiciliar para um paciente ou parente nosso?

Os pacientes, que até pouco tempo atrás eram tratados basicamente nos hospitais, são agora transferidos o mais rapidamente possível para seus domicílios, onde continuarão seus tratamentos, como os programas de reabilitação, de recuperação ou de cuidados paliativos.

Com o passar do tempo surgiram situações conflituosas entre os diversos atores envolvidos: o paciente, a família, os cuidadores, o provedor e o gestor de saúde, envolvendo processos decisórios difíceis.

Paradigmas

Formação médica – Há um modelo de formação médica centrado no hospital, com os recursos tecnológicos à disposição do médico, sendo este um local onde ele tende a se sentir mais familiarizado e mais seguro para atuar.

Local de atendimento
– Existe uma concepção amplamente difundida na comunidade de ser o hospital um lugar de excelência para diagnóstico e tratamento. O domicílio é um local onde o poder estabelecido pertence ao paciente ou aos membros daquela família, não sendo, portanto, território natural de atuação do profissional de saúde. Com isso, o atendimento domiciliar corre o risco de ser encarado apenas como uma mudança de local de tratamento e não como uma mudança de filosofia nos cuidados administrados.

Custos do atendimento médico
– As novas tecnologias geraram altos custos para a atenção médica e os administradores hospitalares, movidos por constantes pressões administrativas tentam otimizar as internações e reinternações, com uma maior racionalização do tempo de permanência do paciente no hospital, maior rotatividade dos leitos.

Os principais objetivos do atendimento domiciliar são: otimizar os leitos hospitalares, os atendimento ambulatorial, visando a redução de custos; e reintegrar o paciente em seu núcleo familiar e de apoio. Contudo, o foco principal é proporcionar assistência humanizada e integral, por meio de uma maior aproximação da equipe de saúde com a família; estimulando uma maior participação do paciente e de sua família no tratamento proposto.

Serviços que podem ser realizados no domicílio

Os atendimentos domiciliares vão desde cuidados pessoais de suas atividades de vida diária (higiene íntima, alimentação, banho, locomoção e vestuário), cuidados com sua medicação e realização de curativos de ferimentos, cuidados com escaras e ostomias, até o uso de alta tecnologia hospitalar como nutrição enteral/parenteral, diálise, transfusão de hemoderivados. Quimioterapia e antibioticoterapia, com serviço médico e de enfermagem 24 horas/dia, e uma rede de apoio para diagnóstico e para outras medidas terapêuticas.

Invasão da privacidade – Questionamentos

1. De que modo e quanto a experiência de um domicílio adaptado ao tratamento com alta tecnologia hospitalar irá afetar as pessoas que vivem nesse domicílio?

2. Não estaríamos invadindo e desorganizando este espaço íntimo, onde as relações cotidianas daquela família foram construídas?

3. Que tipos de acordos podem ser e são moralmente legítimos entre a equipe do atendimento domiciliar e a família, já que esta detém o poder por estar em seu território?

4. Há pacientes que preferem ficar e serem cuidados num ambiente hospitalar e dever-se-ia, portanto, respeitar este desejo, principalmente quando a doença está em curso avançado, com deterioração física?

Acreditamos que, pelo menos em parte, os conflitos nos atendimentos domiciliares poderiam ser minimizadas se os médicos que assistem aos pacientes tivessem por hábito conversar abertamente com os pacientes sobre suas expectativas de vida, sobre a morte e sobre um uso razoável de tecnologia no domicílio, ajudando-os na melhor escolha possível para sua qualidade de vida.

Papel de um gestor do programa de atendimento domiciliar

Considerando-se que uma ampla equipe multi e inter disciplinar composta de pelo menos, um psicólogo, assistente social, nutricionista, enfermeiro, médico e técnico de enfermagem, atuarão na atenção ao enfermo, um gestor da equipe deverá fornecer uma visão e a manutenção de uma negociação e esclarecimento da família e do paciente, durante todo o processo. Pois este atendimento deverá ser consentido e não imposto.

Referências:
www.scielo.br
www.federativo.bndes.gov.br
www.cassi.com.br (PAD-Programa de Atenção Domiciliar).

