09 - jun

Pele espessa (Hiperqueratose) – Doença de Flegel

Categoria(s): Dermatologia geriátrica, Doença de causa desconhecida

Dermatose perfurante

Hperqueratose lenticular persistente (HLP) é uma doença rara descrita em 1958 por Flegel. É caracterizada por pequenas pápulas hiperceratóticas, eritematosas ou acastanhadas (Figura A), distribuídas simetricamente nos membros, preferencialmente no dorso dos pés e no terço inferior das pernas. A curetagem dos componentes hiperceratóticos provoca sangramento puntiforme.

O aspecto histológico caracteriza-se pela presença de hiperqueratose, afinamento ou ausência da camada granular, atrofia epidérmica e infiltrado em banda na derme superior, havendo diferenças entre lesões novas e antigas. Nas novas, verificam-se maior atrofia e maior inflamação com células linfocitárias e histiócitos do que nas antigas (Figura B), o que as antigas a hiperqueratose é maior e o infiltrado inflamatório menor (Figura C).

O diagnóstico diferencial faz-se com estucoqueratose, ceratoses actínicas, hiperceratose focal acral,
Doença de Darier e Doença de Kyrle.

Referência:

Flegel H. Hyperkeratosis lenticularis perstans. Hautarzt. 1958;9:363-4.

Price ML, Jones EW, MacDonald DM. A clinicopathological study of Flegel’s disease
(hyperkeratosis lenticularis perstans). Br J Dermatol. 1987;116:681-91.

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19 - dez

Câncer de pele – Carcinoma espinocelular

Categoria(s): Câncer - Oncogeriatria, Dermatologia geriátrica, Odontologia geriátrica

Oncologia – Câncer de pele

Carcinoma  Espinocelular

O Carcinoma  Espinocelular é uma neoplasia maligna da epiderme derivada da exposição à substâncias químicas (coaltar, arsênico, petróleo e derivados) e radioativos (UVA, UVB, raios X), fumo e próteses dentárias.  Pode surgir em pele sadia ou em lesões preexistentes como xeroderma pigmentar e albinismo (genodermatoses), úlcera de Marjolin (úlceras e cicatrizes), lúpus tuberculoso e lúpus eritematoso (doenças cutâneas crônicas), úlceras crônicas, radiodermites, ceratose tóxica e ceratose actínica.

Clinicamente caracteriza-se por nódulo de caráter ceratósico, podendo chegar à metastatização, após meses e até anos a partir do início da neoplasia. O fundo do
nódulo apresenta aspecto irregular com vegetações medindo poucos milímetros de diâmetro (figura). Sua evolução é rápida direcionando-se para fora, neste caso, adquirindo aspecto vegetante ou pode invadir a hipoderme e a derme, quando cresce para dentro. Pode ainda resultar em área de infiltração pouco visível. Quando ulcera, provoca sangramento formando cobertura crostosa.

Localiza-se normalmente na face e dorso das mãos (áreas expostas ao sol), orelhas, mucosas e semimucosas (boca, lábio inferior, glande e vulva), em cicatrizes de queimaduras e tronco.

Tratamento

A exérese cirúrgica e avaliação anatomopatológica de margens faz-se mister para se obter grau de profundidade e de invasão. A ressecção deve ser feita com o intuito de se obter margens livres em toda direção, pois, desta forma, a prognose é boa, principalmente para os casos recentes e adequadamente tratados.

Referências:

Dermatologia Básica – Sampaio, Castro, Rivitti. Ed. Artes Médicas.

Dermatology in General Medicine – Fitzpatrick, Eisen, Wolf, Frredberg, Austen. Ed. McGraw Hill, Inc.

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27 - mai

Lesões eritematosas da pele: Ceratose actínica

Categoria(s): Dermatologia geriátrica, Programa de saúde pública

Dicionário

Ceratose actínica – as ceratoses actínicas são conhecidas como ceratoses solares por serem causadas pela exposição constante aos raios ultravioletas do sol. As ceratose actínicas são as lesões de pele pré-cancerosas mais comuns, afetando cerca de 60% das pessoas de pele clara com idade acima de 40 anos.

