23 - nov

Sistema Imunológico – Célula Natural Killer (NK)

Categoria(s): Biologia, Câncer - Oncogeriatria, Conceitos, Gerontologia, Imunologia, Inflamação

Célula Natural Killer (NK)

As células Natural Killer (NK) são as células linfocitárias mais agressivas do sistema imunitário. Eles representam cerca de 5% a 15% da população total de linfócitos circulantes. Eles têm como alvo células mal formadas, células neoplásicas (tumorais) e proteção contra uma ampla variedade de microorganismos infecciosos. As células Natural killer, também, são um fator muito importante na luta contra o câncer.

Estimulação imunológico é a chave para manter a contagem de leucócitos (células brancas do sangue) elevado e dando as células Natural Killer a chance de lutar contra o câncer e outras doenças.

 

 

 

Como as células Natural Killer detectam as células doentes?

As células NK monitoram o nível de proteínas MHC (major histocompatibility complex) classe I, que são expressadas na superfície da maioria das células. A presença destas proteínas em níveis altos inibe a atividade citolítica (destruidoras) das células NK. Porém, as células NK seletivamente matam células que estão expressando estas proteínas em nível baixo, o que ocorre tanto em células infectadas por vírus como em células tumorais.

Portanto, as células Natural Killer são as células das linhas de defesa, são linfócitos não antígeno-específico, quando ativados pelas citocinas, como o Fator de necrose tumoral (TNF), Interleucina-1 (IL-1) e Interleucina-2 (IL-2), e liberam interferon gama que lisam células infectadas. Assim, as células Natural Killer matam as células infectadas por vírus através da indução de apoptose (morte celular programada) antes que os vírus tenham chance de replicar-se. Isto é feito através de ligação a receptores de superfície nas células infectadas, ou injetando nelas enzimas proteolíticas que ativam a cascata das caspases, enzimas que desencadeiam a apoptose.

Referências:

Burnet M. Cancer; a biological approach. I. The processes of control. Br Med J 1957:779-786.
Burns EA, Leventhal EA. Aging, immunity, and cancer. Cancer Control 2000;7:513-522.
Smyth MJ, Hayakawa Y, Takeda K, Yagita H. New aspects of natural-killer-cell surveillance and therapy of cancer. Nat Rev Cancer 2002; 2:850-861.

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02 - out

MicroRNA – Nova Fronteira da biologia

Categoria(s): Avanços da Medicina, Biologia, Cardiogeriatria, Câncer - Oncogeriatria, Gastroenterologia, Genética médica, Hematologia geriátrica

MicroRNAs

Os microRNAs (miRNAs) são um grupo de pequenos RNAs não codificadores de proteínas, com aproximadamente 19 a 25 nucleotídeos. Estes pequenos RNAs foram descritos em 1993 em estudos do desenvolvimento de nematódeos, e possuem a capacidade de modular uma enorme e complexa rede regulatória de expressão dos genes. Os miRNAs são sintetizados a partir de genes específicos ou de determinadas regiões gênicas que não estão relacionadas à produção de proteínas, os introns. Com o auxílio de um complexo enzimáticos denominado Complexo de Indução do Silenciamento do RNA (RISC), se ligam ao RNA mensageiro alvo (RNSm-alvo) impossibilitando que os ribossomos consigam acessar a informação genética contida nos RNAm acarretando a diminuição da síntese proteica específica deste gene.

Mais de 700 miRNAs humanos já foram identificados nas células e tecidos e embora as funções biológicas não estejam totalmente compreendidas, acredita-se que 30 a 60% dos genes codificadores de proteínas sejam regulados pelos miRNAs. Recentemente, Mitchell e cols identificaram miRNAs específicos de câncer de próstata circulante no plasma tornando-os promissores como marcadores de lesão tecidual.

