25
Mai

 Surdez - Tratamento, implante coclear

Categoria(s): DNT, Otogeriatria

Painel

Mais de 15 milhões de brasileiros têm problemas de audição, segundo a Organização Mundial de Saúde, apenas 40% reconhecem a doença. A falta de informação e o preconceito fazem com que a maioria demore até 6 anos para tomar uma providência, escondendo o seu problema.

O maior dilema do surdo acontece em casa. Com o tempo quem tem problemas deixa de freqüentar a mesa da família e a sala de televisão.No idoso, a surdez constitui-se um dos mais importantes fatores de desagregação social, onde observamos a depressão, tristeza, solidão e isolamento.

O envelhecimento populacional é um dos maiores desafios da saúde pública. Trabalhos recentes demonstram que a deficiência auditiva acomete de alguma forma cerca de 70% dos idosos, pelo menos 10 milhões de pessoas em nosso país. A perda da audição é a segunda mais comum inabilidade física nos EUA, logo atrás da dor lombar.

Aproximadamente 10% da população dos EUA tem algum grau de perda auditiva, incluindo 1/3 dos americanos acima de 65 anos de idade.Definimos a perda auditiva natural do idoso, acima de 65 anos como Presbiacusia, que somado as alterações degenerativas de todo o nosso organismo, medicamentos, doenças crônicas e a história natural da vida de um indivíduo (relações inter-pessoais) torna a perda auditiva extremamente comprometedora, interferindo diretamente com a qualidade de vida.

O idoso é visto principalmente pelos familiares como confuso, desorientado, distraído, não comunicativo, não colaborador, zangado, velho e senil. Com isso, ele fica ansioso, frustrado por não entender aquilo que escuta com muita dificuldade, começa a cometer falhas, fica com raiva e acaba por se afastar da situação de comunicação. O resultado é o isolamento e a segregação.

Por todo esse quadro que observamos devemos ajudar as pessoas com problemas de audição seja idoso ou não, desmistificando, informando, levando–os a um tratamento adequado , respeitando as suas dificuldades e integrando-os novamente na sociedade.

Avaliação audiológica

A audiometria e a imitanciometria são os testes audiológicos básicos que formam o perfil audiológico, primeiro procedimento para a avaliação clínica das alterações da audição.

A avaliação da audição é subjetiva: o paciente informa se está ouvindo ou não os estímulos acústicos em diversas intensidades, nas freqüências de 250 a 8.000 Hz (por via área) e de 500 a 4.000 Hz (por via óssea).

1. A audiometria analisa quantitativamente o que o paciente escuta, o que ele entende do que se fala e detecta alterações auditivas correspondentes a problemas do ouvido externo e/ou médio (perdas auditivas condutivas), do ouvido interno, do VIII nervo e das vias auditivas (perdas neurossensoriais). Quando problemas do ouvido externo e/ou médio estão presentes simultaneamente com disfunções do ouvido interno, temos uma perda mista. A intensidade leve, moderada, severa ou profunda pode ser caracterizada em cada ouvido isoladamente. A audiometria inclui testes de reconhecimento de fala (discriminação vocal), limiar de reconhecimento de fala (SRT) e limiar de detecção de voz (LDV).

O tipo de perda auditiva mais comum em pacientes idosos é o neurossensorial, por lesão do ouvido interno ou do nervo coclear.

2. A imitanciometria ou impedanciometria avalia as condições da orelha média e da tuba auditiva à timpanometria na ausência de perfuração da membrana timpânica, os reflexos do músculo estapédio ipsi e contralaterais, que, quando precoces, sugerem afecção coclear e a fadiga do reflexo estapédico, que indica lesão retrococlear. As alterações à imitanciometria também são freqüentes em idosos.

3. Testes audiométricos avançados - Alterações dos testes audiométricos avançados são mais freqüentes em pacientes idosos do que em qualquer outra faixa etária. Constituem testes audiométricos avançados, a audiometria de altas frequências, as otoemissões acústicas, a electrococleografia, a audiometria de tronco encefálico, os potenciais auditivos de média latência, os testes de processamento auditivo central e os potenciais cognitivos (P300).