Tags:

Veja Também:

Comments (1)    







06 - mai

Instituições de Longa Permanência para Idosos – ILPI

Categoria(s): Cuidador de idosos, Enfermagem, Farmacologia e Farmácia, Fisioterapia, Gerontologia, Nutrição, Saúde Geriátrica, Terapeuta ocupacional

Resenha

Colaboradora: Ana Cristina Tosta *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp. Enfermeira da Casa de Repouso “Alan Kardec”.

INSTITUIÇOES DE LONGA PERMANENCIA PARA IDOSOS: o que é, e como funciona.

A velhice sempre esteve relacionada a pobreza, ao abandono, e a perda de laços familiares. Além do que a maioria dos idosos brasileiros vivem em precárias condições de vida, quer do ponto de vista social, quer do ponto de vista financeiro. Enormes são as carências nas áreas de saúde, previdência, educação, cultura e lazer, entre outras (Annunziato,2007). Com o passar dos anos a pessoa idosa esta precisando ainda mais de atenção e cuidados, mas, agora a falta de atenção esta em seus familiares, por não estarem tão mais presentes no seu cotidiano, fato este, devido a uma vida tumultuada e corrida dos membros da família. Na relação pais e filhos, esses últimos, inicialmente numa situação de dependência total vão aos poucos se tornando independentes. Ao chegar à velhice a tendência ao aumento de limitações e incapacidades, faz com que os filhos sejam levados a dispor maior atenção e cuidados a seus pais, invertendo-se os papeis anteriores a relação de autoridade. (Annunziato,2007). Então, optam em acomodá-los em instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), ou alguns asilos ou clinicas. Para muitos idosos a ILPI é considerada uma nova família, onde pode resgatar o respeito, segurança, ter novas oportunidades, amizades novas e assistência em suas necessidades.

O primeiro asilo para idosos foi fundado no Rio de Janeiro, em 1782, pela Ordem Terceira da Imaculada Conceição, com capacidade para 30 leitos (Born, 2005). De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (Seção São Paulo, 2003), a palavra Asilo define-se (do grego ásylos, pelo latim asylu) como casa de Assistência Social onde são recolhidas, para sustento ou também para educação, pessoas pobres e desamparadas, como mendigos, crianças abandonadas, órfãos e velhos. Considera-se ainda asilo o lugar onde ficam isentos da execução das leis, os que a ele se recolhem. Relacionam-se assim, a idéia de guarita, abrigo, proteção ao local denominado de Asilo, independentemente do seu caráter Social, Político ou de cuidados com dependências físicas e/ou mentais.

Por definição, segundo o manual de funcionamento da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) Seção São Paulo, Biênio 2002/2003. Atualmente as ILPIs ( Instituições de Longa Permanência para Idosos), são estabelecidas para atendimento integral institucionalizado em cuidados prestados a pessoas de 60 anos e mais, dependentes ou independentes, que não dispõem de condições para permanecer com familiares ou em seu domicilio. Essas instituições, são conhecidas por denominações diversas: abrigo, asilo, lar, casa de repouso, clínica geriátrica e ancianato. Elas devem proporcionar serviços na área social, médica, psicológica , enfermagem, terapeuta ocupacional, odontologia, entre outras, conforme necessidades desse segmento etário.

Esse atendimento é realizado em locais, fisicamente adequados e equipados para proporcionar cuidados aos idosos, mediante pagamento ou não, durante um período indeterminado. Estes locais devem reproduzir um ambiente residencial, mantendo as características de um lar. Não devem ser marcados pelo isolamento, afastados da vida urbana, nem ser espaço de uniformização da vida de seus usuários.

Devem prever, na medida do possível, a participação dos usuários na qualidade individual dos ambientes, especialmente naqueles mais íntimos e reservados – os quartos, por exemplo, (Annunziato, 2007). Além disso, esse local deve fornecer o uso de elementos que atuem de forma positiva sobre a memória física dos idosos e,ocasionando uma relação e aprendizagem com o novo lar e novo espaço, deve ser facilitado incluindo objetos que sejam capazes de resgatar antigos hábitos, experiências, recordações, fazendo com que seu cotidiano atual seja o mais parecido com a sua antiga residência. Deve dispor de um quadro de profissionais capacitados para atender às necessidades de assistência social, alimentação, higiene, repouso e lazer dos usuários e desenvolver outras atividades que garantam sua qualidade de vida. Sempre que possível, as atividades deverão ser planejadas em parceria e com a participação efetiva dos idosos, respeitando suas demandas e características sócio-culturais, (Annunziato, 2007). Do que se pensa as ILPIs não ficam omissas diante de certas ausências e apatia do familiar. Procuram estabelecer contatos entre familiar-idosos, justificando que são fundamentais para o bem-estar dessa população (Creutzberg,2007).