Diabetes mellitus – O diabetes tipo 2 resulta de defeitos combinados na secreção e ação da insulina. A capacidade de secreção da insulina decai durante a progressão do diabetes, possivelmente devido ao acúmulo de danos causados pela hiperglicemia, hiperlipidemia e estresse oxidativo. A recente descoberta de miR-375, um miRNA expresso especificamente na ilhota pancreática, revelou um novo componente na maquinaria de secreção da insulina. Até o momento, não se sabe se ocorrem alterações na função dos miRNAs em pacientes diabéticos; no entanto, outros 67 miRNAs foram identificados em células beta.

Cardiopatia – Entre 150 a 200 miRNAs foram relacionados com alterações cardíacas e os miRNAs-208a, -208b e -499 são específicos do cardiomiócito. Abrindo uma nova fronteira para conhecimento e entendimento das doenças cardíacas onde estes miRNAs aumentam no coração em resposta ao estresse fisiológico, sobrecarga hemodinâmica ou lesão miocárdica.

Obesidade – A obesidade é excessiva em países ocidentais e contribui para diversas patologias comuns incluindo diabetes tipo 2, hipertensão e doenças coronarianas. O miRNA MiR-143 foi associado à diferenciação de adipócitos. A redução dos níveis deste miRNA in vitro em pré-adipócitos humanos, promove a diminuição da expressão de genes específicos das células adipócitas, tais como: GLUT4, HSL, fatty acid-binding protein aP2 e PPAR-g2, além de diminuir sua habilidade em acumular triglicérides, características fundamentais na manutenção da diferenciação das células gordurosas.

Câncer – A expressão alterada de miRNAs vem sendo relacionada a diversos tipos de câncer, podendo funcionar como oncogenes ou genes supressores de tumor. Em humanos, 50% dos genes de miRNAs estão localizados em sítios genômicos associados ao câncer. Por exemplo, os genes miR-15 e miR-16 estão situados no cromossomo 13q14, uma região deletada em mais da metade das leucemias linfocíticas crônicas (LLC) de células B. Os níveis dos miRNAs maduros de miR-143 e miR-145 estão significantemente diminuídos em tumores colorretais e linhagens celulares de câncer linfóide, mama, próstata e colo uterino, sugerindo que possam atuar como supressores nestes tipos tumorais.

Referências:

Kim VN. MicroRNA biogenesis: coordinated cropping and dicing. Nat Rev Mol Cell Biol 2005;6(5):376-85.

Mitchell PS, Parkin RK, Kroh EM, Fritz BR, Wyman SK et al. Circulating microRNAs as stable blood-based markers for cancer detection. Proc Natl Acad Sci USA. 2008;105(30):10513-8

Esau C, Kang X, Peralta E, Hanson E, Marcusson EG, Ravichandran LV, et al. MicroRNA-143 regulates adipocyte differentiation. J Biol Chem 2004;279(50):52361-5.

Calin GA, Sevignani C, Dumitru CD, Hyslop T, Noch E, Yendamuri S, et al. Human microRNA genes are frequently located at fragile sites and genomic regions involved in cancers. Proc Natl Acad Sci USA 2004;101(9):2999-3004.

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25 - jul

Biologia do Câncer – Papel da apoptose

Categoria(s): Avanços da Medicina, Biologia, Câncer - Oncogeriatria

Biologia do Câncer e Apoptose

A manutenção do tamanho de um orgão ou tecido é mantida às custas do equilíbrio entre a formação e destruição das células. Fisiologicamente a apoptose é um dos principais participantes ativos da homeostase no controle do equilíbrio entre a taxa de proliferação e morte em um tecido, o que auxilia na manutenção do tamanho e forma dos tecidos e órgãos adultos e em desenvolvimento. É fácil imaginar que para uma determinada taxa de proliferação celular, deverá existir uma mesma taxa de morte celular. Quando a taxa de proliferação for exagerada ou a taxa de morte for baixa, ocorrerá o aparecimento de uma neo(novo)plasia(tecido)=câncer.