4. Os potenciais cognitivos (P300) medem a velocidade de processamento cerebral, integrando a audição com outras atividades cerebrais. Permite a caracterização do grau de envelhecimento cerebral, acompanhar a evolução de diversos problemas clínicos de cunho geriátrico, neurológico, psiquiátrico e fonoaudiológico.

implante

1. microfone; 2.cabo do processador de voz; 3. processador de voz; 4. peça auditiva externa; 5. implante; 6. eletrodo e 7 nervo auditivo.

Tratamento

A principal medida contra a surdez é a preventiva. Nos tempos atuais é grande o nível de “poluição sonoraâ€, desde a infância com brinquedos com altíssimos valores de decibéis, passando pela “baladas†dos jovens, atingindo os adultos com fábricas geradoras de estresse e muitos ruídos.

A adequada orientação terapêutica depende essencialmente da precisão do diagnóstico sindrômico, topográfico e etiológico. O tratamento etiológico, quando a causa é identificada, é fundamental, mas pode ser insuficiente para resolver o problema auditivo e/ou vestibular.

Na grande maioria dos casos é possível reconhecer um agente etiológico para a perda auditiva, o zumbido e/ou a tontura e, em muitos deles, é possível instituir uma terapêutica específica.

Diversos medicamentos, cirurgias, próteses auditivas, reabilitação auditiva, correção de erros alimentares e modificação de hábitos são opções para o tratamento em casos com zumbido e perda auditiva.

Atualmente um recurso que sempre deve ser estudado é o implante coclear, dispositivo eletrônico que faz a função das células ciliadas lesadas ou ausentes. Ele produz um estímulo elétrico às fibras remanescentes do nervo auditivo. Os primeiros trabalhos de pesquisa sobre os implantes cocleares começaram na França em 1957. A partir deles a tecnologia dos implantes cocleares tem sido desenvolvida desde um dispositivo somente com um eletrodo (ou canal), até um sistema complexo que transmite grande quantidade de informação sonora através de múltiplos eletrodos.

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24
Fev

 Ototoxicose - surdez, zumbidos e vertigem

Categoria(s): Bioquímica, Fisioterapia, Neurogeriatria, Otogeriatria

Resenha

Colaboradora : Talita Gameiro Ribeiro *

* Fisioterapêuta e Gerontóloga

Numerosas substâncias podem causar lesão transitória ou definitiva súbita, progressiva ou tardia dos sistemas auditivo e/ou vestibular periférico ou central. A ingestão recente de drogas possivelmente tóxicas deve ser argüida em qualquer paciente que se queixe de “tonteiraâ€. A cessação do uso da droga geralmente causa desaparecimento dos sintomas em poucos dias, embora a lesão vestibular e coclear causada por aminoglicosídios e outras ototóxicas possam resultar em permanente ataxia ou surdez.

A figura em azul ilustra o aparelho auditivo, as formas em formato de arcos são os canais semicirculares que respondem pelo equilíbrio e, a imagem em forma de um caracol é a coclea responsável pela audição, gerando a transmissão dos sons,

menierVeja na figura os delicados movimentos de estímulo da células ciliares no sistema coclear, responsável pela transmissão dos sons ao nervo auditivo (coloração vermelha), que são lesados na ototoxicidade.

coclea

Fonte: www.physics.purdue.edu

Na ototoxicose vestibular, o idoso pode apresentar tonteira na forma de vertigem, desequilíbrio e atordoamento. Também pode haver zumbido e perda auditiva. Esses sintomas são bilaterais e freqüentemente se acompanham de marcha atáxica, por afetarem de forma variável os aparelhos vestibular e coclear.A marcha atáxica se caracteriza por uma base de suporte alargada e uma marcha “arrastando os pésâ€. As pernas são em geral movimentadas para frente e para fora, em passos com os pés levantados. Com o calcanhar tocando o solo em primeiro lugar, a tal marcha é uma resposta a sensibilidade proprioceptiva alterada e à falta de conhecimento da localização dos pés em relação ao solo, encontrando-se um sinal de Romberg presente.