Hoje as ILPIs devem estar adaptadas e regulamentadas perante as leis para manter um padrão mínimo de funcionamento. A ANVISA (Agencia Nacional Vigilância Sanitária) estabelece normas a serem aplicadas em todas ILPIs, governamental, ou não, destinadas a moradia coletiva com pessoas de 60 anos ou mais, com ou sem suporte familiar. Atendendo pessoas idosas com variações de dependência, ou seja, aquelas que requerem o auxilio de outras, e equipamentos especiais para realização das atividades da vida diária (AVDs).

Para se manter uma assistência adequada em cuidados específicos para os idosos, as ILPIs, segundo a RDC,2005, devem manter um quadro de profissionais capacitados dependendo do grau de dependência de cada paciente:

- grau de dependência I – são independentes, mas precisam de equipamentos de auto-ajuda, portanto, um cuidador para cada 20 idosos, com carga horária de 8 horas/dia;
- grau de dependência II – são dependentes com ate três atividades de autocuidado para AVDs, portanto, um cuidador para cada 10 idosos,ou fracionado por turno;
- grau de dependência III – são idosos com dependência que necessitam da assistência em todas as atividades de autocuidado para as AVDs, ou com comprometimento intelectual, portanto, um cuidador para cada 6 idosos, ou fracionado por turno.

A Política Nacional do Idoso, promulgada em 1994 e regulamentada em 1996,
assegura direitos sociais à pessoa idosa, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade e reafirmando o direito à saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS (Lei nº 8.842/94 e Decreto nº 1.948/96) MINISTÉRIO DE ESTADO DA SAÚDE.

“As ILPIs são considerada um sistema social organizacional” (Creutzberg,2007), promovendo uma assistência que atende as necessidades mais amplas possíveis, desde os cuidados básicos da enfermagem à integração da equipe multidisciplinar, que também está envolvida no planejamento e execução dos cuidados, levando ao bem-estar e satisfação dos idosos.

As ILPIs adaptadas e regulamentadas estão cada vez mais em evidencias vem se empenhando para os serviços prestados aos idosos,e em, profissionais capacitados especializados na área de geriatria.O objetivo não é substituir as famílias ,mais sim em garantir e proporcionar uma qualidade de vida aos idosos satisfatória e digna. Porem, algumas instituições são carentes de recursos financeiros, com isso, procuram mão-de-obra não-qualificada na área por serem mais barata, os chamados cuidadores formais (BORN,2006). Particularmente, ficam muito comprometedor os cuidados designados pelo enfermeiro geriatra a esse pessoal não qualificado, em relação ao processo inevitável do envelhecimento, pois a capacitação e o conhecimento técnico-teórico são de real importância para os cuidados oferecidos aos idosos, principalmente se esses profissionais forem especializados na área de saúde na função de técnico/auxiliar de enfermagem ao idoso. ”

Referências:

Annunziato, MPHL – Atividade Física com idosos em Instituições de longa Permanência. 2007. Disponível em: <http://www.google.com.br

Born, T. O que é uma ILPI? Portal do envelhecimento, 29 de nov.2005.

Born, T. A formação de cuidadores formais e informais: acompanhamento e avaliação. Portal do envelhecimento, Caldas, nov. 2006.

Creutzberg, M.; et al. A comunicação entre a família e a Instituição para Idosos. Revista Brasileira Geriatria Gerontologia,v.10,n.2.Rio de Janeiro,2007.

Tags: ,

Veja Também:

Comments (62)    







14 - abr

Terminalidade – Parte 9. Hidratação

Categoria(s): Nutrição, Tanatologia

Tanatologia

Colaboradora : Marcia Cerqueira Boteon *

* Nutricionista e Pós-graduanda em Medicina e Saúde Geriátrica da METROCAMP

HIDRATAÇÃO

hidratar

A perda de água intracelular, durante o processo de envelhecimento, relacionada com a diminuição da massa magra muscular, contribui para o declínio da quantidade de água corporal em idosos, fato que pode ser agravado pelo uso de drogas diuréticas ou por alteração significativa do volume hídrico intracelular. Pode ser explicada pelo aumento da gordura corporal mediante mudanças hormonais. (FRANK,2004).

