15 - set

Leucemias – Leucemia Mieloide Crônica: Cromossomo Philadelphia

Categoria(s): Avanços da Medicina, Biologia, Câncer - Oncogeriatria, Hematologia geriátrica

Leucemia Mieloide Crônica – Cromossomo Philadelphia

Leucemia é um termo utilizado para as doenças que resultam na proliferação anormal dos leucócitos (células brancas do sangue). Os principais tipos de leucemia são: leucemia mieloide crônica, a leucemia linfóide crônica, a leucemia mieloide aguda e a leucemia linfoide aguda. No ano de 2008 foram diagnósticados aproximadamente 350 mil novos casos de leucemia e causaram 257 óbitos em todo o mundo.

A leucemia mieloide crônica é uma doença clonal maligna caracterizada por uma excessiva proliferação da linhagem de células mielóide (Fase crônica), seguida por uma perda progressiva da diferenciação celular (Fase acelerada) e terminando num quadro de leucemia aguda (Fase blástica).

A leucemia mieloide crônica (LMC) é caracterizada por uma anomalia genética adquirida, que foi chamada de cromossomo Philadelphia, por ter sido descoberta na Universidade de Pensilvânia, em 1960. Esta foi o primeiro câncer que se caracterizou uma alteração cromossômica. Assim, a doença está associada a uma anormalidade citogenética específica, o Cromossoma Philadelphia, que resulta de uma translocação recíproca entre os braços longos dos cromossomas 9 e 22 (figura) e leva à formação de um novo gene leucemia-específico o BCR-ABL ( gene quimérico BCR-ABL1).

Diagnóstico – O diagnóstico da LMC é confirmado pela pesquisa do marcador molecular BCR-ABL no sangue periférico ou na medula óssea.

O cromossomo Philadelphia, o resultado de uma translocação recíproca entre os cromossomos 9 e 22. Mais especificamente, a região de cluster ponto de interrupção (BCR) do cromossoma 22 é fundida com uma parte do gene Abelson (ABL) no cromossoma 9. O resultante domínio BCR-ABL genética agora localizado dentro cromossoma 22 e codifica para uma quinase de tirosina mutante também conhecido como BCR-ABL.

Sob circunstâncias normais a proteína tirosina-quinase responde às proteínas extracelulares de mensagens, e, finalmente, inicia uma série de reações que culminam na replicação celular. Inversamente, BCR-ABL é constitutivamente ativa, o que significa que não necessita de ativação pelas proteínas celulares de mensagens, a fim de estimular a replicação celular. Isto resulta em aceleração da divisão celular, uma inibição da reparação do DNA, a instabilidade genômica global, e a crise explosão característica da leucemia mielóide crônica.

Tratamento

Até recentemente o transplante de medula óssea alogenéico era a única modalidade curativa, por eliminar os cromossomas transcritos BCR-ABL. A partir do ano 2000, passou-se a utilizar o mesilato de imatinibe como droga de primeira linha para o tratamento. Assim, drogas inibidoras de tirosinoquinase (mesilato de imatinibe), tem sido consideradas adequadas para atingir a chamada “cura funcional” de acordo com os dados da ABRALE (Associação Brasileira de Linfomas e Leucemias).

Referências:

Sawyers CL. Chronic myeloid leukemia. N Engl J Med 1999;340:1330-40.
Condutas do INCA – Leucemia mielóide crônica. Rev Bras Cancer, 2003, 49(1): 5-8 [on line]

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29 - nov

Leucemias – Leucemia Mielóide Crônica (LMC)

Categoria(s): Caso clínico, Câncer - Oncogeriatria, Hematologia geriátrica

Interpretação clínica: Leucemia Mielóide Crônica

Paciente de 63 anos, safenectomizado há 3 anos, após episódio de infarto agudo do miocardio. Tem feito consulta de acompanhamento periodicamente, com o cardiologista. Nos últimos 2 meses vem sentido muita fadiga, canseira aos pequenos esforços e dor pré-cordial tipo anginosa. Foram novamente realizados todos os exames cardiológicos, que se mostraram normais. Porém, o exame hematológico mostrou hemoblobina de 11 mg/dL e leucocitose de 35.000. Dentre os leucócitos há um aumento de neutrófilos, bastonetes, metamielócitos, e também de eosinófilos e basófilos. As plaquetas estavam em 450.000 (figura).

Diante do quadro o cardiologista suspeitou de leucemia mielóide crônica e encaminhou ao hematologista. Este realizou um exame de biópsia da medula ósssea (mielograma), que mostraou-se com hipercelularidade com granulócitos em diferentes estágios de maturação (bastonetes, metamielócitos, mielócitos, promielócitos e mieloblastos), aumento de eosinófios e basófilos.
O exame citogenéticos detectou cromossomo Filadélfia.

Diante do quadro fechou-se o diagnóstico de leucemia mielóide crônica.

Leucemia mielóide

Análise do caso

A leucemia mielóide crônica (LMC) é uma doença mieloproliferativa crônica, que cursa com grande esplenomegalia e leucocitose. O diagnóstico dessa entidade é feito, geralmente, por exames de rotina do sangue periférico e estudo da medula óssea, e 90% dos casos apresentam alteração citogenética típica, que é a presença do Cromossomo Filadélfia.

A LMC possui três formas clínicas: forma crônica, com duração de 3 a 4 anos; forma acelerada, que antecede a metamorfose blástica; e forma terminal, ou crise blástica, caracterizada pela refratariedade ao tratamento, e com duração de três a quatro meses, até o êxito letal.

Uma complicação relativamente rara e de repercussão cardíaca é a hiperviscosidade secundária à leucocitose, que ocorre, geralmente, quando o número de leucócitos está acima de 30000 ml/dl. Com a instituição do tratamento, utilizando a hidroxiuréia com o objetivo de reduzir a leucocitose, a resposta é, habitualmente, satisfatória. Quando a repercussão sistêmica é de grande importância, é indicada a leucaferese. Outra complicação, com repercussão cardíaca, deve-se à presença de anemia, comum na fase acelerada e na crise blástica. Essa anormalidade pode levar a hipoxia tecidual e aparecimento de sintomas de insuficiência cardíaca congestiva. Nesses pacientes, podem ser utilizadas transfusões de glóbulos vermelhos, de acordo com a necessidade.

Tratamento

O transplante de medula óssea (TMO) alogenéico constitui a única forma de tratamento curativo da doença. O uso do quimioterápico (hidroxiuréia) é apenas sintomático, levando a um controle transitório da doença. O uso de alfa-interferon tem sido preferencialmente indicado naqueles pacientes que não dispõem de doador compatível e pode levar tanto à remissão hematológica como citogenética.

Referências:

Bennett J. Claude, Plum Fred. Cecil: Tratado de medicina interna. 20ª ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro. 1997. p. 524, 976-978, 985-986.

Sawyers CL. Chronic myeloid leukemia. N Engl J Med 199;340:1330-1340.

Condutas do INCA – Leucemia mielóide crônica. Rev Bras. Cancerol. 2003;49(1):5-8. [on line]

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