As ceratoses actínicas aparecem como lesões hiperceratóticas. Podem ter ou não uma base eritematosa. As ceratoses actínicas, em geral, são redondas ou ovais, comumente presente nas áreas mais expostas ao sol, como a face, o pescoço e os antebraços. As margens são nítidas e bem demarcadas. As lesões são firmimente aderidas à pele e são dificilmente pinçadas.

A ceratose actínica é importante porque é precursora direta do carcinoma invasivo de células escamosas. Além disso, sua presença é um fator de risco para os outros cânceres de pele, o carcinoma de células basais e o melanoma. Embora a progressão para malignidade invasiva seja rara, as ceratoses actínicas são carcinomas in situ de células escamosas.

A característica histológica principal da ceratose actínica é a displasia ceratinocítica, ou maturação desordenada dos ceratócitos (figura acima).

Tratamento – Todas as formas de tratamento para a ceratose actínica são localmente destrutivas e se baseiam na reepitelização com ceratinócitos menos lesados, como os dos folículos pilogênicos, que estão inacessíveis à radiação ultravioleta.

Lesões localizadas

Crioterapia com nitrogênio líquido
– essa terapia separa a pele lesada na junção dermoepidérmica, removendo os ceratinócitos epidérmicos anormais. A formação de bolhas e crostas que ocorre no local do tratamento se resolve em uma semana.

Lesões extensas

Para a pele com ampla área comprometida o uso tópico de 5-fluorouracil é a terapia comumente empregada. O creme é aplicado duas vezes ao dia em toda área lesada pelo sol. Após 2 ou 3 semanas as áreas lesadas se tornam vermelhas e erodidas, momento no qual a terapia deve ser descontinuada. A cicatrização ocorre ao longo de 2 a 3 semanas. Considerando-se a grave irritação que geralmente está associada a este tratamento, alguns especialistas preferem esquemas menos intenso, com aplicações menos frequentes por períodos maiores.

Descamação química, recapeamento a laser e curetagem são outras opções de tratamento. Todo esse tipo de tratamento deve ser feito por dermatologista experiente.

Referência:

Drake LA, Ceilley RI, Cornelison RI et al – Guidelines of care for actinic keratoses J Am Dermatol 1995;32:95-98.

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08 - abr

Ceratose actínica

Categoria(s): Caso clínico, Dermatologia geriátrica

Interpretação

  • Um senhor de 64 anos procura o consultório para uma avaliação geral. Descendente de italianos, de pele clara, sempre trabalhou na lavoura. No exame físico a pele do dorso das mãos, braços, pescoço e rosto apresenta numerosos sinais ásperos, escamosos. Você procura sinais que possam indicar possível ponto de câncer de pele.

Qual o processo maligno tem maior possibilidade de ocorrer neste paciente?

Existem inúmeras evidências epidemiológicas, histopatológicas e da biologia molecular, indicando que a ceratose actínica e o carcinoma de células escamosas são estágios diferentes da evolução do câncer. Os estágios oncológicos variam das alterações displásicas pré-clínicas, passando pela ceratose actínica, até o carcinoma invasivo de células escamosas.

A radiação ultravioleta proveniente da exposição solar danifica o DNA dos ceratinócitos, que formam a primeira camada de células da pele. As células danificadas, ou morrem por apoptose ou sobrevivem com uma reparaçnao completa ou incompleta do DNA. As células que sobrevivem persistem como mutações e levam a expansões clonais e a lesões clínicas reconhecidas como ceratose actínica. Algumas ceratose actínicas persistem como um ponto intermediário entre o câncer e a regressão, outras, entre tanto evoluem em direçnao do carcinoma invasivo se células escamosas.

Importante: É impossível prever clinicamente quais as ceratoses actínicas que vão evoluir para carcinoma de células escamosas e quais vão ficar no ponto intermediário. Portanto, o tratamento das ceratoses actínicas é uma das medidas fundamentais para evitar o futuro câncer.

O exame completo e minuncioso da pele do paciente é fundamental para diagnosticar as lesões que estão evoluindo, ou já possam ter evoluído para carcinoma de células escamosas por apresentarem-se maiores ou mais espessas que as outras áreas de ceratose actínica.