Substâncias ototóxicas

Inúmeras substâncias podem provocar lesões otológicas como: beta-bloqueadores, antiarrítmicos, anti-hipertensivos, vasodilatadores coronários ou periféricos, vasoconstritores, antimigranosos, anticoagulantes, diuréticos, antidepressivos, analgésicos, sedativos, tranquilizantes, hipnóticos, anticonvulsivantes, antiparkinsonianos, antieméticos, alguns relaxantes musculares e antiinflamatórios não hormonais, hormônios, antibióticos sistêmicos ou tópicos, citostáticos, sulfas, antituberculosos, anti-helmínticos, antimaláricos, antimicóticos, antialérgicos, anticoncepcionais, anestésicos, metais pesados, solventes, expectorantes, broncodilatadores, estimulantes respiratórios, moderadores de apetite, álcool, fumo, café etc.

Os antibióticos aminoglicosídeos são potentes ototóxicos. A gentamicina, o mais utilizado dos aminoglicosídeos, pode causar perda auditiva e lesar severamente o sistema vestibular, provocando desequilíbrio incapacitante e irreversível.

A monitorização do tratamento com aminoglicosídeos, citostáticos e outras drogas potencialmente tóxicas para a audição e o equilíbrio corporal deve ser sistematicamente efetuada, para surpreender o início da lesão labiríntica, o que pode ocorrer antes de surgirem sintomas de distúrbios cocleovestibulares e modificar a terapêutica.

Avaliação diagnóstica

Os principais fatores de risco para ototoxidade são função renal comprometida, alto nível sérico da droga, um curso de mais de 14 dias, uso anterior de drogas ototóxicas, perda auditiva sensório-neural preexistente e idade acima de 65 anos. Os métodos de prevenção incluem testes auditivos e vestibulares periódicos enquanto se está tomando medicamentos conhecidamente ototóxicos. Vários medicamentos prescritos para condições cardíacas, e alguns medicamentos anti-hipertensivos, podem causar tontura.

Medicamentos psicotrópicos, relaxantes musculares e anticonvulsivos podem também causar tontura. É importante inquirir sobre a ingestão de álcool e cafeína e qualquer uso de medicamentos vendidos sem receita médica, como preparações para a gripe e medicamentos para dormir.

Na avaliação auditiva, nos exames de audiometria tonal liminar e altas freqüências, os principais achados são:
- perda de audição neurossensorial bilateral simétrica de intensidade variável;
- curva audiométrica descendente é a configuração audiométrica mais freqüente;
- nas audiometrias de alta freqüência não existem padrões de normalidade;
- útil para detecção precoce do envolvimento do sistema auditivo;
- deve ser empregada para monitorar estados de risco para audição, como os tratamentos de quimioterapia oncológica.

Nas respostas auditivas para o tronco encefálico, são determinados os limiares auditivos em pacientes não-cooperantes. Nos testes de vestibulometria, o teste de nistagmo* pré-rotatório pode ocorrer acentuada hiporreflexia ou arreflexia, geralmente bilateral. Já no teste da auto-rotação cefálica, há uma redução de ganho e avanço da fase dos reflexos vestíbulo-oculares horizontal e vertical que são achados comuns nas hipofunções vestibulares bulbares.

* Nistagmo  - O termo nistagmo é usado para descrever os movimentos oculares oscilatórios, rítmicos e repetitivos dos olhos. É um tipo de movimento involuntário dos globos oculares, geralmente de um lado para o outro e que dificulta muito o processo de focagem de imagens. Os movimentos podem ocorrer de cima para baixo ou até mesmo em movimentos circulares e podem surgir isolados ou associados a outras doenças.

Os nistagmos variam de caso a caso e podem ser classificados de acordo com a manifestação clínica. Os principais tipos são: fisiológico, congênito, spasmus nutans, nistagmo do olhar, nistagmo vestibular, nistagmo por distúrbio neurológico, nistagmo voluntário e nistagmo histérico. Em geral, provocam incapacidade de manter fixação estável e significativa ineficiência visual, especialmente para visão à distância.

Tire suas dúvidas acessando as páginas - Vertigem - 200 dúvidas a respeito

Referências:

Ganança, M.M.; Caovilla, H.H.; Munhoz, M.S.; Silva, M.L.G.; Frazza, M.B.; Ganança, F.F., Ganança, C.F. - “Labirintites” no Idoso: Diagnóstico Laboratorial. Atualidades em Geriatria, 2(13): 8-10, 1997.