Em idosos o limiar para o desequilíbrio estreita-se por redução da água total corporal, percepção diminuída de sede,menor capacidade de reter água, somados a presença constante de polipatologia .

A deficiência de volume ocorre quando há uma depleção do volume de água e de sódio. Os principais sintomas da desidratação se manifestam com: perda de peso, diminuição do turgor cutâneo, membranas mucosas ressecadas, diminuição do suor e hipotensão. Os sinais bioquímicos mais perceptíveis são: a uréia elevada e a hiponatremia. Por outro lado, a desidratação, consiste na perda de água com uma relativa preservação do volume, levando a um quadro de hipernatremia. Neste caso, o sintoma mais comum é a sede, e, caso não ocorra a reposição suficiente de água, a hiperosmolaridade levará a confusão mental, fraqueza, letargia, obnubilação, coma e morte.

Pacientes em cuidados paliativos com baixa ingestão de líquidos, manifestam sinais e sintomas de desidratação como secura de pele e boca, diminuição da produção urinária e sede ocasional. O entorpecimento geralmente progride para uma morte pacífica.
O objetivo da terapia de hidratação é restaurar o paciente a um estado de equilíbrio hemodinâmico e osmolalidade normal do corpo, no entanto, quando falamos em paciente terminal, o objetivo da hidratação se restringe a fornecer conforto ao doente.

A necessidade de ingestão hídrica para o idoso pode ser calculada em torno de 30 a 35 ml / Kg de peso/ dia, sendo no mínimo 1500ml/dia ou 1 a 1,5ml/ Kcal. No entanto, estes valores não podem ser preconizados em situações de paliação, ou seja, quando o objetivo é manter o conforto do paciente, devemos fornecer o suficiente para que os sintomas da desidratação não se manifestem.

Neste momento o papel do nutricionista não é forçar a família, cuidador ou o próprio paciente, a ter uma ingestão hídrica semelhante ao preconizado, mas sim dar opções para que esta seja feita da forma mais confortável possível. Desmistificar conceitos como “se ele não tomar a quantidade correta de líquidos vai desidratar…” ou “por que não pedimos um soro ao médico…”, é função de toda a equipe, bem como do nutricionista. Algumas sugestões como:

- Utilizar líquidos com sabor, como sucos, chás ou água de coco, melhoram a aceitação;
– Oferecer alimentos ricos em água: frutas como melancia, melão, laranja, pêra, sempre que possível;
– Gelatina nos intervalos;
– Bebidas isotônicas são indicadas quando há sinais de desidratação;
– Adaptar os utensílios para a oferta de líquidos, como: canudos, copos com bico, seringas ou até mamadeira;
– Atentar ao volume infundido quando o paciente estiver em uso de sonda gástrica, pois a oferta, se excessiva, poderá gerar complicações, principalmente em pacientes com quadro de caquexia ou desnutrição.
– Quando houver disfagia, verificar a necessidade do uso de espessantes.

Quando a ingestão não é possível por V.O. ou via sonda gástrica, pode-se recorrer a correção através da soroterapia, a qual, como qualquer procedimento, deve obedecer alguns critérios pois pode causar alterações de ordem hidroeletrolítica no paciente, principalmente nos quadros de desnutrição e hipercatabolismo. Esta reposição pode ser feita por via endovenosa, ou através de um procedimento muito utilizado em pacientes com doenças em evolução para um quadro terminal, a hipodermóclise. Após a via oral, a hipodermóclise é a via mais indicada para a reposição de fluídos e medicamentos para pacientes em fase terminal. Consiste na administração de fluídos pela via subcutânea. Apresenta baixo risco de complicações, é indolor e eficaz, desde que feita por profissional, médico ou enfermeiro, devidamente treinado.

Referências:

Dutra de Oliveira, I.E., Marchini, J.S.;Ciências nutricionais. ed. Sarvier, São Paulo, 1998.

Escott-Stump, S., Mahan, L.K. Alimentos, nutrição e dietoterapia. Ed.Roca, 9°de, São Paulo, 1998.

Frank, A.A, Soares, E.A. Nutrição no envelhecer. Ed. Atheneu, São Paulo, 2004.

Freitas, E.V., et al. Tratado de geriatria e gerontologia, ed. Guanabra Koogan, 2° ed, Rio de Janeiro, 2006.