A ceratoacantoma é um outro tipo de câncer de pele relacionado ao carcinoma de células escamosas.  Acredita-se que seja uma forma evolutiva do carcinoma de células escamosas, nas quais o tumor cresça rapidamente até um tamanho de 1 a 2 cm ao logo de 4 a 6 semanas, permanece quiescente (sem se desenvolver) durante um tempo curto e, entnao, regride ao longo de 4 a 6 semanas (variedade abortiva do carcinoma de células escamosas).

Veja – Estudo de caso: Ceratose actínica

Referências:

Salasche SJ – Epidemiology of actinic keratoses and squamous cell carcinoma. J Am Acad Dermatol. 2000;42:4-7.

Guenthner STENT, Hurwits RM, Buckel LJ, Gray HR – Cutaneous squamous cell carcinomas consistently show histologic evidence of in situ changes: a clinicopathologic correlation. J Am Acad Dermatol 1999;41:443-448.

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29 - jul

Ceratose Solar ou ceratose actínica – Mancha senil

Categoria(s): Dermatologia geriátrica, Gerontologia, Nutrição

Resenha

As alterações dermatológicas têm assumido importância cada vez maior em virtude do aumento da vida média das mulheres e das melhores condições de vida, refletindo, mais do que qualquer outro órgão, as condições de saúde, a idade e o estado endócrino.

As principais alterações dermatológicas são representadas pelo envelhecimento cutâneo, aparecimento de rugas, dos anexos cutâneos, dos cabelos e as alterações da pigmentação, chamada de mancha senil.

Ceratose actínica – as ceratoses actínicas são conhecidas como ceratoses solares por serem causadas pela exposição constante aos raios ultravioletas do sol. As ceratoses actínicas aparecem como lesões hiperceratóticas. Podem ter ou não uma base eritematosa. As ceratoses actínicas, em geral, são redondas ou ovais, comumente presente nas áreas mais expostas ao sol, como a face, o pescoço e os antebraços. As margens são nítidas e bem demarcadas. As lesões são firmimente aderidas à pele e são dificilmente pinçadas. São consideradas lesões pré-cancerosas.

Mancha senil – Com a idade, há uma progressiva redução do número de melanócitos dopa-positivos da pele com conseqüente formação de manchas hipocrômicas. Há também formação de sardas (pequenas manchas pigmentadas, castanhas) que surgem no rosto e no corpo de certas pessoas, sobretudo nas de pele muito clara, devido ao aumento da deposição de melanina. Surgem também melanoses (pigmentos pretos pelo depósito abundante de melanina). Estas alterações ocorrem em 50% dos indivíduos acima de 45 anos, devido à hiperplasia localizada de melanócitos da junção dermoepidérmica.

Veja também – melanina e melanogênese

O tratamento preventivo é fundamental, o esclarecimento e aconselhamento a evitar a exposição prolongada ao sol e o uso de bloqueadores solares, fazem a diferença. O tratamento mais comum empregado para as lesões já estabelecidas é o congelamento com nitrogênio líquido. As lesões da ceratose actínica se beneficiam com o uso de creme de 5-flurouracil a 5% , aplicado nas lesões uma vez ao dia, durante várias semanas.

Cuidados com a pele A estrogenioterapia, feita de acordo com os esquemas prescritos para mulheres climatéricas, atua não só como terapêutica mas também como preventivo das alterações descritas da pele.

A pele seca e escamosa é quase sempre reversível com reposição de hormônios sexuais apropriados. É evidente que os hormônios sexuais e, em particular os estrogênios, desempenham importante papel na manutenção da qualidade da pele da mulher, pois segundo vários estudos existem receptores para estrogênios na pele.

A produção de colágeno aumenta após a administração de estrogênios, os quais alteram a polimerização de mucopolissacarídeos. Esta terapêutica também melhora o conteúdo de água no fluido intercelular da derme, pelo aumento da síntese de ácido hialurônico.

A alimentação rica em água e vitaminas (especialmente vitaminas A e E), assim como o repouso, as massagens e a limpeza adequada da pele, complementam a terapêutica.

Veja mais sobre – Envelhecimento cutâneo

Referência:

Alderman AM – Problemas dermatológicos comuns Cap 18. In Adelmarn AM & Daly MP Eds. 20 problemas mais comuns em geriatria. Revinter, Rio de Janeiro, 2004. p.336.

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