Ganança, M.M.; Caovilla, H.H.; Munhoz, M.S.; Silva, M.L.G.; Ganança, F.F.; Ganança, C.F.; Serafini, F. - Reflexões sobre a Farmacoterapia da Vertigem: Problemas e Soluções. Parte I - Crenças… Revista Brasileira de Medicina - Atualização em Otorrinolaringologia, 5(1): 4-12, 1998.

Ganança, M.M.; Caovilla, H.H.; Munhoz, M.S.; Silva, M.L.G.; Ganança, F.F.; Ganança, C.F.; Serafini, F. - Reflexões sobre a Farmacoterapia da Vertigem: Problemas e Soluções. Parte II - Atitudes… Revista Brasileira de Medicina - Atualização em Otorrinolaringologia, 5(2): 46-9, 1998.

KAHLMETER, G.; DAHLAGER, J.I.- Aminoglycoside toxicity – a review of clinical studies published between 1975 and 1982. J. Antimicrob Chemother, 13 Suppl A:9-22, 1984.

OLIVEIRA, J.A.A. - Em: COSTA, S.S.; CRUZ, O.L.E; OLIVEIRA, J.A.A. - Otorrinolaringologia: Princípios e Prática, 1ª. ed., Porto Alegre RS, Artes Médicas, 95-97, 1994.

KEMP, D.T. - Development in cochlear mechanics and techniques for noninvasive evaluation. Adv Audiol, 5:27-45, 1988

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29
Jan

 Surdez no idoso

Categoria(s): Otogeriatria

� � Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti

A Sociedade Brasileira de Otologia informa que cerca de 30% dos atendimentos nos consultórios de Otorrinolaringologia referem-se a problemas auditivos e por esse motivo fará uma campanha para conscientização por todo o País, com o objetivo de desmistificar tabus que envolvem a deficiência auditiva e com isso melhorar a qualidade de vida de quem sofre deste problema.

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Mais de 15 milhões de brasileiros têm problemas de audição, segundo a Organização Mundial de Saúde, apenas 40% reconhecem a doença. A falta de informação e o preconceito fazem com que a maioria demore até 6 anos para tomar uma providência, escondendo o seu problema.O maior dilema do surdo acontece em casa. Com o tempo quem tem problemas deixa de freqüentar a mesa da família e a sala de televisão. No idoso, a surdez constitui-se um dos mais importantes fatores de desagregação social, onde observamos a depressão, tristeza, solidão e isolamento.O envelhecimento populacional é um dos maiores desafios da saúde pública.Trabalhos recentes demonstram que a deficiência auditiva acomete de alguma forma cerca de 70% dos idosos, pelo menos 10 milhões de pessoas em nosso país. A perda da audição é a segunda mais comum inabilidade física nos EUA, logo atrás da dor lombar. Aproximadamente 10% da população dos EUA tem algum grau de perda auditiva, incluindo 1/3 dos americanos acima de 65 anos de idade.

Definimos a perda auditiva natural do idoso, acima de 65 anos como Presbiacusia, que somado as alterações degenerativas de todo o nosso organismo, medicamentos, doenças crônicas e a história natural da vida de um indivíduo (relações inter-pessoais) torna a perda auditiva extremamente comprometedora, interferindo diretamente com a qualidade de vida.

O idoso é visto principalmente pelos familiares como confuso, desorientado, distraído, não comunicativo, não colaborador, zangado, velho e senil. Com isso ele fica ansioso, frustrado por não entender aquilo que escuta com muita dificuldade, começa a cometer falhas, fica com raiva e acaba por se afastar da situação de comunicação. O resultado é o isolamento e a segregação.

Por todo esse quadro que observamos devemos ajudar as pessoas com problemas de audição seja idoso ou não, desmistificando, informando, levando–os a um tratamento adequado , respeitando as suas dificuldades e integrando-os novamente na sociedade.

Referência:

Sociedade Brasileira de Otologia [on line]
Manual Merck de Geriatria e Gerontologia [on line]
Campanha da saúde auditíva [on line]

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