Tags: , , , , , ,

Veja Também:

Comentários    







13 - abr

Terminalidade – Parte 8. Cuidando da Obstipação intestinal

Categoria(s): Nutrição, Tanatologia

Tanatologia

Colaboradora : Marcia Cerqueira Boteon *

* Nutricionista e Pós-graduanda em Medicina e Saúde Geriátrica da METROCAMP

OBSTIPAÇÃO INTESTINAL E SUAS COMPLICAÇÕES

Os episódios de obstipação ou constipação intestinal devem ser observados nesta fase, uma vez que, o idoso por sua condição fisiológica, já apresenta, naturalmente, um trânsito intestinal lentificado. Isto se dá pelo consumo insuficiente de alimentos fontes de fibras, baixa ingestão hídrica, uso de medicações, imobilidade física e tônus muscular reduzido. O tratamento da obstipação deve ser feito, sempre que possível, através de mudanças no hábito alimentar do indivíduo, com a adequação da dieta e da ingestão hídrica. No entanto, pacientes idosos em situações mais graves, apresentam quadros tão severos de obstipação intestinal, que o uso de laxantes se faz necessário.

Porém, devemos ter alguns cuidados quando o uso de laxantes for indicado:
- Manutenção da hidratação através da ingestão hídrica;
- Ficar atento a quadros de depleção de potássio e vitaminas hidrossolúveis;
- Iniciar com doses menores e aumentar, se necessário;

O auxílio nutricional se faz através da ingestão de alimentos estimulantes do intestino (tanto por via oral como por via enteral) bem como o aumento da ingestão hídrica.
Porém, como relatado anteriormente, o uso de determinados medicamentos, podem potencializar a constipação intestinal, dentre eles podemos destacar: os antiácidos, anticolinérgicos, antiparkinsonianos, antidepressivos, opióides e antiarrítmicos. Estes fármacos são utilizados, agrupadamente ou isolados, com bastante freqüências por pacientes sob cuidados paliativos, uma vez que, fazem parte do protocolo para amenizar os sinais e sintomas. Neste momento se faz necessário o uso de laxantes mais potentes, pois a obstipação leva a uma piora do estado geral do doente por provocar desconforto abdominal, piora na aceitação alimentar (sensação de plenitude gástrica) e dor. Cabe aqui ressaltar que, os agentes laxativos dividem-se em duas classes: os “purgantes”, cuja ação é rápida e drástica (1ª 3 horas), e os laxantes, que provocam uma eliminação mais lenta e suave do bolo (6 horas a 3 dias).

Alimentos laxativos

A lignina encontrada nas paredes de células de plantas maduras (grãos, ervilhas, cenouras, aspargos); a celulose, encontrada na camada de farelo de cereias, cascas das frutas e sementes; e hemicelulose existente no trigo e centeio em grãos, alimentos com amido e soja – reduzem a constipação intestinal, aumentando a massa fecal, a maciez das fezes e o trânsito intestinal. Promovem a renovação de células saudáveis e intensificam a proteção contra infecçõs bacterianas.

As pectinas, encontrada nas cascas de frutas cítricas e especialmente na maçã; as gomas, existentes no farelo de aveia e cevada; as mucilagens, encontradas em sementes e algas marinhas – Modulam a motilidade intestinal, auxiliam a fromação do bolo fecal nas diarréias, fornecem energia a mucosa intestinal, formam barreiras de proteção e garantem a imunidade das células intestinais contra infecções bacterianas patogênicas.

A inulina, existente na raiz de chicória, cebola, alho, algumas frutas e legumes; os frutooligossacarídeos (FOS) existentes na raiz de chicória, cebola, alho, tomate, banana,cevada, trigo, aveia e mel – ajudam à recuperar a flora intestinal, aumento da absorção de água melhorando os quadros de obstipação.

Alimentos formadores do bolo fecal – farelo, psilium, plantago, goma guar, surfactantes, lactulose.

Laxativos estimulantes – derivados do difenilmetano: fenolftaleína, biscodil; e derivados antraquinonicos: sene, cáscara sagrada, ruibarbo e aloe.

Laxativos osmóticos – fosfato de sódio, sulfato de magnésio, cirtato de magnésio, sorbitol, manitol, óleos surfactantes, óleo de rícino

Referências:

Santos Jr JCM.Laxantes e Purgativos – O Paciente e a Constipação Intestinal. Rev bras Coloproct, 2003;23(2):130-134.