O conhecimento da atuação dos proto-oncogenes, dos genes supressores de tumor e agentes extracelulares, que levam a morte celular programada, é muito importante para o conhecimento da senescência (envelhecimento natural do indivíduo) e como retarda-la.

Indutores de apoptose
Existem muitos agentes que podem induzir o processo apoptótico, dentre eles podem ser citados alguns ativadores fisiológicos como fatores de crescimento, neurotransmissores, glicocorticóides e o cálcio, e outros. Fatores ambientais também podem ser considerados indutores de apoptose, como, por exemplo, os choques de temperatura, toxinas bacterianas, radicais livres, agentes oxidantes, agentes genéticos, dentre outros. Muitos agentes farmacológicos podem também induzir a apoptose, como, por exemplo, os quimioterápicos, antibióticos, radiações, peptídeos beta-amilóide e o etanol.

Inibidores da apoptose
Dos agentes que inibem a apoptose, citam-se principalmente os hormônios esteroides, zinco, fatores da matriz extracelular, alguns aminoácidos.

O conhecimento da biologia celular moderna tem revelado a cada dia que a morte celular programada e seus indutores e inibidores podem ser a chave da compreensão e entendimento de muitas doenças.

Nos cânceres, a quebra do mecanismo que regula a população celular pode levar a um acúmulo de células neoplásicas. Quase todas as drogas quimioterápicas levam à morte da célula tumoral através da ativação do programa de morte celular apoptótica.

O entendimento dos processos bioquímicos e genéticos da apoptose será de extrema importância na geriatria, na cura e prevenção de muitas doenças e compreensão do envelhecimento celular.

Assista o vídeo sobre a replicação das células cancerosas.

Referência:

Thompson CB. Apoptosis in the pathogenesis and treatment of disease. Science, 1995; 267:1456-62.

Molina FD et al – Apoptose em otorrinolaringologia e cabeça e pescoço. Rev. Bras. Med . V.60 N.6 Julho de 2003: 365-369.

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18 - jun

Câncer e tabagísmo – Apague esta idéia

Categoria(s): Cardiogeriatria, Câncer - Oncogeriatria, Notícia

Câncer e tabagísmo

Dados da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (AIPC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que o número de pessoas com câncer deve crescer mais de 75% até 2030. Um dos motivos apontados pelo estudo é a adoção de estilos de via insalubres, especialmente em países pobres. Países como Brasil, Grã-Bretanha, Austrália e Rússia, os tipos de câncer mais comuns são os relacionados ao tabagismo, à obesidade e à má alimentação. Os pesquisadores dizem que a melhoria na qualidade de vida pode levar a uma diminuição dos casos de câncer relacionados a infecções nos países subdesenvolvidos, mas, em contrapartida, tende a aumentar os relacionados à alimentação, sedentarismo e obesidade.

A fumaça do cigarro contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, incluindo arsênico, amônia, monóxido de carbono (o mesmo que sai do escapamento dos veículos), substâncias cancerígenas, além de corantes e agrotóxicos em altas concentrações. O tabagismo é responsável por mais de 50 doenças, como diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias.

Referência: INCA [on line]

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17 - jun

Câncer de pênis – A vítima do preconceito

Categoria(s): Câncer - Oncogeriatria, Notícia, Sexualidade e DST, Urologia geriátrica

Câncer de pênis – A vítima do preconceito

O Brasil é o recordista mundial em casos de câncer de penis. Os pacientes procuram tardiamente os serviços médicos, e o resultado, em geral, é a amputação peniana, com consequências pessoais terríveis.

Estudos do INCA (Instituto Nacional do Câncer) e o Instituto de Virologia da Fundação Oswaldo Cruz, mostraram que 75% dos casos de câncer de pênis estava associado ao HPV, vírus cuja principal forma de transmissão é por via sexual, reforçando a necessidade de esclarecimento e prevenção, onde a higiene é fundamental.

Cumpre lembrar que o vírus HPV é responsável por quase a totalidade dos casos de câncer de colo de útero.

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