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13
Jul
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Estudo de caso - Cetoacidose diabética: Corpos cetônicos
Categoria(s): BioquÃmica, Caso clÃnico, Emergências, Endocrinogeriatria, Gerontologia |
Interpretação clÃnica
- O médico plantonista liga à s três horas da manhã para relatar que a mulher de 46 anos que tem sid internada repetida vezes devido a cetoacidose diabética, e deu entrada n serviço ao meio-dia, agora apresenta concentração de glicose plasmática de 400 mg/dL e as cetonas séricas fortemente positivas. Ela vinha reagindo bem com infusão de insulina (5 U/h), lÃquidos e reposição de potássio. Quando os nÃveis de glicose acÃram para 196 mg/dL, à meia-noite, a infusão de insulina foi interrompida e iniciou-se uma “escala descendente”.
Qual a causa mais provável do aumento da concentração de glicose plasmática nessa paciente?
A causa mais comum de aumento da concentração de glicose plasmática em um paciente hospitalizado com cetoacidose diabética é a não-administração de insulina subcutânea na hora em que a infusão de insulina foi interrompida. Sob condições normais a insulina tem meia-vida muito curta (três a cinco minutos) na circulação; portanto, mesmo em um paciente doente, sem capacidade de produção endógena de insulina, a interrupção de uma infusão faz com que os nÃveis circulantes caiam rapidamente. Conseqüentemente, a gliconeogênese e a cetogênese ressurgem, os nÃveis de glicose aumentam e as cetonas ressurgem. Portanto nunca se deve interromper a infusão de insulina sem injeção simultânea de insulina rápida no subcutâneo.
Seis complicações potenciais podem se desenvolver durante o tratamento da ceoacidose: coagulopatia acelerada, edema cerebral, acidose hiperclorêmica, hipocalemia, hipofosfatemia e hipoglicemia. A desidratação grave causa diminuição da perfusão dos tecidos e promove processos de trombose que podem resultar em infartos de diversos orgãos. A acidose hiperclorêmica resulta da administração de lÃquidos com altas concentrações de cloreto, ou da perda urinária de cetonas ou do acúmulo intracelular de bicarbonato. A entrada de potássio do meio extracelular para o meio intracelular, na medida em que a insulina estimula a sÃntese de glicogênio, provoca a hipocalemia (hipopotassemia).
Papel da glicose - A glicose é a molécula orgânica mais abundante na natureza, e a homeostase dos nÃveis plasmáticos desta é essencial para a manutenção da vida celular. Ela é derivada da corrente sangüÃnea ou dos estoques intraceulares de glicogênio, e seu transporte para o interior da célula ocorre sofre regulação por transportadores especÃficos (GLUT). Em situações normais, a forma predominate de fornecimento de energia é a peroxidação lipÃdica, processo que envolve lipólise tecidual com liberação de ácidos graxos livre para a corrente sangüÃnea, disponibilizando-os para subseqüente oxidação com produção de adenosina trifosfto (ATP). Assim, a glicose torna-se o principal substrato para o metabolismo oxidativo quando os nÃveis de ácido graxos livres estão baixo e as concentrações de glicose e insulina estão elevadas.
Formação de Acetil-CoA - Nos perÃodos em que glicose não esta prontamente disponÃvel para gerar energia, como nos jejuns prolongados ou carência de insulina, o organismo humano lança da ativação da lÃpase no tecido adiposo que atua sobre os triglicérides, degradando-o em ácido graxos e glicerol. Os ácidos graxos vão ao fÃgado em grande quantidade, onde uma pequena parte é novamente transformada em triglicérides e a maior parte reage com a carnitina-acil-transferase, sofrendo uma beta-oxidação e resultando na formação de Acetil-CoA.
Quando o ciclo de Krebs não consegue utilizar o excesso de acetil-CoA, este é derivado para a formação de dois ácidos fortes, o beta-hidroxidobutÃrico (β-OHB) e ácido acetoacético (AcAc), que, por descarboxilação no pulmão e na bexiga, formam a acetona.
O termo “corpos cetônicos†refere-se à s três moléculas, ácido acetoacético (AcAc), beta-hidroxidobutÃrico (β-OHB) e acetona.
1. AcAc – acumula-se durante o metabolismo do ácido graxo sob condições de baixo carboidrato.
2. β-OHB - é formado pela redução do AcAc nas mitocôndrias.
3. Acetona – é gerada pela descarboxilação expontânea da AcAc, e é responsável pelo odor doce na respiração de indivÃduos com cetoacidose.
Durante perÃodos de hipoglicemia, os corpos cetônicos têm papel importante na economia da utilização de glicose e na redução da proteólise. Estão presentes em pequena quantidade no sangue de indivÃduos sadios durante o jejum prolongado e exercÃcios fÃsicos, e em grande quantidade nos diabéticos descontrolados, alcoólatras e envenenamento por salicilatos.
METABOLISMO DA GLICOSE
Gliconeogênese - A glicose e os ácidos graxos são metabolizados a acetil CoA, os quais entram no ciclo de Krebs por condensação com oxaloacetato. A glicolise produz piruvato, que é um precursor de oxalacetato. Se a glicolise cair a nÃvel muito baixo o oxaloacetato é preferencialmente utilizado no processo de gliconeogênese.
O metabolismo o corpo cetônico inclui tanto a cetogênese como a cetólise.
Cetogênese - Cetogênese é o processo que ocorre nas mitocôndrias dos hepatócitos perivenosos,no qual os ácidos graxos são transformados em AcAc e β-OHB. A produção de ácidos graxos no tecido adiposo é estimulada pela epinefrina e glucagon e inibida pela insulina.
Cetólise - Cetólise é o processo no qual os corpos cetônicos são convertidos em energia. A cetólise ocorre nas mitocôndrias das células que estão necessitando de energia.
Veja mais sobre a ação da insulina
Referência:
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Nair KS, Welle SL, Halliday D, Campbell – Effect f beta-hydroxybutyrate on whole-body leucine kinetics and fractional mixed skeletal muscle protein synthesis in humans. J Clin Invest 82:198-205,1988.
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Garber Aj, Menzel PH, Boden G, Owen OE – Hepatic ketogenesis and glucogeogenesis in humans. J Clin Invest 54:981-989,1974.
Zammit V – Regulation of ketone body metabolism. Diabetes Reviews 2:132-155,1994.
Balasse EO, Fery F – Ketone body production and disposal: effects of fsting, diabetes, and exercise. Diabetes Metab Rev 5:247-270,1989
Tags: cetoacidose diabética, corpos cetônicos, diabetes
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