Shils,M.E. et all;Tratado de nutrição moderna na saúde e na doença, ed. Manole, 9° ed. São Paulo, 2003.

Silva, S.M.C., Mura, J.D.P.;Alimentação, nutrição e dietoterapia, ed Roca, São Paulo, 2007.

Tags: , , , , , ,

Veja Também:

Comments (1)    







12 - abr

Terminalidade – Parte 7. Cuidados nutricionais

Categoria(s): Nutrição, Tanatologia

Tanatologia

Colaboradora : Marcia Cerqueira Boteon *

* Nutricionista e Pós-graduanda em Medicina e Saúde Geriátrica da METROCAMP

ANOREXIA NO IDOSO TERMINAL

alimentos

A alimentação possui uma estreita ligação com a sobrevivência humana desde o nascimento. A recusa de alimentos por parte do paciente, gera na família um sentimento de ansiedade muito grande, provocado pela sensação de perda de um dos estímulos primordiais à vida: a vontade de nutrir-se. Isto sinaliza também a aproximação do óbito, pelo comportamento de desistência adotado pelo paciente. A recusa do alimento pode ocorrer pela ausência do apetite ou pela saciedade precoce, o que pode ocorrer por diversos motivos: pós gastrectomia, hepatomegalia, ascite, entre outros.

Neste ponto do acompanhamento surge, muitas vezes, um grande conflito entre os cuidadores e equipe: o uso de alimentação por vias alternativas . Neste momento, se faz necessário uma avaliação criteriosa por parte da equipe, bem como ouvir e compreender a opinião do paciente quando possível.

O uso de estimulantes de apetite (corticosteróide ou magesterol) poderão ser indicados pelo médico, porém, seu uso é contra indicado na saciedade prematura sem anorexia. A dor também é um fator que também leva o paciente a recusar o alimento, desta forma a intervenção médica se faz necessária, com uso de drogas específicas.

Alguns subterfúgios, como os elencados abaixo, poderão contribuir para melhora da aceitação alimentar:
· A ingestão de uma bebida alcoólica 30 minutos antes da refeição (para estimular o apetite);
· Alteração na consistência da dieta (utilizar alimentos líquidos ou pastosos);
· Seguir a preferência do paciente (geralmente o paladar é melhor para doces);
· Não obriga-lo a comer, mas sim, oferecer alimentação de forma fracionada;
· Uso de suplementos alimentares em pó como forma de enriquecer pequenas porções de alimentos;
· Fazer com que o paciente escolha aquilo que deseja ingerir;
· Chupar pequenas pedras de gelo para melhorar a xerostomia melhorando assim a aceitação do alimento;
· Fazer bochechos com chá de Camomila antes das refeições para diminuir a sensação de amargor na boca, provocada pelos medicamentos;
· Melhora dos quadros de dispepsia através de antiácidos e antiflatulentes;
· Uso de antieméticos no caso de náuseas e vômitos;
· Uso de laxantes em quadro de obstipação;
· Administração de estimulantes de apetite
· Atenção aos utensílios, utilizar pratos pequenos (tipo de sobremesa) para servir as refeições;
· Incentivar o paciente a sentar-se à mesa junto com a família, pois o convívio social é muito importante neste momento.

Mas quando o paciente encontra-se inconsciente, apático ou muito sonolento, a opção de utilizar uma sonda enteral, deve ser conversada com a família, e caso a opção seja positiva, iniciar a alimentação com pequenos volumes, sem a pretensão de restabelecer o estado nutricional do doente, pois nesta fase não é o objetivo principal da nutrição, mas sim manter o trofismo intestinal e um aporte calórico basal.

Referências:

Dutra de Oliveira, I.E., Marchini, J.S.;Ciências nutricionais. ed. Sarvier, São Paulo, 1998.

Escott-Stump, S., Mahan, L.K. Alimentos, nutrição e dietoterapia. Ed.Roca, 9°de, São Paulo, 1998.

Frank, A.A, Soares, E.A. Nutrição no envelhecer. Ed. Atheneu, São Paulo, 2004.

Tags: , , , , , ,

Veja Também:

Comentários    



Page 1 of 3123

" A informação existente neste site pretende apoiar e não substituir a consulta médica.
Procure sempre uma avaliação pessoal com um médico da sua confiança "